Não houve grandes surpresas. Ao final, saíram do governo para disputar as eleições os nomes esperados: Régis Cavalcante e Kátia Born, secretários; Jorge VI, sub; Jarbas Omena, assessor político do Palácio; e Luís Dantas, que ocupava uma diretoria do DER. Todos devem ser candidatos a deputado federal, ou estadual, pela coligação governista. O secretário de Educação, Rogério Teófilo(PPS), resolveu esperar pelas próximas eleições municipais, candidato que é a prefeito de Arapiraca.
Na prefeitura de Maceió a única “baixa” – até agora, pelo menos – foi Mosart Amaral, candidato de Almeida à Assembleia Legislativa.
Já existe um monitoramento constante dos estrangeiros – italianos, inclusive – que vêm investindo maciçamente em Alagoas. A informação é de uma importante fonte da Polícia Federal, que garantiu que a instituição trabalha em conjunto com a Polinter. Mas ele alerta: é preciso ter cuidado para não confundir grupos empresariais sérios com mafiosos (a exemplo da máfia calabresa – ler matéria neste blog).
Estes últimos – observa o federal – usam sempre laranjas locais, que aparecem como sócios do negócio – na área do turismo e da construção civil.
Os mafiosos teriam uma atuação forte em vários estados do Nordeste: Alagoas (possivelmente), Rio Grande do Norte e Ceará. Mas o trabalho de investigação está sendo aprofundado e realizado com toda a cautela, para não afastar grupos empresariais do exterior que descobriram o potencial econômico da região.
Não é muito diferente no litoral de São Paulo, disse ele. Há também, por lá, italianos e alemães que estão sendo investigados. Comandam grandes investimentos na área de turismo.
Mas é preciso separar o joio do trigo. É importante até mesmo para o empresariado sério que resolve investir no Nordeste, que sejam descobertos integrantes de organizações criminosas internacionais, como a máfia calabresa, que buscam lavar dinheiro sujo por aqui – “até para que possam realizar seus negócios com tranquilidade”, afirma.
Tô fora
JL não quer nem ouvir falar em candidatura majoritária – não quer briga com ninguém. Vai em busca mandato de federal: conta com a segunda vaga do PTB na Câmara. A primeira, provavelmente, será de Célia Rocha.
Tô dentro
O delegado federal José Pinto de Luna conseguiu 21 assinaturas para registrar sua pré-candidatura ao Senado junto ao Diretório Regional do PT – é uma decisão interna do partido. O mínimo necessário era de 18 assinaturas, dois quintos dos integrantes da direção estadual. Essa já foi.
O engenheiro Mozart da Silva Amaral foi exonerado, hoje, do cargo de secretário de Infraestrutura do Município de Maceió. Vai ser candidato a deputado estadual pelo PP, mas terá de enfrentar outra batalha – agora, na Justiça.
Ontem, a desembargadora Maria Catarina Ramalho rejeitou recurso dos advogados do engenheiro em Ação de Improbidade Administrativa na qual ele aparece como um dos réus.
Amaral é um dos acusados de negociar , indevidamente, tubulações da Adutora Belo Monte/Jacaré dos Homens, pertencentes à Casal , em fevereiro de 2005. Acontece que, segundo a defesa, no período em que aconteceu a venda, Mozart Amaral já havia assumido a direção da Somurb, na primeira gestão do prefeito Cícero Almeida.
A desembargadora, entretanto, não aceitou os argumentos apresentados no Agravo de Instrumento, que pedia a retirada do nome do engenheiro do pólo passivo da Ação de Improbidade. Mozart Amaral, segundo ela, relacionou os bens – as tubulações – que foram negociados, então, pela Casal. Para a magistrada, “não resta demonstrado, de plano, que os bens constantes nos lotes relacionados eram verdadeiramente inservíveis para a Sociedade de Economia Mista”.
A máfia mais poderosa da Itália está presente em várias cidades do Brasil, entre elas, Maceió. A afirmação é do jornalista, escritor e pesquisador italiano Antonio Nicaso, que acaba de lançar o livro La Mala Pianta – a planta má – em parceria com o procurador Nicola Gratteri, da Região da Calábria. Ambos são italianos.
Com origem no sul da Itália – Calábria – a ‘Ndranghetta é apresentada por eles como a mais globalizada de todas as máfias italianas, e está presente no Brasil há cerca de trinta anos. Em entrevista concedida à revista CartaCapital desta semana, Antonio Nicaso – que mora no Canadá e é considerado o maior especialista em máfia do mundo – disse que a organização criminosa “está bem posicionada” em Maceió, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Fortaleza (citadas por ele nesta ordem).
Aproveitando-se da facilidade proporcionada pelo sistema financeiro do Brasil, afirmam os autores de La Mala Pianta, os chefões da da máfia calabresa utilizam o país como base de operações de lavagem de dinheiro e de tráfico internacional de drogas. Só em 2008, calculam, a máfia calabresa faturou cerca R$ 110 bilhões, em suas ações espalhadas pelo mundo. No Nordeste, afirmam, os investimentos da organização se concentram nos setores turístico e da construção civil.
