Nide Lins
02/09/2015

Camarão de Marechal, campeão de agosto

Camarão de água doce, cozido no limão e sal é sucesso do Bar 20 V é o campeão de acesso de agosto

Camarão de água doce, cozido no limão e sal é sucesso do Bar 20 V é o campeão de acesso de agosto

O modesto empreendimento, localizado na cidade histórica de Marechal Deodoro, batizado Bar 20 V, liderou os nossos acessos do mês de agosto, com 2.079 visualizações. Uma das estrelas do lugar são os camarões de água doce. O bar, com 25 anos, só tem um garçom nos finais de semana, mas a comida é um primor. Em segundo lugar,  com 1.840, ficou  o charque na brasa do Bar Gelada ou Natural. A tradicional feijoada do Chico, com 1.794 levou o terceiro lugar.

Em agosto a gastronomia popular alagoana é a grande vencedora.

Tradição alagoana: peixe carapeba

Tradição alagoana: peixe carapeba

Bar 20 V

Bela da tarde, mesma, é lagoa Manguaba. Prateada, ondulante, salpicada por alguns barquinhos… uma graça. Lá, numa margem, um singelo bar com as cadeiras recolhidas. Mas meu amigo Ovido Gurgel, que conhece a cidade de Marechal Deodoro na palma da mão, soprou: “Ali tem o melhor camarão”. Poderia ter respondido, como diz o proverbio popular: “Não cutuque a onça com vara curta”.  Nem estava com fome, porém, na minha missão de blogueira, fui conferir a fama alardeada.Entrei no Bar 20 V, nome peculiar, e perguntei aos donos da casa, Izaias Ferreira (conhecido como Capão) e sua esposa Dislene Farias, se tinham o camarão e qual o tipo? Ela respondeu: “Tem de água doce e com casca”. Nem acreditei, achei que era barba roxa de cativeiro tão popular nos bares e restaurantes. Lá é muito bom o peixe carapeba e asinha de frango.

Bar 20 V – Funciona todos os dias das 10h até as 18h/  Avenida Santa Maria Madalena, 2485 (na orla lagunar da cidade de Marechal Deodoro) – Telefone: 99806.8158/ 98875.1959

Bar Gelada ou Natural

Laminas de charques grelhada na brasa com arroz, feijão e macarrão, tradição de  25 anos no Bar Gelada ou Natural

Laminas de charques grelhada na brasa com arroz, feijão e macarrão, tradição de 25 anos no Bar Gelada ou Natural

O charque é um dos itens mais popular na mesa dos nordestinos, e nos últimos anos carne idolatrada pelos chefs. Um dos segredos é a dessalga, e também a escolha de um bom corte. Nesse campo, Amaro Viriato de Lima, alagoano de Maragogi, tira de letra, no seu modesto bar Gelada ou Natural. Há 25 anos no ponto, tem o charque na brasa como campeão de pedidos. A carne, em lâminas finas, macia e com sua devida gordura. Na versão meia porção se faz acompanhar de arroz, macarrão e feijão caseiro com pedaços de charque. Detalhe: duas pessoas comem bem nessa opção “meieira”.

Bar Gelada ou Natural – Rua Pedro Américo, 351 – Poço – Funciona de segunda a sábado, das 8 as 20 horas. Domingo é fechado/ Telefone: 99351.4248

Numa cumbuca ficam as carnes e na outra o feijão, e noutra área estão disponíveis torresmo, couve, laranja e abacax

Numa cumbuca ficam as carnes e na outra o feijão, e noutra área estão disponíveis torresmo, couve, laranja e abacax

Recanto da Feijoada

Nos antigos postais de Maceió, a praia da Jatiúca era um coqueiral quase sem fim, uma casinha aqui e ali, sem prédios nem asfalto. Neste cenário, o ex- garçom, do (sempre) saudoso Bar das Ostras, Francisco José da Silva, o Chico, com muita ousadia, numa temporada de desemprego, arrendou uma antiga casa de palha – e nela instalou cinco mesas. Ao  lado da sua amada Tereza Marina Leobino, cozinheira do restaurante Gogó da Ema, começou vida nova: Recanto da Feijoada.

Bom começo: caldinho de feijoada com pedaços de charque e caipirinha

Bom começo: caldinho de feijoada com pedaços de charque e caipirinha

Tereza fazia a feijoada e Chico, o único garçom, atendia os fregueses. “Não tinha emprego, então a saída era fazer o que gosto: atender as pessoas. Na época comecei com a cara e coragem, e a feijoada”. Sob a direção do casal, o Recanto de Feijoada, soma 35 anos de atividades no mesmo lugar. A praia da Jatiúca, pelo contrário, mudou totalmente. O mar até ficou mais distante, a casa não é mais de palha, mas a feijoada é a mesma. A receita não tem segredo, diz Tereza; mas, “pra ficar supimpa, é feita de um dia pra outro”.

Recanto da Feijoada – Funciona todos os dias, das 11h até as 21h/ R José Luiz Calazans , 15 – Jatiuca – Telefone: 3355.2324

Postado às 9:55, Nide Lins 1 comentário postado em Gastronomia, Mais lidos |
31/08/2015

Bolinho de feijoada já provou? É bom

Nossa feijoada na versão de bolinho com molho de pimenta, um bom começo no Conversa Botequim

Nossa feijoada na versão de bolinho com molho de pimenta, um bom começo no Conversa Botequim

Na panela da feijoada, um dos pratos mais brasileiros contém charque, calabresa, paio, costela, pé de porco, bacon, costela  suína, torresmo, couve… Tudo dá sabor ao feijão preto bem curtido nos temperos das carnes, e nunca sai da moda, ainda mais sendo uma receita sem glúten e sem lactose. Agora conceba este conteúdo culinário virar bolinhos. A primeira vez que ouvi falar dessa versão veio das bandas do Rio de Janeiro e fiquei muito curiosa. Provei numa viagem à Cidade Maravilhosa, no bairro de Santa Tereza. Tinha os bolinhos, porém experimentei os pasteis da feijoada, e apreciei a inovação.

