Nide Lins
29/07/2015

Meu Sertão, melhor viagem de inverno

Navegar pelos cânions Rio São Francisco é uma terapia e no inverno fica mais bonito

Navegar pelos cânions Rio São Francisco é uma terapia e no inverno fica mais bonito

Restaurante Castanho na reserva preservada da caatinga em Delmiro Gouveia, o ponto de partida da felicidade

Restaurante Castanho faz parte da reserva ecológica da caatinga em Delmiro Gouveia

A estrada de barro é irregular, longa, parece um caminho sem fim. Mas, no infinito da caatinga – verde e florida, nesta época chuvosa – os majestosos cânions do Rio São Francisco dão o ar da graça. Simplesmente divino. Este é um dos caminhos que nos guia até o restaurante Ecológico Castanho, na cidade de Delmiro Gouveia, ponto de embarque para navegar pelo nosso Velho Chico.

Em 2012, viajei pelos cânions Rio São Francisco, embarcando na cidade de Olho D´Água do Casado, rumo ao mesmo destino: o Castanho. São 1.500 hectares de caatinga preservada e com três trilhas catalogadas.

Pela estrada de barro até o Restaurante Castanho o Rio São Francisco sempre aparece

Na estrada de barro a beleza dos cânions do  Velho Chico é revelada

Em 19 de julho de 2015, de volta ao restaurante, dessa vez pelo novo caminho da Rodovia AL-220. Quando você for lá, fique atento à placa do restaurante.  Todo percurso pela estrada de barro é bem sinalizado, e são necessários cerca de 30 minutos de chão batido. Porém, é compensador. O Sertão, no inverno, é de rara beleza.

No restaurante Castanho você pode fazer tudo: trilha, mergulhar no rio, descansar na rede, deitar nas camas, ou simplesmente apreciar o sertão saboreando caldinho de feijão, postas de tilápia… É com diz a canção de Zeca Pagodinho: “Deixa a vida me levar (vida leva eu!)/ Sou feliz e agradeço/ Por tudo que Deus me deu”.

Detalhe do jardim e do Velho Chico na cidade de Delmiro Gouveia

Detalhe do jardim  do restaurante Castanho e do Velho Chico na cidade de Delmiro Gouveia

Os cânions do São Francisco são uma benção, e o Menestrel das Alagoas (catamarã do restaurante) navega ao sabor do vento, seguindo o sol. Só falta uma rede, para seguir viagem e esperar as estrelas.

Minha surpresa foi testemunhar que os cânions estão valorizados pelos amantes dos esportes náuticos. E a cena mais bonita de se apreciar e aquele monte de gente, de todas as idades, praticando Stand Up‎ (pranchas), e nos caiaques, deslizando pelo Rio, entre as enormes formações rochosas esculpidas pela ação do tempo e das águas.

Amantes dos esportes náuticos navegam pelo Rio São Francisco

Amantes dos esportes náuticos navegam pelo Rio São Francisco

É lindo… mas quando penso que são 12 metros de profundidade prefiro curtir a Natureza a bordo do catamarã.

O restaurante Ecológico Castanho é um empreendimento familiar, que nasceu da paixão do alagoano Eliseu Gomes, o Leleu, pelo o Rio São Francisco. Este bom rapaz, como todo sertanejo, foi persistente. Ele transformou a caatinga num belo jardim do Sertão com restaurantes, trilhas e passeios.

Beleza: praticar stand Up nos cânions do Rio São Francisco

Beleza: praticar stand up entre os  cânions do Rio São Francisco

Quando voltar ao Castanho, e será em breve, minha trilha sonorosa já escolhi: “Minha vida é andar por este país/ Pra ver se um dia descanso feliz/ Guardando as recordações/ Das terras onde passei/ Andando pelos sertões/ E dos amigos que lá deixei…”

Cânions do Rio São Francisco, um dos lugares mais bonito do Sertão alagoano

Cânions do Rio São Francisco, um dos lugares mais bonito do Sertão alagoano

Siga a placa do Restaurante Castanho para curtir os cânions do Rio São Francisco

Siga a placa do Restaurante Castanho para curtir os cânions do Rio São Francisco

Siga a rota do Restaurante Castanho

Delmiro Gouveia, sertão alagoano, a 294,8 km de Maceió, via AL-220

Passeio R$ 100, por pessoa, com almoço incluso – Funciona todos os dias – Aceita cartão. Telefone: (82) 99959.1405 (whatsApp)  e 98855.1290

Restaurante funciona com sistema de buffet e a la carte

Café da manhã da Pousada Recanto da Mada em Delmiro Gouveia

Café da manhã da Pousada Recanto da Mada em Delmiro Gouveia

Pra ficar: Em Delmiro Gouveia, a Pousada  Recanto da Mada (às 7 horas, a mesa do café da manhã já está posta com todos os quitutes regionais com destaque para coalhada caseira e mungunzá). A pousada é simples, mas tem ótimos apartamentos para uma boa estada.

Museu da Pedra conta a história de Delmiro Gouveia

Museu da Pedra conta a história de Delmiro Gouveia

História – No ano de 1904, na Vila da Pedra, Sertão alagoano, apenas seis residências e nada mais. Neste mesmo ano chega o cearense Delmiro Gouveia, com seus sonhos, para escrever uma nova história em Alagoas. Seu grande legado foi construir a segunda hidrelétrica do Brasil. Para conhecer mais a trajetória do Delmiro visite o Museu da Pedra e a Usina Angiquinho, tombada como Patrimônio Histórico Estadual pelo IPHAN.

