O ano vai cerrando as portas. Estou cansado, e o corpo pede repouso. É o meu ciclo pessoal e intransferível que se fecha sem cuidar de saber se eu assim pretendia.
Penso no meu trabalho. Que me exaure, levando ao limite das minhas forças. Mas que me põe no mundo de agora. Recebo como um alerta de que há ainda há muito por fazer, mesmo que pouco me seja possível.
Penso nos meus amigos. Confirmo que eles são melhores do que eu. Poucas coisas me elevam tanto a autoestima. Eles me querem bem como eu a eles, o que só é possível “porque eles são eles e eu sou eu”.
Penso nos meus filhos. Eles se fizeram melhores do que eu poderia conseguir. Mérito de tantos e, por menos que seja, carregarão algo de mim nessa inacabada construção. Se tivesse de começar de novo, me encheria de orgulho se fossem do jeito que são.
Penso na minha mulher. Sempre ávida por realizar algo prático. A buscar alguém que precise de sua ajuda, deixando pouco tempo, no áspero cotidiano, para cuidar de si mesma. E aceitando os meus silêncios, não fossem de chumbo.
Penso na minha mãe. Cheia de vontade de viver, apesar das perdas e das limitações que a velhice lhe impõe. A relevar suas saudades sem renunciar ao porvir. Os olhos tendendo ao chão, mas se rebelando valentemente.
Penso nos meus irmãos. Todos desiguais, que não existe fôrma possível de gente. A raiz há, sempre, de produzir frutos de sabores diversos. É inevitável que alguns me traduzam gosto mais aprazível.
Penso, sim, no meu velho pai. A ausência das mais sentidas. Uma presença cada vez evidente, para quem vê de fora, na minha personalidade e no meu jeito de reagir ao mundo sobre o qual não tenho nenhum controle.
Penso nos que já não estão. Como se eles, a cada dia, dissessem que a vida nos enche de dores, a nos desatar e atar a si mesma. Silenciosamente, me cobram a permanência. Pelos amores já vividos, e tão intensamente.
Penso nos livros que preciso e quero ler. E naqueles em que eu bebi o melhor néctar da curiosidade e do prazer. Preciso relê-los, como necessito de tempo para redescobertas.
Penso no calor do corpo que me falta em noites de frio. Raras por estas bandas, mas tão impiedosas quanto as mais invernais madrugadas polares. É quando busco fogueiras que só a mim trazem alento.
Penso na morte, doce e atroz companheira de algum dia. Que não seja agora, mas que me venha na hora em que não é esperada. Quando chegada saberá pelo menos que é consentida. Como se isso importasse.
Penso na aurora. Que haverá de se fazer sempre, mesmo que eu já não a receba, vermelha feito fogo, a embrasar a existência. Qualquer existência, que o sol segue adiante sem se dar conta dos que nele encontram abrigo.
Volto a pensar que o ano chega ao fim. Meu corpo pede pausa e conforto.
Rasgo a última folha do meu possível dezembro. Nela está escrito: “É a alma que grita mais alto por um colo de algodão.”
Agradecimento
Estarei em férias durante todo o mês de janeiro. Desejo a todos o que acompanham o blog um excelente 2013.
Agradeço, também, aos mais de 2.200.000 acessos e 3.200.000 páginas visitadas, aqui neste espaço, nos últimos onze meses.
Parece que a inusitada situação já faz parte da paisagem. Mas há de incomodar, e muito, a Lourdinha Lyra – a que não foi e teve tudo para ter sido.
Durante oito anos, a filha do deputado federal João Lyra, então padrinho político de Cícero Almeida, ocupou – ainda ocupa – a cadeira de vice-prefeita de Maceió.
Uma condição inútil, pelo visto.
Em todos esses anos – mais de 2.910 dias -, a arquiteta e empresária não teve o gosto de ser, por uma hora ao menos, a chefe do Executivo Municipal de Maceió.
Lourdinha chegou ao cargo pelas mãos do pai. Mas, segundo Almeida, foi o próprio JL que “deixou” que ela passasse pela humilhação de nunca ter assumido a cadeira do titular.
O prefeito tirava férias, viajava, pescava, mas não oficializa o afastamento.
Eu só me lembro de algo parecido quando Ronaldo Lessa foi governador pela primeira vez. Brigado com Geraldo Sampaio, o seu vice, Lessa nunca deixou que o “companheiro de tantas batalhas” fosse governador por um dia.
Lourdinha foi além. A situação já era insustentável durante o primeiro mandato de Almeida. O prefeito tentou até emplacar outro vice, mas JL não permitiu – e estendeu por mais quatro anos a condição humilhante da sucessora natural do prefeito.
Novo vice
O futuro vice-prefeito, Marcelo Palmeira, escolheu um colega de agora para ser o seu chefe da gabinete: o vereador Théo Fortes, a quem é bastnte ligado.
Boa sorte a ambos.
