Os senadores Fernando Collor e Renan Calheiros tiveram um encontro que pareceu inesperado, na tarde desta segunda-feira. Foi no voo que os levou a Brasília que os dois puderam (é de se imaginar) conversar sobre o tema mais importante para ambos agora: a eleição em Alagoas. Logo ao entrar no avião, Calheiros foi convidado por Collor a sentar-se ao lado dele. De início mostrando-se um pouco constrangido, não demorou muito para o líder do PMDB ficar mais à vontade. O que os dois conversaram exatamente? Não houve testemunhas, além de familiares do ex-presidente. Mas, com cereza, não foi a nova crise provocada por Israel que manteve a animação do papo.
O vereador Paulo Corintho, do PDT, divulgou nota, hoje, em solidariedade aos servidores em greve da Câmara Municipal de Maceió. O culpado pelo movimento?
“A irresponsabilidade administrativa e o isolamento político, do Presidente Eduardo Holanda, inviabilizaram a negociação de reajuste salarial pleiteado pelos servidores efetivos, levando a inédita situação de fechamento do prédio do Poder Legislativo Municipal.
As denúncias que formalizei ao Ministério Público e ao Poder Judiciário deixam claro que a grave situação financeira e administrativa vivenciada pela Câmara é decorrência dos atos ilegais e ímprobos comandados pelo Presidente da Câmara.”
Ele voltou a denunciar a existência de salários secretos pagos a servidores comissionados da Mesa Diretora da Casa de Mário Guimarães.
Para Paulo Corintho, “não é justo que se mantenha ilegalmente 175 servidores comissionados na Mesa Diretora, com salários secretos e a grande maioria sem trabalhar, ao custo anual de R$ 3.000.000,00 e se negue a negociar com os servidores um aumento de apenas 20%.”
Na sua opinião, só há uma saída para a crise na Câmara Municipal de Maceió: a renúncia do presidente da Casa, vereador Dudu Holanda – que teria arrancado com os dentes um pedaço da orelha de Corintho numa festa no final do ano passado.
A prefeitura de Maceió e o governo do Estado vão realizar o São João “Ói nós aqui outra vez” em parceria, como no ano passado.
Almeida e Vilela vão comer milho juntos, mas a posição do prefeito na eleição está cada vez mais consolidada na linha da equidistância entre as três candidaturas já apresentadas.
O novo assédio do chapão pode até fazer algum barulho, agora, mas não levará o engajamento de Almeida na campanha eleitoral.
Desfeito o sonho de ser candidato a governador, em outubro, o prefeito está cada vez mais convencido, garante um assessor dele, que não tem qualquer relação com a disputa de 2010.
Até mesmo a candidatura de Mosart Amaral, seu ex-secretário de Infraestrutura, “subiu ao telhado”. Homem da sua absoluta confiança desde a primeira gestão, Amaral já não tem entusiasmo – nem o dele nem de Almeida – para entrar na briga por uma vaga na Assembleia Legislativa.
O ex-secretário é filiado – assim como o prefeito – ao PP, de Benedito de Lira, que já fechou com Teotônio Vilela Filho e que vem tentando fazer uma ponte entre o governador e o senador do PTB.
Até agora, não teve êxito na sua missão.
O Movimento Contra a Corrupção Eleitoral apresentou Representação junto ao Ministério Público contra o senador Fernando Collor. O documento, protocolado hoje pela manhã, acusa o ex-presidente de fazer campanha eleitoral antecipada.
Desde que chegou a Alagoas, na madrugada da última sexta-feira, Collor tem viajado para o interior e está recebido por várias lideranças políticas, que explicitam seu apoio à candidatura collorida ao governo do Estado. Foi assim em Traipu, na sexta-feira, e também em Coruripe, hoje.
Um detalhe importante no jogo das alianças eleitorais, em plena efervescência neste momento: o deputado Cícero Ferro, que tem sido um fiel porta-voz de Collor, disse hoje que o candidato do grupo – que tem o clã Beltrão fechado – a senador é Renan Calheiros, do PMDB.
A afirmação vem ao encontro do discurso do ex-presidente de que vai levar o nome de Joaquim Beltrão como seu vice até o último minuto. Ele continua apostando que é só uma questão de tempo arrastar Calheiros e o seu partido.
Hoje, em Coruripe, cinco prefeitos – quase todos da família Beltrão – recepcionaram Collor. Este é um dos alvos do ex-presidente na tentativa de retornar ao governo do Estado.
Família Bulhões no palanque collorido
Se o apoio não for oficial, pode ser como o que deve acontecer com a família Bulhões. Na sexta-feira, em Traipu, o deputado estadual Isnaldo Bulhões Junior estava junto com Collor no palanque montado pelo prefeito Marcos Santos.
É verdade que Isnaldinho é também apoiado por Santos, assim como também é verdadeiro que a mãe dele, prefeita Renilde Bulhões, forma ao lado de Collor – ela é do PTB, mesmo partido do senador.
O deputado estadual, que era do PMN (saiu de forma negociada do partido de Francisco Tenório), filiou-se ao PDT numa negociação que envolveu o pai dele, presidente do Tribunal de Contas – Isnaldo Bulhões – e o conselheiro Otávio Lessa, irmão do ex-governador Ronaldo Lessa e que é candidato a dirigir o palácio de vidro da Fernandes Lima, no próximo ano (com o apoio de Isnaldo pai).
