Ricardo Mota
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29/10/2014

Medo impede apuração de assassinato do vereador de Piaçabuçu

O medo tem sido o maior inimigo dos que investigam o assassinato do vereador Antonio Cezar, de Piaçabuçu.

O crime ocorreu em 10 de setembro, na Al-101 Sul, na altura de Jequiá da Praia. Estamos quase invadindo novembro e a solução para o caso está longe de correr.

Há pistas boas, depoimentos foram colhidos, mas o final do governo é um empecilho para que as instituições avancem na apuração.

Nem mesmo a presença da PF no apoio ao trabalho de investigação conseguiu fazer com que a polícia estadual e/ou o Gecoc batesse o martelo.

De onde partiu, não parece haver dúvidas – para todos os envolvidos na investigação.

O problema passou a ser: como colocar o criminoso no local do crime, na hora em que ele ocorreu.

A questão da demora no desfecho do caso ganha importância ainda maior por causa da iminência na mudança de comando na SDS e das duas polícias locais.

Há um certo consenso na área de que o que aconteceu antes deve ser esquecido. Só importam os crimes que ocorrerem a partir da nova gestão.

E ninguém sabe para onde vai a área da Segurança Pública no governo Renan Filho. As relações perigosas persistem na política alagoana. E ainda que o governo Vilela tenha se mantido longe dessa gente, há dúvidas quanto ao futuro.

No fechar das cortinas da administração tucana, a movimentação tem sido intensa no reagrupamento dessa turma e até na ostentação da força pelo trabuco.

O medo, então, explica as dificuldades na apuração da morte do vereador.

Resta saber se o futuro pertence aos seus algozes.

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29/10/2014

Marcelo Victor trabalha na montagem da nova Mesa Diretora da Assembleia

O deputado Marcelo Victor é um dos mais cerebrais integrantes da Casa de Tavares Bastos – seja qual for o significado que a palavra possa ter por lá.

Ao modo, ele tem se articulado entre os pares mais antigos – que vão permanecer na Casa – para ajudar a montar a futura Mesa Diretora (na qual deve permanecer, ainda que não como presidente).

Há quem afirme que ele fala “em nome de Olavo Calheiros”, que não é muito afeito a comparecer à Assembleia, a não ser em momentos muito especiais.

Se caberá ao tio do futuro governador apontar para aquele que será o substituto de Fernando Toledo – Luiz Dantas é o nome da vez -, ao que parece cabe a Victor ir preparando o time a ser escalado para o campeonato de 2015.

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29/10/2014

Só os fatos podem tirar Renan da presidência do Senado

Tudo bem: o senador Renan Calheiros é capaz até de dizer a verdade para nos enganar.

Mas daí a acreditar que ele desistiu de disputar a (re) presidência do Senado é um tanto demais, até para as almas mais ingênuas.

Calheiros quer, de novo e mais uma vez, ficar onde está.

Só deixará de disputar a reeleição se não deixarem que ele o faça.

Estou falando de fatos, não de pessoas ou parlamentares, porque destes que lhe cercam Calheiros conhece no varejo e no atacado.

O quadro hoje é desfavorável ao senador alagoano. O Petrolão é um oceano de grande viscosidade, que ameaça engolir todos os que nele puserem ao menos o pé.

Se Calheiros sabe o que fez – ou o que não fez –, é capaz de imaginar o fim dessa história: mais uma vez será ele quem vai mandar casar ou separar no Congresso Nacional; ou verá a Casa, como em 2007, lhe derrubar da cadeira mais alta daquele espaço imperial.

Ontem, após saber da notícia da “desistência” de Calheiros, busquei ajuda em um dos seus intérpretes. O resumo do enredo: “O tema ainda não está na pauta”.

A pauta não é apenas o que saiu das urnas: mudança. Ainda será escrita em capítulos de tristeza e alegria – para um lado e para o outro.

Não será bom para a presidente Dilma, após uma vitória tão apertada, ser vista nas companhias de sempre – por tudo que elas representam.

Calheiros é um exímio jogador do xadrez político. Um espécime raro do Homo politicus, uma espécie que leva a extinção, mas não dela própria. Disso, Calheiros está prenhe de saber.

Calheiros não se guia nem pelos astros nem pelos homens: os fatos ditam e ditarão cada um dos seus passos.

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28/10/2014

Os 18 anos de impunidade do assassinato de Silvio Viana

Há exatos dezoito anos, o tributarista Silvio Viana foi assassinado covardemente. Um crime típico da pistolagem alagoana, com mandante e executores.

Embora dois personagens envolvidos no homicídio tenham sido condenados, persiste a sensação de injustiça e impunidade.

Lembrando: os dois são o ex-tenente Silva Filho e o ex-coronel Manoel Cavalcante. Ambos já estão soltos, após cumprir uma parte da pena.

Mas a questão principal persiste: quem pagou o dedo que apertou o gatilho?

Silvio foi executado sem qualquer chance de defesa.

No seu carro, que ele mesmo dirigia de volta a Maceió (estava em uma propriedade no litoral Norte), não havia nem mesmo uma arma – ele não era do tipo que acredita na morte do outro como forma de vida.

