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29/12/2008 Emendas de deputados ao Orçamento de 2009 vão custar R$ 13 milhões

As emendas parlamentares – individuais e coletivas – ao orçamento de 2009 vão totalizar R$ 13 milhões e serão destinadas prioritariamente às obras de infra-estrutura dos municípios beneficiados. Esse é o resultado do acordo entre o governo do Estado e os deputados estaduais. De onde vai sair o dinheiro? A questão vai ser definida pela Secretaria de Planejamento. No ano passado, as emendas parlamentares viraram uma das grandes polêmicas entre os dois poderes. Totalizando R$ 18 milhões elas retiravam dinheiro do custeio da máquina pública estadual – combustível, energia, material de consumo etc. – destinando-o a prefeituras e entidades filantrópicas (algumas desconhecidas e supostamente inexistentes). A quebra de braço foi parar na Justiça. Até a próxima sexta-feira, a Assembléia Legislativa vai receber as propostas de emendas populares ao Orçamento. Tanto as entidades representativas da sociedade quanto as pessoas físicas podem apresentar sugestões de remanejamento de recursos, aplicações em obras físicas ou sociais a serem financiadas pelo erário – mas caberá aos deputados acatá-las ou não. A votação do Projeto de Lei Orçamentária – com valor total de quase R$ 6 bi – está marcada para o dia 7 de janeiro de 2009.

Postado às 6:53, Ricardo Mota 4 comentários postado em Geral |
28/12/2008 Tempo, tempo, tempo, tempo…

Não lembro como, nem quando isso começou. Mas o fato é que as datas perderam importância na minha vida, e delas só lembro se lembrado for. Talvez seja porque entendo a vida, hoje, como dias que se sucedem, um após o outro, igual à uma roda-gigante, com suas subidas e descidas. É verdade, eu já estive no ponto mais baixo, onde a dor faz morada à espera, sempre, de uma nova visita. Mas também já cheguei ao reino da alegria, cujo cenário é o imenso azul que nos envolve.

Saudosista? Tantos dos nossos leitores de domingo já disseram que eu sou, sim. Não como acusação ou crítica, mas talvez porque cada um de nós que segue em frente sem querer trapacear o calendário traga mesmo um tanto de saudade dos tempos idos. A memória, é verdade, se faz sabiamente seletiva para que mantenhamos a necessária sanidade da alma. Se guardássemos tudo o que passamos com a mesma intensidade talvez desejássemos que o ponto final se antecipasse a algumas vírgulas, pontos-e-vírgulas… Além do mais, contar algo que vivi, presenciei, ouvi, faz parte da arte de "João Passarinheiro", personagem de Mia Couto, em "Cada Homem é uma Raça": "Cada pessoa é uma humanidade individual". Eis, pois, mais um indivíduo que não se imagina só e sem compromisso com os demais 6 bi de humanos.

Confesso que gosto de ver no espelho a imagem do homem encanecido, cabelos cada vez mais raros, as rugas se apresentando como inexoráveis companheiras de caminhada – elas contam parte da minha história. Perdoem-me aqueles que discordam da minha observação a seguir, mas não consigo deixar de considerar ridículos os homens que tingem os cabelos e pêlos do rosto, imaginando que estão enganando os interlocutores. É inevitável não lembrar Machado de Assis: "Envelhecer sem dignidade é a última peça que a natureza prega ao homem."

Faz-me um bem danado a constatação de que valeu a pena ter dez anos quando os tive; vinte, quando eles me chegaram – e por aí vai. Por mais que eu saiba – e sei – que os problemas de então, em cada fase, algumas vezes pareciam sem solução, vejo que eles ajudaram a me construir com qualidades e defeitos. E eu estou aqui: humano, demasiado humano.

