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12/05/2013 Filho de aluguel

 

A cena já nos era por demais familiar. Passávamos pela porta do casal sempre no início da tarde dos sábados, e eles já estavam ali, frente a frente, numa mesa em que dois copos e uma garrafa os separavam e os uniam.

O olhar de menino me dizia que o silêncio fazia companhia a ambos.

O meu destino, então, era ser um pop star da bola. Íamos para o racha do velho areião com grande ansiedade e alegria. Eu haveria de ser uma mistura de Cafuringa, o ponteiro do Fluminense que enlouquecia os zagueiros adversários, com a refinada técnica de Roberto Menezes, o meu craque de todos os tempos.

Ao fim da peleja, não desperdiçávamos a oportunidade de ver o resultado da “conversa” de goles generosos e de palavras ausentes.

Terminado o racha, em meio a discussões sobre os lances polêmicos da semana, ficávamos do outro lado da rua observando o desfecho já aguardado: quem seria o último a tombar sobre a mesa, a cabeça posta à solidão da imensa varanda? Como toda a molecada, éramos cruéis, a comemorar o acerto do palpite.

Em um final de tarde, na volta do bate-bola e por puro descuido, passei de novo pela calçada da casa em que eles moravam. A mulher, de traços rudes e uma idade que me parecia excessiva para os meus poucos anos, abordou aquele garoto suarento com uma conversa tão doce quanto inesperada. Encostada no muro baixo – que era possível naquela quadra – e sem seu “companheiro de copo e de cruz”, não hesitou em me fazer uma confidência:

- Eu queria ter um filho. E acho que ele seria assim como você, moreninho e barulhento.

Se eu disse alguma coisa como resposta, não me lembro. Mas fiquei batucando as sílabas balbuciadas, a língua já espessa, o olhar maternal e comovido, uma lágrima a escorrer incontida pelo rosto que não relembrava qualquer beleza.

Deixei de participar das apostas da garotada. A brincadeira já não me atraía, e eu não quis mais saber quem seria o herói da resistência do dia naquela mesa de tristezas. 

Tempos depois, quando eu já não era o Cafuringa-Roberto Menezes, soube que os dois haviam morrido. Do mesmo e inexorável mal, consequência do álcool que lhes havia tomado o corpo e a alma.

A mulher já teria uma existência apropriada para ser avó, imagino. Mas desconfio, com algum prazer, que naquela tarde-noite eu fui o filho que ela queria ter.

Postado às 5:00, Ricardo Mota 13 comentários postado em Geral |
11/05/2013 Caso PC Farias: a vitória de uma farsa

Apesar da eterna “teoria da conspiração”, há de se ressaltar s decisão do Conselho de sentença do julgamento do Caso PC Farias.

Ao rechaçar a versão de homicídio seguido de suicídio, os jurados manifestaram o que parece ter sido sempre a opinião majoritária: houve, sim, um duplo homicídio.

Quem teria praticado o crime?

A pergunta persiste e não foi feita a eles pelo juiz Maurício Breda. E por uma razão objetiva: o magistrado não podia fazê-la porque a pronúncia dos réus não permitia.

Eles foram julgados por omissão e não por serem acusados da materialidade do crime.

Foi tudo o que restou para ópera bufa montada pela polícia alagoana naquele dia trágico – do duplo homicídio.

O promotor Marcus Mousinho foi contundente e feliz ao dizer que “ninguém nunca vai saber quem matou o casal”.

O trabalho de confundir a investigação foi primoroso, profissional.

Foi o grande vencedor do julgamento.

Postado às 13:19, Ricardo Mota 22 comentários postado em Geral |
10/05/2013 Biu de sandália de pescador; Collor e Renan de alpercata sertaneja

Enquanto uma dupla de senadores estava no Sertão, o outro da trinca alagoana ficava no Litoral.

Este último, Biu de Lira, se reuniu hoje com pescadores, no Vergel, fazendo exatamente o que outros dois praticavam: campanha eleitoral para 2014.

