A diferença entre o vitorioso, Teotonio Vilela Filho, e o derrotado, Ronaldo Lessa, aponta que a sociedade alagoana espera bem mais do “futuro” governador do que aquilo que já foi construído ao longo dos últimos quatro anos.
A responsabilidade do tucano aumenta na mesma proporção em que a oposição se manifestou nas urnas. Há mais para fazer do que já foi feito. Se Vilela, como sempre apregoou, estava preparando os alicerces da construção de uma nova Alagoas – não cheguemos a tanto -, há de se debruçar sobre a realidade que os alagoanos vivem, ou sofrem, para que possa amenizá-la, ao menos.
Numa analogia imaginária com o filho de Zeus (Hércules), eis aqui alguns pontos que considero cruciais para que sejam enfrentados no bom combate:
- Reduzir, em negociação tão inevitável quanto necessária, o comprometimento da Receita do Estado com o pagamento da dívida pública – hoje em torno de 15%;
- Investir maciçamente na Educação, com todos os agregados que ajudam a formar cidadãos de verdade (esportes, cultura e lazer decentes);
- Planejar e executar ações na área de Saúde que resultem na descompressão do Hospital Geral do Estado, destino único dos que sofrem de algum mal – de dor de dente a traumas graves;
- Dar apoio irrestrito ao comando da Segurança Pública para que não seja a repressão a única alternativa ao crime (as UPPs parecem uma boa experiência);
- Manter, como princípio, o distanciamento entre polícia e política, um dos melhores saldos do atual governo - a intolerância ao erro dos que, poderosos, não admitem ser contrariados na sua ação de truculência e arrogância;
- Valorizar, inclusive na remuneração decente, os que vão efetivamente tocar as políticas de governo, devendo fazê-lo além do mero burocratismo;
- Realizar concursos públicos nas áreas mais carentes e que dependem, primordialmente, do Estado;
- Trazer a público uma relação em tudo transparente com os demais Poderes, para que não restem dúvidas sobre privilégios e/ou desrespeito ao que a Lei estabelece (inclusive a Lei de Responsabilidade Fiscal;
- Apostar – e agir – para mudar o perfil da economia alagoana, hoje ainda tão dependente do setor sucroalcooleiro e das transferências de renda aos mais pobres por parte da União;
- Ter um olhar especial, com ações correspondentes, para a infância e a juventude, que haverão de julgar a nossa geração pelo legado que a elas deixaremos;
- Mostrar a grandeza de quem sabe fazer da vitória um aprendizado, assim como, obrigatoriamente, impõe a derrota;
- Não abrir mão dos sonhos, que não pertencem a ninguém, exclusivamente. Sem eles, a história nunca será escrita por quem encontra nela reconhecimento que não artificial.
Não é um caminho fácil de trilhar, mas há de ser obrigatório para quem acredita – de fato – que o poder tem por obrigação buscar satisfazer àqueles que não o possuem.
A morte da utopia é a renúncia ao futuro.
Terminamos a eleição em que tínhamos tudo para que fôssemos um dos alvos preferenciais dos advogados das coligações do senador Fernando Collor e do governador Ronaldo Lessa. Carregávamos a expectativa do erro, o que seria o pecado de origem.
O Pajuçara Sistema de Comunicação tem – o que é notório -, entre os seus sócios, o futuro vice-governador de Vilela, o ex-deputado Nonô; um deputado federal eleito pelo PSDB, Rui Palmeira; e um cunhado do governador reeleito, o senador João Tenório.
Não eram poucos os que imaginavam – com absoluta convicção – que as empresas que compõem o grupo se comportassem de forma tendenciosa e, como consequência, sofressem as sanções da lei. Nem um só direito de resposta! Nem uma única punição legal!
Termina a disputa, e por méritos dos que fazem o grupo de comunicação identificado como PSCOM, não há sequer uma condenação que venha arranhar a imagem dos que aqui labutam – ou dos seus proprietários.
Aos valorosos companheiros, eu rendo as minhas homenagens. Quanto ao blog por mim assinado, ao programa que eu dirijo e apresento na Pajuçara FM – o Doze e Dez Notícias – e à coluna que é veiculada nos nossos telejornais (Ponto Crítico), deixo o julgamento para o público. Assumo os erros apontados e aceito com sincera humildade os eventuais acertos.
