Ricardo Mota
Ricardo Mota
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24/05/2015

A fome e o método

Muitos dos que convivem comigo me consideram, e assim se manifestam, metódico. Não lhes nego razão, ainda que por vezes seja uma definição pejorativa, a apontar que eu sou previsível e repetitivo nas minhas ações cotidianas. Quem sabe, um chato, a fazer as mesmas coisas, a dividir minhas conversas com os de sempre. Prazerosamente, confesso.

Socorro-me de Guimarães Rosa: “O sapo não pula por boniteza, mas porém por precisão”, em A hora e a vez de Augusto Matraga – o bicho precisa comer.

Sim, eu preciso de hábitos, que se tornam vícios, se impondo como método para uma vida vocacionada à preguiça. Uma preguiça ao meu modo, é verdade, que valoriza o ócio da rede a empunhar um bom livro, por exemplo.

A disciplina, ou o método, como queiram, me salva da tentação de dar vazão a prazeres miúdos, porém inestimáveis, para este velho escriba confessional aos domingos.

Funciono à base de repetições que se firmaram sem que eu me desse conta. Um “metódico” que espalha anarquicamente folhas rabiscadas sobre a mesa de trabalho, sempre com um livro de poesia por perto, para os instantes de lucidez. Distribuo fragmentos de papel com nomes, números e pequenas lembranças nos quatro cantos do quarto. Quem vê esse cenário, talvez até não reconheça em mim o epíteto conquistado.

Converso com as “fontes”, diariamente, mesmo que para falar bobagens, sem relação direta com os temas que venha a abordar no insignificante noticiário que produzo a cada dia.

Importuno os – mesmos – amigos com frequência insistente, na troca de chistes, ou abordando temas mais sérios. Gosto de ouvir suas opiniões, e elas me ajudam a definir posições e comportamentos que adoto.

Aristóteles afirmou que tudo que alguém diga ou venha a dizer já foi dito por outros antes. O que vale até mesmo para ele, acredito.

Pois bem, sobre a necessidade do “método” cito um filósofo popular pós-graduado na boemia e na precisa observação humana.

Zé do Cavaquinho, autor de Escorrego do Urubu, entre tantos clássicos da música autenticamente viçosense, dizia: “Sem método, até água de pote faz mal.” E ele conhecia de destilados e fermentados como poucos que passaram pelo planeta.

Já Albert Einstein, o cientista e “linguista” mais popular do planeta, dizia que “falta de tempo é desculpa daqueles que perdem tempo por falta de métodos”.

Se é pouco o tempo que ainda me resta, que não me faltem métodos para usufruí-lo.

Postado às 5:00, Ricardo Mota seja o primeiro a comentar! postado em Geral |
23/05/2015

Programa de Proteção a Adolescentes Ameaçados de Morte está suspenso em Alagoas

A informação é da socióloga Graça Bezerra, coordenadora do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) Zumbi dos Palmares.

Convidada do próximo domingo do Ricardo Mota Entrevista, ela afirma que a suspensão do Programa de Proteção a Adolescentes Ameaçados de Morte – espera-se que temporária – já resultou em mortes de jovens que precisavam de apoio e proteção.

O programa é do governo federal, executado através da Secretaria Estadual da Mulher pelo próprio Cedeca, que é uma organização não governamental com representação em vários estados brasileiros.

“Missionária” de uma causa que elegeu como prioridade absoluta há cerca de 30 anos, Graça Bezerra garante que nunca desistiu de um adolescente, mesmo que ele tenha cometido o mais bárbaro de todo os crimes.

Redução da maioridade penal?

Nem pensar. Para ela, bastava que o Brasil aplicasse tudo aquilo o que Estatuto da Criança e do Adolescente preconiza que a realidade do país seria bem outra.

É conferir.

Ricardo Mota Entrevista

TV Pajuçara, domingo, 9h da manhã

Postado às 9:09, Ricardo Mota 2 comentários postado em Geral |
22/05/2015

Com 100% de faltas, 80 servidores do TC receberam R$ 0,00 de salário

Quando assumiu, o atual presidente do TC de Alagoas, conselheiro Otávio Lessa, prometeu implantar o ponto eletrônico na casa, com as suas consequências.

Ou seja: quem não fosse trabalhar, não receberia salário.

Em março, os equipamentos de medição da frequência dos servidores foram instalados. Depois de um mês de experiências e assemelhados, o Tribunal de Contas apresenta os primeiros resultados.

Mais de oitenta funcionários receberam, hoje, R$ 0,00 de salários – referentes (já?) ao mês de maio. Lembrando que os duodécimos de cada poder são depositados no dia 20 (que chique!).

