Ricardo Mota
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20/10/2014

Aldo Rebelo é “especulação de luxo” para governo de Renan Filho

O deputado Renan Filho, com sabedoria, saiu de cena depois da eleição para governador.

Mas não deve ignorar que as especulações sobre o seu secretariado continuam em ritmo acelerado, com nomes que se projetam e nomes que são projetados.

Os primeiros: aqueles que se escalam, passando a bola para um entorno que trata de destacar as qualidades do secretariável.

Um “calheirista”, mais ligados a Renan pai e Olavo, garante que haverá muitas frustrações entre os candidatos a secretário do futuro governo.

Mas um nome surge, por fora, que, seguramente, não é estimulado pelo próprio, um personagem de projeção nacional: o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo.

Para que pasta?

Rebelo tem tamanho até para ser governador, o que não é o caso.

Dificilmente isso aconteceria. Mas ninguém sabe o que pode ocorrer depois da eleição do próximo domingo.

Se Dilma vencer, Rebelo deverá assumir outro posto importante (ele ficou no Ministério dos Esportes a pedido dela – não concorreu a nenhum cargo eletivo).

Se der Aécio, a possibilidade se abre, já que Rebelo mantém casa em Alagoas – Viçosa – para onde diz que pretende retornar um dia.

É esperar para ver (mas é uma boa especulação).

Postado às 12:48, Ricardo Mota 10 comentários postado em Geral |
20/10/2014

Prefeitos choram mas se conformam com as sobras

 

A mobilização dos prefeitos por causa da queda do FPM é justa, mas não pode esconder o papel submisso que os chefes de Executivo Municipal cumprem, politicamente.

Com exceção das capitais e das cidades maiores – e mais ricas -, os prefeitos interioranos se comportam quase que só como cabos eleitorais de parlamentares que não têm qualquer compromisso em mudar as perversas regras do jogo.

Desconsiderando até mesmo os milhares de casos de corrupção registrados em todo o país – trato exclusivamente das prefeituras -, não há nenhuma mobilização séria, ou pressão que mereça registro, de prefeitos que defendam um tratamento respeitoso na divisão do bolo da arrecadação que é quase todo devorado por Brasília, deixando as sobras para os entes federativos.

A criação de várias “contribuições” que vão parar direto nos cofres da União, vem sendo a fórmula aplicada pelo governo federal – independentemente do poderoso de plantão – para aumentar a arrecadação sem precisar distribuí-la com alguma justiça.

Os estados têm praticamente apenas um imposto importante, o ICMS, e as prefeituras, na sua grande maioria, vivem exclusivamente das transferências constitucionais, sem uma arrecadação própria significativa.

E aos municípios fica a responsabilidade de destinar, automaticamente, 15% do que recebe para a Saúde e 25% para a Educação.

As emendas parlamentares, estas surgem como o pagamento – sem considerar os que não são oficiais – aos    prefeitos que vivem com o pires na mão.

De quando em vez, um choro em Brasília, com jantares pagos pelas bancadas dos estados e noitadas alegres.

É pouco.

Se houvesse uma mobilização séria de prefeitos em todo o país esse modelos de arrecadação de distribuição poderia, sim, ser modificado.

Mas se está dando “certo” assim, por que alterar?

As populações moram nos municípios e não têm em regra a mínima noção de como esse jogo fiscal é jogado.

Elas é que perdem sempre.

Postado às 12:46, Ricardo Mota 9 comentários postado em Geral |
20/10/2014

Sem pugilato, Dilma e Aécio mostram o tamanho que têm

Finalmente, um debate em que os candidatos à Presidência da República apareceram do tamanho que são.

Descartado o pugilato dos dois últimos encontros, Dilma Rousseff e Aécio Neves conseguiram falar alguma coisa do que pensam sobre temas fundamentais: saúde, educação, segurança pública.

Lamento, no entanto, que nenhum dos dois tenha proposto a discussão sobre a Reforma Política, mãe ou madrasta de todas as demais reformas que dela poderão surgir.

Há de se entender o pragmatismo, tão próprio da atividade política, principalmente em tempos eleitorais. Em busca de apoios, não podem bater de frente com aliados de agora, que nem querem ouvir falar sobre o tema.

Os marqueteiros de plantão, que babam sangue tomando vinho, devem ter ido dormir frustrados: foi uma batalha sem vítimas.

Seguindo o natural viés de confirmação, as redes sociais devem estar incendiadas em defesa de cada um dos candidatos: Deus ou o Diabo na terra do Sol, a depender do gosto do freguês.

Aqueles que não formam em nenhuma torcida organizada, ainda que tenham decidido que vão votar ou até em quem vão votar, poderão achar que Dilma e Aécio têm apenas o tamanho que nos é possível hoje.

Que assim seja.

Mas foi melhor vê-los falando com civilidade do que vociferando ferozmente um contra o outro.

Deixemos esse papel da turma do “pega, mata e come”.

Postado às 2:20, Ricardo Mota 13 comentários postado em Geral |
19/10/2014

Luz, câmera, inação

 

Já em 2001, o cientista brasileiro Marcelo Gleiser se deparou com um mal que iria se espalhar nos dias de hoje mais rapidamente do que qualquer vírus letal.

Conta ele, com tristeza, que levou um grupo de ex-alunos seus, de uma universidade nos EUA, para ver um eclipse total do Sol na costa de Madagascar. Um evento único para a maioria dos que ali estavam. Mas eles preferiram, majoritariamente, filmar o espetáculo do Universo ao invés de apreciá-lo como a uma experiência inapagável na memória.

