O projeto que o governo do Estado vai encaminhar à Assembleia Legislativa limita em cinco anos o prazo que um coronel da PM pode passar no posto – depois, imediatamente, vai para a reserva ex-officio. Também os demais oficiais - de qualquer patente - ao completarem trinta anos de serviço ativo serão aposentados obrigatoriamente. Em ambos os casos, as exceções ficarão por conta dos oficiais que estiverem ocupando os cargos de comandante da PM e/ou dos Gabinetes Militares dos demais poderes. O governo espera que a matéria seja aprovada no arrastão do final de semestre da Casa de Tavares Bastos.
O deputado federal Givaldo Carimbão, do PSB, não vai mais assumir a Secretaria Estadual de Promoção da Paz, em processo, ainda, de criação. O parlamentar argumentou que há “dificuldades” políticas para compor na equipe do governador Teotônio Vilela Filho, principalmente por causa do pouco tempo que teria para se manter à frente da futura pasta.
Vilela, que está em Brasília, onde conversou ontem com Carimbão, volta-se agora para o projeto original da nova secretaria. Procura, já, um nome da sociedade civil ligado aos movimentos de combate à violência e de construção da chamada “cultura de paz”. Já surgiram, por enquanto como especulação, os nomes da professora e socióloga Ruth Vasconcelos, da assistente social Elizabeth Marques e, também do advogado Diógenes Tenório Júnior, que integra o Conselho Penitenciário (seu mandato foi renovado recentemente pelo governador Teotônio Vilela Filho.
A notícia da desistência de Givaldo Carimbão, que já era dado como nome certo para a Secretaria de Promoção da Paz, foi recebida com certo alívio pelos governistas mais ligados a Vilela. Eles entendem que – esta é a opinião manifestada pelos próprios – o governador precisa fazer várias articulações políticas visando 2010, o que seria o caso do convite a Carimbão -, mas que a nova pasta pode ter um papel bem mais nobre do que o apenas eleitoreiro.
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A direção da OAB Alagoas entrega à Polícia Federal, agora pela manhã, uma denúncia contra o candidato que teria tentado fraudar o exame da Ordem, no último domingo, em Arapiraca. Segundo Omar Coelho de Mello, “Amaury Ferreira Franco Júnior se inscreveu para as provas com uma carteira de identidade, mas no domingo, ele apresentou uma segunda via do documento com outra fotografia. A nossa fiscalização foi eficaz e conseguiu abortar a fraude”.
O candidato que se apresentou para o exame, ao ser abordado, conseguiu fugir do local, mas deixou toda a documentação e o material que estavam com ele.”Nós estamos entregando tudo à Polícia Federal, para que os dois sejam identificados e respondam judicialmente pelos crimes cometidos”, afirmou o presidente da OAB.
Um detalhe curioso chamou a atenção dos dirigentes da Ordem: a identidade apresentada no ato de inscrição do candidato, do Estado de Pernambuco, é datada de 2006, enquanto a que foi apreendida no domingo pela fiscalização – uma segunda via –, é de Alagoas e do ano de 2006. Mas segundo Omar Coelho de Mello, “a PF deve chegar facilmente às explicações sobre a fraude. O importante é que conseguimos evitar a fraude”.
Não, eu não estou zombando da pequena tragédia que foi a vida do astro pop e que terminou por levá-lo ao final tão humano. Até por causa do imenso respeito que tenho pela dor dos que o amaram de fato e sentem agora a sua morte (que, quanto mais misteriosa, “melhor” para a mídia de massa). Mas quero, sim, falar aqui sobre a espetacularização do trágico, que faz parte, hoje e como nunca, do nosso cotidiano. Os meios de comunicação de massa, a cada dia, alimentam mais e mais o gosto pelo bizarro, o teratológico, o animalesco.
“Não devemos imaginar que a razão possa jamais ser popular. Paixões e sentimentos podem se tornar populares, mas a razão sempre permanece algo restrito a poucos”. A afirmação de Goethe, pensador alemão, no século dezenove, tem sua confirmação cabal no novo milênio, e com a ajuda da tecnologia. Hoje, as redes de TV – do Brasil e do mundo – trabalham permanentemente com equipamentos que medem a audiência instantânea. Aquilo que rende público e, portanto, rende dinheiro, deve permanecer no ar tanto quanto possível. Não por acaso, os telejornais estão insuportáveis nos últimos dias (nos canais abertos ou fechados). A exclusividade do noticiário é a morte que emociona, a de Michael Jackson. Dá Ibope, dá grana – e ponto final.
