Depois de passar pelas belas falésias de Jacarecica do Sul e dos arrecifes da praia de Jequiá, seguimos para a cidade com o objetivo de conhecer a terceira maior lagoa de água doce da América Latina. É assim que a lagoa de Jequiá é apresentada aos visitantes. E a imponência dela impressiona. Cerca de metade dos 15 mil moradores do município vivem da pesca abundante da carapeba, camorim e tilápia. A lagoa também tem camarão e siri em grande quantidade. Chamam atenção as construções de madeira e palha onde ficam os covos (utilizados para a pesca do camarão) e os giraus (plataformas de madeira usadas para o arremesso das redes). As águas abençoadas também ajudam as donas-de-casa a lavar a roupa, e servem de diversão para a garotada.
“Estamos com um projeto de transformar isso aqui num pólo turístico, construindo quiosques e um cais. Quando tudo estiver pronto, asseguro que 40% dos moradores de Jequiá poderão se dedicar ao turismo”, diz Jean Bertoldo, diretor de Turismo do município e nosso guia eficientíssimo. “Como a água é muito limpa e o cenário é belíssimo, poderemos ter aqui a prática de esportes náuticos e o incremento dos passeios pela lagoa”. A prefeitura tenta ainda reabrir o complexo Norte Grande, um imenso restaurante que oferecia passeios de Jet-ski, banana-boat e caminhadas ecológicas.
O complexo oferecia também um passeio muito legal em direção ao rio do Norte, conhecido com rio gelado. Como o próprio nome diz, a água é muito fria e, garantem os mais antigos, chegava a gelar cervejas e refrigerantes. Hoje, com Norte Grande desativado, o passeio pode ser feito das margens da lagoa. Fale com os pescadores, pegue uma canoa a motor e se divirta.
Barra de Jequiá
O ponto mais visitado de Jequiá da Praia é mesmo Barra de Jequiá, também conhecida como Duas Barras. Visto do alto, o lugar é de tirar o fôlego. Fomos até a Pousada dos Coqueirais, cujo acesso é feito pela AL 101 Sul. Ao chegar lá, a surpresa.
A visão de Barra de Jequiá é completa. É possível ver a vegetação densa, cortada pelo rio Jequiá, que deságua magnificamente na praia de Duas Barras. No cenário, destaca-se o complexo Dunas de Marapé, um dos pontos mais visitados por turistas em todo o Estado.
Descemos para ver tudo mais de perto, e o encantamento só fez crescer. O lugar é muito movimentado, com entra e sai de turistas e ônibus. Escolher o que fazer em Duas Barras é uma missão nada simples. Decidimos primeiro fazer um passeio pelo rio Jequiá.
Você escolhe se visita o local com uma canoa a motor – dezenas cortam o rio a todo momento – ou se faz o passeio nos barcos do complexo Dunas de Marapé. Em um ponto do rio é possível parar e tomar um banho tranquilo e refrescante.
Mas não se acanhe, e contemple a natureza com calma. Pela proximidade com o mar, é possível sentir o cheiro da maresia e ouvir as ondas da praia de Duas Barras quebrando na areia. Uma sensação inesquecível.
De volta, seguimos para Dunas de Marapé, formada por uma grande restaurante, um mirante, uma boutique e um bar – este, já à beira do mar. A travessia do rio é feita por embarcações do próprio complexo ou a pé, quando a maré está baixinha. Dunas de Marapé possui ainda uma pousada à beira do rio Jequiá.
A praia de Duas Barras segue o padrão “Beleza Alagoana” e possui uma cor azul-esmeralda encantadora. De volta, almoçamos bem pertinho dali, no restaurante Paraíso Bar, do famoso “Zé da Barra”. O lugar é conhecido por oferecer o melhor massunim do Brasil. Comemos, e assinamos em baixo. Por fim visitamos um mercadinho de artesanato que fica no acesso a Dunas de Marapé. Trabalho muito bem feito, de extremo bom gosto. São bolsas, porta-jóias e muitas outras peças feitas da palha de ouricuri.