Caldinho de feijão, as boas vindas do restaurante Castanho

Caldinho de feijão, as boas vindas do restaurante Castanho

Passeio de barco pela Gruta do Talhado

Passeio de barco pela Gruta do Talhado

Tilápia frita é o manjar das carrancas (protetoras dos navegantes do São Francisco) do Castanho

Tilápia frita é o manjar  do Rio  São Francisco no restaurante Castanho

Catamarã Menestrel das Alagoas nos cânions do Velho Chico

Catamarã Menestrel das Alagoas nos cânions do Velho Chico

 

 

Postado às 9:49, Nide Lins 2 comentários postado em Meus Destinos, Turismo |
27/07/2015

Domingos de sabores

Torta de limão do chef Lucas Padilha, um das atrações da Panela do Chef, na praia da Ponta Verde

Torta de limão do chef Lucas Padilha, uma das atrações da Panela de Chef, na praia da Ponta Verde

Torta de limão tem o azedinho da fruta, o doce do leite condensado e a crocância da massa de trigo. Com açúcar e com afeto será uma das vertentes da Panela de Chef, evento de gastronomia de rua, ou melhor,  na praia da Ponta Verde, que estreia no dia 2 de agosto com preços que vão de R$ 5,00 até R$ 25,00. No espaço de comer e beber, outras estrelas prometem brilhar, como o da Cevada Pura, produção alagoana de cerveja especial, que por si só é um alimento. (Veja relação completa abaixo)

Na panela do chef Lucas Padilha, da La Marquesa, além da torta de limão, que tive o privilégio de saborear, nosso talento alagoano vai adoçar nosso paladar com brownie (torta de chocolate)   e  ainda tem o suspiro limeño, um doce peruano. Conheci Lucas nos bastidores da cozinha do Sur, onde o bom rapaz já tinha fama de bom confeiteiro, e de fato ele é o tal. Faz doces bem elaborados, daqueles que comemos com os olhos.

Suspiro limoleño, doce peruano para adoçar os domingos

Suspiro limeño, doce peruano para adoçar os domingos

Claro que, no meu oficio de blogueira, provei todas as sobremesas. E também escolhi o novo talento de doces, o Lucas, para indicar o evento Panela do Chef.

A torta de limão é de pedir bis. E confesso, é a melhor que comi até agora. O brownie de seis sabores também não deixa a desejar. Já o suspiro limeño é mais doce, porém de uma delicadeza e maciez que agrada. Esta receita não leva limão. Seus ingredientes são leite, gema e leite condensado. Leva horas no fogão para ser reduzido. Em seguida recebe uma base de suspiro, clara em ponto de neve misturada ao vinho do portoe açúcar. E para finalizar, polvilha canela, balanceando a doçura.

chef Lucas com mãe Elma e vó Cartola, suas inspirações

chef Lucas com mãe Elba e vó Carlota, suas inspirações

Lucas Padilha é formado em Gastronomia na escola peruana de confeitaria D´ Galla, mas sua base é família. A mãe Maria Elba e sua vó Carlota, duas damas da gastronomia peruana.  No ano passado, nosso chef alagoano trouxe o troféu Dólmã, e em 2015 foi embaixador alagoano, no mesmo prêmio de gastronomia e preparou ceviche de sururu (inclusive está devendo a receita), que agradou gregos e troianos. Chef Lucas aceita encomendas: 99189.8098

Veja mais gente que vai dar sabor na Panela de Chef

Imperdível: os tons ouro da Cevada Pura, cerveja alagoana e das boas

Imperdível: os tons ouro da Cevada Pura, cerveja alagoana e das boas

Chope especial – Quem ainda não provou os chopes da Cevada Pura, apesar da marca estar presente em dez restaurantes de Maceió, agora vai ter a oportunidade de beber o líquido precioso no evento Panela de Chef. Para quem não está habituado com o chope de trigo, de sabor mais apurado, a minha dica é iniciar pela versão pilsen, mais leve e suave. Outra dica: o chope Cevada Pura é fabricado em Alagoas e integra a lista das cervejas especiais; não é água, portanto aprecie como um bom vinho. E, claro, se beber não dirija.

Camarão no molho de queijo da chef Juliana

Camarão no molho de queijo da chef Juliana

Chef Juliana Almeida – Inspirada na memoria afetiva da família, a chef alagoana apostou no Camarão Gratin com queijo. Este também provei, e fiquei fã. Camarão na textura certa.

Acarajé alagoano da chef Silvana Chamusca

Acarajé alagoano da chef Silvana Chamusca

Vila Chamusca – O restaurante no Alto de Ipioca é especialista em frutos do mar, a chef Silvana Chamusca vai levar praia macarajé bolinho de macaxeira recheado de camarão e requeijão.

Hambúrguer artesanais do chef Deco

Hambúrguer artesanais do chef Deco

Chef Deco – The Black Beef são os famosos hambúrgeres do chef Deco são artesanais preparados com ingredientes de primeira qualidade e acompanhados de queijos especiais e outras iguarias. Nota 10.

Baião de dois, receita nordestina do chef Wanderson Medeiros. Foto Luiz Horacio

Baião de dois, receita nordestina do chef Wanderson Medeiros. Foto Luiz Horacio

Chef Wanderson Medeiros – Baião de Dois todo mundo conhece, mas sempre é possível deixar esse prato típico do Nordeste ainda mais saboroso, principalmente quando preparado pelo chef renomado Wanderson Medeiros.

Da argentina: os biscoitos alfajor recheado com caramelo e uma camada de chocolate por cima

Da argentina: os biscoitos alfajor recheado com caramelo e uma camada de chocolate por cima. Foto divulgação

Mais doce – Alfajor- PikNik é uma sobremesa feita basicamente com massa de biscoito recheado com caramelo e uma camada de chocolate por cima. O diferencial do alfajor feito pela PikNik é que ele não tem a acidez dos famosos alfajores da Argentina.

O tradicional açai. Foto divulgação

O tradicional açai. Foto divulgação

Amazônia –  AçaiConcept apresenta um diferencial do Açaí Conceptsão as coberturas e acompanhamentos que você pode escolher.

Costelinha suína ao molho barbecue com batatas coradas. Foto divulgação

Costelinha suína ao molho barbecue com batatas coradas. Foto divulgação

Steak Truck– O chef Rafael Gendiroba vai estar na feira gastronômica com o mais novo truck de Alagoas. Umas das delícias que serão servidas é a irresistível costelinha suína ao molho barbecue com batatas coradas.

Sururu das Alagoas– essa delícia é preparada pelas chefs Carol Calheiros e Simone Muniz da Casada Culinária.  Além do sururu, que é patrimônio imaterial de Alagoas, as chefs acrescentam um ingrediente especial que deixar a receita com uma leve crocância.

