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23/05/2011 Carimbinho vira diretor da Secretaria da Paz do Carimbão

Givaldo de Sá Gouveia Júnior, o Carimbinho, voltou à máquina pública estadual. Ele foi nomeado, hoje, para Diretoria de Sensibilização e Mobilização para a Paz do Carimbão – na secretaria que criada para o pai dele, deputado federal pelo PSB.

Carimbinho já havia ocupado a Diretoria de Pesca da Secretaria de Agricultura (então) , no governo Ronaldo Lessa. Foram várias ações – desconhecidas do grande público, eu creio -, na área do caniço e samburá, e aí ele andou se complicando lá para os lados da Paraíba.

Depois de adquirir um posto em João Pessoa, Carimbinho se viu envolvido em uma história surreal, quase: ele comprou um posto de combustíveis na capital paraibana e pagou R$ 300 mil em dinheiro vivo.

Só que logo após o pagamento, a proprietária do posto, Maria Jaydeth  Miranda, foi assaltada por dois homens, que levaram o carro dela e mais R$ 235 mil em espécie.

A forma como foi feito pagamento gerou dúvidas sobre a operação, o que resultou em inquérito policial. Mas, ao que parece, as dores de cabeça de Carimbão e Carimbinho já não existem.

Seguindo os passos do pai, Carimbinho volta à máquina pública estadual, exatamente na pasta que ficou conhecida como a Secretaria da Paz do Carimbão (que é candidato a prefeito de Maceió pelo PSB).

Postado às 12:10, Ricardo Mota 22 comentários postado em Geral |
23/05/2011 Adriano Soares assume Secretaria Estadual de Educação

O advogado Adriano Soares vai assumir, na próxima semana, a Secretaria Estadual de Educação. Ele foi o nome de consenso entre o governador Teotonio Vilela Filho e o senador Benedito de Lira, com quem Soares mantém laços familiares (ambos são de Junqueiro). 

O advogado foi o quarto nome apresentado pelo senador do PP para dirigir a pasta. O primeiro – e principal – foi o do professor Tadeu Lira, que não foi aceito pelo Palácio República dos Palmares. 

A indefinição já havia deixado De Lira extremamente irritado porque ele considera que a Educação é a parte do PP, partido que dirige, no bolo governista, mas não conseguia emplacar ninguém para dirigir a pasta. Marcelo Palmeira, enteado do senador, é o secretário de Ação Social – “indicado pelo próprio governador”, segundo o senador.

De volta

Adriano Soares foi secretário de Gestão Pública no primeiro governo de Vilela. Foi o principal encarregado das negociações com o movimento de servidores, com os quais assumiu vários embates públicos.

Depois de sair do governo, a pedido, conseguiu indicar seu sucessor, Guilherme Lima, que cedeu a vaga na atual gestão a Alexandre Lages.

O advogado mantém até hoje estreitos laços políticos com o governador – ambos se encontram com frequência. Soares só aceitou assumir a pasta da Educação depois que conversou com os dois – De Lira e Vilela – no final da semana passada.

Rogério Teófilo deverá ser deslocado para a Secretaria de Articulação Política, que ainda não tem titular.

Postado às 9:34, Ricardo Mota 45 comentários postado em Geral |
22/05/2011 A valentia dos covardes II

 

Todos nós guardamos, com o amargor do arrependimento, momentos em que fomos dominados pela covardia – quando assim nos parece claro. Acontece nas oportunidades em que deveríamos ter agido em defesa própria, ou de outros, e não o fizemos. Ninguém conseguirá ser herói de si próprio se repassamos a vida a limpo, e assim devemos fazê-lo com alguma constância.

Esta é a covardia passiva, que tantas vezes comanda nosso lamentável comportamento. Entretanto, é a covardia ativa aquela que mais nos apequena diante dos outros e da vida.

Em um dos seus ótimos ensaios sobre o tema, Michel de Montaigne, o insuperável filósofo francês (século XVI), ensina, desde lá, que “a covardia é mãe da crueldade”. Nas ações movidas por este sentimento é que o homem chega ao seu patamar mais baixo.