Claro, gostaria de ter podido mudar um tanto do roteiro que cumpri. Mas a gente aprende até a lidar com a impossibilidade. Sinto falta dos meus queridos que se foram, mas os trago em mim como se sempre assim tivessem sido – parte do meu lado melhor lado. A compreensão da morte, entendo hoje, ajuda a viver.

Penso nos da minha geração com certo orgulho. Construímos, sim, algo de novo. Beneficiamo-nos das conquistas dos que vieram antes de nós, mas também tivemos os nossos méritos: brigamos, quebramos tabus e se muitos de nós preservamos os valores do Humanismo, com certeza isso já evitou que tivéssemos ido além do que já fomos na desenfreada corrida para o tempo do "eu sozinho." O exacerbado individualismo sempre existiu, mas só entre alguns – hoje virou uma praga social.

Algo que me exaspera na "era dos vencedores" é a crescente cobrança aos adolescentes para que eles sejam grande profissionais – os melhores no que "escolherem", passando a ser essa a principal obrigação que têm de carregar nos ombros. Abrir caminhos com os próprios cotovelos é, também, construir dentro de si um imenso e impreenchível vazio. Eles merecem mais do que isso.  Vou continuar insistindo no tema, até porque acredito que se a alternativa de se fazer humano e aprender a chorar ante a beleza parece romântica, do outro lado o que se apresenta é o nada. Vivi a juventude num mundo que era possível; hoje ele parece improvável.

 

Postado às 4:00, Ricardo Mota 25 comentários postado em Geral |
26/12/2008 Morre, aos 44 anos , cardiologista do Hospital do Açúcar

Morreu agora à tarde, aos 44 anos, a médica-cardiologista Miriam Lira Canuto de Vasconcelos. Ela estava internada no Hospital do Açúcar, onde trabalhava, desde a semana passada. Miriam enfrentava uma doença crônica (lúpus) desde a infância e conseguiu vencer várias batalhas -  seu quadro de saúde, porém, se agravou muito nos últimos dias. O sepultamento acontece amanhã (sábado), às 10h, no Parque das Flores. 

Postado às 14:31, Ricardo Mota 27 comentários postado em Geral |
26/12/2008 Com um olho no retrovisor

O delegado José Pinto de Luna, superintendente da Polícia Federal, faz uma observação muito interessante sobre o nosso comportamento diante das muitas ações policiais que vêm ocorrendo por essas bandas desde dezembro do ano passado. “Parece que Alagoas vive do escândalo de cada dia”.  

Mais do que uma crítica do falante e contundente Luna, essa é uma observação perspicaz do delegado-cidadão. Após uma semana de qualquer ação da PF, da PC, do MP, ou até mesmo no Judiciário, se esparrama por boa parte da sociedade local a sensação de que nada aconteceu, ou de que tudo acabou em pizza. Precisamos, portanto, desse “escândalo de cada dia” para que sejamos convencidos de que Alagoas, hoje, não é a mesma de ontem.

  

Não, o super-homem não vem “nos restituir a glória”, que, aliás,  nunca tivemos por um tempo duradouro. Estamos vivendo, talvez, um dos melhores momentos de nossa história. Alagoas virou um paraíso? Nem mesmo das águas … poluídas. Mas estamos num cenário em que muito já aconteceu, apesar do tanto que há para ser feito. Isso, sim, vai nos exigir a permanente capacidade de nos indignarmos, transformada, ato contínuo, em ação.

  

Uma breve espiada pelo retrovisor há de nos mostrar cenas que de improváveis se transformavam em impossíveis no imaginário popular: deputados presos sob a acusação de homicídios; candidatos flagrados com a mão “nas massas”; magistrados sob mira da lei que deveria fazer respeitar; coronéis vendo se desmanchar feudos construídos pela grana e pelo medo, ante seus olhos iracundos, porém impotentes; e por aí vai.

  

Reparando bem, ganhamos referências que não tínhamos, exemplos que qualquer sociedade necessita para que não descambe, definitivamente, para o cinismo – uma lente que nos faz enxergar o mal, mas que não nos empurra a combatê-lo. Pelo contrário, o discurso a assumir é o do conformismo mais estúpido, porque não vem da ignorância.

