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31/03/2012 O filósofo do riso

- O lobo é o homem do lobo.

A frase, que já nasceu clássica, vai além do humor, como quase tudo que escreveu o seu autor, agudo observador das misérias humanas (como Oscar Wilde e Balzac). Um “gênio” brasileiro, como já se definiu publicamente Millôr Fernandes. E não sem razão.

Nascido em 1923, no Méier, Rio de Janeiro, este personagem raro do jornalismo e das letras foi registrado como Milton Viola Fernandes. Mas o escrivão – sempre ele – caprichou na escrita, ao seu modo, e Millôr, aos 15 anos, resolveu adotar o nome que o consagrou e que parecia já estar na sua certidão de nascimento.

Foi nesta idade que ele começou a trabalhar em O Cruzeiro como contínuo. Aos vinte anos, quando assinava também ”Vão Gôgo”, já era o jornalista mais bem pago do Brasil, com direito a automóvel – privilégio de poucos na época – e a morar em um apartamento de frente para o mar de Copacabana.

Um ano antes, para perplexidade geral, faria a sua primeira tradução literária: “A estirpe do dragão”, ou: “Dragon seed”, da norte-americana Pearl S. Buck. Estaria tudo dentro da plausibilidade, não fosse por um detalhe especial: Millôr nunca fez curso de inglês, idioma que aprendeu, como a tantos outros, lendo dicionários e gramáticas. É um autodidata que se tornou tradutor – aplaudido – de Shakespeare.

Autor de várias peças teatrais, livros, roteiros shows, musicais e de filme, Millôr nunca escreveu um romance, apesar de ser comparado a Lima Barreto, por Ariano Suassuna, e Machado de Assis (“muito devagar”, para ele), por Carlos Heitor Cony. Depois de fazer 80 anos e amealhar admiradores e inimigos, quase na mesma proporção (saiu aos tabefes com Chico Buarque), confessou sua ambição literária, com um objetivo único: “Meu maior sonho é ganhar o Prêmio Nobel – para poder recusá-lo”.

É claro, ele nunca alimentou nenhuma desconfiança quanto ao talento que carrega consigo. “É o seu maior admirador”, afirma seu amigo e escritor Zuenir Ventura: “Não cultiva a modéstia, falsa ou verdadeira: não tem dúvida de pertencer à categoria dos seres incomuns, privilegiados”.

Poderia parecer simplesmente arrogante, mas não é o caso. Millôr odeia o politicamente correto e exercita suas provocações com destemor. “À noite, todos os pardos são gatos”, escreveu em meio ao crescente debate sobre a beleza da negritude.  Não que seja racista, nada disso. Para ele, “todos os homens nascem iguais; e alguns até piores”.

Mas ai de quem o humorista-filósofo elege como inimigo! Com José Sarney ele foi impiedoso, demolidor, “uma bomba sobre o Japão”. Em 2002, publicou da sua lavra “Crítica da razão impura ou O primado da ignorância”, em que analisa a “obra” literária do ex-presidente, em especial  o romance “Brejal dos Guajás”:

- Um desses livros que quando você larga não consegue mais pegar. O Brejal só pode ser considerado um livro porque, na definição da Unesco, livro “é uma publicação com um mínimo de 49 páginas”. Dizem os íntimos que, depois de 20 anos de esforço, Sir Ney conseguiu afinal chegar à página 50, e gritou para dona Kyola: “Mãiê, acabei!”

Dizer mais o quê?

P.S.: Publicado neste blog em 27 de fevereiro de 2011.

 

Postado às 11:12, Ricardo Mota 4 comentários postado em Geral |
30/03/2012 A TV não pode nos indignar mais do que a realidade (Hermann Fernandes)

Do querido amigo Hermann Fernandes, alagoano de alma, recebi o texto abaixo. Vale a pena ser lido.  

É, eu também assisti ao CQC. E em nada me causou surpresa aquilo que lá foi mostrado. Aliás, basta acompanhar as notícias dos jornais, rádios, blogs, portais e tantas outras mídias produzidas aqui em Alagoas e você verá que tudo aquilo, de uma forma ou de outra já havia sido dito. Talvez de forma não tão direta. A diferença é que nós alagoanos nos indignamos quando as nossas verdades são mostradas por quem vem de fora. Aí bate aquela “revolta” do tipo: vamos fazer alguma coisa! Isso é uma vergonha! Temos que mudar! Só passa coisa ruim de Alagoas na TV! Viu só, saiu no CQC. Viu lá, estava no Jornal Nacional!

