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28/02/2011 “Paciente do SUS com leucemia está condenado à morte em Alagoas”

A afirmação é do defensor público Ricardo Melro, que se deparou, de novo, com uma dessas pequenas tragédias do cotidiano de quem precisa do serviço público de saúde – mais de 90% dos alagoanos. Um paciente – com diagnóstico, já, de leucemia – procurou a Defensoria Pública nesta segunda-feira para conseguir realizar um exame, a Imunofenotipagem, que identifica o tipo da doença, possibilitando a realização do tratamento específico.

Na Secretaria Estadual de Saúde, Melro foi informado que só a Santa Casa e o Hospital Universitário poderiam realizar o exame – são as duas unidades credenciadas pelo SUS para o tratamento de câncer em Alagoas. Mas, no caso da leucemia, informaram as direções dos dois hospitais, o tratamento estava suspenso. A Santa Casa – é a narrativa do defensor público – diz que só pode retomar o atendimento com o apoio do Hemoal, o que lhe faltaria neste momento. O HU sofre de um velho e letal problema: falta de pessoal.

O drama não para por aí. Ricardo Melro, em contato com a APALA, que atende a crianças com câncer, ficou sabendo que vários pacientes procuraram a entidade, desesperadamente, na tentativa de fazer o exame e o consequente tratamento adequado – em vão. Ele ainda buscou a ajuda da Secretaria Municipal de Saúde – gestora do SUS em Maceió -, mas o secretário Adeilson Loureiro disse que desconhecia o problema – justificando que estaria há pouco tempo no cargo. Resultado: nesta terça-feira à tarde, o defensor público, dirigentes da APALA e pelo menos sete pessoas portadoras de leucemia vão à Justiça lutar pelo direito de ter uma chance de viver.

Eles se reúnem às 14h30, na sede da Defensoria, para a elaboração de uma Ação coletiva, que vai dar entrada no Fórum de Maceió. Tomara que não seja tarde demais.

Tácito Yuri 

O promotor Tácito Yuri, de União dos Palmares, está internado no Hospital do Coração desde o último sábado. Ele sofreu um infarto agudo do miocárdio, foi atendido na urgência do Hospital da Unimed e depois transferido para a unidade especializada.

Conhecido pela sua combatividade, ele tem enfrentado, inclusive, várias ameaças de personagens emblemáticos da cidade de União dos Palmares e é um dos mais respeitados integrantes do MP de Alagoas.

Segundo informações da assessoria do Ministério Público, o estado de saúde de Tácito Yuri ainda inspira cuidados, mas ele já está fora de perigo.

O blog torce para que Tácito Yuri se recupere o mais rapidamente possível, manifestando integral solidariedade a todos os que desejam seu pronto restabelecimento.

Postado às 20:20, Ricardo Mota 24 comentários postado em Geral |
28/02/2011 Rosinha da Adefal pode disputar com Sarney Filho o Ibama de Alagoas

A neodeputada federal Rosinha da Adefal entrou na briga para indicar o titular da Superintendência do Ibama em Alagoas – na divisão do bolo federal no estado.

Mas ela pode ter pela frente um sobrenome poderoso da República: o deputado Sarney Filho, que é do PV, Partido Verde, além de filho…De quem, mesmo?

Pode ser ele o novo padrinho da “verde” Sandra Menezes”, atual ocupante do cargo. Se ele se articula com o pai, que se articula com o senador Renan Calheiros, dificilmente a deputada do PT do B sai ganhando – pelo menos a Superintendência do Ibama local.

Quem também sonha em permanecer no atual posto é o diretor-geral dos Correios, Roberto Medeiros. Ele chegou lá pelas mãos de Cristiano Mateus, mas acredita que fica com o aval de Renan pai – de quem seria “amigo de infância”.

Medeiros entraria na cota de Renan Filho, que ainda ficaria com a Funasa.

Os dois senadores mais notórios de Alagoas, Collor e Calheiros, entram nas indicações nacionais. O ex-presidente, por exemplo, pode ficar com a presidência da BR Disituidora – o que não é pouco.

O PT só tem garantido até agora o INCRA – que não tem candidatos fora do partido, entre os aliados do governo no Congresso Nacional.

Postado às 12:45, Ricardo Mota 16 comentários postado em Geral |
28/02/2011 Promotor será transferido “compulsoriamente” do Sertão

Seguindo a determinação do Conselho Nacional de Ministério Público, ainda esta semana o promotor Luiz Tenório será transferido “compulsoriamente” da Comarca de São José da Tapera para uma outra, fora do Sertão alagoano. 