A moda chegou a Maceió no Bar Conversa Botequim, além do bolinho de feijão tem o de bobó de camarão. Adorei os dois. Eles vêm escoltados por molho pimenta, atiçando mais o paladar. Estes exemplares integram o novo cardápio assinado pela chef de cozinha, a cearense Bia Leite, da nova geração da gastronomia brasileira.

Bia Leitão. chef cearense,   consultora do novo cardápio do Conversa Botequim

Bia Leitão. chef cearense, consultora do novo cardápio do Conversa Botequim

Apaixonada por comida e pelo Ceará, Bia trocou a profissão de produtora pelo calor das cozinhas profissionais. Entre panelas, facas e fogo, passa os dias sendo feliz e fazendo o que gosta. Em Maceió ela prestou consultoria para Conversa Botequim e coube aos alagoanos Reinaldo Lira e José Marcelo comandarem a equipe e as panelas.

Siga as minhas dicas

Rabada sem gordura? Prove no Conversa e sem engodar a culpa é do pão

Rabada sem gordura? Prove. No Conversa Botequim tem, mas se engodar a culpa é do pão

Rabada – A tradição nordestina ganhou leveza, não perdeu o sabor e nem dá pra sentir o gosto da gordura,  que é retirada da carne para iniciar o ritual do preparo. A iguaria é marinada no vinho tinto, legumes (cenoura, salsão, salsinha, alho poró, cebola e pimentões) e segue para o cozimento.

Depois de pronta, a rabada fica um tempo geladeira, onde forma uma fina camada de gordura e é descartada. Resultado: carne macia, bem temperada e o molho espesso. Para nossa alegria vem escoltada por fatias de pão e uma farofinha. Perfeito!

Bobó de camarão virou bolinho e para incrementar geleia de pimenta

Bobó de camarão virou bolinho e para incrementar molho de pimentas dedo de moca, malagueta e de cheiro

Bolinho de bobó – Crocante e bem macio por dentro, o bolinho de bobó mantém o sabor tradicional da receita com creme de macaxeira no caldo do crustáceo e com pedacinhos de camarão. O molho de pimenta é um mistura da malagueta, dedo de moça e pimenta de cheiro no azeite. Nota 10. Incrementa o sabor.

 

Coxinhas de batata inglesa com recheio de frango

Coxinhas de batata inglesa com recheio de frango e geleia de pimenta, mais sabor

Coxinha de batata – Em vez da farinha de trigo, entra em cena a batata inglesa para preparar a massa recheada com frango. Bem legal, não tem aquela enrolação de muita massa e pouca carne. A massa fina tem conteúdo de verdade. Para acompanhar a geleia de pimenta. Detalhe todos os bolinhos são empanados com a farinha panko (japonesa).

O cardápio do Conversa Botequim é amplo, são necessários muitas noites de samba para dedicar à “árdua” tarefa de saborear os petiscos.

Marcelo e Reinaldo, comandam o samba de temperos no Conversa Botequim

Marcelo e Reinaldo, comandam o samba de temperos na cozinha do Conversa  Botequim

Quem são:

O chef Reinaldo, formado pelo Senac, contabiliza 10 anos dedicados às panelas, começou com auxiliar de cozinha. Já José Marcelo há 13 anos no mercado, iniciou como lavador do prato, mas ao poucos conquistou a função de chef. A dupla tem harmonia nos temperos fazem um sambinha bom de sabores.

Rota Conversa Botequim

Preços dos novos petiscos a partir de R$18,00 – Aceita cartão

Endereço: Empresário Carlos da Silva Nogueira, 334 – Jatiúca – Telefone:(82) 3022-6063

Funciona -Quarta, Quinta e Sexta das 16:00 / Sábado das 15:00 até o último cliente

 

 

Postado às 9:43, Nide Lins 3 comentários postado em Gastronomia, Restaurantes |
28/08/2015

O dia que a lagosta virou sopa

Sopa de Lagosta por R$ 10,00 será uma atrações do Festival da Lagosta que começa dia 2 e segue até 27 de setembro

Festival de Maragogi: Sopa de Lagosta por R$ 10,00. Evento começa dia 2 e segue até 27 de setembro. Foto Nide Lins

No dia 2 de setembro de 2015, oficialmente, a lagosta, rainha dos sabores dos mares, vai virar sopa. Augusto Cesar e Maria José são os autores dessa artimanha gastronômica. Ele pernambucano, ela alagoana. Quando o verão chegar a dupla se transforma, arma a barraca Sabor Nordestino na orla de Maragogi (vizinha a feirinha) pra vender sopas de carne e de frango aos turistas.

Pois bem, como setembro é mês de Festival da Lagosta de Maragogi, Maria e Augusto, resolveram oferecer a nova versão de sopa. Para testar escolheram casais de um grupo da Igreja como “cobaias” da experiência. A receita foi abençoada. Depois, quando do test dirve com jornalistas , eu estava presente – aliás, muito feliz, pois amo sopa. Adorei, tanto que elegi o caldo como tema para a resenha sobre esse festival que está celebrando seu sexto ano.

A sopa de lagosta leva a cauda do bicho, mas o que dá sabor é o pernil (nome dado as carnes das patas do crustáceo – que já compra sem casca nas lojas de pescados). Esse quitute fica marinado no alho, cebola e azeite, por pelo menos dois dias para depois dar inicio ao ritual da sopa.

Diversidade de legumes fazem a difrença da sopa de lagosta

Diversidade de legumes fazem a difrença da sopa de lagosta. Foto Nide Lins

Diversos são os legumes: abobrinha, quiabo, maxixe, cenoura, brócolis, chuchu. Para engrossar, arroz e macarrão de sopa. Acompanha o prato fundo torradas amanteigadas e, quem desejar, pode acrescentar pimenta biquinho, alcaparra, coentro e/ou salsinha.

