Ricardo Mota
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22/08/2014

Depois do impeachment, Collor deve tratar do “caso Yousseff” no guia

 

Os programas eleitorais dos candidatos majoritários – aqueles mais abonados – estão nivelados por cima no que refere à “forma”.

Em regra, todos os candidatos aparecem mais jovens do que são, numa jornada ficcional de retrocesso no tempo – na aparência, está claro.

Mas quase tudo no mundo do entretenimento gira em torno do falseamento da realidade. Busca-se a fantasia pela fadiga ao cotidiano insano. Podemos incluir nesse cenário, desde as telenovelas até o jornalismo, principalmente nas mídias mais populares, que nos entregam um produto necessariamente processado para o gosto médio do público.

Mas é possível, sim, fazer uma breve análise do conteúdo dos programas eleitorais.

E nesse item fundamental merece destaque o programa apresentado pelo senador Fernando Collor, candidato à reeleição.

Sua equipe conseguiu unir forma e conteúdo num bom nível, pelo menos inicialmente.

O ex-presidente tratou de uma questão histórica importante, que – sabemos – impõe um abismo entre ele e o eleitorado de maior escolaridade: o impeachment.

Aliás, como mostra a pesquisa do PSCOM/Exatta, para o eleitorado das classes D e E ele continua sendo o preferido, com grande popularidade.

Se o programa inaugural não traz nenhuma novidade em relação ao discurso de Collor sobre o tema, no guia eleitoral ele recebeu um tratamento adequado, com tempo e texto bem cuidado, apontando o que ele chamou de “golpe parlamentar”.

Um bom debate para os historiadores, mas na campanha os caminhos são outros.

Eu diria que o programa do guia apresentado pelo ex-presidente foi o melhor, até o momento.

O de Heloísa helena, o mais precário – e curto – e o de Omar Coelho foi de apresentação, deixando para adiante a sua diferenciação dos demais postulantes – pelo menos é o que se espera.

E quanto ao ex-presidente, o que pode vir agora?

Que ele trate com o mesmo cuidado e detalhamento uma questão mais atual e que carece de explicações plausíveis, e que tem sido tema, sim, das conversas entre os eleitores mais politizados: os depósitos feitos na conta dele pelo “doleiro de todos os crimes” Alberto Yousseff.

São R$ 50 mil reais – em oito depósitos – em dois meses, segundo o relato por escrito do juiz federal Sérgio Moro (a revista Veja, apontada como “autora de denúncia”, havia falado apenas em um depósito de R$ 7 mil).

Ou seja: foi uma autoridade federal, responsável pelas decisões sobre a Operação Lava Jato da PF, quem trouxe a público, em documento divulgado por todos os grandes jornais e sítios na internet do país, as informações tão impactantes.

Com tempo e pessoal qualificado, o senador Collor poderá explicar os depósitos – se eles ocorrem ou não, eis uma questão tão simples quanto essencial -, para que não permaneça qualquer dúvida sobre o tema.

Estamos no aguardo.

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22/08/2014

MCCE recebe “mapeamento” do comércio de votos em Alagoas

Se a eleição está fria, ainda, nos embates e debates e, principalmente, entre os eleitores, as denúncias efetivas de compra de votos escassearam, se comparados ao que ocorreu no pleito passado.

Pode mudar?

É claro que sim, mas há muito a se vencer, inclusive à desconfiança e o descrédito nas instituições responsáveis pela fiscalização e punição dos criminosos eleitorais.

Mas o MCCE, que contabiliza apenas sete denúncias até agora, parece ter obtido um mapa da mina dos compradores de voto.

Segundo o advogado Adriano Argolo, um dos coordenadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral no estado, uma pessoa, que se identificou e prestou depoimento informal à entidade, deu detalhes fundamentais sobre o funcionamento das organizações criminosas que atuam no comércio de votos.

Há endereços, nomes, enfim, uma espécie de mapeamento da corrupção eleitoral em Alagoas, inclusive com os seus principais beneficiários. Tudo precisa ser confirmado, mas já há uma pista.

Não é tudo, repito, até porque só o eleitor pode resolver essa questão de forma definitiva – denunciando, também, quando for o caso.

Mas, de novo, o MCCE pode dar uma bela ajuda no pleito que se avizinha.

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22/08/2014

O que Fernando Toledo e Cícero Amélio têm em comum?

Condenações por Improbidade Administrativa.

No caso do ainda presidente da Assembleia Legislativa e futuro conselheiro do TC, a condenação está em grau de recurso no Tribunal de Justiça – o relator é o desembargador Washington Luiz.

Ele foi condenado em uma Ação – dupla – de Improbidade Administrativa pelo juiz Geneir Carvalho, de Cajueiro.

A Ação foi impetrada pelo promotor Ânderson Cláudio de Almeida Barbosa, em 2008. Ele acusou Toledo de ter fraudado dois processos licitatórios na prefeitura de Cajueiro, em 2003.

Já o atual presidente do TC, Cícero Amélio, é menos econômico: foi condenado duas vezes por conta da Operação Taturana, também em 2012.

Recursos?