A transferência deverá ser formalizada pelo Conselho Superior do Ministério Público Estadual, mas atende a relatório do CNMP. Encerra assim – pelo menos por enquanto –, um embate que se tornou público desde a Operação Primavera, realizada pelo MP, na Prefeitura de Olho d’Água das Flores, em setembro de 2009.

Com base em investigações que apontaram supostas irregularidades na administração do prefeito Carlos André dos Anjos, onze pessoas foram presas, então, inclusive a primeira dama do município.

O prefeito denunciou o promotor ao Conselho Nacional do MP por abuso de poder. Luiz Tenório pediu transferência “voluntária” para São José da Tapera – onde não poderá mais ficar. Irá para outra comarca, mas longe do Sertão – o que parece uma decisão inusitada.

Relatório CNMP

O caso envolvendo o promotor faz parte do relatório que o Conselho Nacional do Ministério Público elaborou, em março do ano passado, sobre a situação do MP local, apontando várias irregularidades.

O procurador-geral de Justiça, Eduardo Tavares Mendes, garantiu, hoje, que pelo menos 75% dos problemas apontados pelo relatório já foram solucionados. E destacou que não há nenhum item que aponte “desonestidade ou desvio do dinheiro público”. Lembrou que foi o próprio MP de Alagoas quem pediu a inspeção, que resultou nas “recomendações”.

Tavares Mendes confirmou – está no relatório – que havia “dois casos de servidores que estavam desviados de suas funções há quinze anos, o que já foi sanado”.

Amanhã, duas portarias deverão ser publicadas em atendimento ao CNMP: uma delas proíbe que promotores respondam por procuradores no afastamento destes e a outra e diz respeito ao uso de veículos da instituição. E mais: “O Conselho apontou como irregular o pagamento de uma taxa de serviço à empresa fornecedora de combustível, que nós fazemos mas vamos suspender”, garantiu o procurador-geral.

Duas informações importantes dadas por ele: em maio, o MP vai realizar concurso para cobrir os claros entre os servidores da instituição; no meio do ano, disse, abrirá concurso para o preenchimento de 10 vagas de promotor – no interior.

Violência

Amanhã, a juíza federal Taís Shilling, integrante do Conselho Nacional do Ministério Público, faz palestra em Maceió – na sede do MP – sobre violência, tema sobre o qual é especialista.

A magistrada representa o Supremo Tribunal Federal no CNMP.

Em tempo:

A palestra foi adiada para outra data a ser definida.

Postado às 12:42, Ricardo Mota 20 comentários postado em Geral |
28/02/2011 Assembleia segura orçamento – relatório ainda não chegou ao Palácio

Praticamente uma semana depois de aprovado, o orçamento de 2011 ainda não foi enviado ao Palácio República dos Palmares. É possível, de acordo com a última promessa feita pela Mesa Diretora da Assembleia, que o texto seja encaminhado hoje ao governador Teotonio Vilela Filho, que reassumiu suas funções ontem. 

O problema é que a aplicação do orçamento não é imediata. O relatório da Assembleia, com as dezenas de emendas aprovadas e desconhecidas pela maioria dos deputados, ainda será analisado pela PGE – depois será sancionada pelo governador, possivelmente com vetos.

Há problemas considerados graves pelo governo decorrentes do atraso na votação. O Estado não pode, até a matéria ser sancionada, realizar licitações, ou formalizar novos convênios. A maior preocupação, hoje, diz respeito à compra de sementes para serem distribuídas com os pequenos agricultores. Mas há urgência: isso tem de ser feito antes da chegada do inverno – e só depois da licitação para aquisição do produto.

Postado às 10:01, Ricardo Mota 6 comentários postado em Geral |
27/02/2011 O filósofo do riso

 

- O lobo é o homem do lobo.

A frase, que já nasceu clássica, vai além do humor, como quase tudo que escreveu o seu autor, agudo observador das misérias humanas (como Oscar Wilde e Balzac). Um “gênio” brasileiro, como já se definiu publicamente Millôr Fernandes. E não sem razão.

Nascido em 1923, no Méier, Rio de Janeiro, este personagem raro do jornalismo e das letras foi registrado como Milton Viola Fernandes. Mas o escrivão – sempre ele – caprichou na escrita, ao seu modo, e Millôr, aos 15 anos, resolveu adotar o nome que o consagrou e que parecia já estar na sua certidão de nascimento.

