Ricardo Mota
Ricardo Mota
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23/11/2014

Incertos e não sabidos

 

Uma das coisas mais complicadas com as quais um não físico se depara é o Princípio da Incerteza, de Heinsenberg, basilar da Física Quântica.

Até mesmo por causa da dificuldade geral de compreendê-la com alguma clareza, tudo que é pós-moderno ganhou o “quântica” como adjetivo, uma sinalização de saber profundo e para poucos: psicologia quântica, filosofia idem, e segue a embromação clássica.

A ciência, defendem alguns dos que pretensamente a dominam, não há de ser um bem comum e é levada ao território do hermetismo – substantivo derivado de um deus ladrão –, algo próximo ao sobrenatural, ainda que aqueles que verdadeiramente dedicam a ela suas vidas reneguem a prática da adivinhação e similares como princípio inegociável.

Mas estamos falando de humanos, não de mitos, e os primeiros somos incorrigíveis; os outros arredondamos ao gosto.

Fico com o raso entendimento que tenho sobre a matéria, que há de servir para o que vem abaixo: o Princípio da Incerteza, em resumo, estabelece que é impossível saber ao mesmo tempo a velocidade e a posição de uma partícula – um elétron – em movimento. Haveremos de escolher: ou ficamos com a primeira ou abraçamos a última.

O fato é que não damos a menor chance à dúvida nos julgamentos apressados que fazemos no cotidiano, mais velozes do que um elétron no “vazio” da matéria, o que nos revela humanos, principalmente quando não dispomos da razão – logo ela? - para avaliar escolhas e escolhidos.

Somos todos, sim, vulneráveis à primeira impressão, que nos rouba alguns belos e insabidos encontros, ao tempo que nos preserva, assim imaginamos, de riscos premonitórios – o inimigo que se fez à distância; o amigo que não foi.

Será sempre a nossa intransferível certeza a nos guiar, embora tão frágil quanto uma barreira fina de isopor ante a bola de metal em brasa. Simpatias e antipatias nos aproximam ou nos separam com a mesma força, movidos que somos pelo desejo e pelo medo, ambos irracionais e atávicos, nos contatos inevitáveis. E nem ao menos nos damos conta das razões dos bons ou maus augúrios. (“As aparências enganam aos que odeiam e aos que amam” – Sergio Natureza.)

É impossível saber o que perdemos ou o que ganhamos por causa das nossas escolhas, sempre aleatórias e baseadas nos instintos, que a mesma ciência há de condenar pela permanência indissociável à espécie.

De quando em vez, eis que descobrimos o erro e nos encantamos com isso, o que não é suficiente para que possamos resistir aos novos impulsos de atração e repulsa.

Se (Werner) Heinsenberg tivesse optado pelo estudo sobre os homens, e não as partículas invisíveis a olhos nus – e até mal vestidos -, talvez tivesse voltado à Física newtoniana, para chegar à conclusão de que os corpos sociais, coletivos, só poderiam ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo quando atuasse uma força gravitacional imensurável e desconhecida.

Quem sabe, preferiria continuar a buscar nos elétrons o que não conseguiu encontrar na nossa incerta e incompreensível história.

Postado às 5:00, Ricardo Mota 6 comentários postado em Geral |
22/11/2014

Um breve ‘passa-fora’ aos que defendem a volta da ditadura

A proposta pode seduzir incautos, tolos e inocentes. Mas não há inocência nos estúpidos que propõem a volta dos militares ao poder.

Essa gente não gosta da liberdade, se ela não se restringe à turma tosca e violenta que mandou e pode voltar a mandar.

Tenho 56 anos de idade e vivi quase a metade da minha vida sem ter o direito, hoje inalienável, de decidir o que ver, o que ler, o que discutir abertamente, seja na minha atividade profissional, seja na minha vida pessoal.

As ditaduras, todas elas, independentemente de cor partidária, se esmeram em reduzir suas escolhas e formas de pensamento, em impedir que se grite por Justiça, quando ela se fizer ausente, de reinvidicar mais, ainda que mais avancemos. Discordar delas resulta em sofrimento e morte.

Até para que essa turma possa hoje ir às ruas e defender suas sandices, foi necessário que milhões de brasileiros gritassem pela indispensável liberdade.

A ninguém, porém, é dado o direito de tomar aquilo que é propriedade de uma Nação, o que custou a vida de centenas de brasileiros, contando apenas os que não sobreviveram para contar uma história de dor e restrição ao pensamento discordante.

Incomoda-me, e muito, o fato de que eles usem esse patrimônio coletivo para vociferar em defesa daquilo que vai privilegiá-los em detrimento da imensa maioria dos habitantes de um país que sofreu com a escravidão e pode voltar a ela – não acredito que consigam – em nome da decência e da honestidade. Eis o que falta a essa gente estúpida e defensora da eliminação da diversidade: decência e honestidade.

O Brasil “corrupto” de hoje aparece graças à Democracia, não como consequência dela.

E se a corrupção se instalou no aparelho de Estado, nos três níveis, só a radicalização da Democracia é que poderá transformá-la em um crime com punição social. Acima até do direito, tão mutável, que se concretiza de acordo com os que propõem a defini-lo com base na letra fria da lei, ainda que manifestando as precariedades humanas e a cultura de um país que não conseguiu se livrar do autoritarismo nas suas instituições.

A volta dos militares agora significaria tão somente abater um pássaro que apenas inicia o seu voo.

Ganha o caçador, perde a natureza dos homens livres.

