Ricardo Mota
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02/08/2015

Lindo, eu?

– Quando você vai começar a usar óculos?

Do outro lado da linha, minha mãe, aos 84 anos, se mostrava ansiosa com a “novidade” na já longa vida do integrante mais escuro da sua prole. A voz, que já não tem o mesmo vigor, o viço da juventude, se mantém firme, acentuando cada sílaba pronunciada.

Expliquei para ela que as lentes ainda iriam demorar um pouco a ficar prontas, talvez uma semana, dez dias, não mais do que isso.

Ela:

– Vai ficar lindo!

– Lindo como, mãe? Com essas bochechas imensas, a barba branca, careca, as sobrancelhas amputadas de nascença… Não tem como melhorar.

Ela, encerrando a conversa:

– Mas eu acho lindo. E as minhas amigas, também.

Calma gente, são todas senhoras octogenárias e piedosas. Aliás, eu acredito que as mães veem os filhos com os olhos da compaixão, perdoando-lhes até o que não merece ser perdoado. Nada da tal “corujice”, uma espécie de cegueira a que foram condenadas pelos que não compreendem a sua essência. É uma lente especial, implantada no globo ocular ainda nos primeiros meses de gestação.

Não se trata de mentir para proteger, mas de proteger e, se for preciso, aí sim, mentir com a certeza de que usou a melhor das verdades.

Às vezes, reconheço, não sai do jeito esperado.

Um amigo meu, muito querido, há tanto alçado à condição de irmão, acompanhou o cotidiano da despedida de sua mãe. Uma bela mulher que trazia no DNA da alma o mais agudo instinto materno.

Recebendo, no leito de hospital, a visita de um amigo do filho, ouviu um comentário jocoso sobre aquele sujeito de cara larga, calvície quase que total, uma pança à moda, e reagiu, a doce senhora, com singela sinceridade:

– Não tem quem diga, mas ele era um menino lindo.

Você riu?

Eu também, logo que me contaram a historieta acima. Até entender que a inesperada resposta daquela senhorinha, fragilizada pela doença, confirmando o que estava ali à frente de todos, ocultava outra verdade, quase imperceptível: fora a última manifestação da mãe-leoa, que buscou, sabe-se lá onde, as forças que lhe pareceram necessárias para defender o seu filhote. Ele mesmo: o menino “que era lindo” e que ela guardava tatuado nas suas retinas em tempos de partida.

Não que eu, aos 57 anos, tenha problema de autoestima por causa do rascunho que virou arte-final. Sempre estive por ali, na categoria do “bonitinho”, sabem como é, pertinho do … E aqui cheguei, se não inteiramente satisfeito, pelo menos conformado.

Agora, cá pra nós, dona Lucinha: lindo, eu?

Jamais!

Mas meus filhos são.

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01/08/2015

Deputado Rodrigo Cunha dá ‘nota 5′ para o governo Renan Filho

Para o deputado Rodrigo Cunha, depois de sete meses, Renan Filho já podia demonstrar algo de positivo na sua gestão. Não é, para ele, o que acontece até agora.

Eis a razão da nota 5 que o deputado estadual mais votado nas eleições de 2014 dá ao governo de Alagoas.

Convidado do Ricardo Mota Entrevista desta semana, Rodrigo Cunha fala do aprendizado nos primeiros meses na Casa de Tavares Bastos, da experiência inovadora de contratar assessores para o seu gabinete através de concurso público – realizado por uma fundação – e do seu reencontro com Arapiraca, sua terra natal.

É importante acompanhar o amadurecimento de um jovem parlamentar que já vem formulando uma conceituação extremamente moderna do papel da Assembleia Legislativa.

Vale a pena conferir.

Ricardo Mota Entrevista

Domingo, às 9h30

TV Pajuçara

Convidado: deputado Rodrigo Cunha

Postado às 6:49, Ricardo Mota 20 comentários postado em Geral |
31/07/2015

Pedro Vilela diz que “não há motivação legal para o impeachment”

Para o deputado Pedro Vilela, do PSDB, “o impeachment não deve ser um tema proibido”, sobre o qual só se fale à boca miúda, mas ele disse acreditar que não há uma motivação objetiva para o afastamento da presidente Dilma Rousseff, pelo menos por enquanto.

Criticando duramente o pacote levyano de ajuste fiscal, o tucano defende, sim, uma discussão ampla sobre a crise, mas com uma “agenda pública”, como definiu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Vilela acentua que é uma contradição seriíssima do governo federal usar como slogan “Pátria Educadora” e cortar “mais de dez bilhões de reais do orçamento da Educação. A presidente foi eleita dizendo exatamente o contrário do que pratica”.

Sobre o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, ele afirmou que espera a denúncia do PGR Rodrigo Janot para definir, com o seu partido, a postura a adotar em relação ao parlamentar.

