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15/05/2011 A dor em nome do pai

Minha dívida de gratidão para com o querido amigo Robson Marabá, o nosso “pescador de pérolas da sétima arte”, é impagável e cresce a cada dia. Na semana passada, ele me enviou – via internet – uma coleção fantástica de fotografias feitas pela revista Life, entre os anos de 1939 e 1940, na Alemanha.

As imagens captadas pela Rolleiflex de um jornalista americano, morto no início da 2ª Guerra Mundial, são fascinantes pela qualidade e assustadoras pelo conteúdo: as gigantescas manifestações nazistas em Nuremberg, o incontrolável entusiasmo de homens e mulheres comuns com aquilo que veio a ser a maior tragédia do século XX.

Debrucei-me por diversas vezes, desde então, sobre essas imagens. Tento entendê-las, como tantos já fizeram, mesmo que tenham permanecido – como eu – atônitos sobre as motivações de um passado que ainda grita na nossa consciência.

Foi inevitável, para mim, retomar a leitura de trechos do livro “O trauma alemão”, da jornalista e ensaísta de origem austríaca, Gitta Sereny. Ninguém há de percorrer a sua obra impunemente, sem misturar sentimentos e amargar um imenso desconforto na alma.

Gitta dedicou toda a sua vida intelectual ativa a buscar, obsessivamente, até, o germe do mal. Foram mais de 50 anos viajando pelo mundo, ouvindo sobreviventes do massacre e carrascos nazistas, conhecidos ou desconhecidos, que retomaram suas vidas normalmente no pós-guerra. Alguns, soltos após cumprir parte ou toda a pena a que foram condenados; outros, nem ao menos sentaram no banco dos réus. Sua pergunta de sempre a todos: por quê?

Giita não pretendeu, ao que me parece, captar a essência da natureza humana, mas entender o que leva “gente como a gente” a cometer atrocidades inomináveis, ou simplesmente calar sobre elas quando acontecem tão próximas a nós. Eis a nossa grande e, talvez, incontornável vulnerabilidade.

A persistente escritora conquistou, sim, alguns “troféus” importantes. O principal deles, talvez, tenha sido uma confissão por escrito de Albert Speer, “o arquiteto de Hitler”. Um homem sofisticado, o único, na corte do Führer, a quem o líder nazista tratava com absoluto respeito, ouvindo-o atentamente.

Foram meses de conversa, até que, finalmente, Speer admitisse com todas as letras que sabia do massacre aos judeus – o que ele havia negado sempre, inclusive no Tribunal de Nuremberg, onde foram julgados os principais criminosos de guerra alemães presos pelos aliados.

Mas, Gitta Sereny, incansável, foi além – eis o seu maior mérito. O trecho mais chocante do seu livro, que lhe custou lágrimas e noites de sono, traz o depoimento inédito de Martin Bormann Junior, filho do poderoso secretário de Hitler. Ela havia descoberto, aí pela década de 1990, que, no interior da Alemanha, descendentes dos generais de Hitler se reuniam regularmente. E chegou até eles.

Homens e mulheres que dividiam culpas e dores, sem esperança de alcançar a paz dos justos. Foram longos anos de encontros, e num deles, a escritora pôde acompanhar a aterradora narrativa de Bormann Junior, num desesperado desabafo.

Ele contou que, já nos últimos meses da guerra, foi ao aniversário de Frau Pothast, secretária e amante de Himmler, o número 2 de Hitler. A festa aconteceu numa bela casa de fazenda em que anfitriã morava com os dois filhos que tivera com o “criador de galinhas” que virou um dos grandes assassinos da história da Humanidade.

O que o adolescente viu e não pôde mais esquecer foi a imagem talvez mais aterrorizante e macabra produzida pelo sadismo humano. Não consigo imaginar algo tão repugnante quanto o que Bormann Junior descreveu:

“Quando ela abriu a porta e entramos, não entendemos, inicialmente, o que eram os objetos naquele recinto, até ela explicar do que se tratavam. Mesas, cadeiras, feitas de partes do corpo humano. Havia uma cadeira cujo assento era uma pelve; as pernas da cadeira, ossos das pernas de uma pessoa, apoiados em pés humanos. Em seguida, ela pegou um exemplar de uma pilha de Mein Kampf. Ela nos mostrou a capa, feita de pele humana, e explicou que os prisioneiros de Dachau (campo de concentração) que as confeccionavam tinham usado a pele das costas para fabricá-la.”