A relação dos desendinheirados deverá ser conhecida na próxima semana, com a publicação de folha de pessoal.

Otávio Lessa, que não esteve no Palácio de Vidro da Fernandes Lima nesta sexta-feira (estava em viagem de trabalho), garante que o corte é pra valer.

O próximo passo é abrir processos administrados contra os faltosos.

Que continue assim.

Postado às 18:51, Ricardo Mota 31 comentários postado em Geral |
22/05/2015

Governo já está preparado para mobilização dos servidores

Ao contrário do que parece ter acontecido no caso do HGE, o governador Renan Filho e equipe não foram surpreendidos com a movimentação dos sindicatos e dos servidores, que esperavam algum reajuste este mês.

Não terão.

A Secretaria da Fazenda trabalha com a possibilidade de discutir a questão com mais clareza, e alguma chance de sucesso, no segundo semestre, principalmente – talvez até em junho.

Mas há situações objetivas, embora não aceitas pelos servidores, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a queda do FPE – que corresponde à metade da arrecadação do estado -, por causa da desaceleração da economia.

Algumas greves já começam a pipocar, como a da PC e dos agentes penitenciários.

A preocupação maior, no entanto, é com a Educação, que já sofre os efeitos da gestão voluntarista de LB.

O cenário de curto prazo não é bom, mas está longe de levar ao desespero o principal inquilino do Palácio República dos Palmares.

Desafogo, mesmo, só em 2016.

(Será que RF acredita em Joaquim Levy, o ungido do mercado financeiro?)

Postado às 12:45, Ricardo Mota 16 comentários postado em Geral |
22/05/2015

Escalado para receber ministro do STF, Luiz Eustáquio não vai ao TC

Tinha tudo para ser um encontro inesquecível.

Pelo menos para o conselheiro pré-aposentado do TC Luiz Eustáquio Toledo.

Como o presidente da instituição, Otávio Lessa, está em viagem de trabalho ao Sertão, Toledo foi escalado para recepcionar o ministro Marco Aurélio Mello na sede do Tribunal de Contas, hoje pela manhã.

Foi no palácio de vidro da Fernandes Lima que o representante do STF recebeu o título de Cidadão Honorário de Maceió.

Com a decisão de ontem do Supremo, cassando as liminares que estendiam a PEC da Bengala para beneficiários nos estados, Toledo nem ao menos compareceu ao TC.

Foi substituído pela conselheira Maria Cleide.

Os corredores do tribunal dizem que Luiz Eustáquio Toledo ainda não desistiu. Busca uma alternativa jurídica (?) para ficar por lá.

Impossível? Em se tratando do “direito”, esta palavra não existe.

Postado às 12:40, Ricardo Mota 10 comentários postado em Geral |
22/05/2015

Crise do HGE exige intervenção direta do governador Renan Filho

A situação de caos no HGE, denunciada hoje pelo Conselho Regional de Medicina e pelo Sindicato dos Médicos, poderia e deveria ser evitada pelo governo do Estado.

Acho profundamente injusto atribuí-la exclusivamente à secretária de Saúde Rozangela Wyszomirska. Ainda que ela enfrente problemas de gestão, a falta de recursos levou ao estado de calamidade atual. Piorando o que já não era bom.

A entrevista dos dirigentes das entidades médicas, anunciado a apresentação de um documento-denúncia do Ministério Público Estadual, põe o governador Renan Filho no centro do palco.

Ou ele assume a responsabilidade pelo que acontece no maior – e quase único – hospital de Alagoas, que está se tornando inviável, ou será o seu governo a entrar na UTI.

Para quem já enfrenta dificuldades com os servidores, com os fornecedores em várias áreas, com prestadores de serviço, inclusive na Educação, ignorar que “alguma acontece no HGE” é desconhecer o estado em que vivemos – “o mais pobre entre os pobres”.

Renan Filho, por competência política, tem se destacado nos necessários embates nacionais, inclusive na defesa de um novo pacto federativo.

Ele não pode desconher, porém, que aqui “na terrinha”, pacientes deixam de ser atendidos e até correm o risco de morrer por falta de medicamentos, de equipamentos, de materiais de uso contínuo, enfim, de quase tudo de que necessita uma unidade de emergência.

Isso é algo tão grave que requer a intervenção direta do chefe do Executivo Estadual: ele.

Está na hora do administrador-gestor se apresentar com a competência que dele esperamos.

Não dá para pôr esparadrapo na crise do HGE.

Postado às 7:55, Ricardo Mota 28 comentários postado em Geral |

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