Inaceitável, por exemplo, é a persistente agressão de mulheres pelos machos, que encontram sua motivação no simples fato de que só “resolvem” pela força o que não conseguem pela palavra. Ou ainda: a violência dos homens que deveriam zelar pela lei e espancam marginais – ou não – que já estão dominados e impossibilitados de reação (vale, aqui, lembrar uma das máximas de Riobaldo Tatarana, de Guimarães Rosa: “O que demasia na gente é a força feia do sofrimento, própria, não é a qualidade do sofrente”). Não há nada que nos remeta à coragem em ambos os casos.

Que característica de personalidade mais aguçada carregará o tirano que não a covardia? Eis, de novo, Montaigne:

- O que torna sanguinários os tiranos? É a preocupação com a sua segurança, e porque seu ânimo covarde não lhes oferece outros meios de proteger-se a não ser exterminando os que o podem atacar, até mesmo as mulheres, por medo de um arranhão.

E para quem acha que matar faz parte da essência humana, uma prova, tantas vezes, da sua valentia, vale ressaltar os estudos com veteranos de guerra nos Estados Unidos. Eles apontam que apenas uma pequena parcela dos homens – de 1% a 2% – é responsável pela maioria das mortes em uma guerra (em “A Era da Empatia”, de Frans de Wall, um livro imperdível). “O soldado comum manifesta enorme resistência a ferir com baioneta um outro homem, e a intensidade dessa reação só perde para a resistência a ser, ele mesmo, perfurado por uma baioneta”. Não por covardia, mas por empatia, a capacidade que trazemos desde nossos ancestrais.

Não há de se confundir a covardia com a prudência, embora uma tente justificar a outra em situações as mais diversas. “A vida consiste na milícia contra a malícia do homem”, diz Baltasar Gracián, em “A arte da prudência”, um alerta sempre necessários em todos e quaisquer tempos. Mas esconder aquela por trás desta pode ser mais um erro fatal.

Agora, cá para nós, covardia imperdoável parece ser simplesmente não ter coragem de pedir perdão, se assim nos mandam mente e coração.

Postado às 5:00, Ricardo Mota 12 comentários postado em Geral |
20/05/2011 Polícia identifica autores da depredação na Fazenda

Os comandos das duas policiais estaduais já têm imagens bem definidas e detalhadas sobre o episódio de ontem na Secretaria da Fazenda. Quem agiu de forma truculenta e como o fez.

Não há outro caminho possível, a não ser cumprir a lei. Aquelas não foram ações de servidores, repito, mas de quem, estando momentaneamente no movimento, aproveitou para manifestar a sua verdadeira índole.

Se armados ou não – se estavam, a situação ainda é pior –, os responsáveis pela ação de terror estão obrigados, como qualquer um de nós, a se explicar na Justiça.

O que houve não pode entrar no pacote de negociação do governo com servidores – até porque não foram os servidores que fizeram aquilo, e os bens destruídos não pertecem a nenhum governo. Vilela passa, como passaram tantos governantes – bons ou ruins.

Desserviço ao Estado não é coisa de servidor.

Postado às 20:32, Ricardo Mota 42 comentários postado em Geral |
20/05/2011 Nem terror, nem violência

Há uma discussão interna, dentro do governo, sobre como agir para não mais permitir que se repita o que aconteceu ontem, no prédio da Secretaria da Fazenda (a questão do quartel-geral da PM é mais complicada, se insere em ações que vão além da questão política). 

Colocar policiais militares em frente aos prédios públicos é uma atitude correta. E ir além disso, dentro da lei? Eis a questão posta. 

É preciso que haja uma investigação séria e severa das ocorrências de ontem. Os líderes sindicais, aqueles que efetivamente lutam por aumentos salariais justos para os servidores, precisam se desvencilhar dos que encontram na força das armas e/ou no terror o caminho para o movimento do funcionalismo. 

Os bens depredados são públicos – de todos – e não do governador Teotonio Vilela Filho. E a ninguém é dado o direito, mesmo que indignado, de quebrar, tocar fogo, destruir, seja o que for, o patrimônio da sociedade. 