Eis uma questão fundamental da crise: todos, por ora, perdem.

Postado às 12:58, Ricardo Mota 8 comentários postado em Geral |
31/07/2015

PT vai se reunir para discutir críticas de Izac da CUT ao governo federal

Nas conversas privadas, não são poucos os petistas – locais e nacionais – que criticam com dureza a política econômica do governo Dilma Rousseff.

Militantes – os que restam – e filiados ao PT enxergam que as medidas levyanas só fazem aprofundar a crise, com o crescimento do desemprego, a redução dos benefícios sociais, tendo como “contrapartida” o recorde de lucros dos bancos – o que não é nenhuma novidade.

Eles apontam, em regra, o atual modelo como a replicação do que fizeram os tucanos no governo, o que não deixa de ser algo verdadeiro.

Mas os que ainda mantêm alguma consciência crítica sabem muito bem que Joaquim Levy não é o dono da bola – ele foi contratado para fazer exatamente o que executa, vindo de onde veio: do sistema financeiro.

Eis que o PT local vai se reunir na próxima semana para enquadrar os filiados críticos ao governo Dilma, entre os quais se destaca o sindicalista Izac da CUT.

Este não é o único tema do encontro, mas sem dúvidas ganham importância pelo momento vivido em Alagoas – com a negociação governo e servidores – e pelo país.

Essa é uma questão interna, partidária, e que deve ser assim tratada. Mas o crítico mais feroz da presidente tem sido o ex Lula, que afirma que Dilma está no volume morto.

Acho que ele erra na direção: no volume morto estamos todos nós, povo brasileiro.

Postado às 12:55, Ricardo Mota 11 comentários postado em Geral |
31/07/2015

Dilma diz a Renan Filho que Saúde e Educação perderão mais R$ 1 bi cada

O sorriso na foto oficial foi protocolar.

Nenhum governador presente ao encontro com a presidente Dilma Rousseff tinha qualquer motivo para estar feliz – salvo algum que estivesse zombando do povo brasileiro, o que me parece improvável.

Na reunião, em que a presidente disse a Renan Filho e aos colegas dele “vamos nessa que é bom à beça”, todos já sabiam que o orçamento da Saúde sofreu um novo corte de R$ 1,2 bi, que vai se somar ao outro, de R$ 11,7 bi, anunciado no primeiro semestre.

A Educação também vai levar nova facada: menos R$ 1,0 bi, que se adicionará aos R$ 9,2 bi já raspados dos cofres da “Pátria Educadora” no primeiro ato de açougue explícito.

Estados, municípios e a população vão assumir o buraco, ainda que tenham de entrar nele.

Ou seja: Renan Filho vai ter de investir, com a ajuda de Renan pai, no “auxílio família” – político, que fique claro.

A presidente pediu ajuda aos governadores para a “travessia”, deixando claro que quem não souber nadar que arrume uma boia.

(Lembrando que o rio está cheio de crocodilo.)

 

Postado às 7:04, Ricardo Mota 21 comentários postado em Geral |
30/07/2015

Câmara julga em agosto contas de Collor com parecer de “rejeição”

Onde é o fim?

A eterna pergunta filosófica também cabe nas questões políticas de sempre.

Por exemplo: a Câmara Federal vai julgar as contas de 1992 do senador Fernando Collor, no tempo em que ele ainda mandava no Palácio do Planalto.

Foi seu último ano na presidência e, eis o busílis, a recomendação do TCU (que serve exatamente como recomendação) foi pela rejeição.

Alguma dúvida?

Pois bem: é só visitar o sítio oficial da Câmara Federal.

Além das contas colloridas de 1992, estão na pauta outras, conforme trecho copiado abaixo:

– prestação de contas de 1992, quando o presidente era Fernando Collor de Mello, que tem parecer pela rejeição; 

– prestação de contas de 1992, quando o presidente era Itamar Franco, com parecer pela aprovação; 

– prestação de contas de 2002, quando o presidente era Fernando Henrique Cardoso, com parecer pela aprovação; 

– prestação de contas de 2006, quando o presidente era Luiz Inácio Lula da Silva, com parecer pela aprovação, com ressalvas;

e – prestação de contas de 2008, quando o presidente era Luiz Inácio Lula da Silva, com parecer pela aprovação.

O alvo, está claro, não é o senador do PTB. Se ocorresse a rejeição, o que é improvável (e impossível, quase, mais de 20 anos depois), não teria nenhuma punição para o ex-presidente.

O problema é: se aprovadas as contas, como ficam as de Dilma em 2014, o grande objetivo de Eduardo Cunha?

Em tempo: as contas de Collor de 1990 e 1991 também não foram apreciadas pelo Congresso Nacional (que não é nenhuma Ferrari, mas não precisava andar na velocidade de uma “carroça”).

Postado às 12:51, Ricardo Mota 9 comentários postado em Geral |

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