Foi nesta idade que ele começou a trabalhar em O Cruzeiro como contínuo. Aos vinte anos, quando assinava também ”Vão Gôgo”, já era o jornalista mais bem pago do Brasil, com direito a automóvel – privilégio de poucos na época – e a morar em um apartamento de frente para o mar de Copacabana.

Um ano antes, para perplexidade geral, faria a sua primeira tradução literária: “A estirpe do dragão”, ou: “Dragon seed”, da norte-americana Pearl S. Buck. Estaria tudo dentro da plausibilidade, não fosse por um detalhe especial: Millôr nunca fez curso de inglês, idioma que aprendeu, como a tantos outros, lendo dicionários e gramáticas. É um autodidata que se tornou tradutor – aplaudido – de Shakespeare.

Autor de várias peças teatrais, livros, roteiros de shows, musicais e filmes, Millôr nunca escreveu um romance, apesar de ser comparado a Lima Barreto, por Ariano Suassuna, e Machado de Assis (“muito devagar”, para ele), por Carlos Heitor Cony. Depois de fazer 80 anos e de amealhar admiradores e inimigos, quase na mesma proporção (saiu aos tabefes com Chico Buarque), confessou sua ambição literária, com um objetivo único: “Meu maior sonho é ganhar o Prêmio Nobel – para poder recusá-lo”.

É claro, ele nunca alimentou nenhuma desconfiança quanto ao talento que carrega consigo. “É o seu maior admirador”, afirma seu amigo e escritor Zuenir Ventura: “Não cultiva a modéstia, falsa ou verdadeira: não tem dúvida de pertencer à categoria dos seres incomuns, privilegiados”.

Poderia parecer simplesmente arrogante, mas não é o caso. Millôr odeia o politicamente correto e exercita suas provocações com destemor. “À noite, todos os pardos são gatos”, escreveu em meio ao crescente debate sobre a beleza da negritude.  Não que seja racista, nada disso. Para ele, “todos os homens nascem iguais; e alguns até piores”.

Mas ai de quem o humorista-filósofo elege como inimigo! Com José Sarney ele foi impiedoso, demolidor, “uma bomba sobre o Japão”. Em 2002, publicou da sua lavra “Crítica da razão impura ou O primado da ignorância”, em que analisa a “obra” literária do ex-presidente, em especial  o romance “Brejal dos Guajás”:

- Um desses livros que quando você larga não consegue mais pegar. O Brejal só pode ser considerado um livro porque, na definição da Unesco, livro “é uma publicação com um mínimo de 49 páginas”. Dizem os íntimos que, depois de 20 anos de esforço, Sir Ney conseguiu afinal chegar à página 50, e gritou para dona Kyola: “Mãiê, acabei!”

Dizer mais o quê?

Postado às 7:04, Ricardo Mota 8 comentários postado em Geral |
25/02/2011 A descoberta de Cristovam

Ao ser indagado sobre a sua maior obra como governador do Distrito Federal, o senador Cristovam Buarque foi tão surpreendente quanto primoroso na resposta: 

- Foi ter conseguido fazer com que as pessoas passassem a respeitar a faixa de pedestre. Isto significa uma mudança de cultura, sem dúvida a obra mais difícil para um dirigente público.

Considerado como político de um discurso só – o da defesa da Educação -, o ex-reitor da UNB deu-nos uma belíssima lição. Penso nela, neste momento, quando me deparo com os dolorosos índices de violência no Brasil e, particularmente, em Alagoas.

Uma das representações coletivas que alimentamos durante décadas é a de que somos um povo alegre, festeiro e pacífico. Os dados mostram que não: o Brasil é o quinto país mais violento do mundo, o primeiro em número de mortes por arma de fogo, tem índices de assassinatos de jovens três vezes maiores do que a média internacional. Que triste!

Há, nisso, além de tudo que já mencionaram estudiosos da área – sem que eu pretenda ser original –, um componente cultural. Existe, sim, no nosso país uma cultura da violência, com presença histórica no “Brasil profundo”, nos nossos sertões, que migrou com força e definitivamente para os centros urbanos, que já abrigam a maior parte da população brasileira.

O senador Cristovam, que parece um idealista do século 19, nos mostrou que é possível mudar uma cultura. Foram quatro anos para que a população de Brasília aprendesse que respeitar a faixa de pedestre é respeitar o outro, respeitar a vida.

A nossa tarefa é mais árdua, e suas consequências não deverão ser sentidas pela geração que tem por obrigação assumi-la. Mas o que deve nos mover é o nosso compromisso com a espécie.

Postado às 20:11, Ricardo Mota 17 comentários postado em Geral |
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