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, o agente Carlos Jorge, disse que ninguém pode conter os servidores armados. O que isso quer dizer? Que devemos temer a fúria daquele que têm a arma como instrumento de trabalho, se ele não tiver o reajuste salarial que deseja?

História

Eu acompanho o movimento de servidores públicos estaduais desde há muito, quando ele efetivamente ganhou algum nível de organização – e, cá para nós, tinha um padrão de formação política, entre as lideranças, respeitável.

No governo Collor, por exemplo, as manifestações do funcionalismo não chegavam nem perto do Palácio, como hoje acontece cotidianamente. A tropa de choque da PM fazia uma barreira – no início da Rua do Sol, por exemplo – que os servidores não ousavam tentar furar.

Na gestão de GB, era a Polícia Militar quem controlava os movimentos sociais. Os aumentos e benefícios para a corporação levaram os militares – na maioria – a se posicionar fortemente em favor do então governador e, neste caso, contra o movimento do funcionalismo.

E quem não lembra da sessão de espancamento dentro do Palácio dos Martírios – aquela em que a sindicalista Lenilda Lima foi arrastada pelos cabelos por um militar – no governo Suruagy? As luzes do palácio foram apagadas o pau comeu.

As relações entre o ex-governador Ronaldo Lessa e o movimento de servidores também não foram das melhores. O hoje presidente do PDT, lembremos, chegou a tratar por “maloqueiro” – publicamente, o então presidente do Sindicato dos Policiais Civis, José Carlos Fernandes – para dizer um pouco apenas.

Benedito Alexandre, presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde, foi peitado por Lessa, dentro do Palácio, e a situação não tomou um rumo mais desagradável por causa da turma do “deixa disso”.

As relações de Vilela com os servidores nunca foram boas. Desde o primeiro mês do primeiro ano do seu primeiro governo. Mas não há de se registrar nenhuma ação de violência física contra os servidores. (Faço, aqui, uma correção, graças ao Léo Moisés, do Detran: ação do Bope, naquele órgão, que chegou a atingir um profissional de imprensa que estava no local. Uma decisão do comando, que deveria ter sido devidamente punida – e não foi.)

Processos administrativos e inquéritos – que, aliás, nunca dão em nada – contra sindicalistas fazem parte do embate, dentro da legalidade.

O terror é outra história. Aí já não é mais Vilela x funcionalismo, até porque quem age dessa forma não representa o conjunto da categoria.

Não será pelo medo dos “servidores armados” que o funcionalismo público estadual vai ganhar mais e ter melhores condições de trabalho.

Postado às 12:45, Ricardo Mota 41 comentários postado em Geral |
20/05/2011 Servidores: quem controla o quê?

O presidente da Cut, Izac Jackson, disse que não tem mais 100% de controle sobre o movimento dos servidores. Quero discordar dele, radicalmente. 

Não posso identificar nas fotos de primeira página dos jornais de hoje, funcionários públicos, gente comum, que batalha no dia a dia pelo ganha pão. 

Os servidores não podem nem merecem ser comparados com aqueles que depredaram a Secretaria da Fazenda e, talvez, faço questão de repetir: talvez – sejam os responsáveis pelo que ocorreu no quartel-geral da PM. 

As imagens são suficientemente denunciadoras de que há algo muito errado no movimento.

O governo tem também errado feio, o que este espaço tem apontado e por diversas vezes. Mas o terror não se justifica. O uso deste expediente, até agora, tem sido uma exclusividade de alguns que estão ali, infiltrados no movimento, da mesma forma que poderiam estar em outras atividades menos nobres.

E para estes, o caminho é o da Justiça.

A sociedade já está suficientemente castigada pela violência. Se a questão salarial fosse resolvida com ações como aquelas observadas ontem, que futuro poderemos vislumbrar?

Motoristas quebrando e incendiando ônibus?

Babás e empregadas domésticas justiçando seus patrões?

Operários da construção civil apedrejando os engenheiros e empresários?

Nem Izac da Cut – nem nenhum outro líder sindical – pode conter os que agiram ontem daquela maneira. Só a Justiça.

Postado às 10:33, Ricardo Mota 24 comentários postado em Geral |
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