Vai passar, é claro, como passaram tantas ondas, temas da moda. Ou já nos esquecemos do caso da “menina Eloá”? Pois é, foi um dia desses, mas o tempo já se encarregou de apagá-lo porque outros crimes mais chocantes, produtos das aberrações humanas, já os sucederam e com sucesso. Estupro de crianças? Quanto mais asqueroso, mais espaço na mídia. Não importa se descontextualizados, os casos. Sempre haverá, ao fim de cada “grande reportagem”, um especialista – psicólogo, sociólogo etc. – a dizer uma frase que dará legitimidade à abordagem do assunto “da hora” (Paulinho da Viola já nos ensinou que “ninguém pode explicar a vida num samba curto”).
Os que dirigem as grandes empresas de comunicação, principalmente, podem não ter lido Goethe, mas atuam como seus melhores intérpretes. Aquilo que evoca os sentimentos de medo e de raiva da população, sem pôr em xeque o modelo de sociedade em que vivemos, é uma fonte inesgotável de negócios. Tem, inclusive, a grande vantagem de não formar a necessária consciência crítica, fundamental para a transformação.
Os jornalistas de veículos menores, de dimensão estadual, tornamo-nos reféns desse modelo perverso de lidar com os fatos. O vírus que se disseminou pelas redações dos grandes centros, por aqui faz seus estragos, demonstrando maior capacidade de contágio do que o da gripe suína (a da moda; já foi a do frango). Não defendo um jornalismo cor-de-rosa, mas o tal “jornalismo-verdade” é farsesco porque se sustenta apenas na narração – mais detalhada quanto mais cruel o fato – do acontecido. Que assistamos os noticiários, todos, indignados com o criminoso sórdido, autor da pior de todas as atrocidades já vistas – até que venha a do dia seguinte. Não há contexto que caiba no texto televisivo.
Não acho, de forma alguma, que a TV seja um mal em si. O mal está no uso que se dá, majoritariamente, a ela, transformando-a, quase que exclusivamente, em uma fábrica de consumidores. Daí, guardo a esperança de que os jornais impressos sobrevivam, investindo em artigos de fundo, análises fundamentadas, que possam nos ajudar a formar uma visão crítica do que acontece. Trazendo, também, entrevistas e/ou artigos com historiadores, sociólogos, filósofos, pensadores em geral, que se debruçam sobre a realidade o mais longe quanto possam das emoções das massas.
Nos livros, que continuam sendo fartamente produzidos (falo de gente que faz coisas sérias), podemos encontrar maior profundidade na discussão das questões que nos afligem a todos. Temos um arsenal de perguntas a fazer e devemos alimentar a curiosidade juvenil de saber não apenas o que acontece, mas, também, por que acontece. Quem sabe essa não seja uma maneira mais saudável de lidar com a dura realidade?
Quanto a Michael Jackson, uma constatação óbvia: a imprensa que não o deixou viver em paz, não haverá de permitir que ele morra em paz.
Seu Luiz Mota não perderia por nada uma final de campeonato alagoano envolvendo o nosso querido CRB, principalmente se o adversário fosse o maior rival – o CSA, está claro. Mas aquela decisão de 1968 não passou pelo crivo do meu pai. Ele disse que a partida estava “arrumada”, e devia ter lá as suas razões para não ir ao campo da Pajuçara. Eu fui com o meu padrinho, Antônio Rocha, o Totonho, uma figura querida por todos nós lá de casa. O Azulão do Mutange ganhou o jogo e sagrou-se campeão, título que veio com um pênalti aos quarenta e alguns minutos do segundo tempo.
Agora eu estava ali, frente a frente com o homem a quem seu Mota atribuíra a tal “arrumação”. Era o ano de 1983, e eu havia ido a São Paulo participar de um congresso sindical – em Praia Grande, litoral paulista. Aproveitei e fui conhecer Santos, juntamente com um amigo que hoje mora em Brasília. Lécio Morais não gostava (e não gosta) de futebol, mas foi minha testemunha naquela conversa quase que surreal com o coronel Nilo Floriano Peixoto. Ele chegara à nossa mesa, num barzinho, depois que o garçom indagou se poderíamos receber uma pessoa que gostava muito de Alagoas (e que estava ouvindo, discretamente, a nossa conversa).