E é assim que nos despedimos de Jequiá da Praia. Hora de pegar a estrada rumo a Coruripe. Mas isso é assunto para um outro dia.
Esse passeio só foi possível graças ao Levy (assessor de Comunicação), a Jean Bertoldo (diretor de Turismo) e ao prefeito Marcelo Beltrão. Obrigado a todos.
História No princípio toda a zona do município de Jequiá da Praia esteve habitada pela tribo dos índios Caetés, que instalaram-se no lugar após encontrarem uma terra rica formada por rios, lagunas e situada às margens do Oceano Atlântico.
Posteriormente foi invadida pelos portugueses ao localizar uma zona excelente para estabelecer-se, rodeada por belas e amplas zonas úmidas, ideais para agricultura, e o mar, onde desenvolviam outra de suas principais atividades, a pesca.
Foi fundada como município independente no ano de 1995, sendo o último a constituir-se no Estado de Alagoas. Desde sua origem toda a zona havia pertencido aos municípios de São Miguel dos Campos e de Coruripe.
Pegar o carro e sair singrando as rodovias por aí é um experiência excitante. Fiz isso no final de semana. Coloquei no carro três mulheres – isso mesmo, três mulheres – e segui rumo a duas cidades do litoral sul de Alagoas: Jequiá da Praia e Coruripe. A AL 101 Sul tem uma asfalto irregular e milhares de remendos, que, por ora, nos livram dos buracos. Mas é bom ter cuidado. Aqui e ali eles aparecem, de repente. Se o motorista não tiver habilidade, bumm – lá se vai um pneu.
Já conhecia as duas, pois tive a oportunidade de registrar em vídeo suas belíssimas praias para o programa Alagoas de Norte a Sul, pela TV Pajuçara – Record.
Mas desta vez foi diferente. As prefeituras dos dois municípios deram um apoio fundamental (Levi e Jean Bertoldo em Jequiá, Marcela e Angélica em Coruripe) e pude registrar em fotos lugares de uma beleza indescritível, que precisam ser conhecidos por todos os alagoanos.
O cardápio é variado. Embora o foco da viagem fosse a praia, visitei rios, lagoas, morros e uma vegetação rica, que ora é formada de coqueiros, ora de mata atlântica.
Foram dois dias de exploração e emoções fortes, regados, claro, a peixadas, camarão ao coco e massunim.
A primeira parada foi em Jequiá da Praia, a 68 Km de Maceió. Chegamos a um povoado acolhedor, chamado Lagoa Azeda. O lugar possui uma rua apertada, cercada de casas por todos os lados. Algumas residências de veraneio, e muitas de pescadores.
Descemos do carro no meio da manhã, sob um sol enlouquecedor. À nossa frente, um mar bravio, mas intensamente bonito. A praia tem os arrecifes que acompanham todo o nosso litoral, mas em Lagoa Azeda é diferente. As pedras beijam a areia e produzem um visual único.
É preciso conhecer bem o local para se aventurar num banho. O povoado tem como atividade principal a pesca – principalmente a do camarão. Os barcos, com seus braços abertos segurando as imensas redes, estão por toda a parte. Como se não bastasse tamanha beleza, de lá é possível ainda ver as falésias de Jacarecica do Sul. Quer mais?
Como é voltada basicamente para a pesca, Lagoa Azeda tem uma estrutura muita simples de bares e recebe muita gente que gosta de acampar. Muitas vezes, o povoado é invadido também por mergulhadores, em busca de observar os restos do navio Itapagé, torpedeado em 26 de setembro de 1943, pelo submarino alemão U-161, ocasião em que morreram 22 de seus 106 ocupantes.