O Sebrae recentemente lançou a campanha “‘Compre do Pequeno Negócio’”, e casou bem com o Festival da Lagosta de Maragogi, que armou a Arena Gastronômica, onde os Empreendedores Individuais (EI), a exemplo de Maria e Augusto, vão comercializar o caldo do crustáceo por R$10,00. Confira, in loco, quem mais está dando sabor ao Festival da Lagosta de Maragogi, de 2 a 27 de setembro, com preços que vão R$ 6,90 (caldinho) até R$ 94,50 (para duas pessoas).

Restaurante Companhia da Lagosta, crustáceo com queijo do reino, uma grata surpresa

Restaurante Companhia da Lagosta, crustáceo com queijo do reino, uma grata surpresa. Foto Arnaldo Medeiros

Vila de Taipas- O único estabelecimento de Japarantiga participante do Festival é o restaurante Cia da Lagosta, do grupo Vila de Taipas. O chef Iran Cavalcante criou seu prato com queijo do reino. Pensei que a mistura não iria dá certo… mas errei feio, o queijo deu sabor especial.

Japaratinga: Companhia Da Lagosta  – Lagosta Grupo Vila por  Lucivânia Da Silva – Praia de Barreiras de Boqueirão 107 – Japaratinga – Telefone: (82)3297-1271 – www.viladetaipa.com.br

Arroz de frutos do mar com lagosta flambada na cachaça

Arroz de frutos do mar com lagosta flambada na cachaça.  Foto Arnaldo Medeiros

Lagosta Cachaceira – A cauda  do crustáceo é temperada com alho, limão e sal. Grelhada no azeite, e depois flambada na cachaça – que, literalmente, embriagou a receita com mais sabor. Como acompanhamento, arroz de frutos do mar. Criação da chef da casa Janaína Teixeira, do Restaurante e Estalagem Kaimoana. No restaurante também tem ótima macarronada de camarão.

Restaurante E Estalagem Kaimoana – Lagosta Cachaceira- Avenida Senador Rui Palmeira,956 – Centro – (82) 3296-1482 – www.kaimoana.com.br

Lagosta à Especiaria

Lagosta à Especiaria por Duda. Foto Arnaldo Medeiros. Foto Arnaldo Medeiros

Restaurante E Receptivo Pontal do Maragogi – Lagosta à Especiaria por Duda – Rodovia AL 101 Norte – Km 130, Sítio Burgalhau – (82) 3296-6170 –www.pontaldomaragogi.com.br

Lagosta Terra E Mar por Silvaneide

Lagosta Terra E Mar por Silvaneide.  Foto Arnaldo Medeiros

Restaurante E Pousada Alto Do Cruzeiro– Lagosta Terra E Mar por Silvaneide – Alto do Cruzeiro, s/n – Aviário/ (82) 32962004 / 93317585 / 93414360 / 91126067 / 93058453 – www.pousadaltodocruzeiro.com.br

Pastel de lagosta

Pastel de lagosta. Foto Arnaldo Medeiros

Pastel  – Para petiscar o pequeno empreendimento Pastel Expresso criou o salgado com dois pasteis recheados com lagosta. Detalhe importante a massa é caseira. Nota 10!. A  chef Mesulan Pereira também criou a a tortinha expressa de lagosta com creme de abóbora. Pastel Expresso – Av. Senador Rui Palmeira s/n Centro – (82)98843-1061/(82)99139-4811

Unomake De Lagosta por  Joabe Olive

Unomake De Lagosta por Joabe Olive.  Foto Arnaldo Medeiros

Temakeria Costa Dos Corais – Sunomake De Lagosta por  Joabe Oliveira –  Endereço:  AV Senador Rui Palmeira, 749 – telefone- (82)9334-6123

Lagostim Salinas

Lagostim Salinas. Foto Nide Lins

Salinas Do Maragogi All Inclusive Resort – Lagostim Salinas (exclusivo para os hospedes) por Amaro da Silva – Rod. Al 101 Norte , Km 124 – (82)3296-3000 / www.salinas.com.br

Lagosta Do Encontro  por  Jalência Morais.

Lagosta Do Encontro por Jalência Morais.  Foto Arnaldo Medeiros

Pousada Encontro Das Águas : Lagosta Do Encontro  por  Jalência Morais. Rodovia AL – 101 Norte, Lote 03 – Qd A – Praia de Peroba – (82) 32968144 -www.praiaencontrodasaguas.com.br

Lagosta Peromares por  Alexandre Santos. Foto Arnaldo Medeiros

Lagosta Peromares por Alexandre Santos. Foto Arnaldo Medeiros

Restaurante Sabor De Maragogi – Lagosta Peromares por  Alexandre Santos – Rod. Al 101 Norte, 40 – Praia de Peroba – (82) 3296-8155

Lagosta a Bele Meuniere

Lagosta a Bele Meuniere. Foto Arnaldo Medeiros

Restaurante Burgalhau  – Lagosta À Bele Meuniere por  Ivaldo Luna – Praia de Burgalhau s/n – Sítio Burgalhau – Maragogi-Alagoas –  (82) 3296-6170 | (82) 99114-9402

Lagosta Praieira por Marcelo Souza

Lagosta Praieira por Marcelo Souza

Hotel Praia Dourada – Lagosta Praieira por Marcelo Souza –  Rodovia AL – 101 Norte, Km 130, de Peroba, (82) 32966161 / 32966200 -www.hotelpraiadourada.com.br

Lagosta Areias Belas

Lagosta Areias Belas. Foto Arnaldo Medeiros

Hotel Areias Belas: Lagosta Areias Belas por Dani Brito – Av. Beira Mar, 59 – Centro – (82) 32961616 – www.hotelareiasbelas.com.br

Caldinho de Lagosta da Nize, será uma das atrações da Arena gastronômica no Festival na Praça de Eventos de 2 a 7 de setembro com apresentações culturais

Caldinho de Lagosta da Nize , será uma das atrações da Arena gastronômica no Festival na Praça de Eventos do Centro de Maragogi, 2 a 7 de setembro com apresentações culturais. Foto Arnaldo Medeiros

A 6ª edição do Festival é uma realização da Prefeitura Municipal de Maragogi e do Costa dos Corais Convention e Visitors Bureau, com o patrocínio do Sebrae, Banco do Nordeste (BNB) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur), além do apoio do Salinas de Maragogi Resort.

