Ricardo Mota
Ricardo Mota
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28/07/2014

Almeida aparece e Renan (pai) desaparece na festa do PMDB no Iate

O lançamento da candidatura da dobradinha Renan Filho/Collor fecha a primeira fase da campanha eleitoral, quando consideramos efetivamente os candidatos com chances de vitória.

Por ora, a campanha de rua se resume aos lugares em que o eleitorado é, digamos, mais tímido quanto a manifestações mais críticas ou a protestos.

Não por acaso, os dos dois nomes mais fortes ao governo do Estado evitaram as ruas na região onde a classe média se concentra. É ali, na orla, que essa faixa do eleitorado mais exigente pode ser encontra com mais facilidade nos finais de semana.

Almeida

Dentro do roteiro já previsto por este blog, o ex-prefeito Cícero Almeida foi ao lançamento da campanha da dobradinha Renan Filho/Collor anunciar o seu apoio aberto.

Eis o que se planejou e se realizou desde que o PRTB – de Almeida, JB, AA, Cícero Ferro, entre outros – foi expulso do então Chapão.

Uma das ações mais inteligentes – baseadas em pesquisas qualitativas – do senador Renan Calheiros, o cérebro profissional da coligação do Filho.

Almeida cumpriu – e vai cumprir durante a campanha – um papel fundamental: levar o nome do candidato do PMDB à periferia de Maceió, onde ele goza de inegável popularidade.

Só ele, aliás, recebeu o consentimento para se fazer presente ao evento deste domingo, que demonstrou volume e peso (o guia eleitoral vai apresentar).

(Lembrando que AA foi o único filiado de nome do partido a não aceitar a articulação e aderir a Biu de Lira.)

Discreto

Enquanto Almeida falou para a plateia, ao seu estilo, reclamando da “traição política” do governador Vilela, em 2010, o senador Renan Calheiros teve um comportamento absolutamente inverso.

Outra vez, prevaleceu seu profissionalismo político, evitando riscos e atuando nos bastidores. Líder do grupo que fez a festa, o presidente do Senado foi o mais discreto participante – ficou distante, tanto quanto possível, do Filho.

Há nisso, também, uma estratégia político-eleitoral e profissional: ele pretende descolar a imagem do candidato a governo pelo PMDB da dele próprio.

Os motivos: o desgaste do seu nome junto ao eleitorado mais crítico, além da construção de uma imagem de independência do Filho.

Ou seja: Renan Filho andaria com os próprios pés.

Está claro o quanto o senador do PMDB, que resolve o essencial (caso do dinheiro do PT nacional, aqui publicado), vai se afastar do grande público na campanha.

Só deverá ter participação marcante, com a presença física, no interior do estado.

Calheiros, inegavelmente, aprendeu com os próprios erros e com os acertos alheiros, das velhas raposas políticas do país (Sarney, o último grande modelo de longevidade).

Postado às 12:56, Ricardo Mota 47 comentários postado em Geral |
28/07/2014

A agonia do PSDB de Alagoas: homicídio ou suicídio?

Estamos assistindo a agonia do PSDB de Alagoas, principalmente depois da saída de ET da disputa ao governo do Estado.

São sem estofo político os nomes anunciados como supostos sucessores do procurador de Justiça na campanha majoritária representando o tucanato – depois de quase oito anos no Palácio República dos Palmares.

O prefeito Rui Palmeira, o outro nome de maior destaque do PSDB local, não deve tomar posição na disputa Biu x Renan (a assessoria do prefeito nega, inclusive, que ele vá se manifestar sobre o tema em entrevista coletiva).

O partido ainda tem chance de eleger até dois deputados federais – Pedro Vilela e Rogério Teófilo -, mas sem candidatos majoritários locais pode definhar ainda mais, passando a depender exclusivamente do desempenho de Aécio Neves na campanha presidencial para sobreviver com alguma força (e se o tucano ganhar, podem anotar, terá o PMDB como principal “aliado” na governabilidade).

Mas a pergunta que persiste no meio político é: o processo de agonia do PSDB de Alagoas é resultado de homicídio ou de suicídio?