Mesmo que você não curta acampar nem mergulha profissionalmente, ainda assim não deixe de visitar Lagoa Azeda. A prefeitura está articulando junto aos moradores a estruturação da área para se tornar definitivamente um ponto turístico. Aí, ninguém vai segurar o povoado.
PS. Antes que me crucifiquem, as três mulheres que me seguiram na viagem são Rosa, Gabi e Bruna – minha mulher e minhas duas filhas.
O bairro de Ipioca sempre foi passagem para quem segue rumo ao litoral norte de Alagoas. O lugar, apesar de ter um belíssimo litoral, nunca fazia parte do roteiro turístico de quem estava em Maceió.
Mas essa realidade começa a mudar, graças à visão de empresários da hotelaria e de restaurantes, que encontraram no bairro um aspecto diferenciado, com cara de cidadezinha, mas bem perto do centro da capital – são apenas 18 quilômetros de distância.
Hoje, um importante hotel se instalou em Ipioca e pelo menos três restaurantes são sinônimos de excelente cozinha e boa música.
Vamos começar falando da praia. O mar de Ipioca é uma delícia, e na maré baixa, torna-se um convite irresistível para um banho. Quando a maré sobe é preciso ter mais atenção, mas nada que assuste. A estrutura de bares é mínima, mas há locais para uma cerveja geladinha e um saboroso tira-gosto. A dica é pegar a estrada de barro ao lado da imensa placa do Clube dos Trabalhadores do Açúcar, na AL 101. O acesso está bem esburacado, mas o destino final vale à pena.
Ipioca possui ainda um passeio às piscinas naturais, pouco conhecidas dos alagoanos e turistas. Não há nada que lembre a organização dos jangadeiros na praia de Pajuçara, mas é possível fazer o passeio por vinte reais, após um bate-papo com pescadores locais. O lugar é muito bonito, e dá para curtir a natureza com tranqüilidade, uma vez que a freqüência de visitantes é pequena.
De olho no futuro
A cara de Ipioca começou a mudar depois da instalação de dois restaurantes na parte alta do bairro. Aproveitando o visual incrível – o azul do mar é emoldurado por um tapete verde de coqueiros a perder de vista – os empresários idealizaram os restaurantes Oca e Villa Chamusca.
No cardápio do Oca, a campeã de pedidos é a salada praieira, com peixe, camarão, polvo, sururu, abacaxi, batata, maionese e creme de leite. Os pratos têm nomes de artistas alagoanos das mais variadas áreas. Destaque – segundo os próprios clientes – para o camarão Delson Uchôa, que vem frito, temperado e empanado na massa de banana, e a Cartola Oca, com banana frita, queijo de coalho assado e mel de engenho. O restaurante, oriundo de Olinda (PE), prima pelo cardápio caprichado.
Já o Vila Chamusca – embora também possua uma cozinha caprichada – tem como ponto alto os shows ao vivo de música popular brasileira, jazz e blues. A casa já tornou-se tradição da boa música em Maceió, atraindo um público seleto. Destaque na cozinha para os macarajés – pequenos acarajés de macaxeira – e o filé de lagostim, polvo e camarão.
Mais recentemente surgiu o Hibiscos. Com decoração exótica e sofisticada, tem decks, sofás, puffs e redes espalhados por uma área verde de frente para o mar. O cardápio conta com grelhados de polvo e camarão, siris lagostim e vários tipos de peixadas, além de massas e risotos. O fim de tarde é um programa inesquecível. O Hibiscus também faz passeio às piscinas naturais de Ipioca.
Mas Ipioca entrou definitivamente na rota do turismo com a inauguração em outubro de 2008 do Salinas Beach Resort, um hotel com 130 apartamentos e 28 mil m² de área de lazer, com salão de jogos, massagens, fitness, clube infantil e complexo aquático com vista para o mar. O resort é do mesmo grupo do Salinas de Maragogi e da Fazenda Marrecas.
