É apenas uma separação geográfica, mas se as duas candidaturas vingarem, um casal de prefeitos estará prestes a se formar em Alagoas. O deputado federal Cristiano Matheus, do PMDB, está confirmado para disputar a eleição para a prefeitura de Marechal Deodoro – o Doutor Fifi, do PC do B, será o seu vice. Vai enfrentar Euclides Mello, siplente de senador, que escolheu o vereador Val de Avelino para ser o vice. Melina Freitas, também do PMDB, está confirmada para tentar substituir o tio dela, Inácio de Loyola, na prefeitura de Piranhas. Ela é filha do desembargador Washingon Luis, e terá dois adversários: Augusto César, do PDT, e Dante Oliveira, do PT.
Luciano Barbosa, de Arapiraca, Renan Calheiros Filho e Cícero Almeida. Os três são candidatos à reeleição para as prefeituras que já dirigem mas têm outro objetivo em comum: são, por mais que aqui e ali neguem, candidatos a deputado federal. Daí a escolha do vice ganha uma importância ainda maior: aos reelegê-los, o eleitor, inetitavelmente estará dando dois anos de administração aos seus companheiros de chapa – que, claro, deverão apoiá-los em 2010. Almeida resistiu, mas engoliu Lourdinha Lyra (até ontem, na hora da convenção, tentou trocá-la, por Diógenes Tenório Filho); Luciano Barbosa fica com Regério Teófilo; e Renan Calheiros Filho – seguindo a escola do pai – confiou a missão de sustitui-lo ao "tio" Remi. Ou seja: em Murcici será Calheiros & Calheiros Cia. Ltda.
Até hoje pela manhã, o prefeito Luciano Barbosa não tinha rival na disputa pela prefeitura de Arapiraca. Alves Correia, ex-deputado, vem sendo estimulado a entrar na briga, mas ainda depende do resultado de uma consulta ao advogado Marcelo Brabo, especialista em Direito Eleitoral. Júlio Houly será o candidato de oposição se Alves não for confirmado. A vaga de vice de Luciano Barbosa, muito disputada, terminou ficando com o ex-deputado Rogério Teófilo, do PPS. Barbosa é do PMDB.
Sai Canuto, entra Canuto
Sai Valéria, entra Carlos Alberto Canuto. Talvez seja esta uma das principais surpresas da eleição municipal deste ano. O deputado federal do PMDB, depois de lançar a mulher dele na disputa com Oziel Barros - atual prefeito, e que terá como vice Renato Canuto Resende -, voltou atrás e decidiu ele próprio ir à luta. Escolheu como vice o vereador José Hosano. O parlamentar já governou a cidade por dois mandatos. Esta será, na avaliação dos observadores políticos, uma das mais disputadas eleições em todo o Estado. Pilar, hoje, está marcada como uma das cidades mais violentas de Alagoas. A morte do vice-prefeito Beto Campanha, em janeiro de 2007, até hoje desafia polícia, MP e Judiciário. Ainda se espera uma reviravolta nas investigações. O lançamento da chapa Carlos Alberto Canuto- José Hosano aconteceu ontem à tarde.
Ex-secretários disputam pelo grupo de Vilela
Já o grupo governista não reservou nenhuma surpresa na reta de chegada. A coligação formada por PSDB-PPS-PSB-PSC-PMDB definiu como candidatos à Prefeitura de Maceió os ex-secretários Solange Jurema (PSDB) e Régis Cavalacante (PPS). O anúncio deve ser feito oficialmente hoje pelo próprio governador Téo Vilela, após as convenções partidárias.
Lucila desiste
Ainda em processo de recuperação, após passar por um longo tratamento de saúde, a ex-deputada Lucila Toledo não vai disputar a eleição em Cajueiro. Ela já havia decidido entrar no pleito, para enfrentar o atual prefeito Palmery Neto. A recomendação médica veio na semana passada: ela deve continuar em repouso. O grupo liderado pelo deputado Fernando Toledo resolveu lançar a candidatura do vereador Emerson Riberio, tendo como vice, Jânio Teixeira. Palmery Neto também tem vice novo: o comerciante Marcos Construção.ções. O lançamento da chapa Carlos Alberto Canuto- José Hosano aconteceu ontem à tarde.