Uma decisão já está tomada: o governador Teotônio Vilela Filho vai apoiar um ou mais candidatos ao Senado Federal. Os nomes? Estes ainda não estão definidos.
Há algumas possibilidades mais fortes, hoje: o deputado federal Givaldo Carimbão, do PSB, foi provocado por Vilela para entrar na disputa; o PPS já anunciou que pretende lançar o advogado José Costa para brigar por uma vaga no Senado (ele tem afirmado, reiteradamente, que quer a vaga que é ocupada hoje por Renan Calheiros); o deputado federal Benedito de Lira ainda está em conversações para definir se compõe com o grupo palaciano.
Agora, o prefeito Alexandre Toledo, de Penedo, aparece também como uma possibilidade. Ele disse que topa disputar a eleição, que tem como favoritos, hoje, a vereadora Heloísa Helena, do PSoL, e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros. O também tucano João Tenório, que assumiu a vaga de Vilela, nunca demonstrou a intenção de disputar a reeleição. Diz que o futuro político dele depende do governador.
Os nomes postos até agora têm perfis absolutamente diferentes. Carimbão é fortíssimo candidato à reeleição para a Câmara Federal. Por conta disso, pode não querer arriscar seu cacife eleitoral numa disputa dificílima.
Benedito de Lira seria uma composição local – já que o PP é da base aliada do presidente Lula, em Alagoas (ele é, inclusive, um dos vice-líderes do governo no Congresso). Tem chances, se confirmada a aliança com Vilela, de ser um dos dois nomes possíveis da coligação governista.
José Costa e Alexandre Toledo são de partidos que compõem a aliança nacional que quer fazer de José Serra o presidente da República. São filiados ao PPS e ao PSDB, respectivamente. O problema para o prefeito é exatamente ter de deixar o cargo já agora, esta semana, por conta do prazo limite para desincompatibilização. No Palácio República dos Palmares a expectativa é de que este quadro só esteja definido lá para o mês de maio.
É importante lembrar que, até recentemente, o governador Teotônio Vilela Filho ainda alimentava a esperança de manter a aliança com o PMDB, partido do vice-governador José Wanderley. Mesmo que fosse uma aliança “informal”.
Os últimos acontecimentos, entretanto, com as informações de que o senador Renan Calheiros tentou evitar – e ainda tem poderes para tanto – a liberação de recursos para Alagoas (conforme postamos no nosso blog, ontem) – Vilela resolveu enfrentar aquele que já foi seu aliado histórico. E que aparece, agora, como o mais impiedoso adversário.
Ou seja: vai haver briga para valer – é o quadro que se apresenta agora.
E Jarbas?
E ainda tem um assessor palaciano que não decidiu se vai ou não em busca do voto, este ano: Jarbas Omena, que é responsável pela articulação do governo do Estado com as prefeituras, nunca escondeu que pretende disputar uma eleição – provavelmente para deputado federal. Mas Vilela ainda não bateu o martelo (não sei nem se ele já está com o martelo na mão). Falta pouco, muito pouco. O prazo para a desincompatibilização acaba esta semana.
Surpresa
O prefeito Cícero Almeida surpreendeu com a decisão de lançar Mozart Amaral para a Assembleia Legislativa. É um risco, principalmente porque o ainda secretário de Infraestrutura do Município é o seu preferido para sucedê-lo.
Se Mozart for eleito, terá sido por obra e graça do prefeito – que comprovaria, assim, sua capacidade de transferência de votos. Caso contrário, o secretário teria a candidatura à prefeitura de Maceió prejudicada.
Este é um jogo de profissional. Almeida já sabe disso.
Miranda em dose dupla
A família Miranda vai à luta. Filhos de Jaime Miranda, dirigente nacional do PCB desaparecido desde a década de 1970, Yuri Miranda e Olga Miranda devem ser candidatos pelo PSol – ele, a deputado federal; ela deve brigar por uma vaga na Assembleia. São duas belas e admiráveis figuras humanas.
O secretário municipal de Infraestrutura, Mozart Amaral, deixa o cargo amanhã para disputar uma vaga na Assembleia Legilslativa. Em seu lugar, segundo o secretário de Comunicação, Marcelo Firmino, assume o engenheiro Daniel Eugênio - atual subsecretário. Mozart Amaral contará com o apoio integral do prefeito Cícero Almeida, que já o escolheu para sucedê-lo. A expectativa, até hoje pela manhã, era de que ele não deixasse o cargo de secretário por não ter perfil para disputar uma eleição para a Assembleia. Mas o próprio Mozart Amaral, filiado ao PP, resolveu enfrentar as urnas. Almeida coloca em jogo, assim, o seu prestígio eleitoral e a capacidade de transferência de votos.