De quanto tempo precisaremos para digerir a campanha deste ano? Espero, sinceramente, que possamos superar o mais rapidamente possível essa polarização em um nível intolerável observado no segundo turno. Não precisávamos ir tão longe – mas fomos e agora temos de restabelecer as pontes que foram destruídas.
Nenhuma das grandes forças – vencedora ou derrotada – pode ser descartada ou alimentar a mesma beligerância dos dias que passaram.
Os dois senadores, Fernando Collor e Renan Calheiros, não devem transformar em adversário, agora, o povo alagoano, que optou pela permanência de Teotonio Vilela Filho no governo do Estado. Já é não mais o tucano que espera que eles cumpram o seu papel de auxiliar Alagoas a sair da triste condição de campeão de quase tudo que é ruim no Brasil. A grandeza de Lula para com o governo tucano local deve ser a grande lição aos adversários locais de Vilela (o que, esperamos, deva ser o comportamento da futura presidenta Dilma Rousseff).
Ronaldo Lessa, é provável, deve retomar seu lugar no Ministério do Trabalho – se a pasta continuar nas mãos do PDT. Se há, ali, algo que possa ajudar aos alagoanos, deve ser para os alagoanos a colaboração, não mais aos inimigos de ocasião.
O tempo há de cicatrizar, mesmo que com marcas indeléveis, as feridas de hoje. E é preciso que ocorra com celeridade.
Serão eles, os derrotados de hoje, que estarão em Brasília, conhecendo os corredores do poder central, que dirão o tamanho político e moral que carregam, ao se depararem com questões de interesse do povo de Alagoas.
Mas chegou o momento de depor as armas e pensar grande. Menos do que isso só há de diminuir o tamanho dos derrotados. O que vale, também, para os vencedores.
Vilela não tem o direito de acusar o golpe. O resultado das urnas mostra o tanto que ele precisa fazer que se torne um governador de incontestável aprovação popular. Buscar o apoio dos adversários a que venceu será também uma tarefa árdua a que ele deve se obrigar.
A intolerância tão vivamente expressada na furibunda campanha do segundo turno há de se tornar convivência civilizada e produtiva. Se não por ele, pelos que aqui esperam um futuro melhor do que os tempos de hoje.
Com cinco pontos a mais do que os números divulgados ontem pelo próprio Ibope, a pesquisa de boca de urna aponta uma vitória folgada – considerando-se as circunstâncias – ao tual governador Teotonio Vilela Filho. O placar de 54% a 46% dá alguma tranquilidade à coligação tucana, apesar de ser necessário esperar o resultado das urnas.
O que me intriga é: o que teria acontecido de ontem – que eu desconheço – para se ampliar de forma tão significativa a diferença de Vilela sobre Lessa? Se o resultado se confirmar, mais uma vez as relações de Carlos Augusto Montenegro (do Ibope) com alagoanos ilustres deve vir à tona.
Três oficiais da Polícia Militar estão sendo recolhidos à Academia da PM por conta de ações que “maculam o nome da instituição”, nas eleições de hoje. O Major Medeiros foi abordado por soldados do Exército nas proximidades de Jequiá da Praia, mas não obedeceu a ordem de parar o veículo que dirigia. Após a identificação do militar, o coronel Dário César determinou a sua prisão de imediato.
O capitão Givaldo – que está de licença médica da PM – foi denunciado por eleitores que teriam sido intimidados por ele nas proximidades da Praça Lucena Mranhão. Finalmente, o capitão Marcelo Ronaldson, da Assessoria Militar do Ministério Público Estadual, foi preso em Paripueira por desacato à autoridade – ele estaria fazendo boca de urna para um dos candidatos ao governo.
Eleição não é briga de ringue. Não foi assim que entenderam dois eleitores em Jequiá da Praia, que chegram às vias de fato dentro de uma seção eleitoral. Segundo a assessoria da PM, eles foram presos em flagrante, assim como outras 26 pessoas no município de Coruripe: três por fazerem progranda de boca de urna e 23 por transportes ilegal de eleitores.
Por enquanto, as eleições estão sendo consideradas “muitos tranquilas”, mas a mobilização policial e da Justiça Eleitoral continua na mesma intesnidade para evitar maiores conflitos nas últimas horas de votação.
Obs: Eu votei agora há poucoi em uma escola do Cepa. Não há filas de eleitores, e a voz geral é de que a abstenção está sendo muito elevada – bem mais do que no primeiro turno.
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