Apoio para receber os jornalistas: Receptivos Costazul Turismo e Tropicana Turismo. Agência e Receptivo Corais do Maragogi e Restaurante e Receptivo Pontal do Maragogi . Associação dos Bugueiros de Maragogi

www.festivaldalagosta.com

ALÉM DAS LAGOSTAS

Passeio de bugre: parada obrigatória

Passeio de bugre: parada obrigatória. Foto Nide Lins

Aposte o passeio de bugre para conhecer as praias de Maragogi, além fotografar vista panorâmica do restaurante e pousada Alto do Cruzeiro, e por fim saborear e comprar os bolinhos de goma de Tia Marlene, na praia de São Bento – com direito a café.

Tia Marlene com as broas de Maragogi no seu quintal na praia de São Bento

Tia Marlene com as broas de Maragogi no seu quintal na praia de São Bento. Foto Nide Lins

Navegue até as piscinas naturais de Maragogi, o cartão postal mais famoso das Costas dos Corais.

No passeio de veleiro tem a melhor visão das piscinas naturais de Maragogi

Piscinas naturais de Maragogi

Praia do Antunes, em Maragogi, linda e deserta. Que seja assim eternamente

Praia do Antunes, em Maragogi, linda e deserta. Que seja assim eternamente. Foto Nide Lins

Para se hospedar em Maragogi não faltam opções para todo gosto e bolso, desde o Resort Salinas até as pousadas mais modestas. Algumas dicas: Pousada , Tartaruga, Encontro das Águas, Pousada Costeira da Barra, Pousada Mariluz, Pousada Taieiras,  e Pousada Shalom Beach

O mar de Japaratinga, sempre sereno, é ideal para a família

O mar de Japaratinga, sempre sereno, é ideal para a família. Foto Nide Lins

Em Japaratinga despontam as pousadas Vila de Taipas,Doze Cabanas e Igarakuê para curtir a paz e praia.

Postado às 10:34, Nide Lins seja o primeiro a comentar! postado em Festival/ Curso, Gastronomia |
26/08/2015

Labaredas dos Pobres, mas rica em sabor

Porção individual da galinha com pirão, uma tradição do restaurante Labaredas em Arapiraca

Porção individual da galinha com pirão, uma tradição do restaurante Labaredas em Arapiraca

Na movimenta Rodovia Al-220 , na cidade de Arapiraca, que nos leva a vários destinos alagoanos, nunca me dei conta de um restaurante na beira da estrada com o nome Labaredas. Mas a família do jornalista Breno Airan é fã do estabelecimento, aliás, não só eles, os arapiraquenses, viajantes e, claro, eu também.  O reinado lá é da galinha velha com pirão, uma tradição de 15 anos.

O modesto empreendimento popularmente é conhecido como Labaredas dos Pobres. Os proprietários gostam da brincadeira, até porque a comida é rica de sabores e o mais importante, a casa está sempre cheia.

Figado a cebolada, uma das entradas do Labaredas

Figado a cebolado, uma das entradas do Labaredas

O folclore conta que na cidade havia uma churrascaria e rodizio batizada de Labaredas, muito chique, mas fechou, e assim começou o trocadilho.

A galinha velha é temperada da forma tradicional, com tempero (cominho e pimenta do reino), pimentão, cebola, colorau… Mas tomate não é bem vindo por que azeda. Segundo o proprietário da casa, Everaldo Alexandre, para o caldo da ave render bom pirão só com galinha gorda. Light e diet, nem pensar.

Detalhe: o couro da ave é todo retirado, o que dá sabor é a gordura natural.

Pudim, a sobremesa mais querida da casa

Pudim: a sobremesa mais querida da casa

De entrada saboreei o fígado acebolado, também aprovei, e um pudim de leite é especialidade da casa. Outro sucesso é a buchada de bode, mas neste caso, não aguentava comer os dois, precisaria de uma equipe, então optei pela galinha de pirão, que virei fã.

O restaurante Labaredas dos Pobres é um empreendimento familiar de Everaldo e da sua esposa, Lucié Brito, a chef de cozinha. O lugar é simples, mas como disse, rica em sabores, e tem uma árvore frondosa no quintal para lembrar que vida de interior é prazerosa.

Na fachada o nome Labaredas, mas o povo acrescentou dos pobres, mas a comida  é rica

Na fachada o nome Labaredas, mas conhecido como Labaredas dos pobres

Restaurante Labaredas

Galinha com pirão (porção individual) – R$ 22,00 / Porção para três – R$ 30,00 – Aceita cartão

Funciona de terça a domingo, das 10h30 até as 16h30

Rodovia Al 220 – Arapiraca – telefone: 82 3539.0411

 

Postado às 13:13, Nide Lins seja o primeiro a comentar! postado em Cozinha Popular |
24/08/2015

Bom dia, com bode guisado e café

 

Arapiraca: café da manhã no bar com bode guisado, inhame , cuscuz e café com leite

Arapiraca: café da manhã no bar com bode guisado, inhame , cuscuz e café com leite

Às 5h30, numa segunda-feira qualquer, as lojas da cidade de Arapiraca ainda dormem, pouca gente na rua. Contudo, a capital do agreste tem suas peculiaridades – toda segunda-feira é dia de forró de graça na praça Luiz Pereira Lima (antiga praça da Prefeitura) , para casais da melhor idade e quem queira se arriscar no arrasta-pé. Mas os familiares de seu Quitino Pertulino da Fonseca, estes, sim, arrastam os pés logo cedo para abrir as portas do Bar do Bode, e servir seu saboroso café da manhã.

Cheguei às 8 horas e pedi a opção para uma pessoa, no valor de R$12,00 com direito ao café com leite quentinho num copo americano, mais bode guisado, cuscuz de milho e duas rodelas de inhame – por sinal, em Arapiraca, o tubérculo, alvo, é um espetáculo de maciez.

