Ricardo Mota
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27/04/2015

Por que Inácio Loiola faz mistério sobre seu voto na 17ª Vara?

A pergunta persiste: como vai votar o deputado Inácio Loiola em relação aos vetos do governador Renan Filho ao projeto da 17ª Vara Criminal da Capital?

Eis um dos mistérios da Assembleia nesses dias em que o debate sobre o tema tomou conta da pauta.

O problema – se é que isso é problema – se deve ao fato de que o parlamentar do PSB é irmão do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Washington Luiz, que defende publicamente a matéria.

Sabe-se, também, que o magistrado tem forte influência – dizendo o mínimo – sobre o irmão mais novo, que já foi prefeito de Piranhas por três vezes é deputado estadual de segundo mandato.

Seu silêncio, portanto, há de ser um incômodo político para o presidente do TJ.

Em tempo: com o voto secreto, esse mistério poderá nunca ser desvendado.

Postado às 16:42, Ricardo Mota 4 comentários postado em Geral |
27/04/2015

PT lança pré-candidatura de Paulão à prefeitura de Maceió

O Partido dos Trabalhadores realizou seu Congresso Municipal no final da semana passada – sexta-feira e sábado.

Após as discussões de praxe sobre a situação nacional e local, os participantes, que compareceram em um bom número, decidiram que o PT terá candidato próprio à prefeitura de Maceió. Será o deputado federal Paulão, o nome mais expressivo da legenda em Alagoas.

Aliás, o parlamentar, primeiro petista de Alagoas a ser eleito para a Câmara Federal, já disputou o cargo, na virada do milênio, quando tinha outro perfil junto ao eleitorado. Hoje, o presidente do PT em Alagoas ganhou densidade eleitoral, embora carregue no currículo a denúncia da chamada Operação Taturana (condenada a nunca ser julgada).

Paulão e Joaquim Brito formam a dobradinha mais forte dentro da máquina partidária, tanto que o ex-presidente da Ceal foi indicado pelo partido para a Secretaria de Assistência Social do governo Renan Filho. A questão a saber é: como fica a situação se o grupo do governador resolver lançar candidatura à prefeitura de Maceió, pelas ligações estreitas entre os petistas e o senador Renan Calheiros, presidente do Congresso? A lembrar: a determinação para a aliança PT-PMDB em Alagoas veio, mais uma vez, de Brasília.

Até 2016 muita água vai rolar sob e sobre a ponte.

Postado às 12:08, Ricardo Mota 24 comentários postado em Geral |
27/04/2015

PRTB de Almeida vai receber mais de R$ 5 mi do fundo partidário

A velha máxima: “Pequenos partidos, grandes negócios” está valendo mais do nunca.

O aumento de 600% do fundo partidário, sancionado no orçamento deste ano, vai fazer a felicidade de “nanicos” espalhados pelo país, ainda que o eleitor desconheça a sua existência.

É o caso do PRTB, que tem como único deputado federal o alagoano Cícero Almeida e que vai abocanhar nada menos do que R$ 5,176 milhões só em 2015.

Coisa de mãe – a União – para filho – Levy Fidelix, o nome do “garoto” peerretebista.

No ano passado, a cota da legenda foi de R$ 1,321 milhão. Pela soma dos votos à Câmera Federal que obtiveram, em 2014, seus candidatos em todo o país – o que só deu para um parlamentar -, os valores saltaram para a pequena fortuna mencionada.

Claro que não é o partido de Almeida o único que vai embolsar a grana do contribuinte, muito menos a maior parte do butim.

Mas o PRTB parece ser um bom exemplo de como o sistema partidário brasileiro está falido, desmoralizado, desacreditado e precisa revisto radicalmente.

O controle oficial sobre o dinheiro é praticamente nenhum, mas garante vida boa a quem o administra.

Pergunta: qual o assalariado ou pequeno empresário que recebe, sem ônus, mais de R$ 5 milhões em um ano?

 

Postado às 7:29, Ricardo Mota 18 comentários postado em Geral |
27/04/2015

Se depender do governo, 17ª não será votada esta semana

Pelos planos dos governistas da Assembleia Legislativa, os vetos do governador Renan Filho sobre a 17ª Vara Criminal da Capital não devem ser votados esta semana.

A questão é simples e aritmética: os oposicionistas à vara colegiada ainda têm maioria suficiente para enterrar a iniciativa do TJ.

A alternativa: pedir vistas da matéria e deixar para a segunda semana de maio a votação em plenário. Até lá, o Palácio República dos Palmares esperar garantir a mudança de alguns votos contrários aos vetos.

É verdade que o próprio governador Renan Filho tem trabalhado intensamente para convencer alguns parlamentares. Mas como o voto é secreto, qualquer certeza se desfaz feito a fumaça no meio da ventania.

Lembrando que o grupo contra a 17ª Vara Criminal da Capital precisa ter 14 votos, no mínimo, para derrubar os vetos.

Postado às 7:08, Ricardo Mota 6 comentários postado em Geral |
26/04/2015

Verso que te quero meu

Começo com uma pergunta: onde podemos encontrar os versos a seguir? 

Cobra, fica parada; fica parada, ó cobra, para que minha irmã copie do molde da tua pintura o estilo e o lavor de um rico cordão que eu possa dar à minha amada.

