O destino do atual líder do governo na Assembleia, deputado Alberto Sextafeira, só será definido em 2011. Sem mandato, a partir de 1º de fevereiro do próximo ano, ele teria como destino mais provável a Secretaria Extraordinária de Articulação Política, a ser criada por lei delegada.
Mas Sextafeira já disse ao governador Teotônio Vilela Filho que prefere continuar na Casa de Tavares Bastos. Para que isso aconteça, Vilela terá de convidar outro deputado estadual para compor a sua equipe. Aí surgem duas perguntas: Quem? Para dirigir o quê?
A qualidade da bancada governista (ou potencialmente governista) não é grande coisa, e as maiores esperanças se depositam nos novos deputados – que também preferem cumprir o mandato. Sextafeira pode mesmo ter de se “contentar” em ser secretário.
Um caso especial na nova equipe de Vilela é o de Alexandre Toledo, escalado para comandar a Secretaria de Saúde. Entre todos os futuros colegas, ele é o único sem o direito ao mínimo erro.
A pasta da Saúde, como sói acontecer nos Estados mais pobres – e ricos também – vive em permanente crise. E a cada dificuldade (no HGE, na Santa Mônica), Toledo há de ouvir: “Também, escalar um agrônomo para Saúde só podia dar nisso”.
Mais do que um desafio, o ex-prefeito de Penedo vai ter de carregar um fardo. Com um detalhe: mesmo que mostre ser – como fez na Agricultura – um bom gestor, ele não conseguirá resolver o problema crônico – que se agrava de quando em vez – no setor e terá de ouvir a mesma “acusação”: a de ser alguém de fora da área de Saúde (o tucanato ressalta sempre o exemplo de José Serra, no Ministério da Saúde, mas a História teima em não se repetir).
Que ele tenha muita sorte – porque vai precisar dela.
Alexandre Toledo, aliás, é um dos mais leais aliados políticos do governador – ele está na cota pessoal de Vilela. Deixou a prefeitura de Penedo, este ano, a pedido do governador. Seria candidato a vice ou ao Senado. Não foi o que aconteceu.
De última hora, entrou na briga por uma das nove vagas na Câmara Federal, e mesmo contando com o apoio explícito de Vilela não conseguiu êxito.
E só desembarcou na Saúde, agora, por exclusão. É uma secretaria de peso político e administrativo, mas pode representar uma tragédia na trajetória política de seus titulares – e são vários que já passaram por isso. Tomara que não seja este o seu caminho.
Para fechar: ainda falta encontrar uma vaga na equipe para Heberth Motta, que deixa a Saúde, e Régis Cavalcante, que dificilmente se manterá na Secretaria do Trabalho.
Se vai haver, de novo, uma arrumação? A resposta será dada em breve, muito breve.
O futuro secretariado do governador Teotonio Vilela Filho reflete a nova correlação de forças dentro do grupo governista. O que não significa que será melhor.
É uma equipe formada a partir das alianças estabelecidas – fortalecidas ou enfraquecidas – nos últimos dois anos de governo, mas que não se anuncia como algo novo na política local.
Quem mais cresceu na montagem do futuro secretariado foi o neosenador Benedito de Lira. Não é público, ainda, mas a pasta da Educação é dele. Rogério Teófilo fica como titular, até 2012, sabendo que as demais indicações de cargos na pasta serão feitas pelo deputado e presidente do PP de Alagoas.
Fato mais do que cristralino: De Lira não tem, em seu entorno, quadros de peso, a quem possa indicar ou apontar para um cargo de primeiro escalão (que ainda assim se considera importante).
O nome do vereador Marcelo Palmeira, seu enteado, representa um “investimento” político. Assumindo a Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social, que vinha sendo tocada com seriedade e competência por Solange Jurema, Palmeira visa se projetar na carreira que pretende seguir – será um político novo-velho numa área essencial para um estado tão pobre quanto Alagoas.
Ele não traz, obviamente, um currículo que o credencie a assumir a pasta – a não ser a relação familiar com De Lira. Vai ter de provar que é mais do que isso.
