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21/06/2010 Um prefeito dividido entre seis deputados estaduais

Pilar é um município com menos de 30 mil habitantes e está dividida como nunca nas eleições para deputado estadual. O prefeito do município, o polêmico Oziel Barros, fechou acordo eleitoral com pelo menos seis deputados estaduais, a quem garante apoiar em outubro. 

Estão na relação os seguintes parlamentares: Jéferson Morais, Renan Filho, Antônio Albuquerque, Fernando Toledo, Dudu Holanda e até Ricardo Nezinho, que tem sua base principal na cidade de Arapiraca.

O deputado Antônio Albuquerque foi o último a “chegar” ao Pilar, mas é considerado, neste momento, um dos preferido do prefeito Oziel Barros. Juntos, os seis parlamentares vão brigar por pouco mais de 28 mil votos, o eleitorado registrado na última eleição. É gente demais para voto de menos.

Postado às 10:41, Ricardo Mota 20 comentários postado em Geral |
20/06/2010 Na hora do prazer, prazer

 

Espera aí! Nós temos de ser pragmáticos também em relação àquilo que deve nos emocionar pela beleza? Já não basta essa quase obrigação do dia a dia, na vida cotidiana, temos de levá-la para o futebol, uma arte que aprendemos a amar desde sempre? Definitivamente, eu abro mão do pragmatismo pela possibilidade do encantamento.

Fico me perguntando se não seriam esses – os pragmáticos - os verdadeiros “idiotas da objetividade”, expressão cunhada por Nélson Rodrigues para definir os que não conseguiam enxergar o quanto há de poesia no futebol, principalmente do lado de baixo do Equador. Se as estatísticas são favoráveis ao futebol de resultados – de Dunga e Cia.-, que se danem as estatísticas. Eu continuo preferindo a fantasia, o inesperado, a inventividade do craque, que os grandes profissionais do ramo desprezam por inúteis ao seu grande e único objetivo: a vitória.

Os números podem “mentir”, sim, quando lidamos com o belo, o que nos faz mais humanos – a arte sendo sua representação maior. Pitágoras, genial matemático do século V a.C., chegou a criar uma seita que defendia ardorosamente que os números eram a razão de tudo o que há no Universo, inclusive a música. Ela toca as pessoas, afirmava, não pelos sons agradáveis que chegam à alma, nos deixam em transe, mas pela precisão dos números observados com exatidão nos intervalos musicais – “tudo é número”.

Conheci, ao longo da convivência com gente da música, alguns personagens que defendem com convicção esse conceito. Um deles, profundo conhecedor da teoria musical, era – ou ainda é – capaz de harmonias muito complexas, só que elas não produziam o fundamental: a beleza que emociona, a sinuosidade que nos conduz ao estado anímico alterado, sem nenhuma química externa a interferir. O que seria – para eles – de Tom Jobim, criticado às vezes por suas “harmonias pobres”, mas criador de melodias tão tocantes e imortais?

Dá para imaginar que um grande poeta é quem apenas domina a métrica exata – e não aquele que une as palavras como nunca dantes? A matemática pode ir longe, mas nunca haverá de atingir o coração dos homens. Com o mesmo número de passos podemos chegar a um jardim ou a uma mina de carvão. A escolha pode ser óbvia quando está em jogo o ganho econômico, mas não há de servir naqueles momentos da indispensável alienação. Sem eles, ensinou mestre Ferreira Gullar, a existência é sem graça e se torna inviável.

Também no futebol, o adestramento pode gerar muitos Dungas e iguais, mas não resultará em um só Messi ou um único Ganso, a melhor manifestação brasileira, hoje, do que aprendemos como o sonho possível no futebol – pesadelo para a turma da CBF.

Se ainda assim, o que é bastante plausível, a Seleção Brasileira, sem graça e sem fantasia, for campeã, não deixará de ser só e tão somente risível o diálogo entre Dunga e seu guru, veiculado no Jornal Nacional:

Dunga: “Nós temos sempre que nos superar”.

Guru: “Muito bem, Dunga! Você sabe lidar com as estrelas no teatro da existência”.

Teatro da existência?!?!