Detalhe do bode guisado e molho encorpado para mistura no inhame ou cuscuz

Detalhe do bode guisado e molho encorpado para mistura no inhame ou cuscuz

Essa tradição do café nordestino com bode tem mais de 30 anos na casa. Seu Quitino, com 86 anos, e sua esposa, dona Neném (Maria José Lima), com 77, não recordam o ano que inauguraram o estabelecimento. Mesmo com a idade avançada, o casal ama ficar no bar esperando os clientes, papeando com os fregueses mais assíduos. Na retaguarda atua a filha Clene, herdeira do fogão, que, com apenas uma ajudante, dá conta do recado.

O bode ou carneiro, para seu Quitino, “é a mesma coisa”. Ele segue a clássica receita do tempero caseiro, com pouquíssimo cominho, alho, pimenta do reino, tomate, cebola e pimentão.  A carne ganha textura macia, com direito ao caldo para misturar ao cuscuz ou inhame. Simples e saboroso.

Bode assado e seus completos: feijão, arroz, salada e maionese, simples e muito bom

Bode assado e seus completos: feijão, arroz, salada e maionese, simples e muito bom

Como diz Quintino, tanto faz  bode ou carneiro, pois as receitas têm o dom de selar amizades. No Agreste, e no Sertão, inclusive, carneiro/bode é o presente dos mais  desejados.

A casa também oferece a versão assada. Lá retornei, às 13 horas, para almoçar. O assado é temperado apenas no sal é, macio, é vem à mesa com arroz, salada, macarrão, maionese e delicioso feijão. Nota 10!

Pintura da fachada do Bar do Bode em Arapiraca

Pintura da fachada do Bar do Bode em Arapiraca

Bar do Bode

Preço: café R$ 12,00 com bode guisado, café e dois acompanhamentos/ Prato comercial R$ 12,00 – Não aceita cartão

Funciona das 5h30 até as 16 horas

Rua Pedro Correia, 59 – Centro de Arapiraca – Telefone:9 9616.4224

Dona Neném, Clene e seu Quitino, família empreendedora do Bar do Bode

Dona Neném, Clene e seu Quitino, família empreendedora do Bar do Bode

Fachada do Bar do Bode e a churrasqueira

Fachada do Bar do Bode e a churrasqueira

 

 

Postado às 6:37, Nide Lins seja o primeiro a comentar! postado em Cozinha Popular, Gastronomia |
21/08/2015

Japonês nordestino danado de bom

Para pedir bis: salmão enrolado com cream chesse, ovas capeline e as delicadas rodelas de limão, o tom cítrico do japonês

Para repetir: salmão enrolado com cream chesse, ovas capeline e as delicadas rodelas de limão, o tom cítrico do japonês nordestino no novo restaurante Missô no Mirante Farol

A utilização do cream cheese no sushi  (prato da culinária japonesa de conservação do  peixe em arroz avinagrado) nasceu nos Estados Unidos, e virou moda no Brasil com milhares de seguidores. Em Alagoas não é diferente, virou febre. Sinceramente, eu aprecio a mistura com queijo americano, por isso, batizei este post de japonês nordestino danado de bom, que é também minha definição do novo restaurante Missô, que está sob a batuta de dois sushimen, o alagoano Cicero Harri e o cearense  Neto Costa.

Embora com aparência sedutora, até duvidei de algumas criações: a trilogia de peixes com geleias de pimenta e de maracujá, e  carpaccio de salmão marinado nos sucos de laranja e limão siciliano. E tem mais, não precisa  mergulhar os pescados no shoyo, tanto que dispensei o molho japonês para provar as iguarias na sua verdadeira essência.

Geleias de pimenta e de maracujá (produção da casa) dão sabor exótico a triologia dos pescados

Geleias de pimenta e de maracujá (produção da casa) dão sabor exótico a triologia dos pescados

O Missô  começou bem.  O restaurante, localizado no Mirante Farol (antigo colégio Batista), é um sonho dos jovens empreendedores, Henrique Melo e Sarah Andrade com o chef e sushiman, Cicero Harri. Eles estão investindo num novo conceito de culinária oriental, propõem experiência de novos sabores, onde até a singela acelga ganhou notoriedade ao lado do salmão.

Empreendedores: o chef Cicero Harri com o casal Henrique e Sarah. Eles apostaram na cozinha japonesa inovadora

Empreendedores: o chef Cicero Harri com o casal Henrique e Sarah. Eles apostaram na cozinha japonesa inovadora

Siga os meus prediletos no Missô.

Viajar pelas experiencias dos chefs, óitma proposta do Missô

Viajar pelas experiencias dos chefs, ótima proposta do Missô

Viagens – Quem deseja experimentar as criações dos chefs nordestinos pode navegar pelas degustações em dupla, no total de 30 peças. Um bom exemplo é acelga max Especial. A folhinha é super crocante e envolve o salmão, camarão empanado e com cream cheese. Digo mais: é marcante a presença das ovas de peixes nos enrolados.

Inspirado no prato ceviche, o polvo vem com manga pra quebrar acidez do maracujá

Inspirado no prato ceviche, o polvo vem com manga pra quebrar acidez do maracujá

Manga – Inspirado no ceviche de polvo, mas não é peruano. Versão alagoana com manga e vinagrete de maracujá. Também vem com cebola roxa, tomate cereja e pimentão. Pouco ácido.

Pescados marinados no molho de laranja e limão

Pescados marinados no molho  de vinagre, pimenta skirashi, azeite e cebolinha

Mais ceviche –  O sashimi também ganha uma versão ceviche  com salmão, atum, agulhão, camarão, polvo e kani. Todos marinados com vinagre, pimenta skirashi, azeite e cebolinha. Levemente apimentado.