…  

PS.: Os comentários dos internautas, inclusive do sábado, só poderão ser liberados na próxima segunda-feira. Motivo: modificações no sistema de blogs, que vai inaugurar uma nova fase. Espero a compreensão de todos. Um grande abraço.

Postado às 2:23, Ricardo Mota 11 comentários postado em Geral |
13/05/2011 Os riscos da greve ou a greve sem riscos?

Existe um entendimento de que é ditatorial o governo que toma medidas repressivas, mesmo que administrativas, contra servidores que fazem greve. 

Mas é esta a regra do jogo: a greve é um direito dos trabalhadores para buscar melhorias salariais e/ou na qualidade do ambiente de trabalho, mas não exime os que aderem ao movimento de arcar com as responsabilidades pela paralisação. 

Na iniciativa privada, posso dizer por experiência própria, o jogo é muito mais bruto. Já participei de três greves em empresas diferentes e sei o quanto é difícil ter de enfrentar uma estrutura muito mais poderosa do que os sindicatos de trabalhadores. Quando o fiz, sabia dos riscos que corria – profissionalmente – e os assumi porque considerei que valia a pena. 

No Brasil, e particularmente em Alagoas, só temos acompanhado nos últimos anos greves do funcionalismo – nas três instâncias. E qualquer medida adotada pelo dirigente público é tida como absurda e antidemocrática.

Bobagem. Greve é risco. E não vou me ater às particularidades das corporações militares, com os seus códigos arcaicos.

As medidas punitivas fazem parte do “pacote de negociação”.  Ao final, elas entram na mesa de debate da mesma forma que os índices de reajuste salariais propostos. O que não significa que elas devam ser esquecidas integralmente ao fim da paralisação.

Não há, aqui, um julgamento de valor sobre as reivindicações dos servidores – justíssimas, creio. Mas greve sem risco, não é greve – é descanso coletivo. Foi isso que aconteceu durante os quatro anos do governo Geraldo Bulhões. Quem viveu aquele período há de lembrar: com exceção da PM, nada funcionava no Estado e até hoje pagamos por isso.

É encarar ou recuar.

Postado às 20:20, Ricardo Mota 33 comentários postado em Geral |
13/05/2011 Negociação paralela entre governo e servidores avança

Há, dentro do governo, uma mudança de tom na discussão sobre o movimento dos servidores públicos estaduais.

Mesmo mantendo as decisões administrativas adotadas, principalmente nas polícias, a ordem do Palácio, agora, é não polemizar, evitando confrontos através da imprensa.

Há, sim uma negociação discreta entre representantes do governo e algumas lideranças do funcionalismo, em busca de uma alternativa às propostas apresentadas pelas partes até agora.

A troca de notas públicas e as entrevistas iracundas concedidas por alguns secretários em nada têm contribuído para reduzir as tensões. A avaliação é do próprio Palácio República dos Palmares.

A reunião de hoje, do governador com alguns secretários, pode resultar em avanços nas negociações – inclusive em áreas que até agora não tiveram a mesma projeção do movimento na Segurança Pública. Educação e Saúde estão no pacote.

A postura mais serena se justifica até mesmo porque algumas lideranças, sabe-se, não estão interessadas em acordo, ao contrário de outros interlocutores do funcionalismo. Quanto mais demorar o movimento, mais espaço na mídia conseguem – que é o que querem de fato.

Postado às 12:48, Ricardo Mota 30 comentários postado em Geral |
13/05/2011 TC dá 15 dias para Secretaria de Saúde suspender contrato com empresa/ SESAU responde

O Tribunal de Contas aprovou uma recomendação para que a Secretaria Estadual de Saúde suspensa, provisoriamente, o contrato com a empresa Pró-Saúde, que faz consultoria e assessoria aos hospitais da rede pública estadual – HGE e Unidade de Emergência do Agreste. 

A medida foi apresentada em relatório dos procuradores do Ministério Público junto ao TC, sob o argumento de que não houve licitação nem tomada de preços para a contratação da empresa, no ano passado. 

O contrato tem vigência de 12 meses, ao preço total de R$ 2.982.240,00. A suspensão aconteceria durante o período em que o próprio Tribunal realizaria diligências para analisar se os valores pagos estão de acordo com o mercado.

