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31/08/2009 TJ rejeita recurso de diretor nacional do Bradesco indiciado na Taturana

A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça rejeitou o recurso apresentado pelo diretor nacional do Bradesco, Renan Mascarenhas, indiciado pela Polícia Federal na Operação Taturana. Ele tentou derrubar a decisão do juiz Gustavo Lima, que determinou o bloqueio dos seus bens e da sua conta bancária.

Mascarenhas foi indiciado pelo delegado Janderlyer Gomes, presidente do inquérito sobre o desvio de R$ 302 milhões da Assembleia, na sede do Bradesco, em São Paulo. O banco realizou várias operações financeiras ilegais com os parlamentares acusados de envolvimento no golpe. É, sem dúvida, o nome mais importante entre todos os indiciados.

Postado às 14:44, Ricardo Mota 12 comentários postado em Geral |
31/08/2009 Conselho de Medicina propõe TAC ao MP para o HGE

 O presidente do Conselho Regional de Medicina, Emanuel Fortes, vai entregar ao Ministério Público – Estadual, Federal e do Trabalho – uma proposta de Termo de Ajuste de Conduta com o governo do Estado, para garantir, no prazo a ser estabelecido, a execução de ações que possam mudar a realidade vivida pelos profissionais médicos no HGE.  A proposta tem como base um relatório formulado pelo CRM a partir de inspeções feitas de dezembro do ano passado a maio deste ano. A idéia é que no TAC sejam definidas multas e outras punições para os gestores que descumprirem aquilo que ficar acordado. 

 

Fracasso do PSF

  Mas como o problema não está no HGE – na verdade, no hospital chegam as consequências da falência do sistema de Saúde Pública nas três esferas: municipal, estadual e federal – o Conselho vai apresentar, também, só que em setembro, o resultado de um estudo realizado em 537 postos do Programa de Saúde da Família, em todo o estado (são 735, no total). As condições de trabalho são, em regra, péssimas, o que agrava a situação de todo o sistema de atendimento destinado à população alagoana. 

 

Do caos à ação 

 

Dessa avaliação deve resultar, também, uma ação conjunta do Ministério Público – Estadual, Federal e do Trabalho.  O caso Fábio Acioly 

 

As investigações detalhadas que a Polícia Civil vem realizando, aponta para um esquema caro e de dimensões impressionantes para a execução – de forma extremamente cruel – do rapaz de vinte e um anos. A rede montada para o crime tem braços em São Paulo e custou muita grana. Por quê? Eis a pergunta que a polícia ainda se faz.  

 

Palavra de Lira 

 

Do deputado Benedito de Lira ao jornalista Caio Junqueira, do Valor Econômico (sobre os senadores siameses Renan Calheiros e Fernando Collor): “Pra onde um for, o outro vai atrás”.  

 

 

O calo de Almeida Uma das razões que fazem o prefeito Cícero Almeida botar o pé no freio da sua candidatura ao governo do Estado, tem se apresentado com força nas pesquisas de intenção eleitorais. Majoritariamente os eleitores rejeitam que ele saia da prefeitura, deixando-a nas mãos do ex-deputado João Lyra (?!). Pois é assim que a maioria enxerga o futuro da administração pública de Maceió.

Postado às 13:38, Ricardo Mota 5 comentários postado em Geral |
31/08/2009 Secretário diz que posição de Sapucaia na greve do Detran é a mesma do governo

A posição adotada pelo desembargador Antônio Sapucaia, em relação aos servidores em greve da autarquia, é a mesma do governador Teotônio Vilela Filho – pelo corte de salários dos grevistas e pela abertura de procedimento administrativo por abandono de emprego, no caso de permanência da paralisação.   O recado foi dado pelo secretário do Gabinete Civil, Álvaro Machado – que me confirmou a posição -, ao próprio dirigente do Detran. De acordo com o secretário é necessário que os servidores entendam que “esta é uma posição de governo, não apenas da direção do órgão”. Ele explicou que “não é uma posição de força”, mas, sim, de cumprimento de uma decisão judicial.   Os servidores do Detran, liderados pelo sindicato da categoria, realizam assembléia, hoje, decidir o que fazer: se retomam o trabalho, ou se mantêm a paralisação. 

