Foi um debate chocho – é voz geral. Não por culpa dos profissionais da TV Gazeta, que têm competência para exercer seu trabalho, mas o fato é que os candidatos estavam ainda menos inspirados do que no debate realizado na TV Pajuçara.
O senador Fernando Collor, mesmo estando menos sonolento do que na vez anterior, não conseguiu confirmar o seu talento diante das câmeras de televisão, sempre tão propalado.
Talvez pela presença do jornalista Alexandre Garcia, o ex-presidente escondeu, desta vez, a sua “munheca” que mira o “espinhaço dos bandidinhos de m…”
O ex-governador Ronaldo Lessa apareceu na mesma toada. Fez uma explícita tabelinha com o senador Collor, na base do: “eu levanto, você chuta”. Mas não ensinaram a ambos onde era o gol.
Lessa conseguiu, entretanto, protagonizar um bom momento – na verdade, meia-boca – no que já é uma das marcas da atual campanha: o embate direto com o governador Teotônio Vilela Filho. Nada demais, porém, que pudesse ao menos espantar o sono.
E o governador Teotonio Vilela Filho? Bem, ele não recebeu de herança do Menestrel das Alagoas o dom da palavra. Alvo a ser atingido por todos os demais candidatos, não teve brilho, mas também não acusou nenhum golpe mais duro.
Teve de falar “quinhentas” vezes sobre a violência em Alagoas (lembrou da ontem esquecida munheca de Collor), tema preferido por todos os candidatos – tem forte apelo popular -, mas que é sempre tratado isoladamente. Uma pena. Porque dele poderiam ser extraídas todas as nossas mazelas.
Os dois franco-atiradores, Agra e Piones, ficaram abaixo da performance alcançada no debate da TV Pajuçara. Se não tinham nada a perder, também nada ganharam.
Pois é, faltou Tony Cloves, o personagem que se tornou conhecido pelos alagoanos na atual disputa eleitoral, principalmente depois do primeiro embate televisivo. O candidato do PCB deu molho e tempero, com sua linguagem franca e peculiar, ao que parecia – e foi confirmado, ontem – insosso e insípido.
Eu disse isso ao próprio Tony, por telefone. Ele?
- Esse debate foi caldo de ximbra.
Até agora – e sabe-se lá até quando – o julgamento do recurso do ex-governador Ronaldo Lessa no TSE está indefinido. O ministro Aldir Passarinho pediu vistas da matéria depois que o ministro Hamilton Carvalhido, relator da matéria, proferiu o seu voto em favor do recurso apresentado pelo chapão.
O argumento de Carvalhido foi de que a Lei da Ficha Limpa, no caso, retroagiria para prejudicar o ex-governador de Alagoas.
O ministro, entretanto, ignorou o recurso do candidato a vice-governador do chapão, Joaquim Brito. Faltaria uma procuração a ser apresentada junto ao TRE. Segundo o advogado Daniel Brabo, houve apenas um problema burocrático – nesta quarta-feira a procuração será juntada aos autos, a exemplo do que se encontra ao TRE.
O TRE, por unanimidade, decidiu que a TV deve convidar o candidato Tony Cloves (PCB) a participar do debate que vai realizar hoje à noite. O relator da matéria, juiz Pedro Ivens, apresentou seu parecer ao pleno do Tribunal, defendo a presença do candidato a governador pelo PCB no debate de hoje à noite.
No entendimento da corte, não há motivo para a exclusão de nenhum candidato pela emissora, “que é uma concessão pública”. Se o veto fosse mantido, haveria privilégio para alguns candidatos em detrimneto do representante do PCB. Em caso de não cumprimento da decisão, a empresa será obrigada a pagar multa e ainda pode sofrer outras punições, decidiu o TRE.
Detalhe: Tony Cloves deverá ser convidado a participar do debate – ele já confirmou presença.