Chego à conclusão de que é preciso que haja indignação com a realidade que vivemos no dia a dia, e não somente quando essas verdades nos chegam pelas imagens da TV, com sotaque paulista ou carioca. O sentimento de Ser Alagoano não pode ser despertado apenas quando somos achincalhados em rede nacional. Ele precisa se erguer ao vermos crianças nas ruas. Ao desviarmos de corpos desfigurados que sob o efeito da cola ou do crack congestionam nossas calçadas.

Um cenário que tem se tornado tão comum quanto o belo azul esverdeado das águas de Pajuçara. Ser Alagoano é NÃO achar normal tantas mortes num final de semana. É NÃO achar normal praias como a do Francês e a Barra sem a menor infraestrutura, mesmo quando somos apontados como a potencial capital brasileira do turismo. Ser alagoano é NÃO esperar que nossas mazelas ganhem as telas em rede nacional para chegarmos à conclusão de que algo precisa mudar. E esse algo, está diretamente voltado para a forma de pensarmos Alagoas.

NÃO é apenas uma questão política, mas de posicionamento: o que somos e o que queremos ser. NÃO é apenas uma questão política, mas de respeito: como somos vistos e como queremos ser vistos. NÃO é só uma questão política, mas de futuro: onde vivemos e onde queremos que nossos filhos vivam.

Alagoas é um Estado abençoado pela natureza. Maceió tem a mais bela orla do Brasil. Arapiraca é uma das cinco cidades médias que mais crescem no país. Somos um polo gastronômico de primeira grandeza. Mas nós, alagoanos, políticos ou não, fazemos muito pouco para manter esse legado. Sabe por quê? Porque continuamos a nos indignar mais com aquilo que a TV fala da gente do que com aquilo que vemos escancarado, todos os dias, em nossa porta. O CQC ainda nos incomoda mais do que a realidade que bate todos os dias na nossa cara.

 Hermann Fernandes

Presidente ABAP – Capítulo Alagoas

 

Postado às 20:44, Ricardo Mota 36 comentários postado em Geral |
30/03/2012 Há juiz leeento, mas há juiz ligeirinho

O desembargador Pedro Mendonça seguiu o mesmo raciocínio já explicitado pelo presidente do Tribunal de Justiça, Sebastião Costa Filho, e pela vice, Nelma Padilha – em casos semelhantes, no ano passado.

O afastamento do deputado Antônio Albuquerque do mandato parlamentar, em um ato – digamos – heróico do juiz Helestron Costa, foi uma decisão cautelar. Este é o problema. O deputado, como os outros colegas dele indiciados pela Polícia Federal na Operação Taturana, é apontado como um dos responsáveis pelo desvio de R$ 302 milhões.

Faz tempo!

A operação foi em 2007, e já em dois 2008 o Ministério Público Estadual deu entrada  em várias Açõespor Ato de Improbidade contra aqueles a quem a PF chamou de integrantes de uma ORCRIM – Organização Criminosa -, que teria embolsado o dinheiro.

Eis que a iniciativa do MP foi parar, como obra do acaso, na mesa do juiz Gustavo Lima. Sabemos o que aconteceu – ou o que não aconteceu.

O presidente do TJ, agora, quis reforçar a atuação da Justiça no caso: criou uma comissão para dar celeridade ao julgamento do mérito das Ações contra os taturanas.

 Por que, então, não incluir na comissão o juiz convocado do Tribunal de Justiça, Celyrio Adamastor? Ele precisou de apenas 25 minutos para decidir pela libertação do prefeito afastado de Traipu, Marcos Santos, preso desde novembro do ano passado.

Agilidade é isso.

Postado às 20:40, Ricardo Mota 38 comentários postado em Geral |
30/03/2012 Almeida surpreende até o PT

O prefeito Cícero Almeida, ao estilo, surpreendeu mais uma vez. Inclusive ao Partido dos Trabalhadores, com quem mantêm parceria política desde o início do segundo mandato. 