Postado às 7:00, Ricardo Mota 11 comentários postado em Geral |
18/06/2010 Entre a fome e a honra

No seu excelente “Eichmann em Jerusalém”, a filósofa alemã Hannah Arendt traz um depoimento pungente de uma camponesa judia, no julgamento do carrasco nazista. Ela afirma que, às vezes, mesmo quando a vida parece perdida ainda é possível salvar a própria honra. 

Eu sei que é absolutamente fora de moda falar em honra, principalmente numa atividade tão desmoralizada quanto a política. Mas o drama vivido pelo deputado Domingos Dutra, do PT do Maranhão, mostra que ela pode ser, ainda, a grande motivadora de gestos nobres – mesmo que ignorados pela grande mídia, como é o caso. 

O parlamentar está em greve de fome desde o último dia 11. Hoje, foi atendido pelo Departamento Médico da Câmara Federal, onde é visto como um estorvo, principalmente pelos seus colegas de partido.

Domingos Dutra protesta contra a decisão do Diretório Nacional do PT de obrigar a legenda no Maranhão a apoiar a recandidatura de Roseana Sarney ao governo do Estado. Em março, os dirigentes petistas locais haviam decidido formar na frente de oposição, apoiando o deputado federal Flávio Dino, do PC do B. Foram desautorizados e humilhados pelos chefes do partido em Brasília – o parlamentar petista resolveu reagir de maneira dramática e original.

“É uma atitude meramente pessoal”, disse o notório deputado José Genoíno. O ex-ministro Palocci deu de ombros e zombou do colega maranhense (um Francenildo dos Santos Costa – o caseiro – da vida) . E o PT da terra dos Sarney continua obrigado a formar com a furibunda Roseana. Eu sei que há algo parecido por essas bandas, mas sem nenhuma resistência extremada.

No estado dominado pelo autor de “O Dono do Mar”, diz-se que “a pior coisa do Maranhão é a família Sarney; a melhor é ser da família Sarney”. Um pequeno deboche, apenas, levando-se em conta o que a turma do ex-presidente foi e é capaz de fazer (até o portão de um cemitério em São Luís sumiu e foi “aparecer” numa propriedade da família. Aliás, brincam de novo os maranhenses, o ex-presidente deveria ser processado por “formação de família”).

O gesto do deputado Domingos Dutra, que pode lhe custar a própria vida – e tomara que não –, é considerado tolo pelos petistas que defendem o “projeto maior”: a eleição de Dilma, ao custo que venha ter. Estes, Freud (e seu conceito de racionalização) explica.

Em tempo: Saramago não deixou uma lacuna na literatura mundial. Pelo contrário, nos legou uma obra que será lida até o final dos tempos, quando alcançarmos o destino dos dinossauros (com o que ele concordava). Como sugestão, aqui vão dois títulos: “Ensaio sobre a Cegueira” e “O Evangelho Segundo Jusus Cristo”. Se gostar, vá em frente: “Caim”, “Jangada de Pedra”, “Memorial do Convento”, “O Homem Duplicado”, “A Caverna”, “Levantado do Chão”…

Seus livros são parte essencial daquilo que faz  a vida valer a pena. E, além de tudo, ele foi um homem que preservou sua honra – contra os piores dos inimigos.

Postado às 21:01, Ricardo Mota 19 comentários postado em Geral |
18/06/2010 Renan já “chegou junto” na campanha de Lessa, diz pedetista

O senador Renan Calheiros está cumprindo a sua parte no acordo com Ronaldo Lessa, garante um dirigente do PDT. O líder do PMDB no Senado “chegou junto”, na definição do  trabalhista. Traduzindo: ele trouxe recursos para a campanha do candidato a governo pelo chapão.

Lessa, que deve ganhar a companhia de Joaquim Brito como candidato a vice, já está usufruindo da estrutura proporcionada por Calheiros. Uma produtora de TV do Recife – a mesma que fez a campanha de Almeida, em 2008 – já está acertada com o grupo do ex-governador.

A convenção do PDT está marcada para o dia 27, na Praça Multieventos, na Pajuçara. A idéia é fazer um ato político aberto ao público, dando um caráter mais popular à campanha.

PT do B do AA

E O PT do B, do deputado Antônio Albuquerque, também marcou para o próximo dia 27 a sua convenção. Detalhe: o presidente do partido, Marcos Toledo, definiu a data sem consultar o parlamentar – que não gostou.