Rota Panela de chef
A partir de 2 Agosto, e fica em cartaz aos domingos
Horário: 11h às 18h
Local: Avenida Silvio Vianna, 3.221, Ponta Verde

Postado às 11:47, Nide Lins 2 comentários postado em Festival/ Curso, Gastronomia |
24/07/2015

Tilápia, sucesso em Água Branca

Na cidade histórica de Água Branca no restaurante Aconchego tem a melhor tilápia do Sertão

Na cidade histórica de Água Branca, no restaurante Aconchego tem a melhor tilápia do Sertão

Toda segunda-feira, logo cedo, Água Branca, cidade do Sertão alagoano, realiza sua tradicional feira. Farta também em cores, ali se vende de tudo, como chocalhos usados para bois de todos tamanhos, e até o colar de coco de Ouricuri, que lembrou a minha infância. Não resisti, comprei e coloquei a fieira de coquinhos no pescoço… claro, durou pouco, comi todos.

A cidade histórica é uma graça. No centro urbano estão a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a Igrejinha do Rosário, e um dos mais importantes cartões postais: o sobrado do Barão de Água Branca, Joaquim Antônio de Siqueira Torres, embora numa antecipação da força feminina, o casarão passou a história como a casa da Baronesa de Água Branca, basicamente por dois motivos: ela ter sido mais longeva que ele; e ela ter sido, na condição de idosa viúva, vítima do primeiro assalto de vulto realizado por Lampião. Pois, no ano de 1922, a residência recebeu a visita do Rei do Cangaço e o patrimônio pessoal da antiga nobre sertaneja foi aliviado de incontáveis joias e dinheiro.

Feira de Água Branca: colar de coco de Ouricuri lembrou a minha infância

Feira de Água Branca: colar de coco de Ouricuri lembrou a minha infância

Visitar a histórica de Água Branca tem seus encantos a qualquer tempo. Mas, no inverno, é melhor ainda. Fica tudo verde, florido, o clima esfria ao ponto de ofertar uma aconchegante neblina. Os sabores também fascinam e minha dica é o restaurante Aconchego, o melhor lugar para saborear frutos do mar em pleno Sertão. Com ênfase para tilápia (peixe do Rio São Francisco) empanada preparada no capricho pela simpática Aparecida Barros, a célebre Cida, neta da baronesa Joana Vieira Sandes, a viúva do Joaquim e primeira vítima famosa de Virgulino, como escrevi no parágrafo anterior.

“Compramos a tilápia aqui mesmo, em Água Branca, o produto é abundante. Já camarão e siri vêm de Maceió”, conta Aparecida, professora aposentada, também culinarista de mão cheia, especialistas em bolos e doces. Para ela, cozinhar é um ato de amor. De fato, por exemplo, a tilápia empanada é apaixonante. Casquinha crocante, peixe macio e suculento na medida certa.

Fritada de camarão com purê de batata feita no capricho pela Aparecida

Fritada de camarão com purê de batata feita no capricho pela Aparecida

Também merece aplausos o purê de batatas, bem fofo (na composição leva manteiga e um pouco de leite natural – produzidos nas pequenas propriedades rurais da região). Divino, como se fazia antigamente.

As fritadas são estrelas do Aconchego e a de siri é a mais pedida. Provei a de camarão. Na receita, além de bater os ovos em ponto de neve, Cida adiciona um pouco de farinha de trigo, lembrando uma torta salgada.

Casquinha de siri, uma das especialidades do restaurante Aconchego

Casquinha de siri, uma das especialidades do restaurante Aconchego

A casquinha de siri é muito elogiada. Oriunda do município de Marechal Deodoro, a carne do crustáceo é misturada com legumes e leva um pouco de tempero caseiro. A receita também segue a tradição alagoana, recebendo uma leve camada de ovos batidos sobre a mistura.

A Cida é nascida e criada em fazenda. Sempre gostou de cozinhar e, em busca de sua independência, aos 12 anos já fazia bolos para vender na porta de casa às segundas-feiras, o dia da feira da cidade. Além de professora, cursou arte culinária e aperfeiçoou o talento.

Aparecida e suas rosas do jardim de sua casa, onde funciona o restaurante

Aparecida e suas rosas do jardim de sua casa, onde funciona o restaurante

Valdinez Felix, o Val, é marido de Cida e parceiro responsável pelas compras do restaurante e pela administração do empreendimento. Mas o maceioense jura de pés juntos que, como filho de índios, foi ele quem ensinou a ela as receitas dos pescados. Perguntei a Cida se a informação procedia, e ela apenas sorriu. O casal, hoje aposentado de suas profissões iniciais, estendeu para a cozinha uma enorme dose de felicidade e harmonia que, graças ao Aconchego, compartilha com a gente.

Cida e Valdinez, só tenho a agradecer a vocês, e da próxima vez vou provar o carneiro!

Rota Aconchego

Preço: de R$30,00 até  80,00 (pratos para duas pessoas) aceita cartão

Funciona de terça a quinta  das 10 até as 1oh30 as 15h30e das 18h30 até as 22h / domingo até as 16h / Segunda-feira sob consulta

Rua Cônego Nicodemos, 7 – Centro de Água Branca  (próximo a Igreja do Rosário) – telefone: (82) 3644.1237

Segunda-feira, dia de feira em Água Branca, e detalhe da Casa da Baronesa (amarela com janelas azuis)

Segunda-feira, dia de feira em Água Branca, e detalhe da Casa da Baronesa (amarela com janelas azuis)

O casal Aparecida e Val, sucesso nos negócios e no amor

O casal Aparecida e Val, sucesso nos negócios e no amor

 

 

Postado às 11:06, Nide Lins 5 comentários postado em Cozinha Popular, Gastronomia |
22/07/2015

Meu favorito Passaporte Gaúcho

42 anos de sucesso: passaporte de carne moída, batata, verduras, linguiça e maionese caseira do Passaporte Gaúcho

Sucesso: passaporte de carne moída, batata, verduras, linguiça e maionese caseira do Passaporte Gaúcho

Nos anos 70 a praia da Avenida era o “point” da juventude dourada – bronzeada, melhor dizendo – e das badaladas festas do Clube Fênix. Nesse cenário maceioense, em 1973, aterrissou num ponto da calçada da Avenida da Paz um trailer identificado Passaporte Gaúcho (o termo food truck não estava na moda). Iniciava seus trabalhos ao por do sol oferecendo três opções de sanduíches: minuano, passburger, passaporte de salsicha (depois recebeu carne moída com batata) – todos abraçados por um suave pão seda. Por trás do balcão, apenas um casal, vindo da cidade gaúcha de Bom Retiro Sul. Milton e Laci Braun produziam e vendiam os sanduíches e logo conquistaram os alagoanos pela boca. Virou moda.