Ao anunciar que Arnóbio Cavalcante será o substituto de Thomaz Beltrão na Secretaria Municipal de Educação, Almeida dá o recado: o PT já teve o que tinha de ter no seu governo.

Pinto de Luna, é verdade, ainda é secretário de Segurança Comunitária, numa atuação apagada. Ele, assim como Beltrão, deve ser candidato a vereador de Maceió – são dois dos principais nomes do partido para a Casa de Mário Guimarães.

Em nisso falando, qual é o partido de Arnóbio Cavalcante, que está na Secretaria de Abastecimento, depois de passar pela pasta do Trabalho?

Lembramos: foi tucano (PSDB), virou socialista (PSB), mas mudou para o trabalhismo (PDT) e desembarcou no almeidismo – pelo menos até 31 de dezembro.

O vice de Célia

A deputada Célia Rocha abriu seu coração para o PMDB de Arapiraca.

Aceita que o partido do senador Renan Calheiro – e, por extensão, de Luciano Barbosa – indique qualquer nome para ser seu vice, desde que ele se chame Yale Barbosa.

Descartados já teriam sido: Paulo Sérgio Barbosa, Rogério Nezinho e Maurício Fernandes.

Ela vai?

Rocha, aliás, disse que vai ao pré-lançamento da candidatura de Alves Correia á prefeitura de Arapiraca. 

Se for, pode encontrar por lá: Rogério Teófilo, Ricardo da Coagro, senador Benedito de Lira e a direção local e nacional do PT do B.

Mais civilizado, impossível.

Greve na ADEAL

A primeira é de advertência, marcada para dia 20 deste mês. Eles querem melhores salários e condições de trabalho mais dignas.

Se não houver acordo, em 21 de maio eles param por tempo indeterminado.

Postado às 16:36, Ricardo Mota 15 comentários postado em Geral |
30/03/2012 Sociedade cria novo padrão ético para escolha de conselheiro do TC

Acabou a farra? Ao que parece, sim.

A escolha do novo conselheiro do Tribunal de Contas está criando um novo padrão de reação da chamada sociedade civil organizada.

E daqui para frente tudo deve ser diferente.

A ideia do procurador-chefe do MP de Contas, Ricardo Schneider, provocando entidades e instituições para que participem do processo na Assembleia, mesmo considerando que a vaga de Isnaldo Bulhões pai é de um procurador concursado da casa, ganha mais adeptos a cada dia.

Hoje, conforme anunciamos, o juiz Maurício Breda confirmou que vai se inscrever. É um nome de grande força da magistratura, que contribui para a “boa briga”.

Tem mais: o secretário de controle externo do Tribunal de Contas da União (TCU), Ricardo Fahr Pessoa também aceitou o chamamento e vai apresentar seu currículo aos deputados.

O MP Estadual vai contribuir com outro quadro qualificado: o promotor José Carlos Castro resolveu aderir à causa. E esta é uma causa da sociedade, que alguns tentam desqualificar com objetivos nada nobres.

Lembrando: a sabatina dos candidatos será feita na próxima quarta-feira, dia 4 de abril.

Fazia tempo que eu não via uma idéia política tão feliz nas suas consequências. Se parece simples é porque simples é. Eis o seu grande segredo.

Na definição de um promotor-cidadão, a reação da sociedade, através dos futuros candidatos a conselheiro do TC, é uma importante quebra de paradigmas.

Exatamente: todas as vezes que uma vaga se abrir, seja da Assembleia ou de livre indicação do Executivo, o caminho será esse agora trilhado por nomes tão respeitáveis.

Às vezes, os ares trazidos pela juventude são essenciais para transformar a realidade. Eis o caso explícito.

Surpresa!

O prefeito Cícero Almeida, ao estilo, surpreendeu mais uma vez. Inclusive ao Partido dos Trabalhadores, com quem mantêm parceria política desde o início do segundo mandato.

Ao anunciar que Arnóbio Cavalcante será o substituto de Thomaz Beltrão na Secretaria Municipal de Educação, Almeida dá o recado: o PT já teve o que tinha de ter no seu governo.