Eu não duvidaria, nem mesmo naquele longínquo ano de 1976, que ele se tornaria um dos principais poetas do Brasil(mesmo que isso signifique pouco num tempo que ama bem menos a poesia.) Festejado por Carlos Drummond de Andrade, José Mindlin, Affonso Romano de Sant’Anna, Raduan Nassar, entre outros bem situados intelectuais brasileiros. Era o mês de fevereiro e iniciávamos, os dois aos dezessete anos, o curso de Medicina – que não concluiríamos e pelo mesmo motivo: total falta de vocação e de interesse pelos ensinamentos de Hipócrates.
Mas Sidney Wanderley, hoje meu compadre, me chamou a atenção por outro motivo: elétrico, peripatético, falava quase sem parar sobre Camus, Rosa, Marcuse, Kant, Freud, Sartre, entre tantas novidades para mim. Com desenvoltura e sem pedantismo, porque ele era próprio desse mundo que me soava estranho. É verdade, eu era versado em Música Popular Brasileira e alguma literatura, mas era só. Desde então, tomei-o como referência para as minhas leituras, e foi graças a ele que Fernando Pessoa, Montaigne, Vieira, Guimarães Rosa e outras maravilhas passaram a morar na minha cabeceira.
Surpreendia-me, também, o poeta, pelas situações extravagantes de que seria protagonista – e que nem a idade garante que ele não repetirá, em intensidade e/ou ineditismo. O homem tão íntimo das palavras se mostrava, tantas vezes, desconectado das coisas corriqueiras, situações do cotidiano. Era um atrapalhado, eis a verdade. Agia de forma espontânea e nem sempre seria ele a "vítima" dos seus desacertos.
Éramos dois acadêmicos de Medicina prestes a abandonar o barco quando o irmão de uma pessoa amiga sofreu um acidente gravíssimo, que lhe seccionou a coluna vertebral. Internado por muito tempo na Santa Casa, fazíamos rodízio com outros colegas e familiares dele, nas noites de hospital. Sidney, na sua vez, acompanhou o sofrimento do acidentado sem que o seu gesto altruísta parecesse exatamente o sentimento de solidariedade. Faltava-lhe o tato e o contato com o que nos é comum.
De madrugada, diante do paciente que se alimentava através do soro por dias seguidos, exibiu-se no quarto do hospital com um vistoso sanduíche, daqueles capazes de alimentar um batalhão. E como o doente resmungasse, repetiu seguidas vezes: "Está uma delícia, está uma delícia!", convicto de que ajudava o sofrente na sua recuperação.
Ao findar seu "plantão", Sidney ouviu com sincero pesar o pobre homem gemendo por conta das escaras espalhadas pelas costas, conseqüência de dias e noites deitado na mesma posição. Pedia um colchão d’água, bem mais confortável e adequado, que os mais próximos já estavam providenciando. Apiedado do moço, o poeta tranqüilizou-o: "Calma, que a família já está trazendo o caixão."(!!!)
Não olhando a quem, ia espalhando o bem – ao seu modo, está certo. Ombro amigo, inclusive para estranhos -, e aí morava o perigo. Estagiando no Hospital dos Usineiros, certo dia chegou mais cedo ao consultório(vazio) do médico de quem colhia conhecimentos. Encontrou a atendente aos prantos, pronta para um desabafo. O marido, contou ao novo confidente que se apresentava solícito, batia nela com frequência, o que fazia da sua vida o próprio inferno. O poeta ouviu e, comovido, lhe ofereceu um silencioso consolo.
Semanas se passaram, e estava ele de volta ao consultório em dia muito concorrido, com pacientes à espera do médico atrasado. Desfilou seu sem-jeito pela ampla sala até chegar à atendente, especialmente vivendo um momento de mulher feliz, sabe-se lá o porquê. Depois do "boa-tarde", procurou palavras simpáticas para dar seqüência à conversa e indagou: "A senhora ainda tem apanhado muito do seu marido?"
Depois…bem, depois veio a poesia.
RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES
RECLAMANTE : EDWILSON FÁBIO DE MELO BARROS
ADVOGADO : FELIPE CARVALHO OLEGÁRIO DE SOUZA E OUTRO(S)
RECLAMADO : DESEMBARGADOR RELATOR DO AGRAVO DE INSTRUMENTO NR 20080005279 DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE ALAGOAS
INTERES. : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE ALAGOAS
DECISÃO
Trata-se de reclamação ajuizada por Edwilson Fábio de Melo Barros, com pedido de liminar, sob o fundamento de que possui foro privilegiado, na condição de agente político (Deputado) que é, razão pela qual não poderia o Juíz monocrático acolher, liminarmente, pedido do Ministério Público, em ação cautelar, para afastar os Deputados integrantes da Mesa Diretora do exercício do cargo. Em Segunda Instância, o Desembargador Antônio Sapucaia da Silva, entendendo haver necessidade de uma decisão imediata de modo a evitar lesão grave e de difícil reparação, resolveu, cautelarmente, conceder tutela antecipada atendendo a todos os pedidos da pretensão recursal constantes do agravo de instrumento interposto pelo Ministério Público, dentre eles a suspensão do exercício do mandato parlamentar até o término da fase instrutória do inquérito policial deflagrado pela Polícia Federal. Sustenta que, "em recente decisão, datada de 04 de março de 2008, esta Casa reconheceu que o Deputado Estadual tem foro privilegiado", quando do julgamento do habeas corpus n.º 99.773, exarado pelo Eminente Ministro Napoleão Nunes Maia Filho. Assim, alega "que é preciso, pois que esse Tribunal mande fazer valer a autoridade das suas decisões determinando que o Tribunal de Justiça de Alagoas, pelo menos, suspenda o curso do processo e anule de imediato, a providência que cautelarmente suspendeu o mandato parlamentar do reclamante."(fl.19). Pede ao final o reconhecimento do direito do reclamante ao foro privilegiado, na condição de agente político, já que está sendo processado por juiz incompetente "do qual emanou a decisão que deu ensejo a suspensão de seu mandato parlamentar."(fl.20)
É o relatório.
Dispõe o Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, em seu art. 187, que:
"Art. 187 – Para preservar a competência do Tribunal ou garantir a autoridade das suas decisões, caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público."
Não é cabível a reclamação contra decisão de relator de agravo de instrumento do Tribunal a quo, que mantém decisão, aplicando as penas previstas na Lei de improbidade, independentemente de referido decisum ter sido proferido em dissonância com o posicionamento externado pelo E. STJ, no julgamento de Habeas Corpus 99.773 no qual o ora reclamante não era paciente. Na hipótese dos autos, verifica-se que a pretensão esposada na reclamação é a de atribuir efeitos erga omnes a acórdão proferido por esta Corte Superior, para fins de fundamentar a usurpação de competência do E. STJ. Diante do exposto, com fulcro no art. 34, XVIII, do RISTJ, indefiro liminarmente a presente reclamação. Publique-se. Intimações necessárias.
Brasília (DF), 25 de junho de 2008.
MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES
Relator
A situção é praticamente a mesma, só mudando a intensidade. Além da assinatura do governador nomeando-os para o posto de conselheiro do TC, o deputado Cícero Amélio e a deputada Cláudia Brandão (que se chama Maria Cleide Costa Beserra) correm o risco de perder tudo. Para assumir as respectivas vagas no Tribunal de Contas, eles estão obrigados a renunciar ao mandato parlamentar, sem direito a retorno. Amélio, indiciado pela Polícia Federal na Operação Taturana, enfrenta a situação mais difícil pelo que se tornou público até agora do inquérito policial. Mais nova no mandato, Brandão já tem nos seus calcanhares a OAB e o advogado Richard Manso, que já anunciaram que vão à Justiça contra a possível nomeação dela para o posto de conselheira. Sabe-se, também, que o nome dela constará do relatório final do delegado Janderlyer Gomes, seja pela participação direta do ex-presidente da Assembléia, Celso Luis (marido dela), seja por conta de possíveis benefícios ilegais que ela tenha recebido do erário. É a chamada sinuca de bico. De qualquer forma, o grupo celsista pode comemorar a expressiva vitória sobre o adversário-inimigo Antônio Albuquerque, que nem com o auxílio do governador Vilela conseguiu emplacar Gilvan Barros para o TC.