Depois de 42 anos de saboroso trabalho, o Passaporte Gaúcho continua em voga. Atualmente oferta 25 sabores, e – segundo as pesquisas da casa – o favorito é o de carne moída com batatas, salsicha e legumes. Mas há a turma apaixonada outras opções. Eu, por exemplo, sou fã de dois:  passaporte de frango desfiado com ervilha, queijo; e o passburger  com bife, presunto, queijo prato, tomate, alface, queijo ralado. Ambos servidos no tradicional pão seda e regados com muita maionese, uma receita caseira de dona Laci.

Paixão: passburger  com bife, presunto, queijo prato, tomate, alface, queijo ralado

Paixão: passburger com bife, presunto, queijo prato, tomate, alface, queijo ralado

Qual razão do sucesso? Empreendedorismo, pioneirismo, qualidade e persistência. Milton e Laci chegaram em Maceió no ano de 1971 (trazendo, a tiracolo, a pequena Cris Braun) movidos pelo sonho de montar uma fabrica de  embutidos. Frente às dificuldades de viabilizar o projeto original, Seu Milton, ex-açougueiro, teve a brilhante ideia de vender sanduíches num trailer, moda que já existia no Rio Grande do Sul.

No começo não foi fácil, a salsicha não era encontrada no mercado e tinha de ser importada de outras praças. Como a tradição alagoana era do sanduíche de carne moída com batata inglesa (nas festas de rua, como da Praça da Faculdade, a mistura era servida sobre uma rodela de pão francês) a inovação principal ficou por conta do acréscimo do embutido, sem contar com a afirmação do pão seda. A receita mantem-se como celebridade até hoje e durante essas décadas inspirou muitos outros mestres-sanduicheiros.

Passaporte misto de frango com salsicha e as famosas maioneses caseira

Passaporte misto de frango com salsicha e as famosas maioneses receita de Laci Braun

Todas estas lembranças estão bem guardadas pela filha do casal, Cris Braun, cantora e compositora de enorme talento. “Minha mãe herdou o talento da minha vó Juventida para cozinhar. Todos os temperos e molhos são criações dela. A receita do frango é de família, e ela faz tudo no capricho”, lembrando que o sobrenome Braun é de origem alemã.

No passaporte de frango, um dos favoritos (como dito antes), a ave é cozida bem devagar com legumes, e um dos segredos do tempero é a salsa. Depois é desfiada e mantém textura macia, não é seca e nem molhada. Já a carne de boi usada nos sanduíches é exclusivamente alcatra. A receita da maionese caseira é a de sempre: óleo, ovo… o diferencial é o ponto certo no liquidificador.

Exagerado: queijo, hambúrguer, ovo,

Exagerado: bacon, presunto, queijo Prato, ovo, tomate, alface, maionese e dois hamburgeres

Do trailer na calçada da Avenida da Paz para a atual casa de sanduíches na Praça do Centenário, no bairro do Farol, o  Passaporte Gaúcho é  lugar sagrado dos amigos, da família, dos solitários, dos turistas – é nosso, patrimônio da culinária alagoana.

Por falar nisso: Qual a sua história e seu sabor predileto no Passaporte Gaúcho?

Reprodução da foto do passaporte Gaúcho na Praia da Avenida

Reprodução da foto do passaporte Gaúcho na Praia da Avenida

Rota Passaporte Gaúcho

Preços de R$11 até 16,00 – Aceita cartão e entrega em casa

Funciona das 18h  até meia noite de domingo a quinta/ sexta e sábado até 3 da manhã

Avenida Santa Rita, Farol (Praça do Centenário) – Telefone: 3336-6147

 

Postado às 10:46, Nide Lins 24 comentários postado em Gastronomia, Lanche |
20/07/2015

Caldo de mocotó e da felicidade

Caldo de Mocotó, uma tradição de 36 anos em Olho D' Água do Casado

Caldo de Mocotó, uma tradição de 36 anos em Olho D’ Água do Casado

Na movimentada AL 220, ligando os municípios de Delmiro Gouveia e Olho D’Água do Casado, o pequeno empreendimento, ululantemente batizado de Caldo de Mocotó, é parada obrigatória. Ali se saboreia, ao longo de 36 anos,  uma receita simples e de sucesso líquido e certo. Além do caldinho, a casa disponibiliza cachaças preparadas com cascas das árvores da região e, de quebra, um bom café forte.

Aviso aos viajantes: não é um simples caldinho de mocotó, é o melhor de Alagoas. Existe um ritual para beber o caldo preparado, com esmero, por Dona Maria Aparecida Maciel. No balcão, quem ensina o passo a passo do modo de saborear o dito cujo, é o esposo da Maria, Antônio Silva. Primeiro ele entrega um ovo cozido e pede para o cliente descascar e, em seguida, o esmagar com o auxilio da colher no pequeno prato fundo de alumínio; finalmente é adicionado o caldo bem aquecido, resultando num um creme substancioso, capaz, como dizem, de levantar “até defunto”.

Ovo cozido faz a diferença do caldinho de Mocotó de Maria

Ovo cozido faz a diferença do caldinho de Mocotó de Maria Aparecida

Fiquei mais feliz porque o produto não é gorduroso e nem tem o aroma do fato. Para preparar a média de 12 litros por dia, o mocotó (pé de boi) é lavado, escaldado e depois cozido apenas na água. O osso e o tutano (gordura) são descartados. Fica apenas a cartilagem que é triturada e cozida com tomate, cebola, pimentão, alho, coentro, pimenta, batata inglesa e cenoura. Todos os ingredientes seguem de novo para o  liquidificador até virar um senhor Caldo de Mocotó encorpado e bem temperado.