Enrolados de peixe agulhão com salmão e ovas

Enrolados de peixe agulhão com salmão e ovas

Enrolados –  Salmão e agulhão são envolvidos e decorados com ovas de peixe voador, cream cheese e azeite defumado. Esta criação é Kukan (enrolado) Especial .

Arroz com camarão empanado e a couve e cenoura bem crocante

Arroz com camarão empanado e a couve e cenoura bem crocante

Missô crocante – Camarão empanado com cream cheese e coroados pelos delicados crisps de couve e crocância.

Com abacate e salmão é de pedir bis

Com abacate e salmão é de pedir bis

Uramaki Avocado– salmão enrolado com arroz, cream cheese e abacate.

Carpaccio de salmão, entrada leve e saborsa

Carpaccio de salmão no molho de laranja e limão siciliano, entrada leve e saborosa no Missô

Quem são

Cicero Harri é alagoano de Atalaia, ex-cortador de cana que tinha a missão de preparar a comida para os irmãos, e assim começou sua trajetória no mundo gastronômico. Estudou no Senac, mas duas pessoas foram essenciais no aperfeiçoamento profissional do Harri, o programa de TV Cozinha da Ofélia (ele anotava todas receitas) e o chef Nilo Bugarelli, que o apresentou à culinária italiana.

O prenome é em homenagem ao Padre Cicero, e Harri, um erro na hora do registro do seu pai Mauro Harri, o certo era Ari. Sempre aguerrido Cicero foi conquistando seu espaço, de lavador de prato a chef consultor, e hoje com mais de 30 anos no mercado, faz bonito na culinária japonesa, sempre inventando moda.

Os bons de faca: Cicero, Neto e  Natan Costa

Os bons de faca: Cicero, Neto e Natan Costa

Neto Costa é cearense, sua escola foi seu tio Luciano Costa. Ele trabalhou com os melhores chefs da culinária japonês nas casas Shiro e Soho em Salvador, Senzai em Aracaju e na cidade de Piranhas, onde ganhou dois fãs: Henrique e Sarah. Com 11 anos experiência no mercado de comida japonesa, aceitou o desafio de criar novos pratos da culinária japonesa nordestina.

Detalhe da telas do artista plástico Suel, no restaurante Missô

Detalhe da telas do artista plástico Suel, no restaurante Missô

Rota do Missô

Preços vão de 18,00 até R$ 132,00 – Aceita cartão

Funciona de terça a quinta das 17h as 23h/ sexta e sábado das 17 até meia noite/ Domingo das 12h até 23h.]

Rua Aristeu de Andrade, 256, Farol – Mirante Farol – Telefone: 3022.8778

Postado às 11:03, Nide Lins 3 comentários postado em Chef na Cozinha, Gastronomia |
18/08/2015

Camarão de água doce, que maravilha!

Camarões bem vermelhos, de tamanho médio, cozidos apenas no sal, limão e no próprio caldo

Marechal Deodoro: camarões de água doce cozidos no sal, limão e no próprio caldo. Tradição do Bar V 2

Bela da tarde, mesma, é lagoa Manguaba. Prateada, ondulante, salpicada por alguns barquinhos… uma graça. Lá, numa margem, um singelo bar com as cadeiras recolhidas. Mas meu amigo Ovido Gurgel, que conhece a cidade de Marechal Deodoro na palma da mão, soprou: “Ali tem o melhor camarão”. Poderia ter respondido, como diz o proverbio popular: “Não cutuque a onça com vara curta”.  Nem estava com fome, porém, na minha missão de blogueira, fui conferir a fama alardeada.

Entrei no Bar 20 V, nome peculiar, e perguntei aos donos da casa, Izaias Ferreira (conhecido como Capão) e sua esposa Dislene Farias, se tinham o camarão e qual o tipo? Ela respondeu: “Tem de água doce e com casca”. Nem acreditei, achei que era barba roxa de cativeiro tão popular nos bares e restaurantes.

Vista do Bar 20 V, na lagoa Manguaba, na cidade histórica de Marechal Deodoro

Vista do Bar 20 V, na lagoa Manguaba, na cidade histórica de Marechal Deodoro

Pura verdade. Camarões bem vermelhos, de tamanho médio, cozidos apenas no sal, limão e no próprio caldo. Uma tradição das cozinhas alagoanas de fazer da forma mais simples, sem adereços. Até tinha esquecido que o bichinho de água doce é mais carnudo e saboroso.

Como o casal mantém a tradição? Não tem mistério, no Bar 20 V – com 25 anos de história na beira da lagoa –, o pescador é o fornecedor fiel, mas se a lagoa não tá pra camarão, o jeito é se contentar com o bar roxa de cativeiro.

Tradição alagoana: peixe carapeba

Tradição alagoana: peixe carapeba

No bar a Carapeba, peixe nobilíssimo, também tem assento cativo na cozinha de Isaías e Dislene. “Compro o direto ao pescador”, diz Capão. Para acompanhar o peixe alagoaníssimo, apenas vinagrete. Quem deseja arroz e feijão tropeiro deve encomendar. O pescado, tamanho médio, carnudo, apenas é frito, e vem com a casquinha bem sequinha.

Quer outra opção? Recomendo as asinhas bem crocantes, irresistíveis, principalmente acompanhadas pela cerveja bem gelada. Preparadas com muito esmero. Primeiro são lavadas com vinagre e limão, depois temperadas com pimenta do reino, cominho (pouco), alho, cebola e pimenta de cheiro. Tudo é liquidificado, e nesse líquido é mergulhada, uma por uma, cada asinha antes de ir ao fogo. Maravilha.

as asinhas bem crocantes, irresistíveis, principalmente acompanhadas pela cerveja bem gelada.

Asinhas bem crocantes, irresistíveis, principalmente acompanhadas pela cerveja bem gelada

O empreendimento é simples, limpíssimo, e antes do Bar 20 V , Capão já teve outro bar batizado “Buraco da Gente”. Depois foi a vez do “Aqui Era”. Nomes hilários criados por esse alagoano de Marechal Deodoro. Quando perguntei o que significava o nome atual, ele fez sua própria tradução: “Bar vim te vê” – haja imaginação!