Com quem marcha a legenda? Se depender de AA e Toledo, o PTB do B fica com Ronaldo Lessa, mas já está em curso um namoro com o ex-presidente Collor.

S.O.S PMN

Que, por sua vez, tem uma missão tão difícil quanto se eleger governador: salvar o PMN do naufrágio. O partido virou o patinho feio da eleição de 2010.

Mas lá está o fiel porta-voz de Collor, o deputado estadual Cícero Ferro, além do afilhado do ex-presidente, o vereador Dudu Holanda, que é candidato a deputado estadual.

O PMN é presidido pelo deputado Francisco Tenório, que luta desesperadamente para se manter em Brasília, no próximo ano.

Quem dança?

O PTB, presidido por Collor, até topa se aliar com o partido de Ferro, Holanda e Tenório, mas tem uma chapa fortíssima a deputado federal: Célia Rocha, JL e – quem sabe? – o deputado Augusto Farias. Se o PT do B, que tem Rosinha da Adefal como nome de peso para a Câmara Federal, se aliar a Collor, a situação eleitoral do deputado Francisco Tenório ficaria ainda mais difícil.

Postado às 16:12, Ricardo Mota 18 comentários postado em Geral |
18/06/2010 Tucanos esperam por Almeida até 30 de junho – prefeito indicaria o vice de Vilela

O governador Teotônio Vilela Filho e o ninho tucano esperam a adesão do prefeito Cícero Almeida até o dia 30 deste mês – prazo limite para a realização das convenções partidárias. 

O prefeito, que é do PP de Benedito de Lira, indicaria o vice de Vilela, podendo ou não ser do seu partido. Almeida já demonstrou simpatia pelo governador por diversas vezes, mas é difícil que ele venha a oficializar apoio a uma das três candidaturas ao governo do Estado. 

O nó continua sendo o senador Fernando Collor, que já mandou vários recados para o prefeito, ressaltando que não admite que ele venha a apoiar qualquer um dos seus adversários. 

O episódio envolvendo a vice-prefeita Lourdinha Lyra foi uma demonstração da força do ex-presidente junto a Almeida. 

Mas Vilela e aliados ainda têm esperança de agregá-lo a campanha eleitoral deste ano. Principalmente por conta da situação eleitoral do governador em Maceió.

Maceió

As pesquisas de intenção de voto, em regra, têm demonstrado que a maior dificuldade do tucano é a capital, onde se concentram os servidores públicos estaduais.

O deputado federal Benedito de Lira, presidente do PP, aposta na aliança, principalmente se for confirmada a formação de um chapão na disputa proporcional que envolva todos os partidos da base aliada governista, incluindo Arthur Lira, o busílis da questão.

O PPS pode compor na aliança proporcional, mas impõe algumas condições para a coligação: quer entrar no jogo em situação de igualdade. Ou seja: precisa de “ajuda” para a campanha proporcional e de apoio ao advogado José Costa na disputa pelo Senado.

Postado às 12:43, Ricardo Mota 28 comentários postado em Geral |
18/06/2010 José Dirceu é a estrela do PT no encontro que anuncia hoje Joaquim Brito como vice de Lessa

O ex-ministro e ex-deputado federal (cassado) José Dirceu será a grande atração do encontro do Dirtetório Regional do PT, hoje à noite, no Sindicato dos Urbanitários. Ele vem trazer, oificialmente, o aval da direção nacional petista ao chapão, aliança partidária que dá sustentação à candidatura da ministra Dilma Roussef em Alagoas.

O ponto alto do encontro será a escolha – sem disputa – do presidente do PT local, Joaquim Brito, para ser o candidato a vice de Ronaldo Lessa. O nome do ex-presidente da Ceal hoje é um consenso - raro – entre as diversas correntes do PT.

José Dirceu é um dos nomes mais polêmicos do Partido dos Trabalhadores. Líder estudantil no período da ditadura militar, foi um dos fundadores e principais dirigentes do PT. Caiu em desgraça, em 2005, depois da denúncia da existência do “mensalão”, esquema de distribuição de propina aos congressistas do qual ele seria um dos chefes. Teve o mandato de deputado federal cassado pelo Congresso Nacional, mas não abandonou a militância política. Hoje é, de novo, um dos nomes mais poderosos da máquina partidária.

Postado às 10:08, Ricardo Mota 20 comentários postado em Geral |
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