Se os mandantes do assassinato de Silvio Vianna são ricos e poderosos, eles também tiveram o apoio, por omissão ou nefasta ação, daqueles que teriam por obrigação desvendar o “mistério”.

Por mais que esbravejem, estes últimos são co-autores do homicídio e terão de carregar na consciência este crime, a persegui-los como cobrança do que lhes restou de consciência.

Se Cavalcante e seus “funcionários” têm sangue nas mãos, os que atuaram para ajudar os assassinos – materiais e intelectuais – também carregarão, para sempre, as manchas da morte de Vianna. Mesmo que não as vejam.

A família de Silvio Viana ainda espera que um dia se faça justiça, verdadeiramente.

Será difícil. Mas é uma tentativa permanente de se atenuar a tristeza e a saudade.

Lembrando Montaigne (mais uma vez): “A covardia é a mãe da crueldade”.

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28/10/2014

Os parlamentares alagoanos que estão na rota do Petrolão

Qual será a bancada de Alagoas que vai negociar os bônus da vitória com a presidente Dilma Rousseff?

A pergunta é oportuna, principalmente pelo que se avizinha.

As investigações da Operação Lava Jato correm com grande celeridade, e pelo menos dois processos já foram julgados – com condenações – pelo valente juiz federal Sérgio Moro.

Sabemos que os detentores do famigerado “foro privilegiado” só podem ser julgados pelo STF, onde os processos correm na velocidade desejada pela impunidade.

Mas parece haver sinais, por tudo que tem se tornado público no escândalo da Petrobras, que o caso pode se tornar emblemático pelo próprio Supremo.

A delação premiada do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Roubos e Furtos da Petrobras, Paulo Roberto Costa, trouxe muitos fatos e – é bem possível – e provas da malfeitoria da turma a quem servia.

Temos alguns nomes coroados de Alagoas já amplamente citados pela mídia, em vazamentos dos depoimentos da dupla delatora.

Os senadores Collor, Renan e Biu estão entre os destaques. Há, ainda, o deputado Arthur Lira, fotografado na portaria prédio em que funcionava o escritório de Youssef.

É bem verdade que só foram conhecidos até agora documentos que deixam o ex-presidente Collor em maus lençóis – os tais recibos do doleiro de todos os crimes.

Calheiros é um dos pais da nomeação de Sérgio Machado numa diretoria da estatal e também já foi citado – segundo a mídia nacional – em pelo menos um depoimento.

A família de Lira, pelo menos por enquanto, só foi alvo de matérias da imprensa nacional – o que não é pouco.

A expectativa é de que 2015 se inicie com o Petrolão a todo vapor.

É possível que até lá os afilhados dos senadores alagoanos já tenham sido demitidos da Petrobras, o que não deve ser suficiente para apagar as passadas deixadas para trás.

É claro, aqueles que andaram por caminhos que a lei proíbe.

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28/10/2014

Adeus, Facebook

Não, não sou eu gente. Não posso sair de onde eu nunca entrei.

O fato é que ontem, até por causa do texto que eu publiquei sobre o tema (ver abaixo), recebi telefonemas de vários amigos e conhecidos com queixas sobre a barbárie que ocupou as redes sociais em dias de campanha eleitoral.

Não falaram das divisões políticas, o que seria absolutamente normal em qualquer sociedade. Queixaram-se da agressividade, da falta de educação e de filtros no “debate”.

Dois deles me disseram que fecharam suas contas no Facebook e no Ttwitter. Resolveram radicalizar sob o argumento de que estavam numa selva e não sabiam.

Minha filha pegou mais leve: contou-me que bloqueou vários “amigos” com quem compartilhava questões do cotidiano, nunca de natureza política, ressalte-se, mas não gostou do que viu. (Foi ela quem me avisou que não se ganha discussão nas redes sociais.)

Até um amor de vários anos, narrou uma amiga, chegou ao fim de forma estúpida por causa da troca de ofensas em mensagens curtas e fatais.

O problema é a internet?

Ainda não.

A questão é que anda pelas redes o indivíduo em estado bruto, o homem da caverna na frente do teclado, sem freios, sem superego.

Por ora, venceu o Mister Hyde; perdeu o Doutor Jekyll (personagens clássicos de Stevenson). Sem aprender, mesmo que dolorosamente, os limites, o homem é a pior de todas as feras.

Sabe-se, pelo menos é o que dizem algumas pesquisas realizadas no mundo inteiro, que as sociedades mais felizes são as que têm o superego mais desenvolvido.

Pelo fel e pelo ódio que escorreram nas tais redes, estamos longe dessa felicidade coletiva – a não ser no nosso mais infantil imaginário.

Conto mais.

Na minha casa, somos quatro pessoas. Na apuração doméstica, tivemos três votos diferentes – e não foi por falta de conversa.

Confesso que fiquei mais feliz com o resultado do que se houvesse uma unanimidade: democracia, assim como os limites e freios humanos, também se aprende em casa.

Postado às 10:08, Ricardo Mota 28 comentários postado em Geral |

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