O Gape registrou uma nova pesquisa para o governo de Alagoas. As entrevistas, 1.055, segundo o que foi documentado no Tribunal Superior Eleitoral, serão realizadas – todas – no dia 30, quinta-feira. A divulgação, ainda não anunciada oficialmente pelo jornal Gazeta de Alagoas, que fez a encomenda do trabalho, deve ocorrer no dia 1º de outubro, sexta-feira, última data permitida pela legislação eleitoral para a publicação de pesquisas. O registro foi feito no último dia 25, com o protocolo de número 16067/2010.
O Gape foi acusado pelo Ministério Público Eleitoral de fraudar uma pesquisa em benefício do candidato a governador Fernando Collor de Mello (conforme matéria posta neste blog). A investigação da Procuradoria Regional Eleitoral concluiu pelo pedido de cassação da candidatura do senador pelo PTB, juntamente com seu vice, Galba Novaes.
A matéria abaixo é da Assessoria de Comunicação do Ministério Público Eleitoral
A Procuradoria Regional Eleitoral em Alagoas (PRE/AL) ofereceu ação de investigação judicial eleitoral contra o candidato a governador da coligação “O Povo no Governo”, Fernando Collor de Mello, e seu vice Galba Novais, em virtude da prática de abuso de poder econômico e de utilização indevida de meios de comunicação social consistente na realização de pesquisa eleitoral fraudulenta pelo Jornal Gazeta de Alagoas e um dos seus departamentos, o Gazeta Pesquisa (Gape).
A ação é fundada em inquérito civil público, instaurado pelo procurador regional eleitoral, Rodrigo Tenório, para investigar verificar a disparidade entre os resultados de duas pesquisas – a do Gape e a do do Instituto Brasileiro de Opinião e Pesquisa (Ibope), divulgadas no último dia 24 de agosto. Enquanto Gape/Gazeta apontaram que 38% dos eleitores votariam em Fernando Collor, 23% em Ronaldo Lessa e 16% em Teotonio Vilela; o Ibope afirmou que o candidato Ronaldo Lessa teria a preferência de 29% do eleitorado, Fernando Collor, 28% e Teotônio Vilela Filho, 24%.
Segundo o que apurou o Ministério Público, ao contrário do determinado pela Resolução 23190/2010 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do informado pela própria Gazeta, a pesquisa do GAPE não representou fielmente o eleitorado alagoano.
Para chegar a essa conclusão, o Ministério Público examinou todos os 1.055 formulários preenchidos pelo GAPE/Gazeta com o resultado das entrevistas feitas durante a pesquisa. Ao compilar os dados contidos nos formulários, o MP constatou a existência de fraude voltada a beneficiar o candidato Fernando Collor de Melo, sócio cotista da Gazeta de Alagoas Ltda, empresa responsável pelo Jornal Gazeta de Alagoas e pelo Gape.
Entenda a fraude – Para o MP, houve deturpação na representatividade da parcela da população que ganha até um salário mínimo com o claro fim de se beneficiar o candidato Collor. Essa faixa da população é a que tem maior peso na pesquisa e nela o candidato Fernando Collor tem excelente desempenho, com 41% da preferência, contra 20% de Ronaldo Lessa e 18% de Teotonio Vilela. “Inflando a representatividade da população em pauta no universo pesquisado, a Gazeta/Gape deturpou o resultado da pesquisa, fazendo com que o candidato Fernando Collor, sócio quotista da empresa que controla o Jornal Gazeta de Alagoas, fosse privilegiado”, afirma o autor da ação.
O Ministério Público comprovou a existência da fraude após comparar os dados do censo de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – que a Gazeta/GAPE diz ter usado – com os do GAPE. De acordo com o IBGE, 23,24% da população de Arapiraca recebem até 01 salário mínimo. O que eram 23,24% para o IBGE, na pesquisa da Gazeta viraram 76,32% do total de entrevistados. Isso significa que a representatividade do conjunto em questão foi indevidamente aumentada em 328%.