Postado às 12:48, Ricardo Mota 15 comentários postado em Geral |
28/07/2014

A doação de R$ 8 milhões do PT a Renan Filho e a crise no PMDB

Ninguém consegue fazer campanha eleitoral majoritária sem dinheiro. Que o diga o procurador de Justiça Eduardo Tavares, ex-tucano que deixou a disputa por não dispor de recursos para prosseguir brigando com os dois favoritos ao Palácio República dos Palmares – uma situação, no mínimo, estranha.

Mas isso não parece ser motivo de preocupação para o deputado Renan Filho, muito menos para Biu de Lira.

No caso do peemedebista, no entanto, a atuação profissional do senador Renan Calheiros já teria garantido ao Filho uma boa bolada para início de conversa: R$ 8 milhões.

Doados por quem?

Pela direção nacional do PT, segundo o jornal Folha de São Paulo (edição de ontem).

No total, contabilizando apenas doações legais, o ministro Aloizio Mercadante teria acertado um rateio de R$ 35 milhões com o presidente do Senado.

A grana seria destinada a cinco candidatos a governador pelo PMDB: Rondônia (R$ 3 milhões) Amazonas, Paraíba, Pará e Alagoas (R$ 8 milhões).

Só que o acerto – eis o busílis – teria sido feito sem a participação dos demais caciques dos dois partidos, o que inclui o vice-presidente Temer.

É claro, a reclamação geral vazou para a imprensa e a crise se instalou nas “bases” do PMDB. Todo mundo agora quer o seu naco, também, das doações legais e contabilizadas. Lealdade tem preço, bem sabemos.

Lembrando: a estimativa de gasto máximo da campanha de Renan Filho é de R$ 59 milhões.

Com o zelo e atividade profissionais do presidente do Senado, seguramente ele não enfrentará dificuldades nessa seara.

Postado às 8:49, Ricardo Mota 30 comentários postado em Geral |
27/07/2014

Meias-palavras

Sempre tive por hábito guardar pedacinhos de papel em todos os cantos pelos quais circulo diariamente: a cabeceira do meu quarto, dentro de livros, agenda, bolso da calça, porta-luvas do carro, gavetas com inutilidades em geral, enfim, onde couber, lá estará um pedaço de papel com anotações as mais variadas.

Na lista: número de telefones, nomes de pessoas, valores que se perderão com o tempo, uma palavra solta que só teve sentido no momento em que foi escrita, coisas assim, que perecerão, no futuro, sem nexo, sem causa, sem consequência.

Não me importa! Ajo quase que com o automatismo e a naturalidade com que o bebê busca o peito da mãe ao primeiro contato. Ainda que não encontre a mesma sensação de saciedade após o terno e vital ato do recém-nascido, vivo o meu vício − já trato assim − como se ele fizesse parte da minha natureza.

“Para que serve isso?” A pergunta, frequente, vem da minha mulher, mas ela já foi antecedida na perplexidade indignada por minha mãe e talvez alguém mais − já não lembro.

É exatamente aí que aparece o problema: a lembrança me trai, e, traído, me deparo com meu próprio tribunal de inquisição. É quando queimo, às vezes, uns escritos perdidos, até mais longos do que os habituais. Juntos, talvez até compusessem uma biografia aguada e desinteressante. Apenas isso, e só.

Um dia desses, encontrei um pedaço de papel que estava rasgado ao meio, como pude constatar, com três míseras letras: A.D.A. (em maiúsculas). Mas ficou claro que era uma meia-palavra. Qual? Eis o dilema que se instalou em minha cabeça.

Estava esmagado, o pequeno fragmento já amarelado, no meio de um livro de Neruda, Ainda, que tenho desde os meus vinte anos. Presente de uma amiga que sabia da minha paixão recente: eu acabara de ler Confesso que Vivi, o livro de memórias do poeta chileno.

Depois de muito tempo, retomei o livro e abri aleatoriamente, outro hábito que desenvolvi. Saltou da página o papelzinho com aquelas três letras intrigantes.

Levei o enigma para a cama e passei a especular: amada, estrada, Anunciada, desalmada… Tudo era possível, nada era provável.

Consegui dormir, mas não me livrei do incômodo que se tornara aquela descoberta pela metade. Meia-palavra, mais do que nunca, não me bastava: descobri-me um mau entendedor. E ainda estava diante de uma das rimas mais banais da língua portuguesa.