Como o ovo machucado foi parar na fórmula? Antônio Silva explica. No primeiro endereço do boteco, em Olho D´ Água do Casado, o pão francês integrava o cardápio do caldo, mas quando mudaram para rodovia, como não existe padaria por perto, algo foi necessário para substituir esse componente. Assim, o ovo adicionou um novo capitulo na história daquele precioso líquido no Sertão. Detalhe: os fregueses mais antigos, saudosos, trazem o pão para manter a tradição.

Resultado: caldo de mocotó com  ovo machucado, dizem que levanta até defunto

Resultado: caldo de mocotó com ovo machucado, dizem que levanta até defunto

Detalhe: o caldo é R$ 3,00, e cada ovo custa R$ 1,00.

Enquanto entrevistava Antônio e Maria Aparecida, foram chegando os fiéis clientes, e alguns pediram: “Bota uma misturada”, ao que seu Antônio retrucou: é a batizada ou arrebenta a calçada? Em seguida colocou o tipo escolhido nos copos. Aí fui entender os significados desses conceitos, referentes às diferentes espécies de ervas e lascas de árvores usadas para curtir a cachaça. Aromáticas e fortes, de fato, “quebram paredes”.

Antônio e Maria Aparecida dedicação na fabricação do caldo de mocotó

Antônio e Maria Aparecida dedicação na fabricação do caldo de mocotó

História

Antônio Silva é aposentado, depois de trabalhar como caminhoneiro durante décadas. Transportava cavalos de corrida de São Paulo para várias cidades brasileiras. Ele não tem saudades das estradas, e, agora com 67 anos, curte a vida ao lado de sua amada Maria Aparecida (63 anos) e sua prole de seis filhos, doze netos e dois bisnetos. “Domingo e Carnaval não abríamos, é dia de viver com família”, diz o simpático casal.

O caldo, na realidade um creme de mocotó com legumes, recebeu elogios do chef André Generoso (Divina Gula) em sua viagem recente na cidade de Piranhas. Esse Caldo de Mocotó, sem dúvida, um momento de felicidade ao paladar e mais um cartão postal gastronômico do Sertão Alagoano.

“Bota uma misturada”, ao que seu Antônio retrucou: é a batizada ou arrebenta a calçada? Em seguida colocou o tipo escolhido nos copos. Aí fui entender os significados desses conceitos, referentes às diferentes espécies de ervas e lascas de árvores usadas para curtir a cachaça. Aromáticas e fortes, de fato, “quebram paredes”.

“Bota uma misturada” é cachaça misturada com cascas de árvores

Rota Caldo do Mocotó

Preço do caldo- R$3,00 / Ovo R$ 1,00 – Não aceita cartão

AL 220, ligando os municípios de Delmiro Gouveia e Olho D’Água do Casado

Funciona de terça a sábado, das 5 até 17horas

Telefone: 98893.1388

Postado às 8:42, Nide Lins seja o primeiro a comentar! postado em Cozinha Popular, Gastronomia |
17/07/2015

Dicas de prato comercial, bom e barato

Prato comercial do restaurante do Duda. Bife de panela com batata, arroz, salada e feijão caseiro. Maravilha

Prato comercial do restaurante do Duda. Bife de panela com batata, arroz, salada e feijão caseiro. Maravilha

Nesta semana indiquei o carneiro do Duda, o principal astro da gastronomia popular alagoana. Contudo, não provei o prato comercial do restaurante, porque não tinha mais espaço no estômago, então retornei  na quinta-feira para provar o Prato Comercial, também conhecido Prato Feito (PF) por R$ 12,00. Bom e barato, servido numa bandeja de alumínio com três divisões, uma pra o arroz, outra com salada (alface, tomate e cebola) e uma terceira porção de bife de panela com caldinho da própria carne, batatas inglesas e uma porção separada de feijão caseiro. Maravilha, sabor caseiro, tempero na medida certa. Restaurante do Duda tem 37 anos e o tempero da Marinaura é de mãe, com amor. Imperdível. Vem nas versões guisado de boi, peixe e galinha.

Rota Restaurante do Duda: Rua José Luiz Calazans 177 – Jatiuca – (Próximo ao hotel Marinas) – Telefone: (82) 3231-0877

Detalhe do feijão caseiro do restaurante do Duda

Detalhe do feijão caseiro do restaurante do Duda

Veja outras dicas já publicadas no blog

Aprovado: picanha de charque na versão Prato Feito (PF)  no Bar do Suruagy

Aprovado: picanha de charque na versão Prato Feito (PF) no Bar do Suruagy

Charque – Há 29 anos a comida do Bar do Suruagy continua em alta. Como sou fã da fava com arroz e carne, apostei no Prato Feito (PF) de picanha de charque. Digna de elogios, a carne é macia, super fácil na hora de cortar, sal na medida e vem escoltada por fava, arroz e salada. O preço: R$ 13,00. Se pedir o comercial, dá bem para duas pessoas. Preço do PF: R$ 13,00 (individual) e se escolher a versão comercial custa R$ 22,00, suficiente para duas pessoas.

Rota Bar do Suruagy – Via Expressa, na Serraria, próximo ao Eco Park. Telefone: 82 99313.5421

Galinha ao molho pardo para duas pessoas no bar da Gil custa R$ 22,00

Galinha ao molho pardo para duas pessoas no bar da Gil custa R$ 22,00

Galinha – Com 35 anos de boa comida, a Gilzete Alves de Lima, a famosa Gil, com o auxílio luxuoso do filho Jamerson, comanda o empreendimento da gastronomia popular alagoana. Tudo da Gil eu gosto. Já provei arrumadinho, os pratos feitos (pratos executivos), fígado, bisteca de porco, picanha, recentemente saboreei galinha ao molho pardo, e claro, muito boa. Aprovadíssima.

Na Gil o prato comercial custa R$ 13,00, mas se pedir uma galinha ao molho pardo para duas pessoas, fica por  R$ 22,00.

Rota do Bar da Gil: Avenida 26 de abril, 268 – Poço – Informações: 3223.4150

 

 

 

 

Postado às 10:46, Nide Lins 2 comentários postado em Cozinha Popular, Gastronomia |
15/07/2015

Carneiro é o tal no Duda

Carneiro guisado do Duda, 37 anos de tradição saborosa na Jatiúca

Carneiro guisado do Duda, 37 anos de tradição saborosa na Jatiúca

Desde 1978 o carneiro guisado do Duda é o tal, não perde a majestade, sempre primoroso e cada vez melhor. Carne macia, desfiando fácil do osso, molho espesso, batatas inglesas e tempero nordestino preparado pela Marinaura Pimentel Ataíde de Oliveira, comandado a cozinha aos 77 anos como se fosse uma garota.

