Presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública, o juiz Maurício Breda, manifesta o seu incômodo em relação à sensação de que nada está sendo feito nessa área em Alagoas. Até porque ele tem sido uma voz altiva e crítica em relação às ações policiais.
Mas sabe que elas são insuficientes e não atingem os objetivos esperados – e não só por falta de efetivo policial, uma realidade, inegavelmente.
Os números da violência em Alagoas continuam insuportáveis, atingindo, principalmente, a população de baixa renda e, ainda mais, adolescentes e jovens da periferia.
Questão política à parte, eis que chegamos a números também impressionantes na repressão à criminalidade (a prevenção, com ações na Educação, Cultura, Esporte e Lazer devem ser a prioridade zero, assim penso).
Os fatos: Alagoas fecha o mês de maio com uma população de presos atingindo a cifra de 3 mil pessoas.
Só de janeiro a maio de 2013, a polícia prendeu 1.251 bandidos e acusados de crimes no estado.
Na maioria, como nas demais unidades da federais, há os presos por tráfico do crack (ele, principalmente), por homicídios, roubos, assaltos e segue por aí.
E para onde está indo essa gente?
Eis outra questão fundamental.
O sistema prisional tem capacidade para receber – ao modo, como já definiu o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo – a metade desse contingente.
Há muitos presos em delegacias, no interior praticamente.
Em agosto, a Secretaria de Defesa Social vai inaugurar a nova unidade prisional do Agreste, com capacidade para receber 800 presos.
Os números não apontam escapatória: ou se investe maciçamente na prevenção – incluindo Educação e demais itens citados – ou transformaremos cidades inteiras em presídios.
São Paulo, numa megaoperação, há duas semanas, prendeu 2.850 pessoas num único dia. Seriam necessários quatro novos presídios para receber os “inquilinos”.
Que país é esse?
Nunca é tarde para aprender.
O senador Renan Calheiros resolveu se resguardar do grande público de Alagoas, após o comício do Chapão em Santana do Ipanema.
Envolvido com as questões nacionais, Calheiros mergulhou – e por vários motivos:
- Sabe que é preciso construir e consolidar uma agenda positiva no Senado, a Casa desgastada que ele preside pela segunda vez, chegando a ocupar, por um dia, a cadeira de Dilma Rousseff (um mimo a Calheiros, responsável direto pela aprovação da MP dos Portos).
- As cobranças chegam numa velocidade estonteante, inclusive do senador Collor, que exige que Calheiros anuncie seu apoio público a elle.
- Antecipar uma campanha – para governador -, por mais que pareça necessário, em função da intensa movimentação dos potenciais adversários, pode sair caro demais. Literalmente.
Aprender sempre é a melhor lição.
A história se repete – nesse caso de forma tediosa e inevitável.
Vieram as primeiras chuvas, e os buracos nas ruas e avenidas já aparecem no asfalto de má qualidade, como sói acontecer.
O secretário de Infraestutura de Maceió, engenheiro Roberto Fernandes, sabe como essa história começa e como pode terminar: desgastando a imagem de uma administração que apenas se inicia, enfrentando toda sorte de dificuldades.
Ou cuida já da buraqueira que se apresenta, ou a boca do povo como sempre será impiedosa.
É aproveitar esse período em que a chuva tem sido mais escassa e menos frequente para fazer – cotidianamente – a operação tapa-buraco.
Na Avenida Rotary, por exemplo, alguns já avançam na fase de crescimento para a condição de cratera.
Resposta da prefeitura:
Veio rápida e obejetiva:
A usina de asfalto, que estava desativada, voltou a funcionar.
A prefeitura está investindo R$ 400 mil/mês com a operação tapa-buraco, agora incrementada com mais duas equipes – eram três.
A Seminfra anuncia que vai fazer o recapeamento das duas de Maceió, no verão, investindo R$ 10 milhões em recursos do Ministério das Cidades e, também, próprios.
No mais, o asfalto espalhado nas nossas ruas é ruim mesmo, garante a Seinfra.