Claro, e por que não?

Ambos, juntos e com os demais colegas, vão administrar um orçamento de R$ 70 milhões/ano.

Para assumir o honroso – e vitalício – cargo, Toledo só precisa agora ser nomeado. Depois é “casa, comida e roupa lavada”, que ninguém é de ferro (só o Cícero).

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21/08/2014

MP Eleitoral apura participação da PM em atividades da campanha

Ainda que de forma muito discreta, o MP Eleitoral está realizando uma investigação sobre a atuação político-partidária da Polícia Militar.

A questão, aliás, já havia sido levantada anteriormente pelo Conselho Estadual de Segurança Pública, mas sem maiores desdobramentos.

Agora, provocado pela OAB, o MP Eleitoral, comandado pelo procurador Marcial Coêlho, deve ir mais além.

Alguns oficiais, eis a informações, estariam “trabalhando eleitoralmente” por candidatos oriundos da própria corporação ou até de fora dela.

Não se trata, que fique claro, do cidadão, mas da autoridade policial com toda a sua simbologia em um estado tão atrasado politicamente.

Há registros de imagem, inclusive, de um integrante do comando da PM em um evento político-eleitoral.

O grave?

Ele estava fardado.

A Polícia Militar é responsável constitucionalmente pela segurança das eleições em todo o estado.

Como está, deve ser o alerta, não dá.

O comandante da corporação, coronel Marcus Pinheiro, deve ser ouvido amanhã por um representante do Ministério Público Eleitoral.

 

Postado às 12:16, Ricardo Mota 16 comentários postado em Geral |
21/08/2014

Vilela repete antecessores e não deixa herança política

O deputado federal Paulão, do PT, costumava dizer que as lideranças políticas de Alagoas são como o mandacaru: não dão sombra para ninguém.

No resumo, não deixam que brotem outras lideranças, lhes dando sumo para crescer e se projetar para o alto.

Não sei o que ele pensa atualmente, mas acho que ele tinha razão.

Em tempos atuais, o governador Teotonio Vilela Filho chega ao final de oito anos de mandato sem deixar absolutamente nenhuma herança política.

Pedro Vilela, seu sobrinho, é candidato a deputado federal por decisão da família, mais até do pai dele, empresário Elias Vilela.

No mais, nada.

O ensaio da candidatura de Eduardo Tavares, tão surpreendente, pareceu finalmente quebrar esse triste modo de agir: o governante sair do poder, depois de longa passagem, sem deixar ninguém que represente o seu pensamento político, ainda que mantendo as individualidades e idiossincrasias de cada um.

Entretanto, Vilela repete o seu antecessor, Ronaldo Lessa, que não deixou absolutamente nenhum herdeiro político – nem ao menos um vereador na capital.

E Lessa já havia, por sua vez, replicado seus antecessores.

O senador Renan Calheiros faz também mais do mesmo: investe no Filho para sucedê-lo, e até – quem sabe – ir mais longe do que ele, pelo menos no plano local (Brasília é outro cenário com outros acidentes na paisagem).

Aliás, quem é o sucessor de Biu de Lira: Arthur ou Marcelo Palmeira?

Vilela, que tanto fala na “solidão da virtude”, por ora, quando o tema é herança política, só encontra a solidão. Faltando-lhe a virtude.

Postado às 12:13, Ricardo Mota 7 comentários postado em Geral |
21/08/2014

Sem Dilma, Marina e Aécio, Alagoas fica fora do mapa da campanha

Pela lógica que deve guiar a sua decisão, de só comparecer aos palanques em que estão os partidos do seu arco de alianças, Marina Silva não vem fazer campanha em Alagoas.

Sendo, porém, a mais heterodoxa das candidaturas a presidente, é possível que ela venha ao estado em socorro à sua amiga – uma coisa quase inimaginável na atividade política – Heloísa Helena.

Dilma Rousseff, que tem a maior base de apoio partidário entre todos os que querem a sua cadeira, deve evitar Alagoas e por um motivo bem simples: daqui podem sair imagens que provocariam estragos desproporcionais à sua campanha em nível nacional (tentei, e por várias vezes, contato com Joaquim Brito, sem sucesso). A situação já não é tão cômoda, embora ela ainda seja favorita.

O custo-benefício não compensaria, muito pelo contrário. E seu eleitorado por aqui já está consolidado – deve vencer com folgas em território alagoano.

Aécio Neves, garante Nonô, virá em setembro, um mês decisivo para a sua campanha. Terá de arranjar um tempinho para chegar a um palanque esvaziado e sem chances de crescer: resultado da engenharia política do seu correligionário Téo Vilela.

Ou seja: Alagoas deverá, em regra, ficar de fora do mapa eleitoral.

Isso não deve alterar o quadro político local, mas mostra que o “peso” que tempos em Brasília é tão somente compartilhado pelos lideres locais que lá estão, no centro do poder.

Resta o guia eleitoral do rádio e da televisão. A novelinha que se repete e que, no final, há de provocar risos e lágrimas.

Postado às 10:23, Ricardo Mota 14 comentários postado em Geral |

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