O futuro senador ainda terá um pedaço da Secretaria de Comunicação, cujo titular, Rui França (ex-Born e Alberto Sextafeira) chega com a missão de desenvolver uma política para um setor em que Vilela nunca se deu bem nos quatro primeiros anos de governo. O estilo Rui França já é conhecido no meio – e ele deve levá-lo para o governo do Estado.
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Saem fortalecidos, também: Luis Otávio Gomes, que ocupará a Supersecretaria de Planejamento, Orçamento e Desenvolvimento Econômico, vitorioso na sua velha e conhecida quebra de braço com Sérgio Moreira, que rejeitou a pasta de Ciência e Tecnologia – reforçada pelo Ensino Superior.
Detalhe: Gomes cresceu no governo por mérito próprios, no que diz respeito, principalmente às dificuldades enfrentadas quando da enchente de junho. Ele assumiu o comando das ações do governo – mostrou a cara e autoridade para tocar a missão.
Fireman
Marco Fireman, da Seinfra é outro nome que ganhou musculatura para o governo Vilela 2. A secretaria que ele comanda deve crescer, inclusive na estrutura, segundo o previsto em futura lei delegada.
Mais um nome da equipe de Vilela está definido: o professor Eduardo Setton, da Universidade Federal de Alagoas, será o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
Pesquisador da área de Ciência da Computação, ele chega ao cargo referendado pela reitora Ana Deise Dórea. O professor Setton é um cientista conceituado e talvez seja um dos únicos nomes do novo governo a não ter padrinho político.
A nova pasta – que agora engloba o ensino superior – estava destinada ao secretário de Planejamento, Sérgio Moreira, que não aceitou o convite para assumi-la.
O vice-governador José Wanderley Neto será o primeiro secretário Extraordinário de Projetos Estratégicos, a ser criada na reforma administrativa que o governador Teotonio Vilela Filho vai implementar (através de lei delegada). Mas esta não é a única surpresa na equipe que assume em 2011. Luis Otávio Gomes vira supersecretário, comandando a pasta do Planejamento, Orçamento e Desenvolvimento Econômico. E mais: o senador Benedito de Lira emplacou o enteado, vereador Marcelo Palmeira, na Secretaria de Assistência Social.
Achou pouco? Aqui vai mais: Alexandre Toledo, que já foi titular da Agricultura, assumirá a Secretaria de Saúde(!). Rui França, ex-Born e marqueteiro de De Lira, vai para a Comunicação Social. No mais, tudo fica como está:
- Gabinete Civil – Álvaro Machado
- Fazenda – Maurício Toledo
- Infraestrutura – Marco Fireman
- Cultura – Osvaldo Viégas
- Educação – Rogério Teófilo
- Turismo – Daniela Novis
- Defesa Social (interino) – Washington Luis
- Agricultura – Jorge Dantas
- Paz do Carimbão – Jardel Aderico
- PGE – Charles Weston
- Controladoria-geral – Rosa Tenório
- Secretaria de Articulação Social (ex-Ouvidoria) – Claudionor Araújo
- Secretaria da Mulher, da Juventude e da Pessoa Portadora de Deficiência – Kátia Born.
Os titulares das demais secretarias devem ser anunciados amanhã…ou depois…quem sabe?
Os deputados estaduais aprovaram quase tudo na última sessão do ano, mas este não foi o caso da Lei Orçamentária de 2011. Uma sessão extraordinária já foi convocada para 12 de janeiro, com a matéria em pauta. Além do aumento dos próprios salários, os parlamentares aprovaram o reajuste de R$ 6,5 mil para R$ 15,3 mil os vencimentos dos secretários estaduais.
O Fecoep, Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, ganhou prorrogação de dez anos, solicitada pelo Palácio República dos Palmares. Se ela não fosse aprovada agora não teria vigência no próximo ano, já que o Fundo é alimentado por uma cobrança embutida no ICMS.