O prefeito eleito de Maceió, Rui Palmeira, disse hoje no Doze e Dez Notícias (Pajuçara FM) que espera que o orçamento de Maceió para 2013 só seja provado no próximo ano:
- Essa é uma decisão dos vereadores, da Câmara Municipal de Maceió. Mas nós vamos necessitar de tempo para estudar algumas alterações que poderão ser necessárias. Fazer remanejamento de recursos, adequar o orçamento às nossas necessidades. O melhor seria esperar para o próximo ano.
O ainda deputado federal afirmou que não recebeu várias informações solicitadas pela comissão de transição, apesar de fazer um “agradecimento especial ao secretário Pedro Alves”, responsável pelo entendimento com os representantes de Rui Palmeira.
Sem o orçamento de 2013 aprovado, Palmeira terá de trabalhar com 1/12 do orçamento deste ano. Ele disse que acredita que até o final de janeiro terá feito a nova versão do projeto de LOA.
Há coisas que fogem à lógica dos cidadãos comuns – e eu me encontro entre estes.
Por absurda, eu não prestei atenção à oferta do governo do Estado, de crédito junto à Caixa Econômica para as pessoas que tiveram as casas atingidas pela explosão da Deic- mesmo que depois recebam o ressarcimento.
Uma analogia possível: alguém passa na porta da minha casa, joga um tijolo na janela e depois me oferece um empréstimo para que o faça o conserto.
“Obrigado”, digo eu.
Não dá para acreditar.
Primeiramente, temos de considerar que as pessoas que se encontram nessas condições são “vítimas” de uma (in) ação do governo.
Segundo: há um procedimento burocrático na Caixa, o que é normal. É necessário que você tenha tempo e paciência para cumpri-lo. Um horror!
Finalmente: os governos já devem saber – assim mesmo, de forma ampla, geral e irrestrita – que a população desconfia, e com razão, ao fazer qualquer negócio com o poder público. Imagine: se endividar para depois receber o dinheiro de volta (simples como água)!
Cabe, sim, ao governo, tomar todas as providências para mitigar os problemas causados aos cidadãos.
Menos do que isso, eis o que me parece, é buscar novos inimigos, como se o governo já os tivesse em número suficiente.
O coronel Edmilson Cavalcante será o novo secretário Municipal de Segurança Comunitária e Cidadania.
Ex-comandante da PM, ex-chefe do Gabinete Militar do Governo do Estado, ex-diretor do Detran, atualmente o oficial ocupa um cargo de direção na Secretaria de Defesa Social.
É, até hoje, o braço direito do secretário Dário Cesar.
A ligação entre os dois, aliás, parece ter sido decisiva na escolha feita pelo futuro prefeito Rui Palmeira.
Na Secretaria de Segurança Comunitária e Cidadania, entretanto, tudo parece estar por fazer.
A pasta foi criada na gestão do prefeito Cícero Almeida e tinha “Direitos Humanos” na sua denominação original. O então titular da secretaria, Pedro Montenegro, tentou dar ênfase ao trabalho de prevenção à violência com maior entrosamento entre a Guarda Municipal e a comunidade.
Foi vencido pelo grupo ligado ao prefeito, que tinha outros planos para a pasta – ninguém sabe quais.
O delegado federal Pinto de Luna foi outro a passar por lá. Disse, por mais de uma vez, que estava de mãos atadas, sem conseguir fazer qualquer trabalho junto à Guarda – formada por mais de 800 servidores.
Eis o desafio do coronel Edmilson Cavalcante: fazer a Secretaria de Segurança Comunitária e Cidadania existir – atuando com entrosamento com a Defesa Social.
Mãos à obra.
O ano de 2013 será o mais decisivo para o governador Teotonio Vilela Filho, desde que ele assumiu o posto, em janeiro de 2007.
É quando ele poderá – se é que vai conseguir – apresentar resultados concretos da sua gestão.
E em áreas essenciais.
Cito: na Educação, que vive em estado de emergência desde o ano passado, em função das reformas nas escolas da rede estadual.
Há, também, a expectativa de que o Plano de Cargos e Salários dos professores seja, enfim, concluído e aprovado.
A Segurança Pública continuará a ser um alvo de muitas críticas, e duvido muito que o governo do Estado consiga avançar além da redução do número de homicídios (o que por essas abandas pode até representar muito – mas é pouco).
A Saúde vai depender – e muito – do que o futuro prefeito Rui Palmeira conseguir avançar na capital. A única do país, aliás, a não dispor de um só leito público. Sem esquecer que é também aquela com a menor cobertura do PSF no Brasil.
Há a questão emblemática do estaleiro, que dá sinais de que pode aportar mesmo por aqui.
Ou seja: há muito por fazer e pouco tempo para tanto.
Mas ou é isso ou Vilela pode não terá muito o que comemorar – mesmo que tenha “arrumado da bagunça da casa”.
Para uma população que depende demais do poder público, a máquina administrativa do Estado está muito longe de atender as demandas crescentes.
Além do mais, Vilela terá no seu encalço o senador Fernando Collor, voltado de novo para Alagoas – em função da disputa eleitoral de 2014.
O ano de 2013, portanto, prenuncia muita “munhecada no espinhaço” – ainda que metafórica, como agora explica o criador da expressão bombástica.