Se a Secretaria de Saúde não atender à recomendação do TC, o órgão deve encaminhar pedido à Assembleia para que os deputados determinem a suspensão do contrato.

Detalhe: o conselheiro Otávio Lessa queria que o contrato fosse anulado de imediato (o que, segundo os procuradores, não é atribuição do Tribunal de Contas).

O blog tentou contato com o secretário Alexandre Toledo, mas ele estava em uma reunião, segundo a assessoria.

Atualizando: Agora à tarde, a Sesau enviou a nota abaixo para o blog:

Prezado jornalista Ricardo Mota,

Em decorrência das informações publicadas em seu Blog no Tudo na Hora, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) reitera que o contrato com a Pró-Saúde encerrou sua vigência no último mês de fevereiro e não foi renovado.

A contratação da Pró-Saúde para atuar no Hospital Geral e Unidade de Emergência do Agreste, em Arapiraca, deu-se em março de 2010, foi submetida à apreciação da Procuradoria Geral do Estado (PGE), que em seu despacho, procedeu favoravelmente ao processo 20000/559/2009.

Estamos à disposição para outros esclarecimentos.

Atenciosamente,

Secretaria de Estado da Saúde.

Postado às 12:41, Ricardo Mota 8 comentários postado em Geral |
13/05/2011 Vilela reúne secretários para discutir movimento dos servidores

O governador Teotonio Vilela Filho se reúne, no final da manhã de hoje, com os secretários de Gestão Pública, Alexandre Lages, Maurício Toledo, da Fazenda e Álvaro Machado, do Gabinete Civil. 

O encontro deve definir a nova (ou velha) posição do governo em relação ao movimento dos servidores e a possibilidade – ou não – de apresentar uma nova proposta salarial.

A concessão de um reajuste de 7% para todos os funcionários públicos estaduais é “uma possibilidade”, na definição de um palaciano. Mas não há, assegura, nenhuma definição neste sentido. 

O percentual acima é aquilo que vem sendo reivindicado pelos militares como sendo parte de um acordo firmado com o governo em 2007, que é rejeitado pela Fazenda Estadual.

Por outro lado, é possível que hoje o governo bata o martelo em relação ao acordo com os servidores da área de Saúde. A negociação está sendo facilitada pelo fato de que a pasta tem recursos próprios, que podem ser destinados – pelo menos em parte – para os funcionários.

Postado às 9:48, Ricardo Mota 14 comentários postado em Geral |
12/05/2011 Ricardo Barbosa acha “irreversível” a saída do PSoL, mas quer manter mandato no TRE

 

O vereador Ricardo Barbosa me disse hoje que considera “irreversível” a sua saída do PSoL, partido pelo qual foi eleito graças à votação estupenda de Heloísa Helena – 30 mil votos, em 2008. 

Mas ele não pretende perder o mandato e espera uma decisão do TRE à Ação de Justificativa a que deu entrada no mês de março.

Na verdade, é uma ação preventiva, em que defende o direto de sair do PSoL sem que tenha o mandato cassado por infidelidade partidária.

Barbosa disse que não pretendia deixar a legenda, mas considera-se perseguido pela direção estadual e pelo Diretório Municipal, do qual foi presidente – já afastado.

Aliás, a direção municipal do PSoL já enviou ofício à Mesa Diretora da Câmara para dizer que Barbosa não pode se manifestar na Casa em nome do partido.

A briga já é pública, e a saída do vereador é apenas uma questão de tempo. Ele deve ingressar em um partido da esquerda tradicional: PT, PC do B ou assemelhado.

A convergência dos divergentes

Amanhã, às 15h, na Câmara Municipal de Maceió, representantes de vários partidos se reúnem para debater a Reforma Política, em discussão no Congresso.

A preocupação mais imediata é com a Reforma Eleitoral. 

Estarão presentes: PSOL, PDT, PSB, PC do B, PV, PPS, PSTU, PCB e PHS. Com as participações dos deputados federais Aldo Rebelo, PC do B, e José Carlos Saboya, do PSB.

Eles pretendem, dentro das divergências, encontrarem as convergências possíveis, para que não sejam engolidos pelos gigantes da política nacional.

Postado às 20:35, Ricardo Mota 15 comentários postado em Geral |
2i9 multiagência