Mesmo os mais tresloucados defensores do aumento do número de vereadores de Maceió deverão ter um momento de lucidez, hoje (na verdade, ainda terão até o dia cinco para “fechar” as coligações proporcionais).
É negociar as composições como se fossem 30 vagas na Casa de Mário Guimarães, mas fazendo cálculos com base nas atuais 21 cadeiras de vereador.
O problema é aritmético, além de político, claro. A decisão do juiz Sérgio Persiano, que aumenta para 30 o número de vereadores na capital, é liminar – pode vingar ou não.
A questão é: muda totalmente o coeficiente eleitoral.
Mais: o número de candidatos de cada partido ou coligação é calculado com base no número de vagas em disputa.
Se um partido sai sozinho, ele pode lançar até 150% de candidatos em relação às vagas; já as coligações podem chegar ao limite de 200 % das cadeiras em disputa.
Esses números fazem toda a diferença na hora de um partido decidir fazer coligações ou não.
Além do mais, se a liminar for derrubada, alguns candidatos de agora serão ex-candidatos um pouco à frente.
Ou seja: muitos poderão ser chupados pelo buraco negro eleitoral.
Foi fechada na madrugada de hoje a aliança do DEM com o PSB, em Maceió. Resultado: Carimbão Júnior será o vice do deputado Jeferson Morais. Assim, o grupo governista perde um candidato a prefeito, mas consegue montar uma chapa com mais tempo para a propaganda no rádio e na televisão.
O DEM havia perdido um terço do tempo que possuía – dois minutos – para a propaganda eleitoral, em função da decisão tomada esta semana pelo Supremo Tribunal Federal beneficiando o PSD. A compensação em Maceió se dará via PSB.
Outra filha do deputado federal Givaldo Carimbão, Flávia Carimbão, também é candidata a vice na chapa Marcos Ferreira, candidato do PSDB à prefeitura de Santana do Ipanema.
Rui
O tucano Rui Palmeira terminou fechando mesmo com o PP, que emplacou Marcelo Palmeira como candidato a vice. As negociações foram demoradas e bastante atribuladas. O motivo: o senador Benedito de Lira se propunha a apoiar o candidato do PSDB desde que o nome do seu partido para compor a chapa fosse Marcelo.
Conseguiu.
As alianças no campo governista tiveram a participação direta e o aval do governador Teotonio Vilela Filho.
O advogado Marcelo Brabo, especialista em Direito Eleitoral, afirma com todas as letras: “Convenção partidária é uma obra de ficção”. Ou seja: é festa, é torcida organizada, mas o que vale mesmo só vem depois – a ata.
Todos os partidos que disputam à vera as eleições em Maceió deixaram para o último dia, o sábado (30 de junho), a realização dos encontros em que anunciam os candidatos majoritários e proporcionais, as coligações enfim, um desfecho para alguns mistérios.
Mas o que vai valer mesmo é o preto no branco, o papel escrito. E este só chegará ao Tribunal Regional Eleitoral no dia 5 de julho, prazo limite legal.
Na última eleição em Alagoas, em 2010, o então presidente do TRE, desembargador Estácio Gama, tentou surpreender a moçada: exigiu que as atas das convenções fossem entregues logo após o desfecho da festa.
Que pena que os partidos conseguiram derrubar a decisão do magistrado! Até porque a Lei é feita para ser assim: a ante-sala da fraude, que tantas vezes se configura na prática.
No caso das alianças formais majoritárias, as decisões anunciadas neste sábado têm grande chance de vingar. Mas no que se refere às coligações proporcionais, duvide, duvide de tudo o que você ouvir por enquanto.
Só aceite o que for anunciado pelo TRE depois de entregue as atas dos partidos. O que estará escrito nelas é o que vai valer. O que não significa que foi o efetivamente decidido nas convenções.
Não é para entender, não. É só para ficar sabendo como é.
Aos descrentes de tudo, uma observação: esta não é uma inovação política alagoana. Só encontrou aqui campo fértil para prosperar.