O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo, expressou-se como um homem comum – e ele não é um homem comum.
O que pensa este último sobre os partidos políticos brasileiros?
Eles são “de mentirinha”. A mais pura verdade.
Não é de hoje que as agremiações partidárias no mundo inteiro perderam a sua representatividade. Estão cada vez mais parecidas, por mais que se apresentem como antagônicas e divergentes na essência.
A crise da esquerda mundial, desde a queda do muro de Berlim, fez com que todos os partidos – e não apenas os que formavam naquele lado do embate – se diluíssem nas suas identidades.
Programas partidários não são prenúncios de virtude. O que a revela, independentemente da filiação escolhida, é o comportamento dos que exercem uma atividade que pode, sim, ser virtuosa.
O senador Renan Calheiros, no caso citado, assumiu a postura de representante de um poder, ainda que desgastado, que precisa ser preservado em nome da democracia. Criticou a crítica, não pretendeu dar um “cala a boca” em Barbosa.
Seu colega de Casa, o senador Collor, ao estilo, atacou o presidente do STF de modo a convidar para o cotejamento da biografia de ambos.
Em nome da liberdade – e da mesma democracia -, cada um há de fazer a sua escolha.
Se é assim que o problema precisa ser resolvido, que assim seja.
Finalmente agora, a Justiça Federal atendeu ao pedido formulado pelo deputado JHC – a pedra no sapato dos integrantes da Mesa Diretora da Assembleia – e determinou que não pode haver segredos nos gastos do dinheiro público.
Como, aliás, ressaltou o juiz Marcelo Gonçalves, da 6ª Vara Federal, responsável pela decisão – no mérito, seguindo aliás, a posição do Ministério Público Federal.
Vamos aos fatos.
Em 2011, o deputado João Henrique Caldas- JHC – pediu que fossem divulgados os pagamentos feitos pela Assembleia Legislativa, via Caixa Econômica Federal – que detém as contas da Casa.
Queria saber quem recebeu quanto e por quê.
Ante a negativa da Mesa Diretora, o jovem parlamentar buscou o caminho da Justiça. Que é longo, mas às vezes chega ao final pretendido.
Foi o caso.
Em sua decisão, o juiz Marcelo Gonçalves determina que a Caixa Econômica Federal apresente os extratos de todos os pagamentos feitos com recursos da Assembleia, discriminando nomes, CPFs, valores, tudo como deve ser quando o dinheiro público está em jogo.
JHC saberá, por exemplo, quanto a Casa de Tavares Bastos gastou com a contratação de todos os tipos de serviços e com quem gastou.
Para JHC “é o começo do fim da caixa-preta da Assembleia”.
Será?
- É uma luz onde antes só havia escuridão. Se a alternativa para abrir as contas da Assembleia for de novo a Justiça, vamos a ela. Milhões de reais se escondem nos corredores da Casa, e a gente nem ao menos sabe para onde esse dinheiro vai.
Agora, pelo menos em parte, vai saber.
Mesmo na atividade política, a prefeita Célia Rocha não deixa de ser uma mãe zelosa para com seus filhos.
Daniel Rocha, atual secretário de Assistência Social do Município, parece ser a bola da vez da família, em 2014.
O filho da prefeita sonha com uma cadeira na Assembleia Legislativa – e qual a mãe que se nega, de pronto, a realizar um sonho de um filho?
Mas eis que, se assim proceder, a prefeita Célia Rocha pode acabar com uma aliança que já fez história no Agreste, em outras eleições.
Em 2006, Rocha apoiou a dobradinha Ricardo Nezinho, para a Assembleia, e Rogério Teófilo, candidato a federal.
Em 2010, foi Rocha quem formou – de forma vitoriosa – a dobradinha com Nezinho.
Se Daniel for candidato, entretanto, mágoas profundas podem tomar o lugar da “amizade” política.
Não seria novidade, mas vai doer se acontecer.
Lembrando: Ricardo Nezinho tem um irmão vereador em Arapiraca – Rogério, este também Nezinho.