No carneiro, o segredo da Marinaura é a hortelã da folha grande e pimenta do reino, e a essência da carne. “Só trabalho com a parte do coxão”, reforça Duda. Para acompanhar feijão caseiro (sou fã) ou tropeiro, arroz e farofinha.

Folhas de hortelã e pimenta de cheiro, dois segredinhos do carneiro guisado

Folhas de hortelã e pimenta de cheiro, dois segredinhos do carneiro guisado

Na fachada do modesto empreendimento tem uma faixa: “aluga-se”. Fiquei preocupada com a perspectiva do fim do carneiro mais famoso da cidade; mas Duda disse logo: “Fechar nunca, meu sonho é retornar para o Centro, com um restaurante menor. Quero curtir os sábados à tarde e os domingos na minha casinha de praia em Barra de Santo Antônio” e confessa que agora só tem a terça-feira como dia de lazer para bebericar cerveja com sua amada.

Com 78 anos, bem vividos, ele nem reclama na idade, e faz pessoalmente as compras no Mercado Público, atento à tradicional qualidade dos produtos ali comercializados.

Feijoada é segundo prato mais querido pelos fãs do Duda

Feijoada é segundo prato mais querido pelos fãs do Duda

No restaurante do Duda tem feijoada, carne-de-sol, galinha, dobradinha e outros itens. A feijoada é o segundo item mais queridos da freguesia do restaurante. Também não deixe de provar os doces caseiros, aqueles de mãe, a exemplo das bananas em rodelas numa calda grossa.

Doce de banana em rodelas feito pela Marinauva. Meu predileto

Doce de banana em rodelas feito pela Marinauva. Meu predileto

História

Duda e Marinaura começaram no Centro de Maceió, na esquina Rua Cincinato Pinto com a Rua Augusta (a única com árvores frondosas em toda cidade), no térreo de um prédio de três andares no qual se abrigava a famosa pensão familiar Mona Lisa. Desde o início, servia a culinária regional, como caldinho de mocotó, buchada e sarapatel.

“Quando a gente chegou, os nossos vizinhos eram policiais do primeiro distrito, e teve gente que nos avisou: ‘Vocês não vão dar certo, ninguém paga’. Mas era só fofoca, todos sempre pagaram religiosamente as despesas e são meus clientes e amigos até hoje”, recorda Duda. Assim, lá se vão 37 anos entre o endereço do Centro e o da Jatiúca.

Duda e Marinaura completaram 50 anos de casados, e o casal continua com o lindo sorriso estampado nos rostos

Duda e Marinaura completaram 50 anos de casados, e o casal continua com o lindo sorriso estampado nos rostos

Seu Duda já fez de tudo, foi vendedor de miudezas na rua, operário e ajudante de fotógrafo no governo de Silvestre Péricles, aposentando-se como comerciário. Já dona Marinaura trabalhou como enfermeira; juntos, comercializaram no mercadão central. Eles resolveram investir no bar quando a banca do mercado, onde vendiam cereais, não deu mais certo.

“O nosso único bem era um carro Brasília, que vendemos para abrir o bar. O bar é o meu negócio, e os nossos dois filhos já estão formados. Não tenho do que reclamar, só recebo elogios da nossa comida”, diz o boa praça Duda.

O bar do Duda no Centro recebia clientes de todos os perfis, direita e esquerda, advogados, médicos e foi reduto predileto dos jornalistas dos extintos Jornal de Alagoas e Jornal de Hoje.

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Rota  RESTAURANTE DO DUDA

Preço do prato comercial – R$ 12,00/ Carneiro pequeno – R$44,00 (come bem duas pessoas)

R José Luiz Calazans 177 – Jatiuca – (Próximo ao hotel Marinas) – Telefone: (82) 3231-0877

Funciona de quarta a segunda, das 10 até 22horas. Fecha na terça-feira

Aceita cartão

 

 

Postado às 10:55, Nide Lins seja o primeiro a comentar! postado em Cozinha Popular, Gastronomia |
14/07/2015

Eisbein: a tradição alemã do joelho de porco

Joelho de porco defumado, uma tradição alemã em Maceió

Joelho de porco defumado, uma tradição alemã em Maceió

No ano passado, Cleverson Quadros, do hotel Radisson, me indicou o restaurante Fleischer Gourmet – uma casa alemã, com certeza. Porém, no dia que visitei o empreendimento o prato “mais clássico”, Eisbein, infelizmente, tinha acabado. Claro, uma coisa e outra, acabei não retornando logo para provar a receita típica e apenas no mês de junho pude finalmente saborear o joelho de porco com chucrute (repolho).

Pois bem, o joelho de porco de 500 gramas (ou de 1,2 kg) vem de Minas Gerais. No restaurante da chef Cristina, é temperado com sal, pimenta do reino e outros condimentos (segredo da casa) e descansa 24 horas no freezer; depois recebe mais tempero para ser defumado.  Não conhecia ainda o eisbein com sabor geräuchert: a carne fica um pouco seca e bem temperada.

Deliciosas coxinhas recheadas com presuntos preparada pela chef  Maria Cristina

Deliciosas coxinhas recheadas com presuntos preparada pela chef Maria Cristina

Portanto, o eisbein da Chef Cristina é uma tradição especialmente apetitosa para quem gosta de sabor defumado. Para acompanhar a tradição teutônica, batatas com alecrim e chucrute. O repolho é cozido com vinho e vinagre branco, garantido um azedinho especial. Temperado com pimenta do reino, bacon, noz moscada… e outros segredos, lógico.

Também provei as coxinhas desossadas com recheios de frios. De casquinha bem crocante, são ótimas! Mais uma receita de sucesso de Maria Cristina. Para descer junto com o petisco, o simpático Marcio Miranda, esposo de Cristina, indicou a cerveja de trigo König Ludwig Weißbier. Segundo ele, criada por um rei alemão louco.