  

Estão aí o próprio delegado Luna, o nosso Sapucaia e tantos outros, que, mesmo menos cotados diante da opinião pública, estão fazendo com altivez o seu papel social. Perder batalhas faz parte de quem se põe na luta. Dar as costas a elas, sabendo-as, é o mais o triste legado que qualquer geração pode deixar para a próxima.

  

Dizer que não deu em nada, ou tudo que tudo acabou em pizza, termina por ser uma manifestação de comodidade e, pior do que isso, de covardia. Se há dúvidas sobre os efeitos dos acontecimentos históricos que estamos presenciando e aplaudindo, que nos coloquemos no lugar daqueles que se julgavam acima das leis, e que foram por elas alcançadas, mesmo que parcialmente. A arrogância ainda encontra lugar nessas almas sujas; tantos ainda preservam sua capacidade de fazer o mal, mas já vêem sua peçonha se diluir inexoravelmente.

  Andamos, sim, mas no passo em que a história caminha – mais lento, sempre, do que é a célere trajetória de cada um de nós. E, por mais que não “queiramos” (por cômodo) admitir, andamos para frente. Que venham os outros escândalos que tanto aguardamos! Mas apenas lamentar o que ainda não foi feito, nos leva tão somente a uma condenação precoce, e, mais do que isso, à triste constatação de que somos incapazes de fazê-lo.      

Postado às 7:10, Ricardo Mota 43 comentários postado em Geral |
24/12/2008 Só vai no empurrão

Qualquer governo, seja ele qual for, não age – reage. Tem sido assim ao longo da história. O pior é que muitas vezes essa reação se dá por pressão da Justiça, que, quando funciona, é um bem inestimável para a sociedade. O caso da Saúde, agora, é exemplar. Decidiram, finalmente, que a UTI do Hospital Hélvio Auto será reaberta, porque se vislumbrou a forma de fazer funcionar um serviço essencial. As mudanças na equipe de Vilela, que se avizinham, também mobilizam os gestores da área de Saúde. Há quem já tenha entregue os pontos; há quem prefira ficar onde está.  Este prenúncio de perda de poder e prestígio, parece, também pressiona para frente os que estão prestes a ficar pelo meio do caminho. O tempo e a saliva gastos com o episódio, que deveria ter tido dimensão muito menor, só vem comprovar o que se firmou como verdade histórica em relação aos governos e aos governantes em todos os tempos: só vai empurrando. Certa feita, ouvi do senador Cristóvão Buarque – que tem a Educação no DNA – que as escolas públicas de nível elementar e médio só funcionarão no Brasil quando forem freqüentadas pela classe média – assim como acontece com as universidades federais. E ele, comprovadamente, está certo: as universidades públicas são as mais qualificadas, apesar de receberem menos investimentos do que precisam – principalmente para a área de pesquisas nas chamadas “ciências duras.” A classe média, é a mensagem, reclama, protesta, se mobiliza e chega à mídia – onde trabalha, também, gente do mesmo segmento social – cobrando, protestando,  amplificando suas queixas e reivindicações. Os mais pobres, por outro lado, ainda consideram que o Estado lhes faz um favor, mesmo prestando um serviço de péssima qualidade. Ressentem-se, quase sempre, da falta de apoio dos que podem mais e fazem menos do que deviam. Ao final, terminamos agindo todos como se “positivistas” fôssemos: esperando que as cabeças pensantes das elites protejam os que não têm nem voz, nem vez. Bobagem. Só há um jeito de fazer o carro andar: empurrando.