De lá para cá, ele bem o sabe, a praga se espalhou. Em grandes encontros, no mundo inteiro, shows musicais, discursos de personalidades carismáticas e/ou emblemáticas, as cenas são “vistas” através de lentes. Apreciadas, só depois que aconteceram: ficaram guardadas na memória do celular.

A tecnologia deve ser benéfica, se não renunciamos aos nossos sentidos e sentimentos. Luz, câmera, inação – esta não pode ser a conjugação da vida.

Foi graças à tecnologia que conseguimos hoje enxergar o que apenas imaginávamos existir: telescópios e microscópios desvendaram um mundo maravilhosamente belo e intrigante, para que pudéssemos mais e mais desfrutar do encantamento que a Natureza nos oferece.

Renunciar, porém, à emoção que os olhos nos proporcionam em situações que fogem do cotidiano, compartilhando sentimentos que se irradiam, num contágio generoso, não me parece que seja justo conosco mesmos.

Ver o presente pela lente do passado, quando ali estávamos e éramos apenas alguns entre tantos, pode ser tão somente o exercício de um narcisismo algo adoecido: o show “particular” de cada um não há ser o mesmo show, certamente, do instante em que o paralisado capturador de imagens haveria de estar envolvido pela ambiência do melhor calor humano.

Talvez, o que a tecnologia dos novos tempos esteja tentando nos mostrar é o quanto ainda somos primitivos e arrogantes para desfrutar dela sem ignorar a vida, o momento presente, com todas as suas provocações à nossa alma.

Ver a vida em replay é perdê-la enquanto acontece, ao vivo e em cores, para o nosso deleite.

Hei de preferir sempre, a mensagens pela rede, ouvir a voz de Camila, lá de longe, pelo celular, receber dela o carinho de suas palavras e encerrar a conversa dizendo: “Eu te amo, filhota”.

Será na sua lembrança mais afetiva que eu ainda serei quando já não mais for.

Quem sabe não teria sido isso que, premonitoriamente, quis nos alertar o poeta Carlos Drumonnd de Andrade, nos versos de Eterno (em Fazendeiro do Ar):

 eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo

mas com tamanha intensidade que se petrifica

e nenhuma força o resgata…

Postado às 5:00, Ricardo Mota 6 comentários postado em Geral |
18/10/2014

Votar em Aécio Neves ou em Dilma Rousseff?

Vote em quem você quiser.

Vote em quem lhe inspira confiança.

Vote em quem você acha que pode melhorar o país.

Vote com convicção, vote pela dúvida.

Vote como a sua consciência mandar, ainda que você resolva votar nulo ou em branco.

Só não vote movido (a) pelo ódio ou empurrado (a) pelo medo.

O maior mérito da democracia é lhe garantir o direito de escolha: do livro que você quer ler, do filme que você pretende assistir, do candidato em quem você decide votar.

Essa liberdade, que rima com diversidade, foi uma conquista de toda a população brasileira. Não pertence a nenhum credo religioso ou político.

É sua, é minha, é de todos aqueles que querem decidir sobre as suas próprias vidas e os caminhos do país.

O pensamento único? Deste bem o sabiam Hitler e Stalin, tão distintos quanto iguais na essência.

O facismo pode usar muitas cores para nos enganar.

Não tema, não se angustie, não se abespinhe, apenas caminhe por onde suas pernas o (a) levarem.

Se alguém, um amigo ou conhecido, quiser argumentar, lhe convencer de que este ou aquele candidato é o melhor, tenha um pouco de paciência: ouça e tire suas próprias conclusões.

Se você for, por outro lado, agredido (a) por conta da sua preferência, despreze o agressor. Deixe que o tempo se encarregue de mostrar a ele – ou a ela – até onde leva a intolerância: o definitivo túmulo da democracia.

Só quem respeita a liberdade alheia é que merece a liberdade que possui. Este é um grande bem coletivo, ainda que compartilhado pelos indivíduos.

Repito: vote como e em quem quiser.

Mas não esqueça que só você será capaz de mudar o Brasil para melhor.

No dia a dia, na família, na sociedade, no ambiente de trabalho e nas ruas, quando as ruas convidarem para o bom embate.

Que o seu voto seja o melhor que você possa dar.

Mas que seja seu – este é um patrimônio que deve ter dono.

Postado às 7:03, Ricardo Mota 53 comentários postado em Geral |
17/10/2014

Os vereadores de Joaquim Gomes e a 17ª Vara Criminal da Capital

Talvez a 17ª Vara criminal da Capital tenha assinado a sua sentença de morte ao determinar a prisão dos vereadores de Joaquim Gomes.

Em tese, seria mais do mesmo. Mas é exatamente aí que mora o perigo.

O trabalho que vem sendo realizado pelo colegiado de magistrados – em conjunto com o Gecoc, do MP -, inegavelmente já resultou em economia para os cofres públicos: mérito para promotores e juízes.

Mas há uma pedra no meio caminho: o projeto de reformulação da 17ª Vara Criminal da Capital tramita na Assembleia, uma Casa política que, infelizmente, passou a frequentar mais as páginas policiais.

Não há sinais de que a matéria venha a ser apreciada este ano, e a “nova” Assembleia reproduz, quase que integralmente, uma composição em nada receptiva ao combate à corrupção.

O futuro governador, Renan Filho, só falou de passagem sobre a Vara colegiada, quando indagado no debate da TV Pajuçara. No mais, só o silêncio.

Para os vereadores de Joaquim Gomes ficou a punição moral, a humilhação social.

Mas este é um mal que dá e passa.

O pior pode vir para a população de todo o estado.

Postado às 20:20, Ricardo Mota 8 comentários postado em Geral |

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