Cerveja de trigo alemã, sempre bem vinda

Cerveja de trigo alemã, sempre bem vinda

Fleischer Gourmet continua nas paradas de sucesso, que o diga as linguiças e presuntos preparados cuidadosamente pelo Igor, filho do casal Cristina e Marcio. Esses produtos germânicos também estão a venda na speise hause.

Para saber mais sobre o restaurante da família que adotou Maceió para viver e empreender visite, no link abaixo, a primeira postagem (http://blog.tnh1.ne10.uol.com.br/nidelins/2014/11/21/sabor-alemao-na-pajucara-e-dos-bons/)

Rota Fleischer Gourmet (restaurante Alemão)

Preços dos pratos principais – a partir de R$ 18,00 com dois acompanhamentos – Entradas – a partir de R$ 8,00 – No restaurante são comercializados 19 produtos. Aceita cartão

Horários: Quartas e quintas das 12 as 15h e das 17h30 as 22h00/ Sextas e sábados das 12 as 16h e das 18 as 23h e nos domingos das 12 as 16 horas

Rua Jangadeiros Alagoanos, 969, Pajuçara (próximo a farmácia Ana Paula) – Telefone: 3022.5035

 

Postado às 9:56, Nide Lins 3 comentários postado em Chef na Cozinha, Gastronomia |
13/07/2015

Bolinhos de macaxeira do Beto

Os bolinhos do Beto parece uma acarajé, mais  é de macaxeira com vários recheios

Os bolinhos do Beto parece uma acarajé, mais é de macaxeira com vários recheios

“Aceito bolsa família, cartão de crédito, vale gás, cartão do SUS…” diz o brincalhão Humberto Pituba, dono do restaurante do Beto Pituba, quando pergunto sobre formas de pagamento.

O modesto empreendimento, na Ilha da Crôa (Barra de Santo Antônio), litoral Norte de Alagoas, é famoso pelos bolinhos de  macaxeira com recheios de camarão, charque, lagosta, queijo… Há dez anos o alagoano faz o quitute que lembra acarajé, porém com massa da macaxeira e sem azeite dendê.

Bolinho de macaxeira com charque. Nota 10

Bolinho de macaxeira com charque. Nota 10

A receita é macaxeira cozida, parmesão e manteiga. Depois faz os bolinhos (que não são pequenos) passa na farinha de trigo para ser frito, e por último recebe o recheio. Provei o de camarão ao leite de coco e de charque desfiados. Ótimo. Vêm com casquinha crocante e macia por dentro, e recheio bem temperado. Ninguém consegue comer um só.

Na alta temporada são consumidos 50 quilos da raiz. Além dos bolinhos, o pirão de peixada em vez da farinha da mandioca recebe a macaxeira (cozida) batida no liquidificador com o caldo do peixe, virando um creme saboroso. A peixada leva legumes e pimenta de cheiro para dar o aroma.

Peixada

Peixada ao molho de coco e pirão de macaxeira, mais que perfeito no restaurante do Beto

Os peixes do Beto são nobres: cioba, arabaiana, cavala, dourada… todos chegam do mar e vão direto para a cozinha. Tudo muito prático, afinal, o restaurante é vizinho da colônia dos pescadores.

O restaurante Beto Pituba oferece um cardápio extenso, cozinha boa, lugar simples, e decorado com estilo do dono. O humor é o item principal do cardápio. Lá tudo tem seguro. Quebrou um copo, ele avisa: “Tá no seguro”. Se o vento leva um copo plástico, também está no seguro.

O modesto restaurante do Pituba na Ilha da Crôa

O modesto restaurante do Pituba na Ilha da Crôa

Com 25 anos no mercado, o restaurante também agrada aos visitantes.  “Os turistas amam”, diz Beto que recebe ilustres visitantes que fazem o passeio de lancha (Mar & Companhia) até a praia de Carro Quebrado. Numas dessas conversas descobri que os bolinhos são tradição de Barra de Santo Antônio, e no saudoso restaurante Ilha do Sol, em 1995, a gaúcha Luiza Turatti, incrementou a receita com molho de camarão. E assim a receita se espalhou pela Ilha da Crôa.

Os bolinhos do Beto são bem feitos e saborosos.

Beto é o chef do seu próprio restaurante na Ilha da Crôa

Beto é o chef do seu próprio restaurante na Ilha da Crôa

A música não me agradou, “estilo Pablo”, mas como a barraca é na praia e a comida é boa, dá pra aguentar, ou então, pede para mudar de estação. A peixada e os bolinhos recomendo, e o humor do Beto rende boas gargalhadas.

Bolinho de macaxeira com camarão

Bolinho de macaxeira com camarão

Rota Restaurante Beto Pituba

Bolinhos – R$ 5,00 (cada). As peixadas vão de R$ 35,00 até R$ 140,00 (pra 4 pessoas)

Aceita cartão

Funciona todos os dias das 8 até as 17 horas (tem café da manhã)

Rua João da Silva Moraes, 778 – Iha da Crôa – Barra de Santo Antônio (litoral Norte de Alagoas) / Telefone: 99127.8793

 

Postado às 10:42, Nide Lins 1 comentário postado em Chef na Cozinha, Gastronomia |
10/07/2015

Tudo acaba em Pizza

Pizza da Fornaria. No dia da pizza pedindo em casa, tamanho grande e qualquer sabor custa R$40,00

Pizza da Fornaria. No dia da pizza pedindo em casa no tamanho grande e qualquer sabor custa R$40,00

O húngaro Vilmos Vajas foi a primeiro empreendedor da pizzaria Sorriso, lá nos idos 60 era única, e comer lá era uma tradição. Hoje a pizzaria continua no Farol sob a direção do sergipano José Freitas Filho. Mas atualmente em Maceió tudo acaba em pizza, mas no bom sentido, claro, com muitas casas espalhadas pelos bairros, e cada um elege sua pizzaria do coração.

A saborosa pizza virou jargão para corrupção no Brasil, tudo de ruim acaba em pizza, ou seja, não deu em nada. Este patrimônio gastronômico tão popular no mundo não merecia esta simbologia. Pois bem, 10 de julho é dia da pizza, por mim seria todo dia, sou fã de carteirinha da massa que, em pleno século 21, surge em vários formados, redonda e quadrada e para todos os gostos.