Se a situação já está confusa, deve ficar ainda mais complicada nos próximos dias. Em política, mas até do que em qualquer outra atividade humana, “trair e coçar é só começar”.
Com seu moderno helicóptero, o senador Fernando Collor está reeditando suas duas últimas campanhas eleitorais – derrotado ao governo, em 2002, e vitorioso ao Senado, em 2006.
Só no final de semana, o ex-presidente visitou cerca de dez municípios interioranos. Hoje pela manhã, viajou a Coruripe, terra do seu “vice”, deputado federal Joaquim Beltrão, do PMDB de Renan Calheiros. Collor diz que vai esperar uma solução para o caso de Beltrão até o último minuto, não considerando ainda um plano B, apesar das reiteradas afirmações de Calheiros de que o PMDB está com Ronaldo Lessa.
Um assessor do senador do PTB afirma que ele vai investir, agora, na conquista do apoio de prefeitos e deputados estaduais, principalmente. Já conta, hoje, com João Beltrão, Cícero Ferro, Marcelo Victor e Maurício Tavares – os dois últimos do PTB. Na fila ainda estão Antônio Albuquerque e os demais parlamentares estaduais do PT do B: Carlos Cavalcante e Ricardo Nezinho.
Era com uma ansiedade incontida que eu esperava os lançamentos em vinil, de final de ano principalmente, daqueles que já eram meus ídolos, aí pelos anos de 1970. A MPB vivia um dos seus momentos mais ricos, com uma geração de compositores em tudo diferenciada. Com ela, grandes intérpretes, que até hoje embalam as nossas vidas.
Elis Regina sempre foi a minha preferida. Cantora visceral, em cada música deixava um pouco do seu corpo e da sua alma, o que lhe custava muito, certamente, em suor e emoção – ninguém canta daquele jeito impunemente. A pequenina gaúcha, dentes sempre à mostra, começou nos palcos de Porto Alegre imitando sem nenhum pudor Ângela Maria, a “Sapoti”, a quem dedicava derramados elogios (o que era raro em se tratando de cantoras – coisa de diva). Aos 15 anos de idade já fazia seu primeiro contrato como artista, condição que viveu intensamente durante pouco mais de duas décadas.
Quanto morreu, aos 36 anos, em 1982, já era a atormentada ”Pimentinha”, apelido que lhe deu Vinícius de Moraes, pelo seu jeito serelepe e bom de briga (nos camarins da Record, na Era dos Festivais, teve de ouvir muitas e más de Stella Maris, mãe de Nana Caymmi, a quem ela hostilizava por puro despeito). Com relacionamentos amorosos tempestuosos, dois casamentos que não se sustentaram – com Ronaldo Bôscoli e César Camargo Mariano-, Elis foi uma mulher que “errou na dose, errou no amor”, mas deixou uma obra única.
Em 1965, quando venceu o I Festival da TV Excelsior defendendo “Arrastão” (Edu Lobo e Vinícius de Moraes), já havia conquistado o país com sua voz marcante e jeito especial de dominar o público. Virou, então, “Eliscóptero” por causa da sua interpretação - girando os braços sem parar - da bela canção da dupla de gigantes da MPB. É verdade que Edu Lobo estava apenas começando a carreira de compositor, mas já ali a gauchinha acenava com o que seria uma das suas marcas essenciais: a de descobridora de talentos.
Na relação: Milton Nascimento, João Bosco e Aldir Blanc, Belchior, Renato Teixeira e até Zé Rodrix, a quem ouviu num dos festivais, já em pleno AI-5, interpretando “Casa no campo”. A música não foi tão bem avaliada pelos jurados, mas chamou a atenção de Elis. Resultado: sucesso definitivo.
Seu ouvido privilegiado e de inegável bom gosto ajudou a fazer de Milton, mineirinho tímido, negro de carapinha discreta, um dos nomes consagrados da MPB. Ele conheceu aquela que viria a ser a sua musa inspiradora na casa de alguns amigos, em São Paulo. A pedido, mostrou algumas canções, e parecia que Elis não dera muita bola. Um ano depois, num encontro casual, ela surpreendeu-o, cantarolando os versos que ouvira, apenas na aparência, despretensiosamente. Daí em diante, os dois não pararam mais de se encontrar – um casamento que só a música seria capaz de realizar.
Mas, Elis também gravava os compositores consagrados. Deu interpretação definitiva, por exemplo, a “Tatuagem”, de Chico Buarque de Holanda; gravou com Tom Jobim, em 1974, um disco que se tornou antológico e que carrega uma modernidade que desconhece o passar dos anos; resgatou do esquecimento Adoniran Barbosa, na deliciosa interpretação a dois de “Tiro ao Álvaro” (parceria do amigo do “Arnesto” com Osvaldo Moles) – a “Pimentinha” sabia ser generosa.
Mas, naquele fatídico 19 de janeiro de 1982, quando ela silenciou, Milton Nascimento era uma alma em pedaços. Seu depoimento foi de uma sinceridade doída, uma declaração de amor eterno:
-Todas as canções que eu faço são para ela.
Num exercício de imaginação, tento ouvi-la cantando cada uma das suas músicas que vieram depois. Elis continua inigualável.



