Ricardo Mota
Ricardo Mota
« página inicial do blog
02/01/2015

O jornalista Ricardo Mota está em férias

O blog retorna no inicio de fevereiro. Um descanso para os leitores. 

Tenham um bom janeiro.

 

Postado às 15:43, Ricardo Mota 9 comentários postado em Geral |
31/12/2014

2014 da pá virada: sem dentes, 17ª Vara só vai poder comer papa

A Assembleia Legislativa tratou, ao modo, de colocar o prego no caixão em que já, já, vai jazer 2014.

Ao tirar da 17ª Vara Criminal da Capital a competência de processar os criminosos de colarinho branco, os deputados mostraram o medo, com manifestações gastroentéricas, que carregam das instituições quando elas funcionam como devem.

Para eles, nada melhor do que um arrumadinho (ainda que sem charque).

A 17ª agora é um leão desdentando: só pode comer papa e tomar sopa.

Finda, afinal, um ano duro de atravessar.

Eis que 2014 revelou a insuspeita fúria de tantos brasileiros que se imaginavam civilizados, mas que não perderam a oportunidade de arreganhar os dentes – via redes sociais -, em inequívoca manifestação de ódio, dirigida a amigos queridos que ousaram discordar de suas posições políticas.

Passou com a eleição? Qual o quê!

Depois que a fera sente o gosto de sangue, adeus afetos e #amizadesincera.

O ano acaba, e com ele se encerra o governo de Vilela.

Foram oito anos de ações e inações negativas e positivas, também, mas a marca que fica para o desfecho da festa é a nomeação de Fernando Toledo para o TC.

Deixemos para a história o julgamento do que se passou, no conjunto, nesses últimos anos. Acho, entretanto, que não foi tão desastroso como pensa a maioria dos alagoanos, nem tão maravilhoso como pensa o próprio Vilela.

Que venham Renan Filho e sua trupe, que podem nos emocionar, fazer rir, até, ou replicar a velha tragédia caeté, com seu enredo em que os índios só morrem e a cavalaria passa sob aplausos e apupos.

Eu?

Paro porque preciso continuar.

Até o final de janeiro, estarei em atividades que podem até não fazer a felicidade da maioria dos mortais, mas que me trazem, de novo, a sensação de que ainda tenho alguns gravetos para manter o fogo aceso.

Se tudo der certo, em fevereiro volto para este espaço, para o rádio e para a televisão – tudo aqui no PSCOM.

Ótimo 2015 para todos.

Postado às 11:09, Ricardo Mota 40 comentários postado em Geral |
30/12/2014

Vilela assina nomeação de Fernando Toledo para o TC

Depois da decisão do Tribunal de Justiça, cancelando a liminar que impedia Fernando Toledo de ser conselheiro do TC, o presidente da ganhou o direito de abrir o champanhe.

Hoje, no final da tarde, o governador Teotônio Vilela Filho assinou a nomeação dele para o palácio de vidro da Fernandes Lima.

A partir de janeiro, Toledo terá “casa, comida e roupa lavada” até o final da vida. O TC é um sonho de onze em cada dez políticos do estado de Alagoas.

É a consagração do ócio.

A sua posse, no entanto, ainda terá data definida. Pode ser neste 31 de dezembro, afinal, o ano acaba mas os tempos, não.

Postado às 18:14, Ricardo Mota 49 comentários postado em Geral |
30/12/2014

Francisco Malaquias assumirá a chefia da PGE no novo governo

O procurador de Estado Francisco Malaquias será o futuro chefe da PGE.

O martelo foi batido desde ontem. Com a participação direta, ressalte-se, do advogado Luciano Guimarães, que coordenou a área jurídica da campanha de Renan Filho.

É importante ressaltar a atuação de Guimarães na escolha exatamente porque ele era apontado nos bastidores como futuro procurador-geral do Estado.

A questão já gerava um certo burburinho dentro da PGE, já que a mudança exigiria a aprovação de matéria em tramitação na Assembleia Legislativa, permitindo que um operador do direito que não do quadro da instituição pudesse assumir o cargo.

Malaquias tem vasta experiência funcional e liderança entre os seus pares.

Postado às 17:57, Ricardo Mota 3 comentários postado em Geral |
30/12/2014

Renan Filho confirma George Santoro na Secretaria da Fazenda

O economista George Santoro está confirmado como o novo secretário da Fazenda de Alagoas, a tomar posse na próxima quinta-feira.
A negociação entre ele e o governador Renan Filho se estendeu mais do que o esperado.