 

 

Há uma proposta de tentativa de acordo com a intermediação da presidente do Tribunal de Justiça, desembargadora Elisabeth Carvalho Nascimento, para que eles possam retornar ao trabalho, mas sem as perdas salariais já decididas. As negociações sobre um improvável aumento salarial – pelo menos neste momento – continuam, sem a presença, entretanto, do sindicato da categoria.   Também na Educação  Na Educação não será diferente. Na sexta-feira, o secretário Rogério Teófilo, conversou com a presidenta do Sinteal, Girlene Lázaro, dizendo que o governo do Estado vai cumprir a decisão da Justiça sobre a greve no setor – julgada ilegal. Os professores realizam assembleia, amanhã.

Postado às 11:51, Ricardo Mota 31 comentários postado em Geral |
31/08/2009 Com o apoio de Renan, Collor vai disputar governo, diz Valor Econômico
A matéia abaixo é a primeira de uma série feita pelo repórter Caio Junqueira, do jornal Valor Econômico, aqui em Alagoas. Marcando os vinte anos da campanha de Fernando Collor à presidência da República, as reportagens mostram a movimentação do senador por Alagoas visando 2010. Caio Junqueira conversou com vários alaiados de Collor. Veja trecho da matéria.

Vinte anos depois de sua eleição à Presidência da República, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) prepara-se para tentar retomar o cargo de onde saiu para disputar o Palácio do Planalto: o governo de Alagoas. Aos 60 anos, voltou à velha forma agressiva que marcou sua ascensão à política. Controla a TV, rádio e jornal das Organizações Arnon de Mello que o projetaram no Estado, selou uma reaproximação com um antigo aliado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), e explora, com eficiência, perante os alagoanos, a aura de injustiçado pelo impeachment.

 Além de velhos companheiros de 1989, agregou novos entusiastas, muitos dos quais na mira da Polícia Federal. Entre os principais articuladores, está o deputado estadual Cícero Ferro (PMN), preso pela Operação Taturana, que apurou desvios de mais de R$ 280 milhões de recursos públicos. Ferro é ardoroso defensor da candidatura: "Collor é carismático, tem serviços prestados ao Estado e junta todas as lideranças".

 

O deputado federal Augusto Farias (AL), irmão de Paulo César Farias, é outro importante articulador de Collor. Com reduto eleitoral no litoral norte alagoano, a família Farias permanece envolvida em acusações de corrupção. A mais recente foi nas eleições de 2008, quando a PF prendeu seu irmão, Rogério Farias, candidato à reeleição em Porto de Pedras; sua cunhada, então prefeita de Barra de Santo Antônio, Rume Farias; e a filha deles, Camila Farias, candidata em São Miguel dos Milagres. Todos são do PTB.

 

Ainda integra o grupo do senador no Estado mais dois deputados presos na Taturana: Antonio Albuquerque, ex-presidente da Assembleia Legislativa, então no DEM, hoje sem partido; e o deputado estadual João Beltrão (PMN). Junto com Ferro, os dois são acusados pela PF de crimes de pistolagem. Afastados do cargo, puderam retornar, junto com outros indiciados, por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

 

Nenhum desses "colloridos", no entanto, faz sombra ao poder de articulação de Renan Calheiros (PMDB-AL). O dueto de Renan e Collor no Senado, repete-se no Estado. Renan afastou-se do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), candidato à reeleição em 2010 e contra quem Collor pretende concorrer. O afastamento foi selado pela Operação Navalha da PF, em 2007, que prendeu Adeilson Bezerra, secretário de Infraestrutura de Alagoas, apontado como responsável pela ordem de pagamento à construtora Gautama em troca de propina. Ele havia sido indicação de Renan.