Outra particularidade: No 20 V, a música ambiente é – “uma brasa, mora!” – no embalo da Jovem Guarda. E, assim,  deliciosamente, às margens da Manguaba, o tempo vai passado sem a gente perceber.

Dislene e Capão, comandam a cozinha, o bar e atendem os fãs do Bar 20 V

Dislerne e Capão, comandam a cozinha, o bar e atendem os fãs do Bar 20 V

Rota Bar 20 V

Preços: vão de R$ 10 até R$ 35,00 – Não aceita cartão

Funciona todos os dias das 10h até as 18h

Avenida Santa Maria Madalena, 2485 (na orla lagunar da cidade de Marechal Deodoro) – Telefone: 99806.8158/ 98875.1959

Fachado do Bar 20 V, na orla lagunar da cidade, 25 anos de tradição

Fachado do Bar 20 V, na orla lagunar da cidade, 25 anos de tradição

 

 

 

 

Postado às 23:28, Nide Lins 9 comentários postado em Cozinha Popular, Gastronomia |
16/08/2015

Cabeça de Bode, só para fortes

fazer a cabeça de bode é uma ciência, numa técnica que descarta boa parte do crânio do animal

Fazer a cabeça de bode é uma ciência, numa técnica que descarta boa parte do crânio do animal. A iguaria exótica é uma tradição da Buchada do Vavá no povoado Baixa do Capim, na cidade de Arapiraca

Domingo, dia de sol a pino, e eu seguindo por uma estrada de barro… Mas por uma causa nobre: provar a famosa Buchada do Vavá, no povoado Baixa do Capim, município de Arapiraca. Ao longo dos seis quilômetros de chão, dizia comigo mesmo: “Só vai nesse Vavá quem tem negócio”… Entretanto, aos poucos, meu olhar foi mudando, se harmonizando com beleza do agreste, até que avistei a casa pintada de vermelho. Havia chegado ao meu destino, a Buchada do Vavá.

Fiz o trajeto seguindo a orientação de Cicero Brito, artista plástico de faro apurado para boa culinária nordestina. Lá, deparei-me com um cardápio bem visível na parede, destacando o seguinte item: cabeça de bode – R$ 5,00. Disse logo para seu Vavá, um arapiraquense grandão e simpático, que, além da buchada, também comeria o prato exótico.

A estrada para chegar a Buchada do Bode

A estrada de barro para chegar a Buchada do Vavá

Imaginava algo assustador. Porém, a aparência nada tem de impactante. A massa, bem temperada, é leve e desmancha no céu da boca. Em média seu Vavá compra cinco cabeças, e escolhe as dos machos, e logo pede desculpa: “não é nada contra as mulheres”.

O modo de fazer a cabeça de bode é uma ciência, numa técnica que descarta boa parte do crânio do animal. Depois de meticulosamente limpa, por fim, é cozida junto com a buchada, acrescentando mais sabor, numa tradição nordestina mantida pelo seu Vavá.

Buchada do Vavá, tradição de 20 anos, no povoado Baixa do Capim

Buchada do Vavá, tradição de 20 anos, no povoado Baixa do Capim

A Buchada é servida de forma clássica, com o delicioso pirão do próprio cozimento. Seu Vavá diz que o segredo é a limpeza, que requer muito cuidado e dedicação.

O preparado tem como base o bucho do bode ou carneiro, recheado com  fígado, vísceras, gorduras – lavadas com limão, vinagre e sal. Em seguida são cortadas, temperadas com cominho, sal, alho,  legumes. Tudo é adicionado ao sangue cozido e machucado (em vez de cortado, numa tradição do fazer diferente de Seu Vavá). Uma vez recheados, os buchos são costurados com agulha e linha comuns.

Ritual: Tirando a linha para comer o recheio da buchada de bode

Ritual: tirando a linha para comer o recheio da buchada de bode

Seu Vavá foi batizado como Lorisval de Oliveira Brito, tem 59 anos. É casado com dona Ivonete, 52 anos. Foi tentar a sorte em São Paulo e lá fez de tudo, de pedreiro a vendedor de feira, até que um dia bateu a saudade, e ele voltou  para Arapiraca – já com a ideia de se dedicar ao que sabia fazer bem, a buchada.

No recomeço em Arapiraca eram apenas Vavá e Ivonete, e a buchada. Sem mesas e nem muito menos cadeiras. Atualmente são 30 mesas, e da cozinha do casal saem de 15 a 16 buchadas aos sábados e domingos.

Vista da Buchada do Vavá, na cidade de Arapiraca

Vista da Buchada do Vavá, na cidade de Arapiraca

Como sobremesa, são oferecidos doces de leite e de banana em rodelas, produzidos por uma associação de mulheres do povoado Baixa do Capim, num arranjo produtivo local muito saboroso.

Empreendedor: Seu Vavá já morou em São Paulo, mas a saudade trouxe de volta para Arapiraca

Empreendedor: Seu Vavá já morou em São Paulo, mas a saudade trouxe de volta para Arapiraca

Fachada da Buchada do Vavá, 20 anos de sucesso na cidade de Arapiraca

Fachada da Buchada do Vavá, 20 anos de sucesso na cidade de Arapiraca

Rota – Buchada do Vavá

  • R$ 25,00 Buchada Reduzida (pra duas pessoas)/R$ 40,00 Buchada Média (pra quatro pessoas)/ Não aceita cartão.
  • Funciona aos sábados, domingos e feriados. Das 11 até as 15horas.
  • Telefone: 99961.6030.
  • Como chegar – Pela AL 220, em frente ao shopping Garden, entre à direita e siga a estrada de barro. São 6 km e placas lhe indicarão o caminho.
Postado às 22:18, Nide Lins 5 comentários postado em Cozinha Popular, Gastronomia |
13/08/2015

Feijoada do Chico, tradição de 35 anos

Numa cumbuca ficam as carnes e na outra o feijão, e noutra área estão disponíveis torresmo, couve, laranja e abacax

Feijoada do Chico: Numa cumbuca ficam as carnes e na outra o feijão. Tradição de 35 anos

Nos antigos postais de Maceió, a praia da Jatiúca era um coqueiral quase sem fim, uma casinha aqui e ali, sem prédios nem asfalto. Neste cenário, o ex- garçom, do (sempre) saudoso Bar das Ostras, Francisco José da Silva, o Chico, com muita ousadia, numa temporada de desemprego, arrendou uma antiga casa de palha – e nela instalou cinco mesas. Ao  lado da sua amada Tereza Marina Leobino, cozinheira do restaurante Gogó da Ema, começou vida nova: Recanto da Feijoada.