Motivo: Santoro vinha tendo um desempenho considerado de excelência na Secretaria da Fazenda do Rio de Janeiro desde quando foi titular da pasta o ministro Joaquim Levy, substituto de Guido Mantega no ministério de Dilma Rousseff.

Santoro chega cacifado pelo próprio ministro e pela experiência positiva na subsecretaria de Política Fiscal da Fazenda do Rio de Janeiro.

Na semana passada, ele teve uma longa conversa com o governador Renan Filho, aqui mesmo em Alagoas. Após conhecer o cenário local, aceitou o convite para assumir a pasta. Aguardava apenas a liberação por parte do governador Pezão – que finalmente saiu.

Livre, leve (?) e solto, Santoro será o guardião da chave do cofre do futuro governo estadual.

Missão principal: aumentar a arrecadação e garantir o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Postado às 11:26, Ricardo Mota 18 comentários postado em Geral |
30/12/2014

O cardiologista Hemerson Casado, a medicina e a tragédia cotidiana

O médico Hemerson Casado tornou-se uma referência nacional na luta - valente e sem tréguas - contra a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), um mal com o qual a humanidade ainda está aprendendo a lidar.  É dele o texto abaixo, que publico na íntegra:

Uma breve história do meu tempo

Todos nós sempre tivemos uma admiração muito grande pela medicina. Esta admiração se estende ao médico, pois ele é o indivíduo que desde os tempos antigos se propôs a estudar a ciência médica e aplicá-la em benefício da humanidade. A mais antiga escola médica é a atual faculdade de medicina de Montpellier na França, que foi fundada em 1289, quando nesta terra Brasilis, os tratamentos e as curas existentes eram feitos pelos habitantes do continente americano, os índios.  

A medicina só foi institucionalizada no Brasil, em 1808, com a Universidade da Bahia, criada através de um decreto de Dom João VI. Existe, portanto, um grande hiato entre a cultura médica Europeia para a Brasileira, não se esquecendo de povos como os árabes, persas, os egípcios da Alexandria, os fenícios, gregos e os povos do norte da África. Sem contar com os desconhecidos conhecimentos da medicina Oriental, que até a atualidade é um mistério para o Ocidente.  

Todos estes povos sempre se preocuparam em entender a medicina como uma forma de sobrevivência, a ciência médica sempre esteve lado a lado com a espiritualidade e, principalmente, com o sentimento de perda que a morte causada por doenças trazia e trás para os humanos. É notório na Bíblia o temor da morte e a redenção que os milagres de Jesus Cristo trouxeram para os habitantes daquela época. 

 Muitos homens se atraíram pela medicina devido a curiosidade que esta ciência continha, os segredos do corpo humano e as situações integrantes que as doenças causavam, fazendo com quer muitos se debruçassem sobre seus estudos criando, a partir daí, suas teorias e tratados.  

Dizem que ser médico é uma mistura de ciência e arte. Houve um tempo que a sociedade que morava em pequenas comunidades ou grandes cidades necessitava da figura do médico, porém poucos tinham este privilégio, pois os que dominavam o conhecimento e a arte da cura consideravam seus serviços como valorosos e costumavam cobrar caro; não importava a forma de pagamento, que poderia ser desde moedas ou escambos, até algo que contivesse valor assim, uma simples ave, uma propriedade, por exemplo. 

Se pensarmos com cuidado, toda essa negociação era de simples compreensão, pois aquela prestação de serviço merecia remuneração digna, tanto pelo seu valor como também pela necessidade que um médico tinha de sobreviver. A importância paga variava de acordo com a compreensão do grau de dificuldade e severidade da doença, e claro, da competência e do resultado do tratamento.  

Muito tempo se passou desde aquela época e o que vimos sempre foi a continuidade da velha estrutura de sociedade. O estudo da medicina era privilégio dos ricos, que podiam pagar para que seus filhos estudassem em escola privada, como também podiam sustentar suas necessidades e seus excessos morando nas cidades onde se situavam as faculdades. 

 Claro que, uma vez formados, ao retornarem para suas cidades cobravam caro por suas atividades e apenas os nobres, autoridades religiosas e classes sociais mais abastardas poderiam dispor de seus serviços. Aos pobres restava os conhecimentos populares, a fitoterapia, conhecimentos indígenas, trazidos com os escravos e a FÉ na cura celestial.  