 

Constrangido, Vilela o demitiu e não devolveu o posto a Renan. Depois disso, o MST invadiu a principal fazenda dos Calheiros, em Murici, e o governador não se esforçou para retirá-los de lá. Some-se a isso o afastamento da dona do cartório da cidade suspeita de favorecer os Calheiros em processos de grilagem de terras e a fiscalização do frigorífico Mafrial, acusado de passar notas frias da compra de bois para abate a Renan.

 

No início deste ano, Renan retirou a última Pasta que tinha no governo, a da Saúde e, pouco depois, indicou Collor para presidir a poderosa Comissão de Infraestrutura do Senado. O movimento teve por objetivo sinalizar que, em 2010, estarão juntos. Segundo seus aliados, Renan avalia que, com Collor, sua reeleição ao Senado corre menos risco, tendo em vista que seu prestígio no eleitorado alagoano caiu muito devido às denúncias feitas pela ex-namorada de seu envolvimento com a Andrade Gutierrez, que culminaram com a renúncia à presidência do Senado em dezembro de 2007.

Postado às 7:07, Ricardo Mota seja o primeiro a comentar! postado em Geral |
30/08/2009 Fruta madura

Fermina Daza e Florentino Ariza, personagens de “O Amor nos Tempos do Cólera" (Gabriel García Márquez), não viveram uma história comum, na vida ou na literatura. Talvez por isso, ao ser lançado pelo Nobel colombiano, o livro tenha, rapidamente, virado objeto do desejo de leitores pelo mundo inteiro. Gabo trouxe para suas páginas o amor entre o homem e uma mulher no que hoje se chama de terceira idade, período da existência humana em que este sentimento só é admitido para a descendência. É verdade: embalou as fantasias de muitos que haviam deixado para trás – mas nem tanto – uma paixão de juventude.

Sem o mesmo alvoroço, “Elza e Fred”, do argentino Marcos Carnevale, apresenta idêntico frescor de novidade, e com uma exata pitada de humor, a verossímil possibilidade de um encontro ainda que ele pareça improvável. Um filme para se rever, de quando em vez. Assim como “As Pontes de Madison”, de Clint Eastwood (aprendeu a fazer maravilhas com a sétima arte), que divide a tela, todo o tempo, quase, com a excepcional Merryl Streep. Se é possível uma paixão na maturidade? A arte jura que sim.

O fato é que – e agora chego aonde pretendem estas linhas – a mulher de meia-idade não parece ser uma as musas preferenciais de poetas, romancistas, cineastas e compositores. Uma versão de “Garota de Ipanema” para elas? Impensável. Principalmente no universo masculino, a beleza da mulher está associada sempre – ou quase- à juventude. Bobagem! Meu amigo Marçal Bernardes (a pessoa mais generosa que eu já conheci), um sábio sobre o tema – e sobre tantos outros, também – costuma chamar a atenção para os sinais que a vida vai marcando, com mais evidência para o “grande público”, no corpo feminino: as rugas, uma estria aqui, uma celulite acolá, e temos contada boa parte da trajetória daquela que as carrega. Mas há de se enxergar com os olhos de quem sabe navegar com o tempo – não com a saudade da juventude que já se foi. E quanta beleza há nisso!

Machado de Assis fez desmoronar um dos preconceitos mais tolos que já carreguei: considerar o conto uma manifestação menor da literatura. “Uma Senhora”, pequeno escrito de algumas poucas páginas, traz o refinado estilo, de poesia e ironia, do Bruxo do Cosme Velho. Narra a história de uma bela mulher, Camila (nome da minha filhota), que resiste à passagem do tempo. Mas com muita dignidade, nos assegura, logo de entrada, Machado:

-Ela era…daquela casta de mulheres que riem do sol e dos almanaques…Inalterável, deixava às outras o trabalho de envelhecer.

Segue contando a relação dela com os anos: "Mas, ai triste! Há um limite para tudo, mesmo os vinte e nove anos. Eles ainda instaram por uns cinco ou seis meses de quebra; a bela dama respondeu-lhes que era impossível e, trepando no alazão do tempo, foi alojar-se na casa dos trinta”. E como é veloz o trotar do imaginário animal. O primeiro cabelo branco? “Um telegrama da velhice, que aí vinha em marchas forçadas”. Entretanto, “se os remorsos voltam, por que não hão de voltar os cabelos brancos?”