Os três miram o Palácio República dos Palmares. Renan de olho em Collor, Collor de olho em Renan e Biu de olho nos dois – que devolvem o mesmo olhar de “vamos ver quem tem mais farinha no saco”.

De Lira, hoje, andou com a sandália do pescador, enquanto seus adversários, calçando a velha alpercata sertaneja (eu sei, gente, isso é só uma metáfora), exercitavam o esporte no qual vão se especializando: colocar Vilela no pelourinho.

Collor ainda tem um plano B: o Senado.

Os outros dois sabem: é a última chance que terão de realizar o sonho que carregam de infância, em Junqueiro e em Murici.

Postado às 20:08, Ricardo Mota 16 comentários postado em Geral |
10/05/2013 Alagoas está entre os 12 estados que fazem casamentos homossexuais

Alagoas está entre os doze estados brasileiros que em que os Tribunais de Justiça autorizam o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Na relação anunciada pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Bissexuais estão:

Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Piauí, São Paulo, Ceará, Mato Grosso do Sul, Paraná, Paraíba, Rondônia, Santa Catarina, além do Distrito Federal.

Segundo a ABGLT, nesses estados as corregedorias dos TJs dessas unidades da Federação já determinaram que os cartórios realizem o casamento civil de pessoas do mesmo sexo.

Isso encerra a polêmica?

Como já disse Einstein: “Que tempos são esses em que é mais fácil desmontar um átomo do que um preconceito?”

Postado às 12:50, Ricardo Mota 26 comentários postado em Geral |
10/05/2013 No júri do caso PC Farias quem acusa é a defesa

Alguns pontos ainda precisam ficar claros sobre o julgamento.

Primeiro: os quatro policiais militares que estão nos banco dos réus NÃO estão sendo acusados de autoria material das duas mortes.

O trabalho hercúleo do promotor Marcus Mousinho é no sentido de provar o que diz a pronúncia – o que a Justiça aceitou como denúncia formal: os militares seriam culpados dos homicídios por omissão. Eles deveriam por lei, evitar as mortes, principalmente de PC Farias, de quem eram seguranças oficiais.

Não são acusados, portanto – repito – de terem matado o empresário e/ou a namorada dele.

Quem foi?

Aí entra a defesa, que, nesse caso, é quem acusa: Suzana Marcolino matou PC Farias e depois se suicidou.

A tese da defesa dos réus, portanto, é a acusação a Suzana Marcolino.

Só um ponto a destacar na sucessão de absurdos sobre o tema: a polícia não pediu à perícia que realizasse o exame de resíduo de pólvora nas mãos dos seguranças nem de ninguém mais que pudesse, de alguma forma, estar envolvido com as mortes.

Estupidez ou esperteza: quem haverá de saber?

Postado às 12:48, Ricardo Mota 9 comentários postado em Geral |
10/05/2013 Decidido: Alexandre Toledo se filia ao PSB em junho

O deputado federal Alexandre Toledo já acertou a sua filiação ao PSB. E com ninguém menos do que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do partido.

Eles tiveram uma longa conversa – cerca de três horas – na semana passada e bateram o martelo.

Toledo assina a ficha do PSB em data a ser definida: entre 9 e 15 de junho. A pendência, ainda, é a agenda de Campos, que faz questão de estar presente ao ato.

Candidatíssimo à presidência da República, o governador de Pernambuco enxerga em Alexandre Toledo o nome ideal para comandar a sua campanha em Alagoas.

Mas não é só isso: Toledo também deverá assumir uma disputa majoritária – o objetivo é o governo do Estado – em 2014.

O ex-secretário de Saúde teve uma rusga recente com o governador Teotonio Vilela Filho, logo após deixar a pasta e assumir o mandato de deputado federal.

Mas, finalmente, houve uma composição, e o clima agora é de paz.

Até onde vai Alexandre Toledo?

Não sei, mas já sei para onde ele vai: PSB.

Postado às 10:03, Ricardo Mota 15 comentários postado em Geral |
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