O ocorrido em Arapiraca repetiu-se nos demais municípios visitados pelo Gape Em Atalaia, a representatividade de quem ganha até um salário mínimo foi aumentada 3,8 vezes. Em Campo Alegre, 5,74. Em Coruripe, 4,56, Em Delmiro Gouveia, 3,54. Em Girau do Ponciano, 4,33. Em Igaci, 4,1. Em Maragogi, 4,4. Em Marechal Deodoro, 3,7. Em Palmeira dos Índios 5,23. Em Penedo, 4,33. Em Pilar, 3,85. Em Porto Calvo, 3,85. Em Santana do Ipanema, 3,84. Em São José da Tapera, 4,94. Em São Miguel dos Campos, 4,65. Em São Sebastião, 3,84. Em Teotônio Vilela, 2,59. Em União dos Palmares, 1,94, e e m Maceió, 5,13.
Outro fato que levou o MP à conclusão de que a Gazeta de Alagoas estava sendo usada em benefício do candidato Fernando Collor foi a divulgação que se fez da pesquisa do IBOPE, que havia sido contratada pela TV Gazeta de Alagoas, sócia da Gazeta de Alagoas Ltda, a responsável pela pesquisa do GAPE.
A edição da Gazeta de Alagoas de 25 de agosto deste ano, ao divulgar a pesquisa do Ibope, trouxe a seguinte manchete: “Ibope mostra empate técnico entre Lessa e Collor”. Segundo informações da reportagem, a pesquisa do Ibope tinha margem de erro de três pontos para mais ou para menos. Para o Ibope, Ronaldo Lessa teria 29% das intenções de voto, Fernando Collor, 28%, e Teotonio Vilela, 24%. Ao contrário do que apontou a manchete de capa da Gazeta, o empate técnico envolvia não somente dois candidatos, mas três: Ronaldo Lessa, Fernando Collor e Teotônio Vilela. “Ao omitir esse fato, a Gazeta de Alagoas fortalece a posição dos supostos líderes isolados, dentre os quais está Fernando Collor”, sustenta Rodrigo Tenório.
A matéria já foi julgada pelo TRE-AL, que destacou que “em verdade, faltou à representada o dever de fidelidade aos dados apresentados na pesquisa quando omitiu informação que à evidência, causa prejuízo ao candidato representante, mormente numa campanha que se apresenta acirrada, pois sabemos que muitos eleitores aderem ao malfadado voto útil”.
Inelegibilidade – De acordo com o Ministério Público, as pesquisas exercem imensa influência no processo eleitoral. “Além de atrair os eleitores que optam pelo voto útil, a pesquisa tem grande influência no financiamento da campanha. Por óbvio, os grandes financiadores procurarão os candidatos com maiores chances de ganhar”, afirma Rodrigo Tenório.
Na ação, o Ministério Público requer a cassação do registro de candidatura e a imposição de inelegibilidade pelo prazo de oito anos ao candidato Fernando Collor, pela prática de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
A defesa
O advogado Fábio Ferrario, que defende a coligação do senador Fernando Collor disse ao blog que está aguardando, ainda, a manifestação oficial do MP Eleitoral. Mas adiantou que já pediu à direção do Gape as explicações sobre a denúncia do procurador Regional Eleitoral, Rodrigo Tenório:
-Esta será mais uma defesa de um técnico em estatística do que de um advogado. Nós daremos apenas a forma jurídica da nossa defesa.
O recurso do ex-governador Ronaldo Lessa está na pauta do Tribunal Superior Eleitoral desta terça-feira. De acordo com a última movimentação da matéria, ela foi encaminhada às 19h32 ao Sediv – Seção de procedimentos Diversos, do TSE, último passo antes do julgamento.
Segundo o advogado Marcelo Brabo, a matéria só não será apreciada hoje se o tribunal não conseguir “limpar a pauta”, já que são muitos os julgamentos programados.
Com parecer do ministro Hamilton Carvalhido, o recurso de Lessa – o mesmo do vice Joaquim Brito, também sem registro – já tem posição da Procuradoria Geral Eleitoral: pela impugnação da candidatura.
Mas o próprio ex-governador já afirmou que vai até o fim, será candidato até “na clandestinidade”, aguardando uma posição final da Lei da Ficha Limpa no Supremo Tribunal Federal.