A resposta, todos bem sabemos – ou devemos aprender. Camila o fez, imaginando que “a beleza, que lhe suprira a mocidade, parecia-lhes prestes a ir também, como uma pomba sai em busca de outra”. Mas seria apenas “aquela beleza”, que passa com a mesma velocidade da vida. Para o bem da história de Machado e da dignidade da personagem, não havia, então, o estica-e-puxa-e-incha dos atuais dias (que coisas, pelo abuso, eles “conseguem” fazer!). Eis que surgiu, pois, a beleza limpa e honesta de Camila. Com o desfecho primoroso do nosso maior escritor:

-Só a beleza intelectual é superior. A beleza física é irmã da paisagem.

(Para aqueles que não conseguem dissociar a beleza da juventude – mesmo que artificial -, deixo, aqui, umas quadrinhas  que cometi já há algum tempo:

Perguntei à flor inda no pé

Se a beleza anda sozinha

Se tem nome de mulher

Se destino de andorinha

Ela só me disse assim:

-A beleza é um mau conselho

E se parece não ter fim

É porque muda de espelho).

Porque hoje é domingo.

 

Postado às 4:00, Ricardo Mota 8 comentários postado em Geral |
28/08/2009 Sindicalismo: Qual é a hora de fazer a fila andar?

Não gosto, decisivamente, da máxima que diz que “em política é tudo igual; há os que estão comendo e os que querem comer”. As boas exceções desmontam a assertiva. Mas devemos repensar os “impérios” que vêm sendo construídos no movimento sindical – brasileiro e alagoano, em particular -, mesmo que mantenham à frente dirigentes com história de combatividade na boa luta em defesa dos que trabalham (e de muitos que não trabalham, também).

  Convivi mais diretamente no sindicalismo na época em que os dirigentes de entidades representativas dos trabalhadores não recebiam adicionais pela atividade; os sindicatos – com raríssimas exceções – não tinham carro, nem dinheiro para combustível, celulares etc. Ser dirigente sindical, então, era uma atividade política, sim, mas sem o bônus de mordomias ou benefícios que as categorias representadas não possuíam. Exigia sacrifício, uma dupla jornada de trabalho – um expediente no batente, outro na entidade (às vezes até mais). 

 

Muita coisa mudou nos últimos vinte anos – e ainda bem. Mas será que foi salutar para o sindicalismo garantir “emprego” para os seus dirigentes (não falo da estabilidade de quem enfrenta a batalha na primeira linha – não é o caso)? Sim, porque receber pró-labore, além do salário a que continua fazendo jus, é uma premiação “funcional” para quem consegue se eleger para dirigir uma entidade sindical. Celular, carro com motorista (como a CUT local – e não só ela) – estes são alguns dos benefícios garantidos a sindicalistas. 

 

Acredito que o conjunto da obra resulta, também, na permanência por décadas, até, dos mesmos personagens dirigindo as mesmas entidades, sem dar chance à renovação necessária e salutar. Cito um exemplo positivo: José Carlos Fernandes (com quem eu tenho democráticas divergências), agente da Polícia Civil, foi presidente do sindicato da categoria até considerar que era hora de mudar – se quisesse, lá permaneceria por anos a fio, mas não o fez. 

 

A grande maioria, entretanto, não age assim. Com a velha “racionalização” – que vale para direita, para a esquerda e para o centro – a turma vai se mantendo no poder em nome de “um projeto” etc. E, por conta disso, passa a usar os métodos de sempre para não deixar a fila andar: a máquina sindical tritura adversários, contrata-se bons advogados e pronto – está garantido mais um mandato.   

 

Se reclamamos tanto – e com razão – da falta de renovação nos cargos públicos eletivos, devemos ter a mesma postura em relação aos dirigentes sindicais. Esta, certamente, deve ser uma vocação; não uma profissão.

Postado às 16:41, Ricardo Mota 36 comentários postado em Geral |
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