Pelas qualidades e pelos defeitos das nossas lideranças políticas, Alagoas já ganhou presença garantida no calendário nacional das eleições do próximo ano. O Senado é que nos leva, mais uma vez, ao noticiário da chamada grande imprensa, por causa do enfrentamento entre Heloísa Helena e seu velho desafeto, Renan Calheiros. Há mais nomes, já se sabe, nessa disputa, mas atrair a atenção – e a torcida –, em todo o Brasil, só mesmo os dois conseguem.
Esperemos, portanto, que a eleição nesse pequeno pedaço do Nordeste, ganhe generosos espaços na mídia nacional. O que aqui for feito de bom ou de ruim – este último, principalmente – vai virar notícia. É bem verdade que Alagoas, quase sempre, é motivo de achincalhe, seja por causa do preconceito – e existe mesmo -, seja por causa do malfeito de alguns locais. Mas – será? – na eleição que vem por aí, podemos nos superar.
Isso acontecerá se tivermos um embate entre o governador Teotônio Vilela Filho e o senador Fernando Collor (que, segundo Cícero Almeida, quer ser governador – de novo). Ninguém supera o ex-presidente no quesito “nacionalização das eleições estaduais”. Foi assim com Ronaldo Lessa, será – ou seria – do mesmo jeito com Vilela. Collor é um chamariz para jornalistas do Brasil inteiro, que encontrariam por aqui o que denominam, desrespeitosamente, de “República de Alagoas”.
Que 2010 nos seja mais leve do que pode parecer.
Em tempo:
Faço uma pausa para o descanso. Entro em férias e espero retornar em 3 de fevereiro. Um grande abraço e um ano novo de muita disposição para transformar o que tanto nos incomoda.
Ricardo Mota
A frase, acima, foi dita pelo ex-cabo Everaldo Pereira ao juiz Maurício Breda, da 7ª Vara Criminal da Capital, hoje pela manhã. O ex-militar garantiu que tudo que se diz em relação a ele – sobre as dezenas de homicídio de que é acusado – foi criado pelo ex-secretário Rubens Quintela. “Ele queria me matar, e por este motivo eu tive de deixar Alagoas”, afirmou ao magistrado, na presença do seu advogado, Raimundo Palmeira.
Aliás, Everaldo descartou Givan Lisboa como integrante da sua defesa: “Deus me livre”. E justificou: “Ele é advogado do Cavalcante, que é meu inimigo”.
Preso no início desta semana pela Polícia Civil, o ex-cabo PM definiu-se como “um cumpridor de regras e de ordens. O que meus superiores mandavam, eu fazia”, garantiu ao explicar porque usava o pau-de-arara para torturar alguns presos: “Quem mandava era o delegado Ricardo Lessa”.
Uma “revelação” feita por Everaldo Pereira, entretanto, chamou a atenção de todos os que acompanharam o seu depoimento e por pouco não provocou risos. Ao ser indagado sobre o motivo de sua viagem a Alagoas, agora, ele afirmou:
-Eu vim me entregar.
Mas não disse porque tentou fugir ao ser descoberto pela polícia, a partir de uma denúncia anônima.
Ainda sentindo o peso da decisão do TRE que tirou Nery Almeida da Câmara Municipal de Maceió, o prefeito Cícero Almeida defendeu a investigação de todos os vereadores que foram acusados de compra de votos, inclusive de Marcelo Palmeira, que ficou com a vaga na Casa de Mário Guiimarães:
-Ele também foi denunciado, do mesmo jeito.. Então, que se decida se ele também é culpado ou não.
O prefeito, depois de lembrar que Nery não é “Almeida”, nome artístico-político que ele adotou, afirmou que seu primo não comprou votos: “O problema foi o envolvimento dele com um deputado, que tinha aquela lista de eleitores apreendida pela Polícia Federal. As pessoas que estavam no comitê eram amigas dele, e não eleitores que foram vender ou comprar votos”, assegurou.
Alagoas começa o ano novo em situação privilegiada, garante o governador Teotônio Vilela Filho. Depois da assinatura, ontem, do contrato de empréstimo com o BNDES, no valor de R$ 249 milhões, o estado vai ter em caixa, a partir de janeiro, R$ 1 bilhão para investimentos.
O valor contabiliza, segundo o governador Teotônio Vilela Filho, o empréstimo com o Banco Mundial, de R$ 342 milhões, os recursos do PAC e do Fecoep. “Serão investimentos já assegurados, sem depender de qualquer outra burocracia”, comemora o governador.
É coincidência ser 2010 um ano eleitoral? Vilela garante que gostaria de que os recursos estivessem disponíveis muitos antes, mas não foi possível. “Para chegarmos até aqui, tivemos que conseguir oito liminares no Supremo Tribunal Federal, enviamos e aprovamos três Projetos de Lei na Assembleia e conseguimos duas autorizações no Senado Federal. Foi um processo lento e trabalhoso, mas os resultados já aparecem”.
Além da capitalização do Fundo Previdenciário, os recursos disponíveis vão possibilitar a realização de obras importantes: toda a duplicação da AL – 101 Sul até a Barra de São Miguel; a rodovia ribeirinha, de Penedo a Piranhas; além da reforma de todas as delegacias de Maceió.
O governador ainda tem pela frente, entretanto, uma batalha importante a enfrentar: são várias as categorias de servidores que vão continuar a reivindicar reajustes salariais no próximo ano. Além disso, o orçamento de 2010 ainda é uma incógnita, por causa da decisão do ministro Marro Aurélio Mello, aumentando o duodécimo do TJ em mais R$ 68 milhões. Agora, todos os demais poderes querem dar mais uma mordida no erário.
A confissão foi feita pelo ex-presidente Fernando Collor na primeira reunião do chapão, em Brasília. Quem contou foi o prefeito Cícero Almeida, ao Doze e Dez Notícias:
-O senador Collor disse para todos nós que estávamos lá, que sonhava, que queria ser governador de Alagoas, de novo. Ele disse que tinha uma dívida com o povo alagoano porque sabia que não tinha feito um bom governo.
Almeida contou que, na sequência, o ex-presidente deixou claro que iria abrir mão da sua candidatura se um dos presentes estivesse disposto a entrar na disputa pelo Palácio República dos Palmares.
Pelo andar da carruagem, nenhum dos integrantes do grupo de Brasília parece disposto a encarar a briga pelo governo do Estado. Quanto ao senador Collor – e esta é a minha opinião-, hoje ele é o nome mais provável do chapão para ocupar a vaga de candidato a candidato – que já foi de Ronaldo Lessa e de Cícero Almeida. Creio que o ex-presidente vai tomar como base a rejeição dele e de Téo Vilela para decidir se topa a parada. Será a sua última chance de ser governador.
O município de São Luís do Quitunde parece não ser grande o suficiente para abrigar dois velhos aliados da política alagoana: o senador Renan Calheiros e o deputado João Beltrão. A disputa entre Cícero Cavalcante, atual prefeito, e Jean Cordeiro, afastado do cargo pela Justiça Eleitoral, conseguiu separar as duas famílias, lideradas pelo senador e pelo deputado estadual. Até recentemente, Jean Cordeiro e seu vice, Fernando Queiroz, apoiavam abertamento o líder do PMDB no Senado, mas os votos proporcionais eram divididos entre os demais representantes das duas famílias. Com o apoio explítico dos Calheiros ao “amigo-irmão” deles, Cícero Cavalcante, a cidade deve assistir, em 2010, uma disputa político-eleitoral que não estava prevista: vai ser Beltrão contra Calheiros.