Veja as dicas já publicadas no blog, e algumas estão em promoção para festejar o dia da pizza que dizem que começou com os egípcios, eles foram os primeiros a misturar farinha com água. Outros afirmam que os pioneiros são os gregos, que faziam massas à base de farinha de trigo, arroz ou grão-de-bico e as assavam em tijolos quentes. A novidade foi parar na Etrúria, na Itália, o grande berço da iguaria. Por lá a tradição é comer uma pizza por pessoa.

6 - Na Santoregano continuo fã da pizza fresca picante, que levou para casa o prêmio da Copa Brasileira de Pizzarias, como a 7ª melhor pizzaria do Brasil. A receita é leve e super saborosa:mussarela, rúcula, berinjela marinada no aliche, pimentões coloridos, cebola, alho, pimenta e lascas de parmesão. Santoregano - Rodovia AL 101 Norte, 56Riacho Doce, Telefone: 3355-1222

Na Santoregano continuo fã da pizza fresca picante

Na Santoregano, continuo fã da pizza fresca picante, mas o bom é a promoção de 15% em qualquer pizza da casa que funciona em Riacho Doce (litoral Norte de Maceió) e no Mirante Farol. A receita da fresca picante é leve e super saborosa: mussarela, rúcula, berinjela marinada no aliche, pimentões coloridos, cebola, alho, pimenta e lascas de parmesão. Santoregano: 3355-1222.

Familia Gama reúne história e tradição da pizzaria em Maceió. Tudo começou com a Super Pizza

Familia Gama reúne história e tradição da pizzaria em Maceió. Tudo começou com a Super Pizza

O tradicional Armazém Guimarães revolucionou o mercado com as bordas recheadas, uma das queridas dos alagoanos e dos pernambucanos também. A família Gama tem sede lá e sempre ganha prêmio da Melhor Pizza da cidade. Para festejar o dia qualquer sabor de pizza vai custar o mesmo valor da pizza de mussarela. Armazém Guimarães: (82)3325-4545.

5 - A pizzaria Margheritta é bem charmosa, com adega de vinhos, e oferece 70 sabores para agradar ao paladar de todos. O destaque vai para Margheritta, que na sua receita usa os ingredientes que remetem à bandeira da Itália: branco representado pela mozarela, verde pelo manjericão e vermelho pelo tomate.  Margheritta -Av Professor Sandoval Arroxelas, 700 - Ponta Verde – Telefone: 3325-8008

A pizzaria Margheritta é bem charmosa, com adega de vinhos, agora tem a sem lactose

A Pizzaria Margheritta inovou com a pizza sem lactose. Na compra uma pizza grande de qualquer sabor, ganha uma pequena de chocolate O destaque vai para Margheritta, que na sua receita usa os ingredientes que remetem à bandeira da Itália: branco representado pela mozarela, verde pelo manjericão e vermelho pelo tomate. Pizzaria Margheritta. Telefone: (82)3325-8008

Boss Traditional : pizza para vegetarianos

Boss Traditional : pizza para vegetarianos

Pizza vegetariana com molho de tomate, brócolis, milho, mussarela, tomate, cebola, e orégano. A criação é da Boss Traditional Pizza.(82)3325-2222

2 - A novidade deste ano é a Pizzaria Sabatelli, que fez sua estreia na Ponta Verde. Ainda tem o chope de trigo alagoano,Cevada Pura, mais um bom motivo para ir a Sabatelli. Sabatelli - Rua Desportista Humberto Guimarães, 882, Ponta Verde. Telefone: 3317.1325

Pizza da Sabatelli com o chope Cevada Pura

Na Pizzaria Sabatelli amo a pizza branca com gorgonzola. Como sempre, continua perfeita e combina com chope de trigo fabricado em Alagoas. Que felicidade, a bebida encorpada com cor de mel, sabor forte e um leve amargor ao final. Sabatelli – Telefone: 3317.1325

7 - Na rodovia AL 101 Norte, a pizza é das boas e adorei a pizza de brócolis especial (queijo gorgonzola, mussarela, brócolis refogado no alho com azeite e tomate seco). Pizza a Lenha - funciona de terça a domingo, das 18 até as 23h. Telefone: 3293. 2222 - Paripueira - Aceita cartão

Pizza a Lenha, 7 – Na rodovia AL 101 Norte. Destaque para de brócolis especial

Na rodovia AL 101 Norte, Pizza a Lenha tem promoção em Paripueira. Na compra de uma grande ganha um litro de refrigerante. Adorei a pizza de brócolis especial (queijo gorgonzola, mussarela, brócolis refogado no alho com azeite e tomate seco). Pizza a Lenha -Paripueira – (82) 3293. 2222 – Paripueira

Fornaria: pizza em casa fica por R$40,00 qualquer sabor tamanho grande

Fornaria: pizza em casa fica por R$40,00 qualquer sabor tamanho grande

Em Maceió a Fornaria, também uma das minhas queridas, abre todo dia. nos finais de semana, Barra de São Miguel tem a Fornaria, com ótimas pizzas batizadas com nomes das praias e de bairros alagoanos. Pizza da Fornaria. No dia da pizza pedindo em casa no tamanho grande e qualquer sabor custa R$40,00.  Fornaria – (82) 3327-8844

9– As pizzas da Del Popollo eujá conhecia do tempo de jornalista da Tribuna de Alagoas, e até hoje sou fã e gosto da brócolis com tomate seco e a outra metade de pepperoni. O legal é que na Del Popollo os fãs da casa de massa têm direito a escolher quatro sabores. Aplausos, porque normalmente são dois. Considero quatro sabores uma farra, e das boas. Rota Del Popollo -Rua Cândido Gomes de Melo, 100 – Serraria - Aceita cartão - Telefone: 3241-0309

Del Popollo, uma das mais tradicionais na parte alta da cidade

Das pizzas da Del Popollo gosto da brócolis com tomate seco e a outra metade de pepperoni. O legal é que na Del Popollo os fãs  de massa têm direito a escolher quatro sabores. Aplausos, porque normalmente são dois. Telefone: 3241-0309

Postado às 12:24, Nide Lins 1 comentário postado em Geral |

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