Bairro faz parte da história do Brasil
Em meados do século 18, durante a Invasão Holandesa, Ipioca virou um centro de observação, por estar situada num ponto estratégico, com vista panorâmica para o mar. A Igreja de Nossa Senhora do Ó originou-se de um forte, construído pelos portugueses.
Os católicos contam como se fosse verdade a historia da imagem de Santo Antonio que caminhava entre a Igreja de Nossa Senhora do Ó e a capela do Engenho Velho. A própria historia da igreja também é uma lenda, mas é contada ao longo dos anos como se fosse verdadeira. Dizem que sua construção deve-se a uma promessa feita pelos portugueses, que, devotos de Nossa Senhora do Ó, se perderam no mar, e foram salvos. Ao chegarem em terra firme, construíram a Igreja no alto do local que depois virou o povoado de Ipioca.
Em 1839, o local entrou para história com o nascimento de Floriano Peixoto. Hoje, no lugar onde foi a casa do “Marechal de Ferro”, existe apenas um mirante simples e mal cuidado, com uma placa em bronze. Em frente, um busto solitário lembra a moradores e visitantes que o segundo presidente da República e filho de Ipioca.
Serviço:
Oca
R. da Igreja, 70
Vila Chamusca
R. do Cruzeiro – 130
Hibiscus
Rod. AL 101 Norte, Residencial Angra de Ipioca.
Salinas Maceió Beach Resort.
Rod. AL. 101 Norte, KM 20.
Paripueira, a 25 minutos de Maceió, costuma ser considerada o patinho feio do litoral norte de Alagoas. A praia não está entre as mais bonitas, não há grandes pousadas, hotéis nem restaurantes famosos.
Mas não é bem assim. A natureza foi generosa com a cidade, embora poucas pessoas saibam disso. Paripueira possui o maior complexo de piscinas naturais do Estado, formação ainda pouca conhecida pelos alagoanos. “Elas não são apenas as mais extensas. São também as mais preservadas de Alagoas”, faz questão de enfatizar o secretário de Turismo e Meio Ambiente do município, Juan Maurer.
“Quem conhece as piscinas de Paripueira não se esquece jamais”, atesta o carioca Osvaldo Melo, dono do restaurante mais conhecido do lugar e de um barco que leva constantemente visitantes ao local. “A cor do mar é linda. Lá é possível ver os peixinhos coloridos bem na nossa frente”, derrete-se. Juan Maurer explica que encontra-se em Paripueira a única Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha Municipal do Estado. O complexo de corais é também a primeira APA Municipal criada no país, em junho de 1993.
“A APA foi criada justamente para preservar os corais e manter vivo o peixe-boi, já que somos berçário natural do mamífero”, explica o secretário. Hoje, toda a região pertence a APA Estadual Costa dos Corais. E o lugar precisa mesmo ser preservado, porque a natureza ali não economizou em nada.
O passeio até as piscinas é rápido, não dura mais que quinze minutos – elas ficam a 2,5 km da costa. Até chegar lá, não perca tempo. Aprecie cada metro cúbico de mar, que varia dos tons azuis aos esverdeados. O passeio é mais bonito durante a maré baixa. É possível mergulhar de máscara e ver os peixes bem de pertinho. A fauna marinha é variada, e não é difícil encontrar, além dos peixinhos, lagostas e polvos. Cuidado apenas com os ouriços, que costumam se esconder nas pedras. A permanência nas piscinas é de aproximadamente duas horas.
Para preservar essa riqueza natural, a prefeitura baixou normas rígidas de exploração do passeio. É proibido alimentar os peixes – costume dos barqueiros – e levar bebidas ou comidas para as piscinas. O município também limitou o número de visitantes por vez. Agora são duzentos, no máximo. O valor por pessoa fica em torno de 20 reais, mas o preço pode cair a depender do pacote. Praticamente todos os bares fazem o passeio






