Resposta: no ensaio Dos canibais, do filósofo francês (século XVI) Michel de Montaigne, que os recolheu dos povos nativos deste lado do oceano, quando esteve no Brasil natural, que tanto o encantou.

Mas não só aí. No ótimo – e pouco tocado, infelizmente – Noites do Norte, Caetano Veloso traz uma bela canção que fez em parceria com o poeta Waly Salomão: Cobra Coral:

Para de ondular, agora, cobra coral

A fim de que eu copie as cores com que te adornas

A fim de que eu faça um colar

Para dar à minha amada.

Nada de dedo acusador. É mais comum do que se imagina o encontro entre a literatura – poesia e prosa – com a música, seja num intertexto, seja numa reconstrução que quase sempre resulta em fruto bom para ambas.

Outro baiano porreta, Gilberto Gil, conseguiu traduzir em versos, quase que literais, um diálogo dos mais inteligentes entre os dois personagens centrais (um padre e um prefeito ex-comunista) de Monsenhor Quixote, um romance inteligente e divertido de Graham Greene. Eles estão lá na música Copo Vazio, que Chico Buarque de Holanda gravou em Sinal Fechado – nos tempos da censura: É sempre bom lembrar /Que um copo vazio está cheio de ar…. Uma maravilha!

O próprio Chico cansou de brincar com os versos daquele que parece ser um dos seus poetas preferidos: Carlos Drummond de Andrade. Foi assim numa citação-provocação, que o “anjo torto” de Drummond, em Poema de Sete Faces“Quando eu nasci, um anjo torto”… –, virou o “anjo safado” do compositor, em Até o Fim. A Quadrilha, do mesmo poeta, também está presente no cancioneiro de Chico, sem que precise de “apresentação”.

O alagoano Djavan, refinado melodista e letrista inspirado, bebeu da poesia de outro grande: Manuel Bandeira. Na sua Violeiros, o nosso mais consagrado representante na Música Popular Brasileira reproduz em sua letra os primeiros versos de Cantadores do Nordeste, um cordel de Bandeira ao qual Djavan finda por dar elegância e sofisticação. Um trabalho primoroso.

Há, está claro, os casos de plágios explícitos e assim definidos pela Justiça (quando ela funciona). Um dos mais notórios é o que envolveu Fagner e a família da poeta Cecília Meireles. Há de se registrar que o compositor cearense usou um tanto de malícia para driblar seus fãs – e os de Cecília também – em Canteiros, apresentada como sendo de autoria exclusiva dele. Mas o poema Marcha, de Cecília, não deixa margem à dúvida de que havia ali mais do que a inspiração do compositor:

Quando penso no teu rosto,

Fecho os olhos de saudade

Tenho tido muita coisa,

Menos a felicidade

Soltam-se meus dedos tristes

Dos sonhos claros que invento

Nem aquilo que imagino

Já me dá contentamento

Hoje, Canteiros, que estourou em todo o país, é um clássico em qualquer roda de violão, assinada por Fagner e, agora, sim, por Cecília Meireles – como bem haveria de ser – por decisão judicial (o cearense envolveu-se em algo semelhante com seu conterrâneo Patativa do Assaré).

São histórias de grandes encontros – e desencontros – entre a música e a poesia. E se alguma discussão ainda persiste, talvez a razão nós possamos encontrar no carteiro “Mário”, vivido por Massimo Troisi (morreu antes da conclusão do filme, do qual era também roteirista) no definitivo O Carteiro e o Poeta .

Questionado, amigavelmente, por Pablo Neruda (Philippe Noiret, em outra maravilhosa interpretação), pelo fato de ter usado os versos do poeta em declaração à mulher amada, “Mário” foi incisivo:

– A poesia não pertence a quem a escreve, mas àqueles que precisam dela.

Postado às 5:00, Ricardo Mota 5 comentários postado em Geral |
25/04/2015

Joaquim Levy impede empréstimos internacionais para Maceió

O ministro Joaquim Levy, do Ajuste Fiscal, está impedindo que os municípios brasileiros, mesmo os mais necessitados, consigam obter empréstimos externos. É o caso de Maceió, que está na iminência de conseguir 133 milhões de dólares em dois organismos internacionais – BID a CAF.

A afirmação é do prefeito Rui Palmeira, convidado do Ricardo Mota Entrevista deste domingo, 9h da manhã, na TV Pajuçara.

Palmeira esclarece que a dificuldade é geral. Citou como exemplo, a prefeitura petista de São Bernardo do Campo, em São Paulo, cujo pedido de empréstimo internacional está na mesa da presidente Dilma – mas Levy não deixa.

O prefeito de Maceió explicou que os juros cobrados por essas instituições são menores do que os do BNDES, mas como o governo tem de avalizá-los, os empréstimos estão sido inviabilizados.

Palmeira falou de política, de eleição, das relações com os servidores municipais, de uma possível aliança com Renan Filho, enfim, não faltou assunto.

Vale a pena conferir:

Ricardo Mota Entrevista Rui Palmeira

TV Pajuçara, domingo, 9h da manhã

Postado às 8:14, Ricardo Mota 18 comentários postado em Geral |

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