Ocasionalmente, um ou outro caridoso estendia a mão para algum moribundo. A igreja sempre tentou acolher em seus abrigos e asilos os mais necessitados, e nestes ambientes, com a participação das freiras foi dado surgimento a profissão de enfermeira. O Brasil evoluiu no tamanho das suas cidades, economicamente e politicamente, saindo do imperialismo para uma república democrática.  

A partir daí vieram os grandes problemas da concentração de riqueza, da má distribuição de renda, no crescimento da miséria e da pobreza, do mal planejamento do crescimento das cidades, resultando em péssimas condições sanitárias na ausência de uma política de saúde pública, agravada pela densidade demográfica das cidades e a grande proximidade com as matas,  o que causou o surgimento de epidemias de antigas e novas doenças, associado à um pequeno número de mal treinados agentes de saúde e poucos médicos vinculados ao estado.  

Em 1988, a nova constituição decretava que a saúde era um direito do cidadão e um dever do estado. Esta foi uma decisão de grande louvor político e social, mas de graves consequências administrativas e econômicas, pois naquela época o Brasil vivia uma transição política de ditadura para um regime de exceção e aí sim para o retorno a democracia.

 Nossa economia já se apresentava descontrolada e com os primeiros presidentes este desastre foi ainda maior, com planos econômicos totalmente inconsequentes que fracassaram repetidas vezes, aumentando a crise econômica e com isso o alastramento da pobreza e dos problemas sociais, que incluíam o desemprego, o aparecimento de um maior número de bolsões de pobreza com condições sanitárias incompatíveis com a saúde, uma grande migração para os grandes centros, o que gerou uma densidade populacional, sendo esta população, em sua maioria, analfabeta, sem o mínimo conhecimento e respeito à saúde pública.  

 O governo já tinha em sua estrutura de planejamento programas de construção de moradias, saneamento, vacinação, uma estrutura de postos de saúde e hospitais que atendiam ao recém-criado Sistema Único de Saúde (SUS), o numero de universidades públicas também aumentou, e com a formação de um grande número de médicos, vagas em residências médicas e uma recém-criada tabela de honorários.

Durante a década de 80, ainda foi possível o bom funcionamento deste novo sistema, pois o percentual do PIB destinado à saúde satisfazia aos custos dos honorários, dos exames e dos atos médicos. No final dos anos 80, mesmo com o surgimento das seguradoras de saúde e planos de saúde que, por sua vez, enchiam seus cofres à custa da combinação de uma altíssima taxa inflacionária, estratégias gerenciais, atraso de pagamentos dos serviços, para que assim houvesse lucratividade com a taxa de juros oferecida pelos bancos.  

Esta prática ainda é bastante utilizada por estas empresas, mesmo com a inflação controlada, o que mudou foi o aumento na demora para o pagamento dos serviços, que durava de três a seis meses. Desta forma, os governantes resolveram utilizar o dinheiro destinado a saúde para cobrir os rombos da previdência social, o que espantou, foi o desenvolvimento de um esquema de corrupção por parte dos médicos, que usurpavam de forma escandalosa o dinheiro da saúde.  

Chegando neste ponto, é válido salientar que o comportamento de um médico no sistema público nunca foi igual ao do sistema privado, o tratamento oferecido aos usuários do SUS era infinitamente inferior, com uma péssima relação médico-paciente, comprometimento com o diagnóstico e tratamento de nível assustador, um tempo de consulta tão curto e totalmente incompatível com o recomendável. 

Para se ter ideia, os médicos concursados que deveriam trabalhar entre 20 ou 40 horas semanais – mas que não fazem nem 1/10 do obrigatório – se ausentavam e usavam licenças médicas justificadas, atestados falsos, registro em cartão de pontos, mas uma vez que, comprovada a não apresentação no trabalho, cirurgiões fantasmas abriam e fechavam os corpos dos pacientes sem realizar qualquer procedimento, ou faziam cirurgias desnecessárias para retiradas de órgãos sem grandes utilidades, como o apêndice e  vesícula;  grande número de cirurgiões para realizações de múltiplas cirurgias e até cirurgias em órgãos incompatíveis com o sexo do paciente, sem contar os desmandos na realização de exames. 