Postado às 6:40, Ricardo Mota 19 comentários postado em Geral |
23/12/2008 Agora com apoio de Collor, Almeida trabalha para fazer Galba presidente da Câmara

O prefeito Cícero Almeida, em fase de contato quase direto com Deus", voltou à carga com o nome do vereador Galba Novaes, para a disputa da presidência da Câmara Municipal. Não é uma missão fácil, para qualquer um,  emplacar o nome do "imperador do Tabuleiro" para a dirigir a Casa de Mário Guimarães -  Galba não conta com grande simpatia entre os atuais colegas dele no Legislativo Municpal.

Mas, será que agora pode ser diferente? Não sei, mas consta que Almeida faria dobradinha, no apoio a Galba Novaes, com o senador Fernando Collor, que nunca escondeu seus laços políticos com o novo "preferido" do prefeito (e olha que os dois sempre se estranharam.)

Dudu Holanda, é verdade, também mantém estreitas ligações com o ex-presidente, mas lançou-se na campanha sem consultá-lo, o que Collor, bem ao estilo, não aceita entre os seus aliados.

A partir da dupla Almeida-Collor, um grupo se forma para a disputa da Mesa Diretora da Câmara com – além de Galba Novaes – Nery Almeida, Oscar de Melo, Carlos Ronalsa, Pastor João Luís e Silvio Camelo. Os seis vereadores tentam, agora, emplacar um chapa com a presença do PSOL, de Heloisa Helena e Ricardo Barbosa. Talvez esta seja a tarefa mais difícil – não consigo enxergar os dois futuros vereadores psolistas compondo com este grupo. Mesmo considerando que o impossível só acontece na política.

 Mesmo palco, artistas diferentes

 Unidos, mas não tanto. O governador Téo Vilela e o prefeito Cícero Almeida estão se entendendo como nunca. Mas ainda não foi dessa vez que os dois concordaram com relação às atrações da virada do ano. De positivo, o fato de que não vai haver dois palcos na orla marítima da Ponta Verde – como, aliás, até a última hora, defenderam alguns assessores do prefeito.

Alceu e Cavaleiros

A divisão ficou mesmo para as atrações contratadas pelo governo do Estado e pela prefeitura de Maceió. Alceu Valença, faz o show antes da meia-noite (e só durante uma hora e meia, segundo exigência do próprio.) 

Depois do foguetório, aí, sim, vem a atração contratada pela prefeitura: Cavaleiros do Forró, que faz muito sucesso com a rapaziada do "beber, cair, levantar"- que virou um hit entre jovens de vários segmentos da sociedade.

Bateu na trave 

E quase que chega às mãos do juiz Marcelo Tadeu, agora na 4ª Vara Cível da Capital, a Ação Civil Pública que pede a abertura da UTI do Hélvio Auto, que o governo anuncia agora para o mês de janeiro. O magistrado está no plantão do judiciário, mas a Ação foi distribuída para o juiz Cláudio José Lopes, que responde pela Vara da Fazenda Estadual ( e que também está  no plantão da Justiça.) Daí o resultado hoje ser imprevisível.

Balcões científicos

A Secretaria de Educação já foi autorizada a assinar o segundo termo aditivo ao contrato firmado com a Construtora Apoio. É para a complementação de uma obra na Escola estadual Luiz Duarte, em Estrela de Alagoas. O valor total supreende: R$ 936.610,73 – principalmente quando se conhece o objeto da obra. A Apoio está construindo balcões de Laboratório de Ciências. Supõe-se que teremos por lá pesquisa de ponta.

Antes de janeiro chegar 

Espera-se, no Palácio República dos Palmares, que antes do calendário zerar o ano de 2008, o secretário André Valente, da Saúde, possa entregar sua carta de demissão. Deve alegar razões de ordem pessoal e profissional- precisa cuidar da sua clínica em Arapiraca, muito conceituada. Na prática, o secretário de Saúde é Herbert  Motta, o adjunto – e há um bom tempo. Se vai ficar, aí é outra história.

 

 

Postado às 11:21, Ricardo Mota 28 comentários postado em Geral |
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