Tereza fazia a feijoada e Chico, o único garçom, atendia os fregueses. “Não tinha emprego, então a saída era fazer o que gosto: atender as pessoas. Na época comecei com a cara e coragem, e a feijoada”.

Bom começo: caldinho de feijoada com pedaços de charque e caipirinha

Bom começo: caldinho de feijoada com pedaços de charque e caipirinha

Sob a direção do casal, o Recanto de Feijoada, soma 35 anos de atividades no mesmo lugar. A praia da Jatiúca, pelo contrário, mudou totalmente. O mar até ficou mais distante, a casa não é mais de palha, mas a feijoada é a mesma. A receita não tem segredo, diz Tereza; mas, “pra ficar supimpa, é feita de um dia pra outro”.

Na panela vão generosos nacos de charque, paio, bacon, pé de porco e linguiça caseira. Numa cumbuca ficam as carnes e na outra o feijão, e noutra área estão disponíveis torresmo, couve, laranja e abacaxi. A porção média serve bem duas pessoas.  O corte do charque, dianteiro, também não mudou nessas décadas de trabalho.

Carne guisada na versão petisco no Recanto da Feijoada

Carne guisada na versão petisco no Recanto da Feijoada

No Recanto da Feijoada a tradição começa com caldinho de feijão (abençoado) com pedaços de charque. Para acompanhar uma gelada ou a tradicional caipirinha de limão.

Outra tradição da casa é a carne guisada com batatas, tanto na versão de petisco como no formato prato comercial. Macia, com direito àquela irresistível graxa do próprio cozimento.

Prato comercial do Recanto da Feijoada

Prato comercial do Recanto da Feijoada

O “Comercial” de carne suína, ou de bife acebolado, é apreciado pelos fãs da casa. Nos finais de semana as 25 mesas são duramente disputadas.

O empreendedorismo é o principal ingrediente do casal Chico e Tereza,  que, somados à simpatia e ao condimento caseiro, transformaram a casinha de palha num estabelecimento sólido, endereço no qual moram e trabalham, oferecendo a simples e boa culinária regional.

Rota Recanto da Feijoada

Meia feijoada – R$ 33,00 (pra duas pessoas). Prato comercial – R$ 13,00 – Aceita cartão

Funciona todos os dias, das 11h até as 21h

R José Luiz Calazans , 15 – Jatiuca – Telefone: 3355.2324

Fachada do Recanto da Feijoada. Simplicidade e boa comida

Fachada do Recanto da Feijoada. Simplicidade e boa comida

Postado às 9:39, Nide Lins 5 comentários postado em Cozinha Popular, Gastronomia |
10/08/2015

Comida de estrada e das boas

As panelas de barro aquecem as comidas do restaurante Frutos do Mar, em Matriz de Camaragibe

As panelas de barro aquecem as comidas do restaurante Frutos do Mar, em Matriz de Camaragibe

Na AL 105 Norte, que nos leva aos destinos turísticos do litoral norte de Alagoas, na cidade Matriz de Camaragibe, o restaurante Frutos do Mar conquistou meu paladar desde novembro de 2014, quanto tive o prazer de conhecer os sabores da boa cozinha nordestina. E mesmo longe do mar, os pescados são um manjar dos Deuses.

Camarão ao leite de coco com legumes, uma das maravilhas do restaurante

Camarão ao leite de coco com legumes, uma das maravilhas do restaurante

Até o camarão (tamanho pequeno) oriundo dos mares de Barra de Santo Antônio é muito saboroso, porque geralmente não é. O crustáceo preparado no leite de coco com legumes é divino. Lembrou a receita de minha mãe, dona Nia. É de repetir. E na companhia do purê de batata bem encorpado,  melhor ainda, mas tem o pirão de camarão ou várias opções de arroz branco, de cenoura, de camarão, de lula… Tudo no capricho.

O famoso Prato Comercial dos Frutos do Mar, custa R$ 9,99

O famoso Prato Comercial dos Frutos do Mar, custa R$ 9,99

O proprietário do estabelecimento, Sula Lessa, também oferece uma opção supereconômica, no valor R$ 9,90 (sem balança) o comensal pode servir a vontade do buffet e escolher dois tipos de carnes guisadas (também são ótimas). E tem mais. Uma placa avisa que, quem deixar  sobra no prato paga uma taxa de R$5,00. “É uma questão de educação para evitar o desperdício”, diz Sula Lessa.

O carneiro guisado servido no buffet de panelas de barro (outro diferencial) continua supimpa, como se diz : de comer lambendo os dedos.

Do meu agrado: carneiro guisado

Do meu agrado: carneiro guisado

Rota Frutos do Mar

Preço por quilo – R$33,90 – Aceita cartão – Funciona todos os dias, das 11h30 até as 16h00 – Buffet sem balança, ou seja, o famoso prato comercial com dois tipos de carne: R$10,00. Mas não deixe no prato, a taxa é de R$ 5,00

AL 105 Norte km 72 – Matriz de Camaragibe – Telefone 82 3251.1433 / 8889.1400

Saiba Mais sobre Frutos do Mar

http://blog.tnh1.ne10.uol.com.br/nidelins/2014/11/26/sem-mar-mas-o-camarao-manda-em-matriz/

 

 

Postado às 10:22, Nide Lins 3 comentários postado em Cozinha Popular, Gastronomia |

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