Mas as urnas de Coruripe e de Murici devem repetir a máxima de que a confiança – no ramo – só vinga entre os de casa.
Ressalvando mudanças de última hora, o deputado Joaquim Beltrão deve ter a esposa, Dalva (que teve o nome cogitado para disputar a prefeitura de Coruripe), deve compor a chapa com o marido – será vice.
Em Murici, de novo, será Calheiros com Calheiros: Remi é candidato à reeleição tendo Olavo Neto como vice – e provável futuro prefeito.
A deputada Rosinha da Adefal e o vereador Galba Novaes estiveram entre os nomes mais ventilados pela imprensa como candidatos à prefeitura de Maceió.
Não estão mais.
Chegaram à condição de azarões, e não foi por conta das pesquisas que circulam internamente, em que até pontuam bem. Os erros de articulação e a falta de estratégias definidas levaram as duas candidaturas a derrapar na reta final das convenções.
Rosinha, através do seu partido, negociou com todas as frentes e não inspirou confiança em ninguém. Se sair candidata, o que já parece improvável, vai amargar um tempo mínimo de propaganda eleitoral e esperar um milagre: que não aconteça a polarização de candidaturas mais fortes e que apareça como uma terceira via, em fase de lua crescente.
Galba, inicialmente, apostou no PT, mas foi barrado pelos “dinossauros”. Sua legenda não é sua: o PRB é comandando em Alagoas pelo grupo do senador Collor, que fechou com Ronaldo Lessa. Nem mesmo a nunciada vinda do ministro Crivela se confirmou. Pode lhe sobrar a vice do ex-governador se acontecer uma catástrofe com Mosart Amaral, exposto, desnecessariamente, no Diário Oficial do Município.
O mesmo destino deve ter o deputado Givaldo Carimbão, lançado em Maceió pelo governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB.
Negociou com o PP, de Benedito de Lira, até agora sem sucesso, e trava conversas de última hora com o DEM, de Nonô e Jeferson Morais, com vistas a 2014.
Pode dar certo, mas não será mais cabeça de chapa.
A corrida vai se afunilando. Três candidaturas, até agora, parece que vão de fato emplacar (fora os “laranjas” de sempre: Lessa, Rui e Morais.
Mas até amanhã, o mundo pode virar de pernas para o ar. É tempo do punhal encontrar as costas do ex-amigo escolhido.
Às vésperas das convenções partidárias – que acontem no sábado -, praticamente todos os candidatos a prefeito de Maceió, que disputam para valer, ainda não definiram os respectivos vices. Tudo, afirmam, depende de novas e reveladoras conversas.
Por exemplo: Rui Palmeira, o tucano na disputa pela cadeira de Cícero Almeida, estaria entre Cláudia Pessoa, do PSC – que já anunciou que vai apoiá-lo – e um nome do PP, partido de Benedito de Lira, que gostaria de ver Marcelo, também Palmeira, ocupando a vaga. Sei não.
Jeferson Morais, do DEM, já esteve mais próximo de Galba Novaes, mas pode ficar com uma indicação do PT do B, de Rosinha da Adefal. Mais ainda do lado palaciano: Carimbão se sente um maior abandonado e a caminho sabe-se lá de onde, a essa altura – em cima do laço.
A turma de Rosinha da Adefal, que andou de um lado para o outro, garante que ela deve mesmo ser candidata tendo o médico Kléber Fortes, do mesmo PT do B, como vice. Desde que, é claro, não feche com o DEM de Nonô (e de Morais).
E aí, perguntareis: só o Chapão de Lessa, Collor e Renan estaria fechadinho, acertado, com vice definido? Mosart Amaral, o nome do PMDB, já foi anunciado na dobradinha com o ex-governador.
Só que pode haver uma pedra no meio do caminho: umasupreendente foto do ex-secretário municipal, no Diário Oficial de Maceió, em uma inauguração com o prefeito Cícero Almeida. Resultado: Galba Novaes pode voltar a ser o vice – como já foi – dos sonhos de Lessa.