Postado às 7:56, Ricardo Mota 34 comentários postado em Geral |
21/11/2014

Quem são os conselheiros “luas pretas” de Renan Filho

A expressão “luas pretas” foi popularizada na campanha eleitoral de 1982, no Rio de Janeiro. Eram assim chamados os intelectuais e economistas que apoiavam Miro Teixeira e faziam um contraponto ao então governador peemedebista Chagas Freitas.

Esses “conselheiros” de Miro Teixeira tinham muito poder junto ao candidato, mas tinha votos. Resultado: o candidato do PMDB ao governo do Estado foi derrotado por Leonel Brizola, um dos mais importantes personagens da política brasileira na segunda metade do século XX.

Pois bem, vamos aos fatos locais.

O governador eleito, Renan Filho, tem também os seus luas pretas – ou conselheiros, se assim preferirem os leitores.
O ex-secretário Fábio Farias e o jornalista Ênio Lins são os nomes mais reluzentes – e não só pelas calvas – no entorno discreto do futuro governador.

Farias, no caso, é o único nome ligado ao senador Renan Calheiros que hoje tem a atenção e a interlocução constante do Filho.
Ênio Lins, que não pretende ser secretário de novo – já foi, no governo Suruagy – tem trânsito livre em todos os setores da economia e da política locais. Ele conhece nomes, personagens e enredos do poder em Alagoas como poucos.

Até que ponto eles vão influenciar na montagem da equipe de Renan Filho?

É uma resposta que por ora não se pode dar com exatidão.

A “boa nova” é que ambos estão sendo mais ouvidos do que os personagens fortes e temidos da política local, com quem Renan Filho sempre manteve estreitas relações políticas e pessoais.

Lembrando: amizade pra valer nesse meio é algo que beira o sobrenatural – só acredita quem tem muita fé.

Postado às 12:43, Ricardo Mota 6 comentários postado em Geral |
21/11/2014

Empreiteiras do Petrolão investiram em 41% do Congresso eleito, incluindo AL

As empreiteiras do Petrolão investiram em nada menos do que 41% dos congressistas eleitos este ano. Pagaram R$ 50 milhões, oficialmente.

A turma trabalha do mesmo jeito: dá grana a quem tem chance de se eleger, independentemente do partido que o candidato integra. Entre os eleitos, só o PSOL ficou de fora da vaquinha empreiteirural.

É claro, as legendas que estão no poder ganham mais, porém os outros não são esquecidos – desde que sejam viáveis economicamente.

Da bancada federal de Alagoas, cinco deputados federais receberam financiamento das empresas suspeitas: do PT ao PSDB, eles somaram R$ 1.290.000.

Até na Assembleia Legislativa a festa foi grande: doaram R$ 2.340.000 a 14 deputados estaduais eleitos.

Postado às 12:42, Ricardo Mota 7 comentários postado em Geral |
21/11/2014

Renan Filho ouviu o que precisava do Gecoc e do Conseg – é agir

A reunião do futuro governador Renan Filho com os representantes do Gecoc e do Conselho Estadual de Segurança Pública foi uma das mais importantes comandadas por ele até hoje, ouço dizer.

A questão central: o ainda deputado federal pelo PMDB tem uma longa convivência política com personagens que são emblemáticos em Alagoas quando o tema é violência.

Como deve acontecer nessas situações, o que foi conversado de mais importante há de ficar mesmo entre as quatro paredes. E que o futuro governante faça bom uso do que ouviu.

Estou certo de que o promotor Alfredo Gaspar de Mendonça, coordenador do Gecoc, e o juiz Maurício Breda, presidente do Conselho Estadual de Segurança Público (Conseg) – também representado pelo advogado Antônio Carlos Gouveia-, não se furtaram a dizer o que pensam sobre os temas polêmicos abordados no encontro.

Quando tratamos da violência em Alagoas, a influência política é fundamental. Ainda preservamos a cultura dos “coronéis” com poder político, econômico e de fogo.

Durante o governo Vilela, é inegável, essa turma não viveu a liberdade de outros tempos, que não podem mais voltar. A Renan Filho há de caber um avanço ainda maior no tratamento do velho “crime organizado”.

Estou certo de que o futuro governador ouviu as preocupações dos seus convidados.

Se concorda com eles, mãos à obra.

Postado às 7:02, Ricardo Mota 9 comentários postado em Geral |
20/11/2014

O perigoso alerta do senador do PMDB

No calor do debate da CPI Mista do Congresso Nacional que investiga o escândalo da Petrobras, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) protestou contra a quebra dos sigilos bancário e fiscal do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, sem sucesso.

Mas deixou um alerta para os demais colegas:

- Vocês já pensaram no que pode acontecer se os tesoureiros de todos os partidos tiveram seus sigilos quebrados?

Eis uma medida que poderia resultar tão impactante quanto as próprias investigações da Lava Jato.

Hoje, sabe-se, a questão continua sendo de grande importância. Quem se disponibiliza a realizar esse trabalho gosta de viver perigosamente: tem o bônus, mas o ônus sempre fica na conta do risco – que quase nunca se consuma.

A caixa-preta dos partidos fica sob a guarda de alguém de muita confiança da cúpula da legenda, e o dinheiro que circula legalmente ou é distribuído de acordo com o tamanho do dirigente seguramente não corresponde ao cumprimento das regras do jogo legal.

Raupp, um dos parlamentares com mais procedimentos no STF, deveria estar sabendo exatamente o incômodo da sua “provocação”.

Postado às 11:46, Ricardo Mota 9 comentários postado em Geral |

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