No dia seguinte, cumpri minha previsível rotina: trabalho, Fernandes Lima engarrafada (?), casa, caminhada (?) à beira-mar, telejornal, leitura na cama e aquela acusatória novidade: três letras insuportavelmente recorrentes.

Fui de novo à minha estante e trouxe Neruda de volta. Passei a folheá-lo quase que desesperadamente, como um ladrão que busca o objeto roubado que deixara num esconderijo em momento de perigo e já não sabe mais onde encontrá-lo.

A armadilha havia me capturado. Encontrei em outra página − e quase que me escapa, o danado − um pedaço de papel que se encaixou com perfeição naquele que me trouxe alvoroço e curiosidade.

A letra escrita ali na parte que faltava não negava a paternidade: era minha, em estilo mais antigo, é verdade, mas não haveria de ter sido falsificada por outro “eu”. Finalmente não havia mais meia-palavra a me incomodar, um mantra insistente e inconcluso.

Agora, não. A palavra inteira, cheia, ganhou significado e força: NONADA.

Postado às 5:00, Ricardo Mota 11 comentários postado em Geral |
26/07/2014

Maurício Quintella e a quebra do sigilo bancário do doleiro Youssef

O deputado federal Maurício Quintella, um dos responsáveis pela quebra do sigilo bancário do doleiro Alberto Youssef, demonstrou coragem ao bancar essa proposta na CPI Mista da Petrobras.

Falo, especificamente, da questão local.

Quintella sabe, pelos relatos da imprensa, que pelo menos dois personagens importantes da política local, segundo a PF, apresentam alguma ligação com o “lavador de dinheiro” de todos os crimes (até do Mensalão, segundo o MP Federal).

Se os dados forem revelados antes da eleição, como ele acredita, a quem pode atingir?

- O senador Collor, em cuja conta Youssef fez oito depósitos em dinheiro, em dois meses, totalizando R$ 50 mil (a notícia foi dada pela Justiça Federal)?

É difícil. Primeiramente, Collor afirma que não conhece nem tem qualquer relação com o criminoso, apesar de não ter dado qualquer informação que possa ter para explicar tais depósitos.

- O deputado Arthur Lira, flagrado em visita ao escritório do deplorável alimentador da corrupção e até do narcotráfico?

O deputado até hoje não deu qualquer explicação pública sobre o tema, ao contrário do senador Biu de Lira, pai dele, que refutou qualquer relação com Yousseff e seu bando.

Internamente, Arthur teria dito que foi ao encontro do “doleiro” em nome da bancada do PP na Câmara.

Pelo sim, pelo não, Alberto Youssef será presença garantida nas eleições de Alagoas.

Mas Quintella que abra o olho: ele pode ter acertado onde não pretendia.

Com rancor e vingança também se faz “política”.

Postado às 8:40, Ricardo Mota 9 comentários postado em Geral |
25/07/2014

Campanha em um turno só é de chamar “polícia e médico”

 

Agora, teremos uma campanha ao governo do Estado com um turno só, já que o grupo governista não tem ninguém com estofo para a disputa e é impossível inventar uma nova candidatura – perdeu o crédito que poderia ter no mercado eleitoral.

Muda muito, na intensidade e no conteúdo, uma eleição majoritária disputada em um único turno.

A reserva estratégica de escândalos, ataques, desconstruções, tudo será compacto – mas não atenuado – em um período mais curto.

É como se passássemos de um início de guerra de trincheiras, com rusgas entre os inimigos – e assim eles se tratam – e passássemos para um ataque aéreo, se possível com mísseis nucleares.

A linguagem bélica, aqui utilizada, é a metáfora mais próxima do real, ainda que os ataques sejam à honra, à família e aos agregados dos principais candidatos.

Foi o estilo “consagrado” pelo senador Collor, na campanha presidencial de 1989, quando bateu e abateu Lula (mais ainda a filha do petista, vítima maior).

Infelizmente, o nível político-cultural que atingimos prescinde de qualquer debate político. E se a massa é pura emoção – como já apontaram Goethe e Freud – não será diferente em território brasileiro.

Os marqueteiros de plantão já vivem uma ansiedade que nem o sono permite: eles já sonham acordados.

Com aquilo.

Postado às 12:45, Ricardo Mota 13 comentários postado em Geral |

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