Após assentirmos, o cidadão, já bastante marcado pelo tempo, aproximou-se e se apresentou: “Sou o coronel Nilo Floriano Peixoto. Vocês já ouviram falar de mim?”. Respondi de imediato que sim, e prontamente a conversa escorreu macia. Bem-humorado, o militar da reserva riu quando soube que eu era regatiano. Falou de suas glórias e conquistas no futebol alagoano e, sem titubear um só momento, respondeu ao longo questionário que eu passei a aplicar.
Comecei com o campeonato de 1968. Perguntei sobre a final e as circunstâncias em que ela ocorreu. O coronel Nilo contou que às vésperas da partida havia visitado um zagueiro do CRB cujo pai estava bem doente. Prometeu-lhe toda a ajuda necessária para o tratamento do familiar querido do jogador. Sim, fora ele quem fizera aquele pênalti que garantira o título ao nosso adversário. Confessou e riu desbragadamente.
Já havia feito outras armações no futebol alagoano, antecipou-se. Em 1965 – quando eu ainda não acompanhava com ardor o futebol da terrinha -, havia sido o goleiro do CRB que resolvera ajudar o arqui-inimigo, depois de “uma boa conversa”. Histórias que ele contava com a indisfarçada satisfação de quem havia cumprido o seu dever de comandante da esquadra azul.
Por iniciativa própria, narrou a rasteira que dera na direção do Regatas quando esta resolveu repatriar o atacante Duda, que já fora atleta do CSA. Ele vinha de Recife para Maceió fechar contrato com o Galo, mas o ônibus em que viajava foi parado no meio da estrada pelo coronel Nilo. O “dono” do CSA pediu que o atacante descesse do veículo e o acompanhasse de carro até a capital alagoana, onde um parente dele, bastante adoentado, aguardava ansiosamente. Nada disso! O dirigente do Azulão convenceu-o a retornar ao Mutange. Falava e ria, o coronel, como quem estivesse contando uma peraltice de menino.
“Meu professor no futebol foi Osvaldo Gomes de Barros” (o Vavá), presidente do CRB por tantas vezes. “E o Biano?”, eu quis saber. “Não, esse não aprontava com ninguém”, respondeu. Recebi com certa alegria a última confissão do coronel Nilo. Severiano Gomes Filho, o Biano (da tradicional Casa Fox) havia sido meu vizinho durante a minha infância e adolescência, e era essa imagem que eu guardei dele para sempre: a de um homem austero, cordial e íntegro – além de apaixonado pelo seu time, o nosso time.
Aquela conversa descontraída deixou suas marcas, porém. Quando retornei da viagem, contei ao meu pai como havia sido aquele inesperado encontro, e ele pôde, enfim, confirmar que estava certo quando decidiu não ir à final de 1968. O pior viria depois: nunca mais fui a um estádio de futebol aqui em Alagoas.
Entre os tantos defeitos dos quais não consegui me livrar – e outros até que se agregaram depois -, fui preservado do rancor, dos ódios eternos. Mas o menino não perdoou a morte da sua fantasia.
O crescimento do número de casos de gripe suína em Alagoas já está sobrecarregando os profissionais do Hospital Hélvio Auto, o único especializado em doenças infecto-contagiosas no Estado. O problema é que tem crescido o número de pessoas com sintomas de gripe comum que têm buscado “consultas” no antigo HDT. O hospital, que recebe pacientes com indicação de outras unidades, já está lotado com portadores de várias doenças – tuberculose, Aids, meningite -, que não estão podendo ter a atenção permanente dos médicos por conta da demanda espontânea gerada pelo medo da nova gripe.
Ontem, as secretarias de Saúde do Estado e de Maceió resolveram criar uma nova estrutura ambulatorial (de consultas) para os casos suspeitos da nova doença. Enquanto isso não acontece, os médicos do Hélvio Auto têm de se desdobrar para dar assistência aos pacientes que estão internados e às pessoas que buscam esclarecer dúvidas sobre a gripe suína. Ou seja: o hospital vive a mesma realidade diária do HGE.