Tudo isso foi detectado e combatido com a ajuda do Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Ministério da Saúde, houve então, a descentralização do SUS. Para que a remessa de verba fosse maior e para que fosse minimizada a crise foi criado o imposto chamado CPMF, idealizado pelo professor Adib Jatene, ministro da saúde da época, que de forma honesta criou este imposto para ser temporário, mas os inescrupulosos da política o tornaram permanente, mais uma vez se aproveitando do povo para criar dinheiro através de novos impostos. 

Hoje, vivemos problemas semelhantes, mas de natureza deferente. O número de usuários dos planos de saúde é mínimo, e muitos destes planos, apesar da aprovação da ANS, funciona de maneira insuficiente – e alguns de maneira criminosa – associado a isto, houve um grande aumento no número de usuários do SUS, mas o percentual do PIB destinado a saúde continua o mesmo. Temos ainda a inclusão de novas técnicas e tecnologias, uma inflação tecnológica derivada do surgimento dessas novas tecnologias, mas que não é computada na contabilidade do sistema. Temos ainda o superfaturamento das órteses e próteses, a corrupção dos gestores hospitalares e gestores do sistema de saúde, isso associado à ausência do estado, que insiste em terceirizar suas obrigações a instituições, que tem o compromisso com o lucro e não com o bom atendimento, entidades que só visam prestar serviços na área de alta complexidade, pois estes são os geram maior lucro.

 Além disso, parte do dinheiro da saúde vem sendo usado para cobrir os custos de alguns programas sociais. Outro problema que enfrentamos é um número reduzido de hospitais e postos de saúde nas regiões mais distantes do nosso imenso país, além da tendência que próprios médicos possuem em quer se instalar em cidades de porte médio e metrópoles. O resultado disto é uma carência enorme de profissionais e o governo, por sua vez, resolveu de forma escabrosa criar o Programa Mais Médicos, sem a mínima satisfação as normativas do Ministério da Saúde e da Educação que criaram o Revalida, um exame de revalidação de qualquer médico brasileiro formado no exterior ou estrangeiro, que queira praticar medicina neste país. Escolheram Cuba como a milagrosa fonte de médicos e os trouxeram em navios negreiros contemporâneos, para serem usados como mão de obra escrava, sem a mínima avaliação  da capacidade de praticar a medicina e cuidar dos brasileiros. Neste caso, o Congresso Nacional e as entidades médicas não foram fortes o suficiente para evitarem o problema.  

Estes hospitais estão oferecendo, cada vez menos, serviços de média complexidade, mesmo aqueles que são complementares, as cirurgias oncológicas, que tratam o paciente com câncer junto com a radioterapia e a quimioterapia, por exemplo. 

Mais uma vez, as estratégias administrativas são as soluções usadas por essas instituições para o uso indevido das mesmas, o que deveria ser usado em favor dos menos favorecidos, o que infelizmente não acontece. Um exemplo claro são as instituições filantrópicas, que convenceram Ministério da Saúde a chamada abertura da segunda porta, onde elas passam a comprar ou arrendar hospitais medíocres de pequeno porte para justificar as isenções fiscais e os benefícios tributários, enquanto o povo é submetido a constrangimentos, no seu direito assegurado na constituição. 

A situação se agrava, quando saliento que estes hospitais não sofrem nenhum tipo de intervenção por parte das entidades médicas, como sindicato, a AMB e o CRM, que deveriam averiguar a veracidade dos dados emitidos sobre a prestação de serviços, como também as denúncias de excesso de poder sobre o exercício da profissão. 

A medicina é uma coisa linda, mas ser médico é padecer no paraíso, você acaba virando refém dos gestores hospitalares que querem a toda força assegurar o total domínio administrativo e financeiro, querem tornar modelo de gestão a coisa mais importante em um hospital, enquanto que o mais importante em um hospital é o médico, pois uma vez que adquirem confiança  e bom relacionamento com a  população, são procurados pelos pacientes esteja onde quer que ele estiver. 

Por último, quero dizer que restaria a vigilância da imprensa sob estas instituições, porém todos os veículos de imprensa de Alagoas seja ele rádio, televisão ou jornal tem em sua folha proventos de um grande aporte vindo destes clientes, o que faz causar um silêncio que gera a desinformação.

Eu, como alagoano, tenho uma extrema vergonha e insatisfação de como algumas coisas da nossa medicina acontecem na nossa querida Alagoas. 

Hemerson Casado 

Postado às 7:05, Ricardo Mota 18 comentários postado em Geral |

Arquivos