Pinto de Luna, é verdade, ainda é secretário de Segurança Comunitária, numa atuação apagada. Ele, assim como Beltrão, deve ser candidato a vereador de Maceió – são dois dos principais nomes do partido para a Casa de Mário Guimarães.

Em nisso falando, qual é o partido de Arnóbio Cavalcante, que está na Secretaria de Abastecimento, depois de passar pela pasta do Trabalho?

Lembremos: foi tucano (PSDB), virou socialista (PSB), mas mudou para o trabalhismo (PDT) e desembarcou no almeidismo – pelo menos até 31 de dezembro.

A carta de Araújo

Caro jornalista Ricardo Mota

A respeito da nota divulgada em seu conceituado blog onde faz referência ao meu nome e de uma suposta irritação do prefeito de Maceió, Cícero Almeida, a minha atuação como secretário municipal de Assistência Social, gostaria de prestar alguns esclarecimentos. 

1 – Não tomei conhecimento de que o prefeito tenha se referido a minha pessoa com adjetivos inadequados e desferidos impropérios sobre meu trabalho à frente da pasta, até porque pelo que conheço o chefe do Executivo da capital não dispensa esse tipo de tratamento a nenhum de seus subordinados. E se assim o fosse não me submeteria como ser humano a um tratamento indigno deste tipo somente para manter-me no cargo; 

2 – Quanto a questão da existência de filas na sede do programa Bolsa Família, se vem acontecendo é por se tratar de um caso excepcional, até por conta do processo de recadastramento que está sendo executado junto a todos os beneficiários do programa em Maceió e que em muitos casos buscaram a sede do programa ao mesmo tempo;

3 – Em relação à divulgação da pesquisa feita sobre a exclusão social em Maceió em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, gostaria de informar que ela foi apresentada de forma pública em seminário promovido por esta secretaria e também pela própria universidade, portanto não se tratava de uma pesquisa apenas para consumo interno e sim para que toda a sociedade alagoana tomasse conhecimento.

4 – Nesse período em que ocupo o cargo de Secretário de Assistência Social de Maceió sempre mantive um relacionamento respeitoso com o prefeito Cícero Almeida e o fiz ciente de todas as ações eventualmente colocadas em prática pela pasta com objetivo de reduzir as desigualdades sociais que são marcantes não só na capital, quanto em todo o Estado.

5 – Gostaria de prestar esclarecimentos por considerar desrespeitosa a forma como o nobre jornalista se reporta a minha pessoa, que como cidadão e ser humano merece consideração e acima de tudo respeito.

Atenciosamente

Francisco Araújo

 

 

 

 

Postado às 12:42, Ricardo Mota 13 comentários postado em Geral |
30/03/2012 Juiz Maurício Breda é candidato a conselheiro do TC

O juiz Maurício Breda, da 17ª Vara Criminal da Capital, também resolveu comprar a briga – e vai à luta. 

Ele confirmou, agora há pouco, que irá se inscrever como candidato a conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, no processo aberto pela Assembleia Legislativa, na última quarta-feira. 

- Estou preparando o meu currículo. Pretendo dar entrada o mais rapidamente possível. Espero que meu nome seja aceito para concorrer ao cargo. 

Mesmo acreditando que “a vaga é do Ministério Público de Contas”, o magistrado, conhecido pela contundência das suas decisões, disse que é importante esperar pela decisão da Justiça, que ainda não julgou o mérito do Mandado de Segurança sobre o tema.

Sobre o Tribunal de Contas, ele afirmou que se a casa “é conhecida como palácio de vidro, eis uma razão a mais para que seja transparente. Acho que este é motivo principal da mobilização da sociedade alagoana, agora”.

Ele destacou os nomes de Paulo Breda e Karla Padilha como candidatos à vaga deixada por Isnaldo Bulhões pai, afirmando que o TC ganharia muito com a presença deles.

E se a Almagis ainda não se pronunciou oficialmente sobre a questão, o juiz Maurício Breda já ganhou um apoio de peso a sua candidatura: o do presidente da entidade, Pedro Ivens.

Postado às 10:00, Ricardo Mota 28 comentários postado em Geral |
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